Psicologia A

Psicologia A

Psicologia A, Dicionário de Psicilogia

Psicologia A

 

Aberastury, Arminda (1910-1972)
psicanalista argentina
Pioneira do movimento psicanalítico argentino, Arminda Aberastury nasceu em Buenos Aires, em uma família de comerciantes pelo lado paterno, e de intelectuais pelo lado materno. Seu tio, Maximiliano Aberastury, era um médico de renome e seu irmão, Frederico, estudou psiquiatria com Enrique Pichon-Rivière*, cujos pais se radicaram na Argentina* em 1911 e que se tornou o seu amigo mais próximo. Frederico sofria de psicose* e teve, por várias vezes, surtos delirantes. Sofrendo de melancolia desde a juventude, sua irmã Arminda era uma mulher de grande beleza. Através de Frederico, ficou conhecendo Pichon-Rivière, com quem se casou em 1937. Como este, desejava oferecer à psicanálise uma nova terra prometida, a fim de salvá- la do fascismo que assolava a Europa.

Assim, integrou-se ao grupo formado em Buenos Aires por Arnaldo Rascovsky*, Angel Garma*, Marie Langer* e Celes Cárcamo*. Cinco anos depois, fez sua formação didática com Garma e tornou-se uma das principais figuras da Asociación Psicoanalitica Argentina (APA). Na linha do ensino de Melanie Klein* (de quem foi a primeira tradutora em língua espanhola) e inspirando-se nos métodos de Sophie Morgenstern*, desenvolveu a psicanálise de crianças*. Entre 1948 e 1952, dirigiu, no quadro do Instituto de Psicanálise da APA, um seminário sobre esse tema. Formaria uma geração* de analistas de crianças. No congresso de 1957 da International Psychoanalytical Association* (IPA), em Paris, apresentou uma comunicação notável sobre a sucessão dos “estádios” durante os primeiros anos de vida, definindo uma “fase genital primitiva” anterior, no desenvolvimento libidinal, à fase anal.

Com a idade de 62 anos, atingida por uma doença de pele que a desfigurou, Arminda Aberastury decidiu dar fim aos seus dias. Seu suicídio*, como vários outros na história da psicanálise*, suscitou relatos contraditórios e foi considerado uma “morte trágica” pela historiografia* oficial.

* Arminda Aberastury, Psicanálise da criança — teoria e técnica (B. Aires, 1962), P. Alegre, Artes Médicas, 1992 • Antonio Cucurullo, Haydée Faimberg e Leonardo Wender, “La Psychanalyse en Argentine”, in Roland Jaccard (org.), Histoire de la psychanalyse, vol.2, Paris, Hachette, 1982, 395-444 • Elfriede S.L. de Ferrer, “Profesora Arminda Aberastury”, Revista de Psicoanálisis, 4, t.XXIX, outubro-dezembro de 1972, 679-82 • Jorge Balán, Cuéntame tu vida. Una biografía colectiva del psicoanálisis argentino, B. Aires, Planeta, 1991 • Élisabeth Roudinesco, entrevista com Emilio Rodrigué, 12 de outubro de 1995, e com Cláudia Fernandes, 27 de março de 1996.
➢ ESTÁDIO; KLEINISMO; MELANCOLIA.

Abissofobia: [De abisso + -fobia.] – Horror a abismos e a precipícios.

Acarofobia: [De acaro- + -fobia.] – Receio patológico de ácaros.

Acrofobia: [De acr(o)-1 + -fobia.] – Medo mórbido de altura, de lugares elevados.

Acusticofobia: [De acustico- + -fobia.] – Medo patológico de sons.

Aerodromofobia: [De aer(o)- + -drom(o)- + -fobia.] – Medo patológico de viagem aérea.

Aerofobia: [De aer(o)- + -fobia.] – Medo mórbido do ar, de correntes de ar, etc.

Afrodite (Vênus) – Deusa da mais sedutora beleza, cujo culto, de origem asiática, é celebrado em numerosos santuários da Grécia, principalmente na ilha de Citera. Filha do sêmen de Urano (o Céu) derramado no mar, após a castração do Céu por seu filho Cronos (daí a lenda do nascimento de Afrodite, que surge da espuma do mar); esposa de Hefestos o Coxo, por ela ridicularizado em várias ocasiões.
Simboliza as forças irreprimíveis da fecundidade, não em seus frutos, mas no desejo apaixonado que acendem entre os vivos. (Chevalier e Gheerbrant, 1998).

Agorafobia: [De agora- + -fobia.] – Medo mórbido e angustiante de lugares públicos e grandes espaços descobertos. [Cf. agorafilia e claustrofobia.]

Ailurofobia: [De ailur(o)- + -fobia.] – V. elurofobia.

Algofobia: [De alg(o)-2 + -fobia.] – Terror mórbido de sensação dolorosa. [Opõe-se a algofilia.]

 

Alucinação – Uma percepção convincente de alguma coisa que, na realidade, não se encontra no local. Ouvimos distantemente o soar de uma campainha, embora nenhuma campainha haja soado; percebemos clarissimamente que algo se movimentou no quarto, quando na realidade o quarto está vazio. Trata-se, nesses casos, de um fenômeno psicológico bastante comum, a que todos estão sujeitos. A própria pessoa reconhece posteriormente tratar-se de percepções erradas, que não representam a realidade objetiva. Há, porém, os casos que são considerados patológicos. A diferença entre a alucinação normal e a patológica está principalmente em dois fatores: na intensidade das percepções e no grau de “realidade” que lhes é atribuída pelo sujeito.
Os fundamentos neurológicos, fisiológicos e psicológicos desses fenômenos não estão ainda satisfatoriamente estabelecidos. Trata-se, em todo caso, de “variações” marcantes em nosso mecanismo perceptivo. O que a experimentação científica tem fartamente confirmado é a influencia alucinatória, em nossas percepções, de certos fatores extrínsecos, como o álcool, as drogas, o LSD etc. A maconha, por exemplo, pode fazer com que as cores sejam percebidas com um brilho incrível. O sentido do tempo fica igualmente tão deformado, que o ato mais simples, como o levantar de um braço parece levar um tempo enorme. O alcoolismo agudo ou crônico pode ser acompanhado das experiências perceptivas mais estranhas, tais como a visão de “monstros” a ameaçar a pessoa ou de vermes a lhe perfurar, a pele.

 

Amaxofobia: [De amaxo- + -fobia.] – Sensação de medo em presença de veículos.

Amicofobia: [De amico- + -fobia.] – Receio mórbido de ser arranhado, como, p. ex., por garra de animal.

Androfobia: [De andr(o)- + -fobia.] – Horror ao sexo masculino.

Anemofobia: [De anemo- + -fobia.] – Medo patológico de vento.
Animismo – É a percepção de objetos inanimados como se tivessem vida, sentimentos e intenções. A percepção animista é fenômeno comum tanto às crianças como aos adultos, e depende, em sua origem, da sensibilidade de cada pessoa para as “propriedades fisionômicas” dos objetos e acontecimentos. A diferença básica entre o mundo adulto e o da criança não está na presença ou ausência desses “atributos fisionômicos”, em suas percepções, mas na proporção que geralmente ocupam no conjunto de sua experiência perceptiva. O adulto controla e tende a eliminar tais “características expressivas” dos objetos como fatores meramente subjetivos e irrelevantes. Para a criança, ao contrário, elas constituem geralmente as qualidades fundamentais dos objetos percebidos.
Por força da própria maturação psicológica e da aprendizagem, o mundo perceptual dos adultos tende, por isso, a uma pronunciada uniformidade, com a progressiva “depuração” de tais elementos subjetivos em suas percepções. Ao passo que nas crianças predominam normalmente os aspectos subjetivos da percepção. Daí que o mundo de percepções de uma criança apresenta comumente maior “riqueza” e originalidade, em suas conotações, que o mundo dos adultos. E as diferenças são mais notáveis de uma criança para a outra do que entre um adulto e outro. Veja Propriedades fisionômicas.

Anorexia – Neurose que se caracteriza pela recusa de alimentação, e que freqüentemente acompanha as sensações de depressão. A anorexia não provoca a ocorrência de idéias delirantes, sendo que o indivíduo afetado alega, apenas, que não consegue ingerir alimento algum. Um tratamento psicanalítico, às vezes, se faz necessário para a cura do indivíduo, sendo que a maioria dos casos exige isolamento absoluto.

