Bíblia M

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MACEDÔNIA

Região na costa setentrional do mar Egeu, habitada pelos macedônios, que

corresponde à metade da atual Grécia e Albânia. É a terra de Alexandre Magno (1Mc

1,1). Mais tarde, como província romana, foi visitada por Paulo, na segunda e

terceira viagens missionárias (At 16,9-12; 18,5; 20,1-3).

MADIANITAS

Coligação de tribos árabes (Gn 25,2) cujas pastagens estavam ao leste do Golfo de

Ácaba. Às vezes penetravam até a planície de Jezrael (Jz 6-7) ou se empregavam

como guias de caravanas (Gn 37,28.36). Moisés casou-se com a filha de um

sacerdote madianita (cf. Ex 2,15-21 e nota) e instituiu juízes a conselho do sogro

(18,13-27). Mas houve também choques armados com os madianitas, pouco antes

de Israel entrar em Canaã (Nm 25,6-18; 31,1-12).

MÃE

Ver “Mulher”.

MAGOG

Filho de Jafé (Gn 10,2), antepassado dos povos do Norte que viviam junto ao mar

Negro. Nos textos apocalípticos simboliza os inimigos de Israel (Ez 38,2; 39,6; Ap

20,7-9).

MAGOS

Originariamente eram uma tribo meda, que desempenhava funções sacerdotais na

religião persa. Como tais sacerdotes se dedicavam à astronomia, astrologia e forças

ocultas, mago passou a ser sinônimo de feiticeiro (At 8,9-11; 13,6-8). Os sábios do

Oriente que vieram adorar o menino Jesus são chamados “magos” (Mt 2,1-12).

MAL

Problema do mal: Solução anterior à religião hebraica: dualismo, princípio do bem e

princípio do mal (Sl 103,5-9; Jó 26,12; Ap 20,1-13). Certos textos atribuem a Deus

o mal (1Sm 16,14-23; Am 3,6).

Outra solução vê a causa do mal no pecado pessoal (Gn 3,16-19; 1Rs 8,33-46; Jr

4,1-22; Jó 4,6-5,7; Ecl 8,10-14). Esta solução é insuficiente pois muitos justos, sem

pecado, sofrem (Ez 18,2-28; Jo 9,1-3).

Solução-compensação: os que sofrem nesta vida serão felizes na outra (2Mc 7,9-36;

Sb 3,1-9; Lc 16,19-26; 6,19-26; 1Cor 15,1-34).

Outra solução faz do sofrimento um castigo educativo (Os 2,4-19; Jr 31,18-20; Dt

4,25-32).

Ainda uma outra solução complementar das anteriores: o sofrimento expiação (Dt

8,2-6; Pr 3,11s; Jó 5,17-19; 33,19-28; 2Cor 5,1-5.18-21; Gl 3,10-13; Hb 2,9-18;

12,5-12; Rm 3,25s).

Cristo aceita livremente fazer-se instrumento de salvação dos seus irmãos pelo

sofrimento (Mt 20,17-28; 1Pd 2,21-25; Ef 5,1-9; Rm 8,18-21; 2Cor 5,1-5). Desde

então o sofrimento de cada homem participa no de Cristo (2Cor 6,1-10; Cl 1,24).

MALDIÇÃO

Ver “Imprecação”.

MANÁ

Nome de alimento miraculoso que sustentou a caminhada de Israel pelo deserto.

Sobre a origem e natureza do “maná”veja as notas em Ex 16,15 e Nm 11,7-9. O

maná tornou-se símbolo da providência divina, do alimento dos tempos messiânicos

e da Eucaristia (Jo 6,31; 1Cor 10,1-22; Hb 9,4; Ap 2,17).

MANUSCRITO

Como a imprensa é uma invenção moderna (1450), os livros antigos eram escritos à

mão, donde “manuscritos”. Escrevia-se em tiras de couro ( pergaminho) ou papiro

produzido no Egito, que eram enroladas, formando um rolo, ou dobradas para

formar um códice.

