Bíblia J

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JAFA (JOPE)

Antigo porto na costa mediterrânea da Palestina (Jn 1,3). Pedro ressuscitou ali

Tabita (At 9,36-43) e teve uma visão que o levou a batizar a família do pagão

Cornélio, em Cesaréia Marítima (At 10-11).

JAVÉ

Nome do Deus de Israel, revelado a Moisés (cf. Ex 3,14 e nota), que os judeus

evitam pronunciar.

JEJUM

É a abstinência total ou parcial de comida e bebida, e às vezes de relações sexuais.

Tinha o caráter de auto-humilhação e acompanhava a oração. Era recomendada em

grandes provações (cf. Dt 9,18s; Ne 1,4; Jl 1,13s e nota), depois de um falecimento

(2Sm 3,35) ou para afastar calamidades (cf. Jn 3,8 e nota). A Lei mosaica conhece

apenas um dia de jejum oficial: o dia da Expiação (Nm 29,7; At 27,9). Após o exílio

se introduziram outros dias de jejum, comemorando calamidades nacionais (Zc 7,3-

19).

Os profetas mostraram a inutilidade da prática do jejum quando não acompanhada

da conversão (Is 58,1-5; Jr 14,12). Por isso os fariseus, que jejuavam duas vezes

por semana (Mt 9,14; Lc 18,12), foram criticados por Jesus (Mt 6,16-18). Mas Jesus

jejuou quarenta dias (Mt 4,2) e incluiu a prática do jejum na vida normal da Igreja

(Mc 2,18-20).

JERICÓ

A mais antiga cidade da Palestina, no vale do rio Jordão, 20 km ao norte do mar

Morto, que teria sido destruída por Josué (Js 6,1-10). Jesus hospedou-se ali na casa

de Zaqueu (Lc 19,1-10).

JERUSALÉM

A teologia bíblica vê em Jerusalém uma cidade eleita por Deus (2Sm 5-7); torna-se

um novo Sinai (monte Sião) com uma nova Lei (2Rs 22; Sl 15,1-4; Is 2,3; Sl 68,16-

18; 48,2-6); torna-se o centro cultual de todas as tribos (Dt 12,1-14; 14,22-26).

Mas Jerusalém está longe de ser o ideal duma cidade celeste (Is 1,21-23; Jr 11,1-

13; Ez 16; 23; Lc 19,41-47; 21,5-36; Mt 23,37-39); Deus pensa na construção de

uma nova Jerusalém (Ez 40-48; Zc 14,1s; Is 2,2-5; 60; At 2,1-11) que é Cristo e o

seu Corpo que é a Igreja (Jo 2,18-22; 1Cor 3,16-17; Ef 5,22-30; Ap 21-22; Gl 4,22-

31).

Os cristãos viram na queda de Jerusalém (Mc 13; Mt 24) a realização das

convulsões cósmicas anunciadas para os tempos messiânicos. Destruída Jerusalém

no ano 70, os cristãos vêem na Igreja a nova cidade de Deus (Gl 4,26; Hb 12,22;

Ap 14,1 e 21,9-27).

Subia-se a Jerusalém em peregrinação porque era o lugar do sacrifício (Dt 12,1-

13,14; 14,22-26) e da manifestação da glória de Deus (Sl 132,13-15; 134); é

também a meta da esperança escatológica; lá se reunirão todas as tribos e nações

(Is 60; 35,6-10; Jr 31,12-14; Ne 12,31-38).

Os evangelhos, sobretudo Lc 9,51s, organizam a vida de Jesus como uma subida a

Jerusalém (Mt 20,17-19; Mc 10,32-34). João escreve o seu evangelho como uma

sucessão de subidas a Jerusalém, prelúdios da última e definitiva (Jo 2,13; 5,1; 7,1-

10; 10,22s; 11,55s; 12,12).

Entrada em Jerusalém : Os profetas anunciam a entronização do Rei messiânico no

monte Sião (Sl 2,6; 110,1-3; Mq 4,1-3; Zc 8,20-22; 14,16-19).