Ansiedade – A ansiedade pode ser definida como um mal-estar físico e psíquico, caracterizado por temor difuso, sentimento de insegurança, desgraça iminente. Não se deve confundir ansiedade com angústia, que é o termo reservado para certas sensações que acompanham a ansiedade. Freud observou que os indivíduos têm uma espécie de “sistema de alarme” que os previne do perigo quando certas idéias estão a ponto de alcançar expressão consciente. A isto chamou ansiedade. A ansiedade envolve uma tensão que leva a perturbações fisiológicas (aumento das batidas cardíacas, aceleração do ritmo respiratório etc…) e a sentimentos de medo e inadequação. Sentimentos inconscientes de culpa, por exemplo, podem provocar ansiedade. Além da tensão fisiológica, a ansiedade envolve também modificações nos pensamentos do indivíduo. Freud classificou a ansiedade em três tipos conforme sua origem: ansiedade moral, ansiedade real e ansiedade neurótica, sendo que diferem em qualidade. A ansiedade moral decorre da censura do superego em relação ao comportamento manifesto ou latente do indivíduo. Se uma pessoa se sente envergonhada por ter roubado alguma coisa, a tensão por ela experimentada chama-se ansiedade moral. Além disto, a ansiedade moral pode resultar apenas de ter o indivíduo pensado em roubar, pois õ superego pune certos tipos de respostas, sejam manifestas ou latentes.
A ansiedade real resulta da percepção antecipada de um perigo que de fato existe. A tensão, e outros sentimentos que decorrem do perigo de cair de um trem, por exemplo, chama-se ansiedade real. Freud acreditava que a ansiedade real é inata ou decorre de respostas aprendidas a certas situações. Um outro tipo de ansiedade é a ansiedade neurótica, que é a sensação de perigo que decorre dos instintos que procuram expressar-se. É um medo provocado pela possibilidade de que a anti-catexe do ego seja impotente para evitar a expressão dos instintos. Por exemplo, uma pessoa pode ter fortes impulsos hostis do id que tentam vencer as resistências, ou anticatexe, do ego. A tensão que ela sente como resultado disso denomina-se ansiedade neurótica. Algumas vezes a ansiedade neurótica expressa-se na forma de fobia, que é um medo altamente persistente e irracional. A ansiedade neurótica exige presumivelmente muito trabalho por parte do ego. Por essa razão, causa mais perturbações do que a ansiedade real, para a qual geralmente e indivíduo está melhor preparado.

 

Antofobia: [De ant(o)- + -fobia.] – Aversão patológica a flores.

Apifobia: [De ap(i)- + -fobia.] – Medo patológico de abelhas e de seus ferrões.

Apolo – Deus grego-romano, o mais belo dos deuses. Realiza o equilíbrio e a harmonia dos desejos, não pela supressão das pulsões humanas, mas por orientá-las no sentido de uma espiritualização progressiva que se processa graças ao desenvolvimento da consciência. Na literatura conferem-lhe mais de duzentos atributos
Símbolo da vitória sobre a violência, do autodomínio no entusiasmo, da aliança entre a paixão e a razão.

 

Aracnofobia: [De aracn(o)- + -fobia.] – Medo mórbido de aranha.

 

Ares (Marte) – Deus da guerra, Ares é filho de Zeus e de Hera. Entretanto, é o mais odioso de todos os Imortais, diz seu pai; esse louco que ignora as leis, diz sua mãe; esse exaltado, esse mal encarnado, esse cabeça-de-vento, diz Atena, sua irmã.
Simboliza a força bruta.

 

Ártemis (Diana) – Filha de Zeus e de Letona (Leto), Ártemis é a irmã gêmea de Apolo. Virgem severa e vingativa, indomável, aparece na mitologia como o oposto de Afrodite. Castiga cruelmente todo aquele que lhe faltar o respeito, transformando-o, por exemplo, em um cervo e ordenando a seus cães que o devorem; em contraposição, recompensa com a imortalidade seus adoradores fiéis, como no caso de Hipólito, que morreu vítima de sua castidade.
Simboliza a fecundidade. Aos olhos de certos psicanalistas, Ártemis simbolizaria o aspecto ciumento, dominador e castrador da mãe.

Associação de idéias – Processo intelectivo segundo o qual a mente humana, a partir de uma idéia inicial (indutora), é imediatamente levada a suscitar uma outra, isto em razão de alguma “conexão natural” existente entre ambas. A idéia indutora pode ser representada no caso, tanto por uma palavra, como por um objeto, uma imagem, ou mesmo uma emoção (da qual o sujeito toma consciência) cujo simples aparecimento na mente é suficiente para despertar uma segunda idéia, e esta uma terceira, e assim por diante, num processo praticamente sem limite e no qual, conforme a expressão popular, “uma coisa puxa a outra”.
Trata-se de fenômeno conhecido e estudado desde a antiguidade grega. Já Aristóteles descobrira que o processo de associação de idéias se rege por algumas leis intrínsecas e invariáveis. São elas: a) a lei da contigüidade (ou continuidade) temporal, segundo a qual a idéia indutora tende a evocar de preferência uma segunda idéia que, em experiência anterior, tenha sido apreendida ao mesmo tempo ou quase ao mesmo tempo que ela; b) lei da semelhança (ou similaridade), segundo a qual uma idéia tende a suscitar outra que lhe seja afim quanto ao significado; c) lei do contraste, segundo a qual uma idéia tende a evocar, entre outras, uma outra que lhe seja especificamente contrária. A estas três leis básicas deve-se juntar, segundo alguns intérpretes, a lei da causalidade, de acordo com a qual o objeto representado pela idéia induzida apresenta uma relação de causa ou efeito com o objeto ou coisa representada pela idéia indutora.

Associações Livres (método das) – A prova das associações livres pode ser considerada como a técnica clássica da psicanálise freudiana para a identificação das perturbações emocionais oriundas dos ” mais diversos tipos de complexos. Consiste essencialmente em um processo de evocação espontânea de idéias, em estado consciente (e portanto, não hipnótico) e sem a interferência direta do terapeuta. Além de permitir a localização de idéias e desejos reprimidos, que se encontram na raiz dos sintomas mórbidos apresentados pelo paciente, produz uma descarga geral da tensão psíquica, sendo este o seu efeito terapêutico mais simples e imediato.
O procedimento usual é o seguinte: o paciente é convidado a deitar-se sobre um divã, em uma sala semi-obscura e silenciosa, devendo colocar-se em posição de completo relaxamento e repouso, numa atitude inteiramente passiva e “disponível”. Postando-se por trás dele o médico lhe pede então que deixe a mente vagar descontraída, numa espécie de devaneio proposital, e vá dizendo em voz alta tudo o que lhe ocorrer no momento. É importante conseguir que o sujeito diga tudo, absolutamente tudo, sem a mínima inibição ou crítica, portando-se como mero espectador, completamente neutro, do próprio pensamento. O analista se limita a ir anotando ou gravando em um aparelho de som) com imparcial fidelidade, as palavras e frases proferidas pelo paciente. As idéias assim evocadas revelarão invariavelmente certas associações (das quais o próprio sujeito não tem consciência) a partir das quais é possível descobrir ligações lógicas e emocionais entre os sintomas de seus distúrbios e experiências anteriores traumatizantes por ele vividas. Essas associações espontâneas, involuntariamente estabelecidas pelo sujeito durante seu solilóquio em presença do terapeuta, são portanto “significativas” em relação aos sintomas apresentados e servem como pista indicadora capaz de levar o terapeuta à identificação das causas mais profundas dos males de seu paciente. Uma série de indicações e convergências de “sentido” darão ao terapeuta um quadro elucidativo da situação patológica em seu conjunto e lhe permitirão – com a ajuda das leis gerais das associações de idéias – conjeturar e reconstruir o material “esquecido” e recalcado que deu origem aos sintomas mórbidos atualmente verificáveis no paciente.
Durante todo o processo, o terapeuta jamais intervém no próprio curso das associações, deixando o paciente inteiramente à vontade, como se estivesse falando sozinho. Apenas quando, depois de repetidas horas de sessão, o rumo desse “solilóquio” se mostra evidentemente improdutivo (no sentido de que nada de realmente significativo pareça vir à tona), ele procurará intervir, sugerindo uma palavra, um tema ou imagem que lhe pareça particularmente “fecunda” e a partir da qual o paciente passará a estabelecer novas associações. Com isto, o método já se aproximará de uma técnica correlata, que é a prova das associações condicionadas, a qual é aliás preferida por muitos terapeutas desde o início das sessões.
Ao final de cada sessão o terapeuta pedirá ao paciente para “explicar” e ampliar as associações por ele expressas durante o “devaneio”. Juntos, procurarão assim uma interpretação satisfatória da situação.