MÃO (DE DEUS)

Simboliza o poder soberano e terrível de Deus (Dt 3,24; Jó 19,21; 1Pd 5,6), que

intervém neste mundo (Sl 31,6-16) e domina a história dos homens (Ex 13,3.14;

1Sm 5,9; At 4,28-30). O Pai entregou todo o poder nas mãos de Jesus (Jo 3,35;

13,3).

MARIA

Conhecem-se várias Marias na Bíblia:

Maria Madalena, curada por Jesus, que assistiu sua morte e sepultura e o viu

ressuscitado (Lc 8,2; 24,10; Jo 20,1.11.16).

Maria, mãe de Tiago Menor e José (Mc 15,47; Mt 27,56.61; Lc 24,10).

Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro (Lc 10,39.42; Jo 1,11-12,3).

Maria, mãe de Marcos (At 12,12).

Maria, uma cristã de Roma (Rm 16,6).

Maria, ou Míriam, irmã de Moisés (Nm 26,59).

Maria, mãe de Jesus (Mt 1-2; Lc 1-2).

MARIA (MÃE DE JESUS)

É a cheia de graça (Lc 1,28): Indica a beleza e a fidelidade da esposa (Eclo 26,13-

15).

Maria, Filha de Sião : Os profetas convidaram a Filha de Sião a “alegrar-se”pela

presença do Messias (Sf 3,14-18; Zc 2,14; Is 12,6). Lucas (1,28-38) saúda a

Virgem com um grito de alegria. Em At 1,12-14, onde se narra o nascimento da

“Nova Sião” (a Igreja), Maria encontra-se presente.

Maria,a bendita entre as mulheres (Jz 5,24; Jt 13,17s; Lc 1,42). A aliança de Deus

com Abraão é fonte de bênçãos (Gn 12,2s; 13,16; 15,5; 17,2-6; 22,17). Deus

abençoará o fruto das entranhas daqueles que lhe são fiéis (Dt 7,12s; Lc 1,42).

Maria, Arca da Aliança : A expressão “o Senhor está contigo” (Lc 1,28) é uma

fórmula da Aliança. Deus está com Maria como esteve com Abraão, Isaac, Jacó,

Moisés, etc. (Gn 26,3.24; 31,3; Ex 3,12; 2Sm 7,9; Jr 1,6-8; Dt 20,1-4; Is 7,14;

41,8-14; 43,1-5).

Maria, mãe do Messias, Servo Sofredor (Gn 3,15-17; Is 7,14; Mq 5,1-15; Mt 1,23;

Jo 19,25-27; Ap 12).

Cântico da Serva do Senhor: No Magnificat distinguem-se três coisas: o cântico de

vitória e de louvor (Lc 1,47-49); o cântico dos pobres de Javé (Lc 1,50-53); o

cântico da Aliança com Abraã (Lc 1,54s; Gn 15,5s; Hb 11,8-19).

MAR MORTO

Mar interno da Palestina, onde desemboca o rio Jordão. Suas águas contêm 25% de

sais minerais, não permitindo a existência de nenhuma forma de vida. Tem cerca de

80 km de comprimento por 15 de largura e está a 394 m abaixo do nível do mar. Na

parte sul do mar Morto estavam, provavelmente, localizadas as cidades de Sodoma

e Gomorra. A noroeste do mar Morto, no deserto de Judá, foram descobertos

antigos manuscritos da Bíblia, relacionados com as ruínas do mosteiro de Qumrân.

MAR VERMELHO

Tradução grega da expressão hebraica “mar dos Juncos” (yam suf). Foi identificado,

no passado, com o Golfo de Suez ou o Golfo de Ácaba (Nm 14,25; 21,4; Dt 1,40),

que teria sido atravessado pelos israelitas a pé enxuto, depois de saírem do Egito.