Os evangelistas narram a entrada de Jesus nesta cidade como a entronização do Rei

messiânico, pobre e humilde (Zc 9,9; Mc 11,1-7; Lc 19,28-35). Os cânticos e os

ramos da multidão são os próprios da Festa dos Tabernáculos que se realizava em

setembro (Ne 8,14-18; Sl 118). Zc 14,21 anuncia que não mais haverá

comerciantes no Templo. Ver “Sião”.

JESUS CRISTO

Ver “Cristo”, “Messias”.

JOÃO

Há cinco personagens bíblicos com este nome que significa ” o Senhor é favorável”:

João Batista, filho de Zacarias e Isabel, precursor de Jesus (Lc 1,57-80). É de

família aristocrático-sacerdotal (Lc 1,5-7; 1Cr 24,10; Nm 18,9). É o novo Elias (Mt

3,1-3; 11,14 e nota; Lc 1,17; Ml 3,1-2.23; Eclo 48,10). É o novo Samuel que deve

ungir o Rei-Messias (Lc 1,7.15; 3,21s; 1Sm 1,5-11 e 16,12s). É o profeta-monge,

separado do mundo (Mt 3,1; 11,7-10).

João Apóstolo e Evangelista, irmão de Tiago e filho de Zebedeu. A ele se atribui a

autoria do Quarto Evangelho, de três epístolas e do Apocalipse. Junto com Pedro e

Tiago forma o trio dos discípulos prediletos de Jesus (Mc 9,2; 14,33), chamados

“colunas da Igreja” (Gl 2,9).

João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé na primeira viagem apostólica e

autor do Segundo Evangelho (At 12,12.25).

João Hircano (135-104 aC), terceiro filho de Simão Macabeu (1Mc 16,19-24).

João ou Jonas, pai do apóstolo Pedro (Mt 16,17).

JORDÃO

Rio formado por três nascentes (Bânias, Dã e Hasban) que jorram aos pés do monte

Hermon. Entra no lago de Genesaré (208 m abaixo do Mediterrâneo). Saindo do

lago, atinge o mar Morto (a 394 m abaixo do nível do mar), 110 km ao sul, depois

de percorrer 320 km de sinuosas curvas. No trajeto recebe alguns afluentes, como o

Jarmuc e o Jaboc pela margem oriental. Embora não muito largo, são poucos os

vaus que permitem atravessá-lo a pé.

JUBILEU

Ver “Ano Jubilar”.

JUDAS

Há seis personagens bíblicos com este nome:

Judas, o terceiro filho de Matatias (1Mc 2,4), apelidado o Macabeu (maqqabah =

martelo) por causa dos duros golpes infligidos aos inimigos do povo de Deus (1Mc

3-6).

Judas o Apóstolo, identificado como Tadeu (Mt 10,3; Lc 6,16;).

Judas, “irmão de Jesus” (cf. Mc 6,3; Mt 12,46-50 e nota).

Judas, que morava em Damasco, com o qual Paulo se hospedou depois da

conversão (At 9,11).

Judas Iscariotes, que traiu Jesus (Mt 10,4).

Judas o Galileu, que provocou uma revolta contra Roma (At 5,37).

JUDÉIA

Denominação helenística e romana para a parte da Palestina habitada por judeus.

No NT em geral é o distrito que, junto com a Samaria e a Iduméia, formava a

província romana da Judéia (Lc 3,1). A capital era Jerusalém, mas os governadores

romanos moravam habitualmente em Cesaréia Marítima (At 23,33). Ver mapa do

NT.

JUIZ

Título dado aos líderes que libertaram Israel da opressão inimiga, ou o governaram

entre Josué (1200 aC) e o início da monarquia (1030 aC). Ver a Introdução ao livro

dos Juízes e as notas em Ex 18,13-27 e Jz 2,18.

JULGAMENTO (JUÍZO)

As questões judiciais na sociedade israelita se resolviam diante de testemunhas (os

anciãos) ou eram levadas à decisão de um juiz (Dt 1,16s). Podia-se também

recorrer a um tribunal superior, seja ao templo (17,8-13), seja à decisão divina

dada pelo ordálio (cf. Nm 5,11-31 e nota). O rei podia também julgar questões (1Rs

3,16-28). Para contornar os abusos nos julgamentos (cf. Sl 58; 94) foram

estabelecidas normas legislativas (Ex 23,1-9; Dt 16,18s).