 

Astrofobia: [De astr(o)- + -fobia.] – 1. Medo mórbido de trovões e relâmpagos. – 2. Medo de astros, do espaço celeste.

 

Ataxofobia: [De ataxo- + -fobia.] – Medo patológico de desordem.


Atenção – Estado de concentração da energia psíquica sobre um objeto determinado, entendendo-se por objeto toda a situação estimuladora capaz de captar a atenção do indivíduo. O fenômeno da atenção é um dos mais debatidos pelos psicólogos. Há, porém, um ponto pacífico: é o de que a atenção seja “mais um grau de intensidade do psiquismo do que própria mente um processo psíquico definido e individualizado”.
Atentar, dizem os psicólogos, é observar seletivamente. Nossos sentidos vivem em um processo contínuo de interação com o ambiente, do qual recebem um número ilimitado de estímulos. Cada um solicitaria, por si, uma resposta particular do organismo-resposta a ser elaborada pelo cérebro, sob a forma de sensação, percepção, emoção etc.
Mas, em qualquer momento, de nossa atividade psíquica, o cérebro “se concentra” de modo especial em um determinado estímulo e resposta, em vez de se aplicar a todos os estímulos presentes e a todas as respostas possíveis. Além disso, o cérebro está “mais” preparado, ou predisposto, para receber um dentre muitos estímulos do momento, bem como para a resposta particular a ser dada. Nisto consiste precisamente o fenômeno da “atenção”. E uma limitação natural a que está sujeita nossa atividade orgânica e psíquica. Nossa atenção pode ser focalizada em grau máximo apenas em um objeto de cada vez.
A atenção é a propriedade distintiva dos fenômenos de nível consciente- A memória criadora, a imaginação, o raciocínio apresentam em grau mais ou menos intenso esta qualidade de concentração. Qualquer outra manifestação psíquica em que não se verifica esta qualidade se situa entre os .fenômenos inconscientes. A atenção é, pois, uma “qualidade distintiva” que distingue dois campos do psiquismo: o do consciente (aquele em que o “eu” conhece ou cria) e o do inconsciente (aquele em que o “eu” não conhece, embora experimente).

Atlas – Concebido por Gaia sem a semente masculina. Outra versão diz que é filho do Titã Jápeto (ou Iápeto) com Clímene.Ofereceu auxílio aos Gigantes na batalha contra Zeus, no Monte Olimpo. Como castigo por sua cumplicidade, o Senhor do Olimpo, após sua vitória, condenou-o a sustentar, sobre os ombros, o mundo.

Autismo – Atitude mental peculiar aos esquizofrênicos, caracterizada por interiorização intensa, que se manifesta por um “fechamento sobre si mesmo”, e por uma forma de pensamento desligada do real. Por autismo entende-se a constituição de um mundo próprio que tende a envolver o indivíduo. O processo de desenvolvimento da esquizofrenia propicia a criação deste “mundo próprio”, impenetrável e totalmente alienado. O indivíduo perde o contato com o real e com suas coordenadas especiais e temporais, a medida que acentua progressivamente o desacordo fundamental consigo mesmo e com os demais. Esta perda da continuidade psíquica desloca o profundo sentimento de unidade que une a pessoa à sua própria história. Assim, não encontrando mais que facetas de si mesmo, o indivíduo se apega a pedaços de realidade ou de sonho, de imagens, de recordações ou de idéias, sem poder compor ou manter a unidade de sua pessoa. O mundo autístico leva o indivíduo a satisfazer-se com ilusões narcisistas, no qual a atividade, a inteligência e a afetividade não podem se manifestar senão pelo imaginário. O esquizofrênico, freqüentemente, se encerra num isolamento total, ou seja, em um mundo autístico.

 

Autofobia: Medo patológico de si mesmo e de solidão.

Automisofobia: Horror patológico à sujeira pessoal.

 

Ablação: Ablação é a extirpação (retirada cirúrgica) de alguma parte do cérebro. A primeira técnica consistente para a psicocirurgia foi desenvolvida pelo neurologista português Dr. Antônio Egas Moniz, e realizada pela primeira vez em 1935, com o seu colega, Almeida Lima. Moniz baseou sua operação no achado que tinha sido feito alguns anos antes, de que certos sintomas neuróticos induzidos em chimpanzés poderiam ser diminuídos cortando-se as fibras nervosas que conectam o córtex pré-frontal com o resto do cérebro. Ele desenvolveu uma técnica chamada leucotomia ou lobotomia, que consistia de cortar tratos de fibra entre o tálamo e os lobo frontal, usando uma faca especial chamada um leucótomo. Os resultados de Moniz foram considerados tão bons, que a lobotomia começou a ser usada em vários países como uma tentativa de reduzir psicose e depressão severa ou comportamento violento em pacientes que não podiam ser tratados com qualquer outro meio (na ocasião, não havia muitos: o choque induzido por insulina e o choque eletroconvulsivo também estavam em seus estágios iniciais e os medicamentos ainda não estavam disponíveis). Assim, a lobotomia era empregada principalmente em pacientes institucionalizados que também mostravam agitação crônica ou angústia e comportamento obsessivo-impulsivo. Moniz foi premiado com o Nobel em 1949 por sua descoberta. V. Psicocirurgia.

 

Ab-reação: Descarga emocional mais ou menos intensa, em que o indivíduo revive um acontecimento traumático que o libera da repressão à qual estava submetido, e que pode ser espontânea ou manifestar-se no curso de certos processos psicoterápicos, por ação deles. É o processo de reduzir a tensão emocional revivendo (na fala, ação ou ambos) a experiência que causou a emoção. [Pl.: ab-reações.

 

Abstinência: Abstinência é a abstenção do uso de droga ou, mais comumente, de bebidas alcoólicas. O indivíduo que pratica a abstinência é chamado de abstêmio, aquele que não bebe ou não usa drogas. Deve-se, no entanto, diferenciar abstêmio (que não bebe ou não usa drogas) de abstinente, que é a pessoa que não está, atualmente, bebendo ou que não está, atualmente, usando drogas. A expressão “atualmente abstinente”, frequentemente usada em levantamentos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio. O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência”. V. Síndrome de Abstinência.

 

Abulia e hipobulia: Por hipobulia e abulia entende-se, respectivamente, a diminuição e a total incapacidade do potencial volitivo. Esse enfraquecimento da vontade pode ocorrer, fugazmente em indivíduos normais, em estados de fadiga ou em consequência de trauma emocional intenso. Nessa situação há lentidão concomitante das ações e dos movimentos (bradibulia e bradicinesia). A debilidade da vontade é observada em todos os estados de depressão e de inibição. A Hipobulia pode ser permanente nas esquizofrenias e em oligofrênicos apáticos. O tipo mais característico de debilidade volitiva é encontrado na depressão, na qual a vontade está inibida em todo o período de duração do acesso. Em estados depressivos a Hipobulia é duradoura, surgindo junto com a baixa volição as típicas dificuldade de decisão. V. Hipobulia e Abulia em Alterações da Atividade Voluntária.