Hoje se admite que o “mar dos Juncos”tenha sido uma pequena enseada do mar

Mediterrâneo (mar Sirbônico), ou a zona pantanosa do norte do Delta do Nilo (cf. Ex

10,19; 14,21-31 e notas).

MATEUS

Um dos doze apóstolos, identificado com Levi, filho de Alfeu, cobrador de impostos

(Mt 9,9; Mc 2,14). É considerado como o autor do Primeiro Evangelho. Ver a

Introdução ao Evangelho de Mateus.

MATRIMÔNIO

Tem dupla finalidade: a ajuda mútua (Gn 2,18-24; Tb 8,5-8; Eclo 40,23; 1Cor 7,1-

9) e a procriação (Gn 1,28; 9,1; Tb 8,9; Mt 22,24-28). A Lei permitia o divórcio (cf.

Dt 24,1-4 e nota) e a poligamia (cf. Gn 4,19 e nota); mas Jesus condena ambas as

práticas (Mt 5,32; 19,9; Mc 10,2-10; Lc 16,18; Rm 7,2s; 1Cor 7,10s.39) e exalta o

valor do celibato por causa do Reino dos Céus (Mt 19,12; Lc 18,29).

Aliança entre Deus e Israel é comparada com a relação existente entre os esposos

(Os 1-2; Is 54,5-7; Jr 2,2; Ez 16,6-14; Sl 45; Ct 1,8). Deus é o esposo fiel e

ciumento (Jr 31,3s; Ct 8,6; Is 62,3-5).

Jesus se apresenta como o esposo da nova aliança (Lc 5,33-39; Jo 3,28-30; Mt

22,1-14; 25,1-13; Ap 19,7s; 21,1s).

Nesta linha, Paulo vê na união matrimonial um sacramento (sinal) da relação entre

Cristo e a Igreja (Ef 5,23-33).

MEDIADOR

É o intermediário entre duas partes que procuram entrar em acordo. As religiões

sentem necessidade de mediadores entre Deus e os homens. Moisés (Nm 14,13-

20), os anjos, os reis, os profetas e sacerdotes exercem esta função no judaísmo.

As mediações do AT são insuficientes (2Cor 3,6-9; Rm 7,7-13; Gl 3,10s; Hb 10,1-

11) para colocar o homem em comunhão com Deus. Jesus é o único verdadeiro

mediador (1Tm 2,5; Hb 8,6; 9,14s), solidário com os homens (5,7-9), pelo qual

temos acesso ao Pai (9,11-25; 12,24).

MELQUISEDEC

Rei e sacerdote que ofereceu pão e vinho após a vitória de Abraão sobre os

seqüestradores de Ló (cf. Gn 14,18-20 e nota). É considerado uma figura de Cristo

(Hb 5,6.10; 7,1-18), eterno sacerdote.

MEMORIAL

É a parte dos sacrifícios de cereais que, com ou sem incenso, é queimada pelo

sacerdote no altar, em combinação com a oferta de comestíveis (cf. Lv 2,2 e nota),

sendo o restante reservado à manutenção dos sacerdotes. É, pois, a parte do

sacrifício que pertence exclusivamente a Deus: a oferta faz Deus lembrar-se do

homem, ou leva o homem a lembrar-se de Deus, a quem pertencem todos os

sacrifícios.

MENTIRA

É proibida (Ex 23,7; Pr 12,22; Mt 5,37; 12,35-37; Jo 8,44; Ef 4,25; Cl 3,9); é

perniciosa (Pr 19,9.22; Eclo 20,24-26; Ap 22,15); veracidade (Zc 8,16; Jo 1,47; Rm

9,1; 1Cor 13,6; Gl 1,20).

MERECIMENTO

Nosso (Eclo 16,14; Jr 25,14; At 3,12; 1Cor 3,3); de Cristo (Jo 1,17; 3,16s; 15,5.8;

Rm 3,23s; 5,8-10.20; 6,23; Ef 1,2; Fl 2,8; Cl 1,14).