A ação de Deus na história é apresentada como um julgamento. Deus ora liberta

seu povo ora o pune por causa das infidelidades (Dt 32,36; Jr 30,11-13). O

julgamento de Israel e das nações se dará no dia do Senhor (cf. Am 5,18 e nota).

No NT o julgamento é relacionado com Jesus (Jo 3,17-21; 8,15; 12,31). O cristão

deve viver na expectativa do julgamento do último dia, que marcará o triunfo

definitivo de Cristo (Mt 25,31; 1Ts 4,16; 2Ts 2,3-10). Ver “Parusia”.

JUSTIÇA (JUSTO)

A justiça no AT não é apenas distributiva, que consiste em “dar a cada um o seu”

(cf. Ex 23,6-8; Dt 25,15) ou cumprir os deveres cívicos, mas inclui também a

perfeição moral religiosa. Ser justo é não cometer maldade (Sl 15,2), agir de acordo

com a vontade de Deus (Gn 6,9; Ez 14,20; 18,5), respeitar o direito dos fracos e

dos pobres (Is 28,6; Am 1,3-2,8; 5,7). Praticar a justiça é amar ao próximo (Mt

25,37.46; 1Jo 3,10). Sem a prática da justiça o culto perde seu significado (Sl 50;

Is 1,10-20; Eclo 34-35). Só conhece a Deus quem pratica a justiça (Jr 22,16).

Deus é justo enquanto age de acordo com a sua própria natureza. Ele pune os

inimigos do povo eleito (Dt 33,21) e os pecadores de Israel (Am 5,20; Is 5,16), mas

também é fiel às suas promessas de salvação (Rm 1,17), tornando o homem

agradável a Deus pela graça (3,5.20-30).

No NT são chamados “justos” os que no AT esperavam o Reino, observando a Lei

(Mt 1,19; 21,32; Mc 6,20; Lc 23,50; At 10,22.35). A justiça cristã é ainda

conformidade com a Lei (Ef 6,1; Rm 2,12-14.25s; Mt 5,20-6,1; 23,4-7; Fl 4,8; 1Ts

2,10). Devido ao pecado, a Lei torna-se insuficiente para conseguir a justiça (Rm

3,20s; 7,7-13; Gl 3,15-22).

Cristo é o único modelo desta justiça (Hb 1,8; 1Jo 3,7; 1Pd 2,21): realizando-a com

a sua morte e ressurreição (1Pd 3,18-22; At 3,15; Rm 5,18; 1Cor 1,30; 2Cor 5,21).

A justiça cristã torna-se assim um dom de Deus através de Cristo (Rm 3,21-31; 5,1-

10; Fl 3,9), é um estado novo e permanente (Ef 4,20-24; 2,15), é uma participação

na filiação divina (1Jo 2,29; 3,7-10; Rm 8,28-30). O Espírito Santo substitui a Lei

como princípio interior de retidão: é a Lei da liberdade (Rm 8,2-11; Tg 1,25; 2,12).

E um estado de santidade (Rm 6,19; 1Cor 1,30; Rm 1,17; Fl 3,9s). Esta justiça tem

como fruto as “obras da luz” (Ef 5,9-11; 6,14-18; Fl 1,9-11; 2Tm 2,22).

JUSTIFICACÃO

Justificar é declarar alguém inocente (Dt 25,1; Is 5,23). O plano de Deus é justificar

a muitos homens por meio do sofrimento de seu Servo (Is 53,11). Jesus veio para

justificar os pecadores (Mt 9,13). A justificação se obtém não pelas boas obras mas

pela fé em Jesus Cristo (Rm 3,21-4,25; Gl 2,15s; Ef 2,1-12). É um dom gratuito de

Deus em Cristo (Rm 3,23-25; 4,5-8; 5,9-11.18-21; Tt 3,7). É efeito da obediência,

da morte e ressurreição de Cristo (Rm 5,19; 3,24s; Gl 2,21). Supõe um ato de fé

(Rm 3,26-30; 5,1; 10,6; Gl 2,16-21; 3,6-12) e recebe-se no batismo (Tt 3,5-7; Rm

6,1-14; Ef 4,22-24). Justificado, o homem recebe o perdão dos pecados e participa

da vida divina pela graça.