 

Abuso de drogas: No DSM.IV e na CID.10, fala-se em Abuso de Substância, de modo genérico, especificando-se daí, qual a substância abusada. A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, manifestado por consequências significativamente danosas e recorrentes relacionadas ao uso repetido da substância. Em decorrência do abuso da substância pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes, pode haver uso repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes. Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente (com recaídas), durante um período de 12 meses. À diferença entre Dependência de Substância e Abuso de Substância, diz respeito à tolerância (aumento na quantidade consumida), abstinência (crise por falta da substância) ou um padrão de uso compulsivo, quando há dependência. Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em indivíduos que começaram recentemente a consumi-la, alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo as consequências sociais adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína. O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa. Pode haver repetidas ausências ou fraco desempenho no trabalho, relacionados a “ressacas” recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado, o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos. A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo). Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, direção sob influência da substância). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar de uma história de consequências sociais ou interpessoais indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, lutas corporais ou verbais). abuso de substâncias que não produzem dependência (F55) Definido na CID-10 como o uso repetido e inadequado de uma substância isenta de potencial de dependência, que se acompanha de efeitos físicos ou psicológicos nocivos ou envolve um contato desnecessário com profissionais da saúde (ou ambos). Esta categoria poderia ser mais apropriadamente chamada de “abuso de substâncias não psicoativas” (Compare com uso indevido de álcool ou droga). Na CID-10, este diagnóstico está incluído na secção “Síndromes comportamentais associadas à perturbações fisiológicas e fatores físicos” (FSO-F59). Uma ampla variedade de medicamentos à venda sob prescrição médica ou de venda livre e de remédios populares e fitoterápicos pode estar envolvida. Os grupos particularmente importantes são:

  1. a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os antidepressivos e neurolépticos;
  2. b) laxativos (o uso inadequado dos mesmos é chamado de “hábito laxativo”);
  3. c) analgésicos que podem ser comprados sem prescrição médica, tais como aspirina (ácido acetilsalicílico) e paracetamol (acetaminofeno);
  4. d) esteróides e outros hormônios;
  5. e) vitaminas;
  6. f) antiácidos.

Embora estas substâncias não produzam, tipicamente, efeitos psíquicos agradáveis, as tentativas de desencorajar ou proibir o seu uso frequentemente encontram resistência. A despeito da forte motivação do paciente para tomar a substância, não há o desenvolvimento de síndrome de dependência nem de síndrome de abstinência. Estas substâncias não têm potencial de dependência no sentido de efeitos farmacológicos intrínsecos, mas são capazes de induzir dependência psicológica. V. Transtornos Mentais Relacionados ao Uso de Substâncias.

 

Abuso sexual

Abuso sexual infantil: O abuso sexual é caracterizado pela investida sexual apesar do não consentimento da criança na relação com o adulto. Este tipo de abuso não necessita, obrigatoriamente, do coito mas pode ocorrer através da coerção ou com jogos de sedução afetiva perpetrados pelos adultos. As formas mais comuns de agressão sexual contra crianças relatadas por especialistas que trabalham com a psicoterapia nos casos de abuso são: as “carícias”, o contato com a genitália, a masturbação e a relação sexual vaginal, anal ou oral. Abuso sexual intrafamiliar: Utiliza-se esta expressão para caracterizar o abuso sexual infantil que ocorre dentro do sistema familiar da criança. O agressor pode ser o pai, um irmão, um primo, ou seja: pessoas com relação de consanguinidade com a criança. Mas também é agressor intrafamiliar um padrasto, um novo namorado da mãe da criança (que a criança conheça), um amigo muito íntimo da família, enfim: todos aqueles que mesmo sem nenhum grau de parentesco têm um certo convívio com a criança a ponto de travar com ela laços afetivos. O abuso sexual intrafamiliar também pode ser chamado de relação de incesto. V. Parafilias, Desejo Sexual, Transtornos da Sexualidade.

 

acetilcolina

O mais comum dos neurotransmissores. É encontrado em muitas sinapses do cérebro e coluna espinal e é particularmente prevalente em uma área do cérebro chamada de hipocampo, que exerce um papel fundamental na formação de novas recordações. V. neurotransmissor.

 

ácido desoxirribonucléico (DNA)

O material hereditário básico de todos os organismos; um polímero de ácido nucléico que incorpora o açúcar desoxirribose. Em organismos superiores, a maior parte do DNA está localizada dentro dos cromossomos.

 

ácido gama-aminobutírico (GABA)

Um importante neurotransmissor inibidor.

 

ácido lisérgico dietilamida

Uma poderosa droga psicoativa, capaz de produzir alterações extremas na consciência, alucinações, distorções na percepção e mudanças imprevisíveis de humor.

 

acomodação

(1) O processo pelo qual a lente do olho varia seu foco. (2) Na teoria de desenvolvimento de Piaget, o processo pelo qual um bebê modifica um esquema pré-existente a fim de incluir um novo objeto ou evento. V. assimilação, esquema.

 

aconselhamento

  1. m. Psicol. Forma de assistência psicológica destinada à solução de leves desajustamentos de conduta. Aconselhamento clínico: Educ. e Psicol.. Aconselhamento baseado em amplo e completo diagnóstico do caso, no estudo de várias soluções ou caminhos apresentados ao orientado, e com ele francamente discutidos; aconselhamento diretivo. Aconselhamento diretivo: Educ. e Psicol. Aconselhamento clínico.

Aconselhamento não diretivo: Educ. e Psicol. Aconselhamento que permite ao orientado expressar livremente seus anseios, preocupações, tensões emocionais, e bem assim os seus planos positivos de escolha, limitando-se o orientador educacional a fazer que o aluno adote a solução que melhor lhe pareça, e o orientador psicológico a valorizar a personalidade do paciente.

 

acromania

[Do gr. akrománes, ‘doido varrido’, + -ia.]

  1. f. Psiq.1 Mania caracterizada por grande atividade motora.

 

acuidade

(u-i)[Do fr. acuité.]

  1. f. Psicol. Capacidade acentuada de discriminar estímulos sensoriais; agudeza.

 

acuidade visual

O limiar para o tamanho mínimo dos detalhes que uma pessoa pode detectar visualmente.

 

acupuntura

Um procedimento de cura desenvolvido na China no qual agulhas são inseridas na pela em pontos críticos e retorcidas, eliminando a dor. V. teoria de controle do portão, para a dor.

 

adaptação à luz

Menor sensibilidade do olho à luz quando o sujeito foi exposto continuamente a altos níveis de iluminação. V. adaptação ao escuro.

 

adaptação ao escuro

A maior sensibilidade à luz quando o sujeito esteve continuamente no escuro ou sob condições de iluminação reduzida. V. adaptação à luz.

 

adaptação seletiva

Na percepção, uma perda da sensibilidade ao movimento que ocorre quando observamos o movimento. A adaptação é seletiva porque perdemos a sensibilidade ao movimento visto e a movimentos similares, mas não àqueles que diferem significativamente em direção ou velocidade. Presumivelmente o resultado de neurônios cansados no córtex cerebral.

 

adaptação sensorial

A redução na sensibilidade que ocorre com a estimulação prolongada e o aumento na sensibilidade que ocorre coma a falta de estimulação; mais perceptível na visão, olfato, paladar e sensibilidade à temperatura. V. adaptação ao escuro, adaptação à luz.

 

adipócitos

Células especiais de gordura no corpo. Os indivíduos obeso têm muitas mais delas e, portanto, talvez, uma maior gordura corporal básica.

 

Adler, Alfred

A idéia de Alfred Adler sobre a inferioridade orgânica apareceu pela primeira vez em 1907, e tentava explicar por que a doença afeta as pessoas de formas diferentes. Ele sugeriu que em cada indivíduo certos órgãos são mais fracos que outros de algum modo, e isso tornaria a pessoa mais suscetível à doenças envolvendo tais órgãos mais frágeis. Adler ampliou sua investigação sobre inferioridade orgânica para o estudo do sentimento psicológico de inferioridade. Ele criou o termo “complexo de inferioridade” e afirmava que todas as crianças são profundamente afetadas por um sentimento de inferioridade, consequência inevitável do tamanho da criança e de sua falta de poder. Um forte sentimento de inferioridade, ou um complexo de inferioridade, impediria o crescimento e o desenvolvimento positivos. Entretanto, sentimentos de inferioridade mais moderados podem motivar os indivíduos para realizações construtivas. Desde a mais tenra idade, a criança passa a perceber que existem outros seres humanos capazes de satisfazer completamente suas necessidades mais urgentes, melhor preparados para viver. A criança aprende então a dar um valor excessivo ao tamanho, atributo que possibilita a pessoa abrir uma porta, ou à força, a qual habilita a transportar objetos pesados, ou ao direito de dar ordens e exigir obediência. Esses sentimentos despertam na criança um desejo de crescer, de ficar tão forte como os outros, ou mesmo mais forte ainda.

 

adolescência

[Do lat. adolescentia.]