MESSIAS

É “o ungido”, o rei elevado à sua dignidade por uma unção com óleo (1Sm 10,1;

16,13; 2Sm 2,4; 1Rs 1,39). O termo é também aplicado a Ciro, rei dos persas (Is

45,1). Pela unção a pessoa passa a gozar de uma relação especial com Deus e

participa de sua autoridade (cf. 1Sm 24,7; 2Sm 1,14). O Sumo Sacerdote também

era ungido para exercer sua função (Lv 4,3-16; 6,15). O termo “ungido”passou a

designar o futuro rei (Dn 9,25s), descendente de Davi, esperado pelos judeus (Mc

10,47s). Em grego, Cristo corresponde ao hebraico “Messias” (Jo 1,41; 4,25),

tornando-se um título de Jesus (Rm 1,1).

MIDRAXE

Exposição e ilustração da Sagrada Escritura, em uso no judaísmo, que visa aplicar o

texto para o momento presente, exortando a bem viver (cf. Ez 16; Is 60-62; Sl 78).

MILAGRE

Os judeus tinham um conceito de milagre bastante diferente do nosso. Todas as

manifestações de Deus, na natureza e na história, eram para eles maravilhosas (Sl

138,14; Jó 5,9). Atribuem a Deus todos os acontecimentos, como a derrota dum

inimigo, um vento impetuoso, um rumor de passos (1Sm 14,22s.45; Gn 24,12-21;

Ex 14,21-23; 2Sm 5,24). A história do povo eleito, no seu conjunto, é um milagre

(Ex 7,10-13; Ne 9,20s; 1Rs 18,18-40; Is 7,10-14).

Também os magos faziam milagres (Ex 7,10-23; 8,1-15; 9,8-26; Nm 22-24). No

entanto, os milagres só são sinais de Deus se houver fé (Ex 7,3-9; Dt 4,34; 6,22).

A essência do milagre na Bíblia está em ser ele um sinal do poder e da misericórdia

de Deus (cf. Dt 13,2-6 e nota). O que importa é esta função de sinal e não o fato de

estar acima das assim chamadas “leis da natureza”. Aliás, o israelita não distinguia

entre causalidade natural e ação direta de Deus (Sl 19,1-7; 104; 135,6s; Jó 38). Por

isso não distinguia entre sinais “naturais”e “sobrenaturais”. Também os milagres de

Jesus são vistos como sinais da bondade divina, que provocam experiências de

salvação (Mt 12,38s; Mc 8,11s) e levam a crer na doutrina e na pessoa de Jesus (Jo

2,11.18.23). Os milagres são sinais do Reino de Deus que vence a Satã (Mt 12,28;

At 2,22; 10,38).

MILAGRES DE JESUS

Cego: Mc 8,22.

Cego Bartimeu: Mc 10,46.52; Lc 18,35.

Cego de nascença: Jo 9.

Criado do oficial romano: Mt 8,13; Lc 7,1s.

Curas em massa: Mt 4,23; Mc 1,34; Lc 8,2.

Figueira amaldiçoada: Mt 21,19; Mc 11,13.

Filho do oficial romano: Jo 4,46.

Hidrópico: Lc 14,2.

Jesus aparece no lago de Tiberíades: Jo 21,1.

Jesus caminha sobre as águas: Mt 14,25.

Jesus envia o Espírito Santo: At 2,1s.

Jesus passa incólume pelos inimigos: Lc 4,29s.

Jesus passa por portas trancadas: Jo 20,19.

Leprosos (dez): Lc 17,12.

Mão seca: Mt 12,10.

Mulher encurvada: Lc 13,11.

Mulher que sofria de hemorragia: Mt 9,20; Mc 5,25; Lc 8,43.

Multiplicação dos pães, primeira: Mt 14,19; Mc 6,43; Lc 9,12; Jo 6,10; segunda: Mt

15,32; Mc 8,5.

Orelha de Malco: Lc 22,50.

Paralítico: Mt 9,2; Mc 2,3; Lc 3,18.

Pesca milagrosa: Lc 5,5-10.

