Bíblia G

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GALAAD

Originariamente era o nome de uma montanha ao sul do rio Jaboc, na Transjordânia

(Gn 31,47s). Depois passou a indicar a região ao norte e ao sul do Jaboc, inclusive a

de Mádaba (cf. Nm 32,1 e nota). Outras vezes pode ser o nome do filho de Maquir

ou até de uma tribo (cf. Jz 11,1 e nota).

GALÁCIA

Região do planalto central da Ásia Menor, onde se fixaram os celtas, que ali

chegaram no séc. III aC. Paulo visitou esta região durante sua segunda viagem

missionária (At 16,6). Mais tarde escreveu uma epístola à nova comunidade cristã

dos gálatas. Ver a Introdução da epístola aos Gálatas.

GALILÉIA

Região norte da Palestina, que formava junto com a Peréia o território administrado

por Herodes (4 aC a 37 dC). A população era formada sobretudo de judeus. Mas

pela sua mistura com pagãos e dialeto próprio (Mt 26,73) os galileus eram

desprezados pelos judeus como ignorantes e violadores da Lei (Jo 7,41; Mc 14,70).

Cidades da Galiléia, como Nazaré, Caná, Cafarnaum, Betsaida e Tiberíades, além do

lago da Galiléia, são o cenário mais familiar da vida pública de Jesus.

GAMALIEL

Famoso escriba e fariseu, neto de Hillel, que foi mestre de Paulo (At 22,3). Como

membro do Sinédrio conseguiu a liberdade dos apóstolos presos (5,34-39).

GEENA

Forma grega do nome geográfico hebraico “vale do Enom”, lugar situado aos pés de

Jerusalém, onde se sacrificavam crianças em homenagem a Moloc (2Rs 16,3; 21,6;

Jr 32,35). Como punição pela idolatria, Jeremias anunciou que o vale seria um lugar

amaldiçoado (7,30-8,3). O vale tornou-se um símbolo da punição escatológica (Is

66,22-24). Mais tarde tornou-se depósito de lixo de Jerusalém. No NT a geena é o

símbolo da condenação eterna dos pecadores (Mt 5,29; Mc 9,43 e nota). Ver

“Inferno”.

GENTIO

Termo judaico e cristão para indicar aqueles que professam religiões nãomonoteístas,

isto é, pagãos. A qualificação “gentio”distingue o “povo eleito”dos

demais povos.

Esta separação dos judeus, que se consideram eleitos, dos demais povos constituiu

um problema sério para a admissão dos pagãos na Igreja. Muitos queriam que eles

se submetessem à Lei mosaica (At 15,1s; 10,1s; 21,17-21). Paulo, que se gloria de

ter sido chamado por Deus para pregar o Evangelho diretamente aos pagãos, reflete

longamente sobre a eleição dos gentios (Gl 1,15-16; Rm 9,24-26; 10,19-21; 15,7-

13; 1Cor 1,26-31); por isso é chamado “apóstolo dos gentios” (pagãos).

Certos textos dos evangelhos refletem os problemas entre os cristãos de origem

judia e os de origem pagã (Mt 1,1-16; 8,5-13; 11,20-24; 21,28-43; 2,1-12).

GION

Fonte aos pés da colina sobre a qual estava construída Jerusalém, no vale do

Cedron, hoje chamada pelos cristãos “fonte de Maria”. A fonte já dispunha no tempo

dos jebuseus de um sistema de captação, permitindo que por meio de um túnel e

um poço a água fosse captada sem precisar sair das muralhas. O rei Ezequias

mandou construir um túnel de 550 m sob a colina de Ofel (Is 22,9-11; 2Rs 20,20 e

nota) a fim de conduzir a água da fonte para o interior das muralhas, até a parte

baixa da cidade, onde construiu a “piscina de Siloé”. Na descrição de Ezequiel a

fonte que nasce aos pés do futuro templo torna-se o símbolo da renovação

escatológica de Israel (Ez 47,1-12; Zc 14,8).

GLÓRIA

Em hebraico (kabod ), o termo significa aquilo que dá peso, torna importante e

confere estima, como a riqueza, o esplendor e o poder. Muitas vezes significa a

manifestação radiante da grandeza divina (Ex 24,15s; 29,43; Ez 1,28; 9,3). A glória

de Deus enche o tabernáculo ou o templo (Ex 40,35; 1Rs 8,11), manifesta seu

poder e sua santidade nas obras da criação (Sl 19,2), nos prodígios em favor de seu

povo (Nm 14,22; Is 40,5). Jesus possuía esta glória (Jo 1,14), que se manifesta nos

milagres, no monte Tabor (Mt 17,2-8; 2Cor 3,7s; Jo 2,11) e na paixão (Jo 17,1;

12,23; 13,31-32). O cristão, pela esperança (Fl 3,21), dela participa já neste

mundo.