  1. f. Psicol. (1) Período que se estende da terceira infância até a idade adulta, marcado por intensos processos conflituosos e persistentes esforços de auto-afirmação. Corresponde à fase de absorção dos valores sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social. (2) O período de transição da infância para a idade adulta, durante o qual o indivíduo desenvolve sua maturidade sexual. V. também puberdade.

 

adulto

[Do lat. adultu.]

Adj. Psicol. Diz-se de indivíduo que atingiu plena maturidade, expressa em termos de adequada integração social e adequado controle das funções intelectuais e emocionais.

 

afagia

Incapacidade para comer. V. também hiperfatia.

 

afasia

Prejuízo ou perda da capacidade para articular palavras ou compreender a fala.

 

afetividade

  1. f. Psicol. (1) Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza. (2) Afetividade é o atributo psíquico que dá o valor e representa a realidade. Essa afetividade também é capaz de representar um ambiente cheio de gente como se fosse ameaçador, é capaz de nos fazer imaginar que pode existir uma cobra dentro do quarto ou ainda, é capaz de produzir pânico ao nos fazer imaginar que podemos morrer de repente. A afetividade valoriza tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós, como os fatos e acontecimentos, bem como aquilo que está dentro de nós (causas subjetivas), como nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas perspectivas futuras. O melhor exemplo que podemos referir para entender a afetividade é compará-la à óculos através dos quais vemos o mundo. São esses hipotéticos óculos que nos fazem enxergar nossa realidade desse ou daquele jeito. Se esses óculos não estiverem certos podemos enxergar as coisas maiores ou menores do que são, mais coloridas ou mais cinzentas, mais distorcidas ou fora de foco. Tratar da afetividade significa regular os óculos através dos quais vemos nosso mundo. Porque uma pessoa portadora de Síndrome do Pânico pensa que pode morrer ou passar mal de repente? Porque ela acha que sofre do coração, ou está prestes a ter algum derrame, ou que está tão descontrolada ao ponto de perder o controle. Ora, nada disso faz parte da realidade objetiva e concreta. Trata-se de um juízo pessimista, uma avaliação negativa que a pessoa faz de si mesma, ou seja, trata-se de uma Afetividade que representa negativamente para a própria pessoa o seu próprio eu. Se a pessoa está se vendo pior do que é de fato, então afetivamente não está bem. A depressão típica, por sua vez, também faz com que a pessoa se sinta e se ache pior do que realmente é. Isso produz insegurança e rebaixa a auto-estima. Novamente aqui a afetividade representa negativamente a pessoa para si mesma. A avaliação negativa de si mesmo, achar que a vida não vale a pena, que a realidade é sofrível, sentir medo exagerado, achar-se doente e toda sorte de pensamentos ruins resultam do afeto alterado.

 

afeto

[Do lat. affectu.]

  1. m. Psicol. (1) O elemento básico da afetividade. (2) Emoção.

 

agitação

S.f. Psiq. Atividade motora exagerada, desordenada e incoerente, com excitação ou confusão mental. Agitação Psicomotora:Atividade motora excessiva associada à tensão emocional, geralmente improdutiva e repetitiva. Em alguns casos, são acompanhadas de gritos e lamentos. Normalmente há incapacidade para permanecer sentado, compulsão em mexer muito as mãos, etc. Os estados de agitação psicomotora são comuns em crianças e adolescentes portadores de distúrbio neurológico ou submetidas a situação de estresse, quando se sentem pressionados e solicitados além da sua capacidade de resposta. A agitação psicomotora é um forte indício de alteração emocional.

 

agnosia

(1) Uma perturbação perceptiva, resultante de dano ao córtex cerebral, na qual o indivíduo tem dificuldade para identificar objetos familiares ou colocá-los no espaço, embora a acuidade visual seja normal. As pessoas que sofrem de agnosia parecem perceber mas não são capazes de compreender a informação que lhes é apresentada. Agnosia de associação: Uma perturbação perceptiva, resultando do dano a áreas específicas do córtex cerebral, na qual o indivíduo tem dificuldade para reconhecer objetos familiares apresentados visualmente, embora possa prontamente dar nome a objetos, se pode tocá-los ou ouvi-los. V. prognosia. (2) A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do SNC. A anestesia, surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do SNC onde se projetam essas sensações determinando o desaparecimento delas. Nos casos onde estão conservadas a integridade das vias nervosas aferentes e existem lesões corticais na vizinhança da área de projeção, nas chamadas áreas para-sensoriais, mantém-se a integridade das sensações elementares, porém, há alteração do ato perceptivo. Nesses casos, fala-se de Agnosia. Assim sendo, Agnosia não é uma alteração exclusiva das sensações nem exclusiva da capacidade central de perceber objetos externos, mas uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Em alguns casos, observa-se a perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares, em outros há integridade e extensão, mas perda da capacidade de reconhecimento dos objetos. V. Alterações da Percepção (Agnosia)

 

agorafobia

(1) Medo de estar sozinho ou de estar em um local público onde o escape poderia ser difícil ou o auxílio não estaria disponível se o indivíduo se sentisse incapacitado por um ataque de pânico. V. transtorno de pânico, fobia. (2)A característica essencial da agorafobia é uma ansiedade que aparece quando a pessoa se encontra em locais ou situações das quais sair dali (escapar) poderia ser difícil ou embaraçoso ou, na maioria das vezes, em situações nas quais um auxílio imediato pode ser difícil, caso a pessoa venha a passar mal. A ansiedade agorafóbica pode ser, inclusive, antecipatória, ou seja, aparecer diante da simples possibilidade de ter que participar de determinadas situações. Essa Ansiedade antecipatória pode levar ao afastamento (fuga) dessas situações, presumivelmente causadoras de Ansiedade. Tais situações podem incluir:

  1. a) estar sozinho fora de casa ou estar sozinho em casa;
  2. b) estar em meio a uma multidão;
  3. c) viajar de automóvel, ônibus ou avião, ou estar em uma ponte ou elevador.
  4. Ansiedade (Agorafobia)

 

agrafia

A linguagem escrita, como uma das formas de expressão do pensamento, pode apresentar alterações significativas. A agrafia é a manifestação na escrita das alterações afásicas que ocorrem na linguagem oral. Ainda que exista uma dissociação entre a possibilidade de denominar por escrito e verbalmente, a ausência da palavra existe tanto na linguagem escrita como na linguagem oral. A redução da linguagem e o agramatismo apresentam o seu equivalente escrito mesmo para o jargão e para as parafasias, cuja escrita constitui, às vezes, um modo de facilitação privilegiada, da mesma forma que ela fornece numerosos exemplos de dissintaxia. Mesmo que seja corrigida as manifestações gráficas da Afasia, persistirá para sempre uma disortografia rebelde. Portanto, nos escritos dos pacientes afásicos é possível encontrar quase todas as alterações estudadas na linguagem oral.

 

agramatismo

O agramatismo é uma evolução frequente da afasia e reflete uma importante redução da linguagem. A utilização prevalente de substantivos, juntamente com o emprego sistemático de verbos no infinitivo e a supressão de pequenos instrumentos de linguagem (artigos, preposições…) determinam uma forma de expressão semelhante a uma linguagem primitiva (mim Tarzã, você Jane) ou de um estilo telegráfico, com uma linguagem econômica, reduzida, concreta, pobre, sem flexibilidade e sem possibilidade de abstração. V. mais Alterações da Linguagem.

 

agressão

[Do lat. aggressione.]

  1. f. Psic. (1) Conduta caracterizada por intuito destrutivo. (2) O termo “agressão” possui tantas conotações que, na realidade, perdeu e diluiu seu significado. Embora seja conveniente conceber a violência e a agressão como processos comportamentais, por não se tratarem de conceitos simples e unitários, também não poderão ser definidos como tal, permanecendo difíceis de serem analisados isoladamente de outras formas do comportamento motivado. Guardando inúmeras exceções, a tendência a agressão e a violência poderão ser concebidas como traços de personalidade, como respostas aprendidas no ambiente, como reflexos estereotipados de determinados tipos de pessoas ou até como manifestações psicopatológicas. Em nosso caso particular, interessa tratar a violência e a agressão como eventuais consequências de processos biopsicológicos subjacentes. É impossível considerar a agressão no ser humano como um evento em si, emancipada das circunstâncias e contingências. Primeiramente, devemos considerar a agressão a partir do agente agressor, depois, a partir do agente agredido e, finalmente, a partir de um observador ou terceiro. Não surpreenderá encontrarmos três representações diferentes de um mesmo evento. Do ponto de vista do agressor, deve-se considerar a intencionalidade dolosa do ato, ou seja, a tentativa intencional de um indivíduo em transmitir estímulos nocivos à outro. Para o agredido, deve-se considerar o sentimento de estar sendo agredido ou prejudicado e, quanto ao observador, deve-se considerar seus sentimentos críticos acerca da possibilidade de ter havido nocividade no ato em apreço, bem como sua intencionalidade (subjetiva) em promover a agressão. V. Fisiopatologia da Agressão

 

agressividade

  1. f. Psicol. Disposição para o desencadeamento de condutas hostis, destrutivas, fixada e alimentada pelo acúmulo de experiências frustradoras.