Possessa, filha da mulher cananéia: Mt 15,22; Mc 7,24.

Possessa, Maria Madalena: Mc 16,9; Lc 8,2.

Possesso: Mc 1,23; Lc 4,31s.

Possesso cego e mudo: Mt 12,22.

Possesso, menino: Mt 17,14; Mc 9,16s; Lc 9,38.

Possesso mudo: Mt 9,32; Lc 11,14.

Possessos de Gérasa: Mt 8,28; Lc 8,30.

Ressurreição: Mt 28,2; Mc 16,1; Lc 24,1; Jo 20,1.

Ressuscita a filha de Jairo: Mt 9,25; Mc 5,41; Lc 8,54.

Ressuscita Lázaro: Jo 11,1s.

Ressuscita o jovem de Naim: Lc 7,11.

Sogra de S. Pedro: Mt 8,15; Mc 1,31; Lc 4,38.

Surdo-mudo: Mc 7,32.

Tempestade no lago: Mt 8,24; Mc 4,37; Lc 8,22.

Transfiguração: Mt 17,2; Mc 9,1s; Lc 9,28.

Trevas na morte de Jesus: Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44.

Vinho feito de água em Caná: Jo 2,1-11.

MINISTÉRIOS

Ver “Carisma”, “Bispo”, “Sacerdote”, “Diácono”.

MISERICÓRDIA

O termo hebraico “hesed ” (misericórdia) designa todos os laços que ligam os

membros de uma comunidade: favor, benevolência, afeto, bondade (Gn 20,13;

47,29; 1Sm 20,8-15; Sl 36,6-11).

No começo da aliança fala-se exclusivamente da misericórdia de Deus, no sentido de

amor gratuito (Dt 7,7-13; 9,4-6; Ez 16,3-14; 2Sm 7,12-15; Is 54,10; Dn 9,4).

Misericórdia de Deus é amor aos mais pobres, entre os quais sobressaem os

pecadores (Is 14,1s; 49,13-15; Lc 10,29-37; Jo 10,1-21; Ex 34,6s; Is 27,11; 30,18;

Lc 7,36-50; 15,1-32).

Esta graça e misericórdia de Deus corporizam-se em Cristo (2Cor 5,18-21; 8,9; Gl

2,21; Hb 2,5-13; Ef 2,4-7; Cl 2,13s; Tt 2,11; 3,4).

A misericórdia do homem, como resposta à misericórdia de Deus, é mais importante

que os atos de culto (Os 6,6; Mt 5,7; 9,10-13; 12,1-7; 23,23; Lc 10,29-37; 6,36-

38; 13,6-9; 15,1-32).

MISSA

Ver “Eucaristia”.

MISSÃO

Deus enviou seu Filho a este mundo para salvá-lo e lhe dar a vida (Jo 10,36;

16,27s; 6,38; Lc 4,18; 19,10). O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo (Jo 14,16; At

2,1-11). Jesus enviou os apóstolos pelo mundo para continuarem a sua missão (Mc

3,13; 16,15s; Mt 10,1-42; 28,18s; Jo 20,21).

MISTÉRIO

No mundo grego “mistério”eram cerimônias religiosas secretas, nas quais tomavam

parte apenas pessoas iniciadas. “Mistério”tem o sentido geral de “coisa oculta,

obscura, secreta”. No NT o termo é usado não tanto no sentido de algo

incompreensível à razão, mas como revelação: “Mistério”são as ações de Deus para

estabelecer o seu reino (Mt 13,35; Ap 10,7), por meio de Jesus Cristo e da Igreja

(Ef 1,9s; 3,1-9; Cl 4,3); é a sabedoria divina revelada em Cristo (1Cor 2,7s; Cl

1,25-27; 1Tm 3,16), especialmente o plano de Deus, inacessível ao homem mas

revelado por Jesus Cristo, de salvar todos os homens (Rm 16,25s).