GLOSA

Diz-se de um texto, em geral de poucas palavras, que não pertence à obra original

do autor mas foi acrescentado por outros (glosadores). A finalidade de uma glosa é

explicar o texto existente. Inicialmente as glosas eram escritas à margem do texto.

Mais tarde os copistas as introduziram no próprio texto. As modernas edições

críticas dos textos originais, que são a base para as traduções vernáculas modernas,

procuram eliminar tais glosas.

GÓLGOTA

O termo aramaico significa “lugar do crânio”ou da caveira (em latim Calvaria, donde

“Calvário”); é o lugar onde Jesus foi crucificado (Mt 27,33; Jo 19,17). Era uma

pequena colina, fora dos muros de Jerusalém, onde os condenados eram

executados.

GOMORRA

Cidade ao sul do mar Morto, destruída por Deus por causa da perversidade de seus

habitantes (Gn 19). Sua ruína, hoje encoberta pelas águas do mar Morto, é o

símbolo do juízo implacável de Deus (Is 1,9).

GOVERNADOR

Título dado no NT aos mais altos magistrados nos territórios ocupados pelos

romanos. São chamados também “procuradores” e administravam, em nome do

imperador, territórios que apresentavam dificuldades especiais. A Judéia foi

administrada por tais governadores do ano 6 a 36 dC e de 44 a 66 dC; os mais

conhecidos são Pôncio Pilatos, Félix e Festo.

GRAÇA

Pode significar favor, benevolência, benefício. É a amizade de um poderoso. O rei

concede graça (Gn 30,27; 1Sm 16,22; 2Sm 14,22). Graça e também beleza e

encanto. Esta noção implica sempre uma nota de amor (Rt 2,10-13; Est 2,17; Ct

5,10-16; Lc 1,28-30).

Muitas vezes é a fidelidade de Deus, que perdoa e ama (Sl 51,3; 40,12; Is 63,7); o

justo encontra graça aos olhos de Deus (Gn 6,8; 18,3; Nm 11,11.15). A graça e a

unção repousam sobre o Messias (Jo 1,14; Lc 2,40.52; 3,22; Sl 45,3).

Graça é igual a tempo de graça, tempo de salvação, tempo messiânico (Jo 1,16-17;

Rm 5,12-17; 6,14s; 3,23s; At 15,11; Hb 13,9; Tt 2,11s). Juntamente com a paz, a

graça é um bem messiânico (Rm 1,7; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; 1Pd 1,2; Cl 4,18; Hb

13,25; Ap 1,4; 22,21).

São chamados “graça”os dons do Espírito Santo (Rm 5,15s; 1Cor 7,7),

especialmente a salvação e a justificação (Rm 5,2; Ef 2,5). A graça supõe também a

nossa cooperação (Mt 25,27s; 1Cor 15,10; 2Cor 6,1; 1Tm 4,14; Hb 13,9).

Maria está repleta de benevolência divina (Lc 1,28; cf. Rt 2,2.10.13; Est 2,9.15.17).

GRATIDÃO

Para com Deus (Dt 8,7-14; Sl 107,1; 116,12; Eclo 32,13; Ef 5,20; Cl 3,15; 1Ts

5,18); para com o próximo (Pr 17,13; Eclo 29,15; 1Tm 2,1s; 5,4).

GREGO

Pessoa que pela educação se apropriou da língua e cultura dos gregos,

independentemente de sua nacionalidade; todos os demais são bárbaros (Jo 19,20;

At 19,11; Rm 1,14). Havia gregos simpatizantes com a religião judaica (Jo 12,20; At

14,1). Paulo prega o Evangelho tanto a gregos como a judeus (At 17,4; 18,4; Rm

2,9s; 3,9), pois segundo o seu Evangelho foi abolida a distinção entre judeu e grego

(Gl 3,28; Cl 3,11). Ver “Pagão”.

GUILGAL

Lugar a leste de Jericó, onde foi erguido um monumento de pedra comemorando a

passagem dos israelitas pelo rio Jordão (Js 4,20). Guilgal tornou-se um santuário e

serviu como base para a conquista da Palestina (Jz 2,1; 1Sm 10,8; 13,8-15). Mas os

profetas o rejeitaram por se ter tornado um centro de idolatria (Am 4,4; Os 4,15;

Mq 6,5). Havia outra Guilgal, nas montanhas de Efraim, perto de Betel (Dt 11,30;

2Rs 2,1).