 

agressivo

Adj. Psicol. Diz-se de indivíduo em cuja personalidade prevalece como componente a disposição para condutas destrutivas, hostis.

  1. m.3. Psicol. Indivíduo agressivo.

 

ajustamento ou adaptação, transtorno de

Transtorno de ajustamento (DSM.IV) – A característica essencial de um transtorno de ajustamento é o desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais significativos em resposta a um ou mais estressores psicossociais identificáveis. Os sintomas devem desenvolver-se dentro de um período de 3 meses após o início do estressor ou estressores. A importância clínica da reação é indicada por um acentuado sofrimento, que excede o que seria esperado, dada a natureza do estressor, ou por um prejuízo significativo no funcionamento social ou profissional (ou acadêmico). O diagnóstico de Transtorno de Ajustamento também não se aplica quando os sintomas representam Luto. Por definição, um Transtorno de Ajustamento deve resolver-se dentro de 6 meses após o término do estressor (ou de suas consequências). Entretanto, os sintomas podem persistir por um período prolongado (isto é, mais de 6 meses), se ocorrem em resposta a um estressor crônico (por ex., uma condição médica geral debilitante e crônica) ou a um estressor de consequências prolongadas (por ex., dificuldades emocionais ou financeiras resultantes de um divórcio). Transtorno de Adaptação (CID.10) – É um Estado de sofrimento e de perturbação emocional, de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva que necessita, para seu desencadeamento, de um acontecimento particularmente estressante, ou uma alteração particularmente marcante na vida do sujeito, que comporta consequências desagradáveis e duradouras e levam a um transtorno de adaptação. O Estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais, ocorrendo durante um período de adaptação a uma mudança existencial importante ou a um acontecimento estressante. O fator de “stress” pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experiências de separação) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigração, estado de refugiado); ou ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolarização, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria). A predisposição e a vulnerabilidade individuais desempenham um papel importante na ocorrência e na sintomatologia de um transtorno de adaptação; admite-se, contudo, que o transtorno não teria ocorrido na ausência do fator de “stress” considerado.

 

alcoolismo

A utilização de bebida alcoólica regular deve ser vista com muito cuidado. O seu uso esporádico ou moderado não significa grande problema de saúde. O seu uso exagerado caracteriza o alcoolismo, uma grave doença que basicamente atinge o sistema nervoso, o sistema gastro-intestinal, fígado e pâncreas, e o sistema cardio-circulatório. A principal característica do alcoolismo é a dependência, ocorrendo na terceira idade de maneira significativa. Na dependência, a súbita retirada da bebida pode gerar graves distúrbios, caracterizados pelo quadro de “delírium tremens” (Síndrome de Abstinência). A Síndrome de Abstinência se caracteriza por estado de delírio com agitação, confusão, e alucinações. Além da dependência o alcoolismo pode se manifestar através de sua intoxicação e de suas complicações. No idoso o álcool tende a atingir maiores concentrações no sangue mesmo com doses pequenas. Suas manifestações caracterizam dificuldade no andar, confusão e negligência consigo mesmo. Acentua a falta de memória. Pode haver mudança de humor, com excitação seguida de depressão e agressividade , podendo se confundir com demência. Facilita as quedas e ferimentos, e com frequência há distúrbios como diarréia e incontinência urinária. O alcoolismo na terceira idade fica agravado devido ao fato de ser ignorado por médicos e serviços de saúde pública que estão mais preocupados com o alcoolismo entre jovens. A intoxicação por álcool ocorre em geral em grandes alcoólatras. No alcoolismo crônico ocorrem repetidos episódios de intoxicação alcoólica. O alcoolismo leva a pessoa ao isolamento social e a graves distúrbios familiares. As principais características do alcoólatra são a ingestão muito rápida da bebida, o hábito de beber só e cada vez maiores quantidades, a perda de apetite, e irritabilidade nos momentos em que não bebe. São inúmeras as consequências medicas do alcoolismo. A demência e as neuropatias são suas principais manifestações neurológicas. Há o desenvolvimento de doença cardíaca (insuficiência, arritmias), doenças gastro-intestinais e hepáticas. Ocorre uma tendência a aumentar gorduras no sangue, exacerba crises de gota, e aumenta a susceptibilidade a infecções. Leva à impotência sexual. Inúmeras deficiências vitamínicas são consequentes ao alcoolismo (ácido fólico, tiamina, etc.). O câncer de boca, de faringe e de esôfago estão relacionados ao alcoolismo. Acentua os efeitos sedativos dos tranquilizantes, de analgésicos e também de antialérgicos. Talvez a principal consequência do alcoolismo para o idoso seja o acidente devido ao comportamento indevido, às quedas e principalmente aos acidentes de trânsito. O problema das quedas tem relevância na terceira idade. O alcoolismo é muito frequente entre aqueles que praticam o suicídio e nas situações de intoxicações por drogas. O alcoolismo com todas suas consequências e complicações é frequente causa de morte na terceira idade, situando-se entre doenças cardíacas, derrames cerebrais e câncer. Na base do alcoolismo está o componente hereditário que predispõe à doença. Mas o peso de distúrbios psicológicos é sem duvida fundamental para o desenvolvimento da doença. São as frustrações, os medos, as ansiedades que levam ao uso do álcool como tranquilizante. Na terceira idade o medo da morte, a solidão, a ansiedade gerada pela sensação de dependência, a tristeza pelas perdas, a falta de adaptação à aposentadoria, as frustrações de mais variadas causas assumem grande importância sendo fatores que devem ser encarados com muito respeito e compreensão. O tratamento não se limita à correção dos vários distúrbios orgânicos que acompanham o alcoolismo. A abordagem psicológica e a terapia ocupacional são armas eficientes no seu tratamento que deve sempre contar com a ativa participação dos familiares.

 

alergia

[De al(o)- + -ergo(o)1 + -ia.]

  1. f. Med. intolerância do organismo para com determinados produtos físicos, químicos ou biológicos, aos quais reage-se de forma exagerada. Portanto, trata-se de uma reação anormal à uma ou mais substâncias aparentemente inocentes que, quando apreendidas pelo organismo (inaladas, ingeridas, ou por contato com a pele) causam irritabilidade. As substâncias capazes de desencadear a alergia são chamadas de Alérgenos. Quando alérgenos são apreendidos pelo organismo, células brancas do sangue que produzem anticorpos (IgE) são ativadas. Estes anticorpos determinam a liberação de produtos químicos (mediadores) potentes como, por exemplo, a histamina, que acabam provocando os sintomas alérgicos típicos. Trata-se, na realidade, de uma intolerância do organismo à alguma circunstância externamente determinada. Isso pode perfeitamente servir de analogia, em psiquiatria, com nossas Reações Vivenciais Anormais, diante das vivências consideradas traumáticas (V. Reações Vivenciais). Alguns alérgenos mais comuns são o pólen, a poeira, pelos de animais, penas, comidas, medicamentos, picadas de inseto, cosméticos. V. Alergia e Emoção – Relação entre estados alérgicos (asma, rinite…) e estados emocionais. V. Asma e Emoção – A asma brônquica do ponto de vista psicossomático. V. Psiconeuroimunologia – Relação entre estados emocionais e alterações na imunidade.