MOAB

Um dos filhos de Ló. A origem dos moabitas, descendentes de Moab, é descrita de

modo vergonhoso (cf. Gn 19,30-38 e nota), por causa de sua constante rivalidade

com os israelitas (Nm 22,1-4; Is 15; Jr 48; Ez 25,8-11). Ver “Amon”.

MOCIDADE

Idade das paixões (Sl 25,7; Ecl 11,9s; Jr 31,19; 2Tm 2,22; Tt 2,6); temor de Deus

(Sl 119,9; Ecl 12,1; Eclo 51,13-15; 1Pd 5,5); disciplina necessária (1Sm 2,26; Pr

1,8s; 4,1; Eclo 6,18-20; 25,3; Lc 2,46; 1Pd 5,5).

MOEDA

Inicialmente as transações comerciais se faziam pelos sistemas de permuta de

mercadorias. Depois as mercadorias passaram a ser avaliadas por unidades de peso

de metal precioso (ouro ou prata). O costume de cunhar moedas, enquanto dinheiro

garantido pelas autoridades quanto ao peso e pureza do metal, foi introduzido no

séc. VI aC pelos persas. No tempo de Cristo circulavam na Palestina moedas

romanas, gregas e locais, cunhadas em ouro, prata e bronze. Sobre o tipo e valor

das moedas, veja a tabela específica.

MOISÉS

O nome é de origem egípcia (cf. Ex 2,10 e nota). Casado com uma madianita (2,11-

22) ou etíope (Nm 12,1), Moisés é apresentado na tradição bíblica como um homem

de origem israelita. É o libertador dos israelitas da opressão egípcia, promulgou as

leis de Deus e conduziu o povo a Canaã, mas morreu sem ali entrar. A ele se atribui

a “Lei de Moisés”, um cântico (Dt 32,1-43), uma bênção (33,1-29) e um salmo (90).

Para o judaísmo Moisés é o personagem mais importante da história da salvação,

uma figura do Messias (Dt 18,15-18). No NT é visto como mensageiro de Deus e

mediador da Lei, que recebeu no Sinai; é a testemunha e o modelo de fé (At 7,17-

44; Hb 11,23-29). Mas Jesus lhe é superior como chefe, redentor, legislador e

profeta (Mt 17,3; Jo 1,45; At 7,35; Hb 3,2s). Ver “Lei de Moisés”.

MOLOC

Divindade cananéia a que se ofereciam sacrifícios humanos (Lv 20,5; 2Rs 16,3;

23,10).

MONTANHA

Em oposição ao Egito e à Babilônia, a Palestina é uma região de montanhas; por

isso a expressão “subir do Egito” ou “subir a Jerusalém”. Montanhas caracterizam a

região da Judéia, Samaria e Galiléia em oposição à planície costeira do

Mediterrâneo.

A montanha é considerada habitação da divindade. Por isso os santuários se

localizavam muitas vezes no topo dos montes ( lugares altos).

Foi nos montes Sinai (Dt 33,2) e Tabor (Mt 17,1-8) que Deus se revelou. A colina de

Sião, sobre a qual estão Jerusalém e o templo, é a montanha “onde o Senhor

habitará para sempre” (Sl 68,17) e implantará seu reino escatológico (Is 2,2-5).

MORTE

É o destino universal do homem (Js 23,14; 1Rs 2,2; Ecl 12,7). A Escritura não

reflete sobre a morte como processo fisiológico. Mesmo quando diz “exalou o

espírito”ou “Deus retira o hálito de vida”não se refere à alma em sentido atual, mas

à aparência externa da cessação de respiração (Jó 34,14; Ecl 12,7; Mt 27,50; Lc

23,46; Jo 19,30).

A morte repentina e prematura é considerada efeito da ira de Deus (Jó 15,32; Sl

55,24; Nm 27,3), especialmente a morte dos pecadores (Sl 34,23; Pr 11,7; Eclo

41,1; Lc 16,22).

Deus é o Senhor da vida e da morte (1Sm 2,6; Jó 14,5). Esta aparece como hostil a

Deus, pertencendo ao império de Satã (1Cor 15,26; Ap 6,8; 20,12s; Hb 2,14).

A morte é vista como conseqü.ncia do pecado (Gn 2,17; 3,19; Sb 2,23s; Eclo

25,24; Rm 5,12; 1Cor 15,21s).

O Xeol é o reino da morte, considerado como uma gruta subterrânea debaixo das

águas do abismo (Gn 37,35; 1Rs 2,6; Pr 9,18; Jó 10,21s).

No AT é difícil encontrar a idéia de uma vida para além da morte. Contudo, alguns

textos mais tardios falam duma futura ressurreição (Dn 12,2; 2Mc 7,9.11.14.23) e

de uma vida junto de Deus (Sb 5,15s; 6,18s).

No NT Cristo aniquilou a morte com a sua própria morte (Rm 5,6-8; 2Cor 5,14s; Gl

3,13; Cl 1,18). Descendo ao Xeol (1Pd 3,19; 4,6), recebeu as chaves do reino da

morte (Ap 1,18), o último inimigo a ser vencido (1Cor 15,25s; Ap 20,14).

O cristão, batizado em Cristo, deve morrer diariamente (Rm 6,11s; 8,10; 2Cor 4,7-

12; 6,9).

MULHER

A condição social da mulher no AT é bastante má (Lv 27,3s; Gn 16,1-14; 30,1-4;

24,16-30; Nm 27,1-10; Dt 22,23-29).

A literatura sapiencial reconhece-lhe, contudo, alguns valores (2Sm 11,1-5; Ez

24,15-18; Eclo 36,23-27; Pr 5,15-18; 12,4; 31,10-31).

Certas atitudes de Cristo manifestam a vontade de libertar a mulher da sua

condição (Lc 8,1-3; 10,38-42; Jo 12,1-8). Assim, as mulheres vão tomando

importância no NT (1Cor 7,3-5; 11,11s; Jo 20,1-7; Rm 16,1s.6.12; At 5,14; 16,13-

15; Fl 4,2s).

O Evangelho de Lc preocupa-se por dar relevo às mulheres na vida de Cristo (Lc

7,36-50; 8,1-3; 10,38-42; 18,1-6).

Proclama-se a igualdade radical entre homem e mulher (Gl 3,28; Gn 1,27), contudo,

mesmo no NT, em alguns aspectos, a mulher é vista à luz da sociologia judaica

(1Cor 11,2-12; 14,34s; 1Tm 2,11s).

MUNDO

A palavra tem várias significações:

O universo, ou cosmo (Sl 24,1). A idéia que os escritores bíblicos tinham do mundo

era a dos homens de seu tempo. Concebiam-no como uma casa com três divisões:

uma gruta o Xeol ; um rés-do-chão -a terra firme, morada do homem, colocada

sobre o grande abismo (1Sm 2,8; 1Cr 16,30; Sl 24,2; Jó 38,4), apoiada em quatro

colunas (1Sm 2,8; Is 24,18; 40,21; Jr 31,37; Mq 6,2; Sl 18,16; Jó 9,6), e coberta

pela abóbada do firmamento (Gn 1,14-18) no qual Deus dependurou as estrelas (Gn

1,16; Js 10,12s; Eclo 46,4) e sobre o qual havia um mar de águas doces (Gn 7,11;

8,2; Is 24,18; Ml 3,10); um primeiro andar -o céu, a morada de Deus.

O judaísmo distingue o mundo presente, sujeito à corrupção, ao pecado (Is 13,11-

13; Jo 14,27; 1Cor 1,20s), e o mundo vindouro que corresponde ao reino de Deus

(Jo 13,1; 16,28; 1Cor 6,2).

Mundo é também tudo que se opõe a Deus e a Cristo (Jo 1,10; Ef 2,2). Deus,

porém, ama o mundo e enviou seu Filho para salvar a todos que nele crerem (Jo

3,16)