 

alexia

Alexia Agnósica: Chama-se Alexia Agnósica uma espécie de transtorno na escrita (Afasia Gráfica) onde predomina a dificuldade de integração das percepções visuais e Assim sendo, a Alexia Agnósica corresponde a uma dificuldade maior para a identificação das palavras (compreensão global) do que para a identificação de letras isoladas. A leitura tende a ser literal ou escandida. O indivíduo utiliza o dedo para a identificação das letras e a identificação das palavras soletradas é satisfatória. Nesses pacientes a cópia é imperfeita, ainda que a escrita espontânea ou ditada seja satisfatória. A alexia agnósica está frequentemente associada a outras manifestações de agnosia visual, notadamente a agnosia para as cores. Alexia Afásica É Alexia Afásica, quando está prejudicada a utilização de mensagens em função de seu valor simbólico em termos de linguagem. A Alexia Afásica determina uma maior dificuldade para o entendimento de letras do que de palavras, estas dotadas de uma significação que facilita sua identificação. A leitura é global e os erros resultam de uma interpretação falsa da forma geral da palavra. Para o aléxico afásico a divisão em sílabas é difícil e a escrita espontânea e ditada apresenta os caracteres de uma agrafia afásica. A cópia é possível, porém o paciente apresenta dificuldade em reler. Alexia Pura A Alexia Pura se caracteriza por uma perda eletiva de identificação da linguagem escrita, na ausência de qualquer outra forma de Afasia. As características gerais são as mesmas de uma Alexia Agnósica e ocorrem, quase sempre, manifestações associadas de Agnosia Visual, principalmente agnosia para cores e para formas geométricas. A lesão responsável se localiza no giro lingual e no giro fusiforme do hemisfério dominante, mas atinge também o esplênio do corpo caloso. V. Alexia em alterações da linguagem.

 

alexitimia

Alexitimia é uma marcante dificuldade para o uso apropriado da linguagem para expressar e descrever sentimentos, bem como a dificuldade para diferenciar com precisão as sensações corporais e uma impressionante capacidade para fantasias. A causa da alexitimia tem preocupado diversos investigadores por muito tempo. Krystal e Freyberger atribuíram estes defeitos à predisposição psicológica. Nemiah e Sifneos, por outro lado, sugeriram defeitos biológicos estruturais como sendo a causa subjacente primária das características alexitímica. Mais recentemente, um grande número de pesquisas neurobiológicas tem retratado muito bem a anatomia e a fisiologia das estruturas cerebrais responsáveis pela postura emocional da pessoa, apesar da complexidade e às vezes dos resultados inconclusivos. V. Alexitimia

 

algofilia

[De algo-2 + fil(o)-2 + -ia.]

  1. f. Psiq. Tendência mórbida para a procura de sensações dolorosas, que se distingue do masoquismo pela ausência de componentes eróticos. [Antôn.: algofobia.]

 

algolagnia

[De algo-2 + gr. lagneía, ‘prazer’.]

  1. f. Psiq. Perversão daquele que só tem prazer sexual associado a uma dor experimentada por ele mesmo ou infligida a outrem. Algolagnia ativa: Psiq.. Sadismo. Algolagnia passiva: Psiq.1. Masoquismo.

 

alienação

[Do lat. alienatione.]

  1. f. Psiq. (1) Alienação mental [q. v.]. (2) Alienação é a condição caracterizada pela perda de relacionamentos significativos com outros, com a sociedade ou com a cultura. Este termo, também usado num sentido socioeconômico, passou a substituir o antigo conceito de loucura. Portanto, alienação e loucura são termos que se correspondem, o mesmo não havendo com os termos alienação e desrazão. Problemas sociais de aculturação e socialização, juntamente com o desenvolvimento emocional individual problemático pode produzir ou exacerbar perturbações psicopatológicas que promovem a desrazão, tais como a despersonalização, comportamento dissociativo e/ou histérico mas isso não é alienação (loucura) na acepção essencial do termo. Atualmente tem-se falado muito na Alienação da Adolescência. Trata-se de um desenvolvimento de antipatia ou até mesmo hostilidade à sociedade e/ou à cultura que acontece durante a adolescência. Este fenômeno pode estar associado a alterações psicopatológicas, mas pode também acompanhar mudanças sociais importantes. A alienação durante a adolescência pode resultar em problemas psicossociais epidêmicos, como, por exemplo, o abuso de álcool e drogas, delinquência, depressão, conflitos familiares, gravidez precoce e fora do casamento, abandono escolar vandalismo e suicídio.

 

alienação mental. Psiq. Qualquer forma de perturbação mental que incapacita o indivíduo para agir segundo as normas legais e convencionais do seu meio social. [Tb. se diz apenas alienação.]

 

aloerotismo

[De al(o)- + erotismo.]

  1. m. Psicol. Orientação da libido para objetos externos; heteroerotismo. [ Cf. auto-erotismo.]

 

alopsíquica – autopsíquica, orientação

De regra, verifica-se a orientação autopsíquica e a orientação alopsíquica, por meio da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica. A pessoa psiquicamente normal deve, além de identificar-se, ter noção de sua situação a qualquer momento, deve saber perfeitamente onde se encontra, o dia, o mês e o ano atuais e qual a sua situação em relação ao ambiente. A consciência humana deve ser plena e absolutamente lúcida para que se estabeleçam ligações eficientes entre o momento presente e o passado, estabelecendo-se a noção exata do tempo ou da época em que nos encontramos. Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos. V. Alterações da Orientação.

 

alteração do comportamento

Entende-se “alteração” como uma modificação acentuada de determinadas manifestações comportamentais, modificações estas, acima da faixa etária e sócio-cultural considerada normal na grande maioria das pessoas. Na alteração comportamental não estão implicados déficits cognitivos, distúrbios orgânicos ou mentais. O que acontece é que a pessoa passa a ter alguma dificuldade em lidar com os fatos de seu ambiente psicossocial e, como mecanismo de defesa, faz investidas em atos violentos e anti-sociais ou, ao contrário, se contrai emocionalmente, podendo chegar ao isolamento e à depressão. Nos casos de alterações comportamentais, a psicoterapia tem sido muito eficiente. V. Transtornos do Comportamento na CID.10.

 

alteração da personalidade

As Alterações Permanentes da Personalidade estão classificadas como F62 na CID.10. Um transtorno da personalidade e do comportamento adulto que se desenvolve após estresse catastrófico ou excessivamente prolongado, ou após várias doenças psiquiátricas graves num indivíduo sem transtorno de personalidade prévia. Há uma mudança definitiva e permanente no padrão individual de perceber, relacionar-se com o mundo e consigo próprio. A mudança de personalidade é associada com comportamento inflexível e mal-adaptativo que não estava presente antes da experiência patogênica e não é uma manifestação de outro transtorno mental nem um sintoma residual de qualquer transtorno mental precedente. Alterações permanentes da personalidade após experiência catastrófica (F62.0): Caracterizam-se por uma atitude hostil ou desconfiada em relação ao mundo, isolamento social, sentimento de inutilidade (vazio) ou desesperança e um sentimento crônico de estar “no limite”, como se estivesse constantemente ameaçado. As alterações estão presentes por pelo menos dois anos e o estresse é tão extremo que é desnecessário considerar a vulnerabilidade pessoal para explicar seu profundo efeito sobre a personalidade. Os estressores típicos mais relacionados à essas alterações de personalidade incluem experiências em campos de concentração, desastres, cativeiro prolongado com iminente possibilidade de ser morto e exposição prolongada a situações de risco de vida tal como ser vítima de terrorismo e de tortura. Alterações permanentes da personalidade depois de doença psiquiátrica: Essas alterações de personalidade se caracterizam por uma dependência excessiva e uma atitude exigente em relação aos outros, e uma convicção de ter sido transformado ou estigmatizado pela doença precedente, que levam a: a) uma incapacidade para estabelecer e manter relações pessoais próximas e isolamento social, b) passividade, c) redução de interesses e diminuição do envolvimento em atividades anteriormente prazerosas e apreciadas, d) queixas persistentes de estar doente que podem ser associadas com queixas hipocondríacas e comportamento de ficar doente, e) humor disfórico ou lábil não devido à presença de uma doença mental atual nem a transtorno mental anterior com sintomas afetivos residuais e f) problemas importantes no funcionamento social e ocupacional. As alterações persistem por pelo menos dois anos e não podem ser explicadas nem por um transtorno da personalidade prévio nem como uma recuperação incompleta, ou residual de um transtorno mental antecedente. V. Transtornos da Personalidade.

 

alucinação

[Do lat. alucinatione.]

  1. f. Psiq. e Psicol. (1)Percepção de objeto inexistente. (2) Percepção sensorial sem estímulo do órgão sensorial correspondente. A pessoa com alucinação tem o senso imediato de que a sua percepção é verdadeira; em alguns casos, a alucinação provém de dentro do corpo. Algumas vezes, a pessoa com alucinação consegue ter o entendimento de que está com uma alteração de registro sensorial. Outras vezes, a intensidade do delírio (que normalmente ocorre junto com alucinação) concede ao indivíduo o peso de que o que percebe é a verdade absoluta. Em um sentido mais restrito, as alucinação indicam um distúrbio psicótico quando associadas a deficiência de prova da realidade. O termo “alucinação” não se aplica a falsas percepções que ocorrem durante o sonho. Alucinações manifestas em ritos religiosos não têm necessariamente significado patológico. Alucinações transitórias são frequentes em indivíduo sem distúrbio mental quando submetido à privação física ou psíquica. Classificação das alucinações: Alucinação auditiva – sonora: vozes, estalidos, etc. Alucinação de humor congruente e incongruente – idéias delirantes ou alucinações que podem ser concordantes com o humor do sujeito ou antagônico ao mesmo. Alucinações gustativas – são distorções de percepção do paladar. Alucinações olfativas – cheiros persistentes. Alucinações somáticas – percepções relacionadas ao interior do corpo, por exemplo, dores, pressões, calores. Distingue-se da preocupação hipocondríaca na medida em que se verifica na alucinação somática uma interpretação delirante de uma doença física. Alucinação tátil – (ou cinestésica ) – relativa à sensações de contato, sobre ou sob a pele. Observa-se com frequência em síndromes de abstinência ao álcool ou à cocaína. A alucinação tátil dolorosa distingue-se da dor psicogênica, na qual não existe interpretação delirante.

 

alucinógenos

Alucinógeno é a denominação para toda substância psicoativa, natural ou sintética, capaz de ocasionar alterações da consciência, normalmente caracterizadas por alterações da percepção, imagens vívidas que podem evoluir para ilusões e alucinações, alterações do humor e vivências de despersonalização/ desrealização. Esses estados mentais produzidos por alucinógenos podem se assemelhar a uma psicose aguda e produzir graves transtornos de comportamento, sem que se acompanhe de uma disfunção grosseira da memória e orientação, própria das síndromes orgânicas (arteriosclerose, psicoses esquizofrênicas, traumatismos cranianos…). Os efeitos são notados dentro de 20 a 30 minutos e consistem de dilatação pupilar, elevação da pressão sanguínea, taquicardia, tremor e a fase psicodélica. Essa fase consiste de euforia ou alterações de humor, ilusões visuais e percepções alteradas, embotamento dos limites entre o eu e o não-eu, e frequentemente um sentimento de unidade com o cosmos; são comuns flutuações rápidas entre euforia e disforia. Após 4-5 horas, este quadro pode ser substituído por idéias de auto-referência, sentimentos de consciência aumentada do eu interior, e uma sensação de controle mágico. Além dessa alucinose regularmente produzida, são frequentes outros efeitos, tais como um transtorno delirante, que geralmente leva o nome de má-viagem; mudanças na senso-percepção com convicção de corresponderem à realidade. Esse estado delirante pode durar apenas um ou dois dias, ou pode persistir por mais tempo. V.Alterações da Senso-percepção.

 

alucinose

Alucinógeno é um termo introduzido por Wernicke (18481905) para indicar os estados alucinatórios agudos. Atualmente o termo Alucinose se refere à percepção de uma imagem patológica com todas as características de uma imagem alucinatória (sobretudo uma notável nitidez), entretanto, ao contrário das alucinações, há menor convicção de realidade ou menor participação do eu, isto é, o paciente reconhece aquela experiência perceptiva como algo estranho a si mesmo, como um acontecimento patológico. As alucinações alcoólicas e as alucinoses pedunculares são seus exemplos mais comuns. A expressão alucinose tem sido empregada cada vez mais para designar um delirium alucinatório: imagens alucinatórias resultantes da dissolução da consciência-vigilância ou da ação de substâncias psicoativas; “alucinose alcoólica” e “alucinose infecciosa” têm este sentido. Outros a empregam com o mesmo sentido de alucinação orgânica, sintomática ou tóxica, sem confusão mental ou prejuízo intelectual, mas persistente e recorrente. V. Alucinose Orgânica no DSM.IV ou CID.10.

 

Alzheimer, doença de

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência na velhice. Caracteriza-se pela perda da memória associada à deterioração das funções intelectuais, emocionais e cognitivas. Ocorre entre homens e mulheres na mesma proporção sendo que incide em 8% da população de idosos. Pode ter inicio ao redor dos 50 anos mas é mais frequente em idades mais avançadas. É uma doença de caráter progressivo. É devida à disfunção das células nervosas, de causa ainda desconhecida, que provoca a diminuição de um hormônio de grande importância na função cerebral (acetilcolina) . Sabe-se que se trata de doença com características hereditárias, sendo frequente em pessoas da mesma família. O inicio da doença é discreto, com esquecimentos, confusão com datas, dificuldade para saber dia, mês, ano. É muito característica a dificuldade em memorizar fatos recentes. Evolui progressivamente com o aparecimento de dificuldade para realizar pequenas tarefas domesticas, como realizar compras, cozinhar, etc. A pessoa passa a ter dificuldade na fala e não consegue manter raciocínio lógico. Há diminuição na concentração e na atenção. Há afastamento social. A desorientação no tempo e no espaço tende a piorar progressivamente. Há perda da capacidade de fazer cálculos, da leitura e da escrita. O humor se torna variável, com momentos de raiva, choro, depressão e agressividade. Evolui para dificuldade em se alimentar, e também de fazer a higiene pessoal. O diagnóstico é de exclusão com outras demências (aterosclerótica, por ex), com manifestações de certas intoxicações (por drogas tipo tranquilizantes, alcoolismo, etc.), com certas infecções (encefalites), e com sequela de traumatismo de crânio. Os mais modernos exames que estudam o sistema nervoso, como a tomografia cerebral ou a ressonância nuclear magnética, se mostram normais ou com alterações próprias para a idade. Não deve ser confundida com as alterações de memória (“lapsos de memória”) muito comuns em qualquer idade e que se acentuam na velhice , ou com estados de emoção ou depressivo e também com a intoxicação pelo uso excessivo de medicamentos tranquilizantes. Estes “lapsos de memória” são processos benignos e nunca são acompanhados de outras alterações como ocorre na Doença de Alzheimer. Não há cura para a doença, não havendo tratamento específico. O F.D.A. norte-americano liberou duas substâncias que possuem algum efeito sobre os sintomas da doença em sua fase inicial: a tacrina e o hidroclorido de donepezil. Estas substâncias devem ser administradas com cautela pois podem levar a problemas digestivos e hepáticos. O tratamento se baseia em medicamentos sintomáticos, atividades físicas e mentais, sendo fundamental a constante estimulação da pessoa doente. Estes cuidados podem retardar a evolução da doença. Neste processo a participação da família é fundamental e deve começar pela compreensão da doença. A manutenção da dignidade e do auto respeito deve ser uma constante. O paciente deve ser estimulado a manter atividades, como exercícios físicos, afazeres domésticos, e se possível, participação de atividades sociais com outras pessoas. Os exercícios de memória devem ser estimulados. Nas situações de ansiedade ou agitação devem ser utilizados tranquilizante suaves.

 

ambivalência

[De ambi- + valência.]

  1. f. Psicol. Estado de quem experimenta ao mesmo tempo, numa determinada situação, sentimentos opostos. Ambivalência Afetiva: alteração da Afetividade muito encontrada na Esquizofrenia. São acentuações afetivas opostas e basicamente simultâneas, tais como o amor, temor e ódio que uma pessoa pode ter em relação a outra no mesmo instante, ou os sentimentos dos acontecimentos que se teme e que se deseja simultaneamente. O paciente ambivalente, apesar de não pode unir ambos sentimentos e tendências opostas, percebe-os ao mesmo tempo (ama e odeia), sem que ambos os sentimentos ajam entre si ou se debilitem. Deseja a morte da mulher e se as alucinações a apresentam morta, pode ao mesmo tempo ficar desesperado e chorar por isso. Ambivalência Afetiva pode ser entendida como a anormalidade das tendências, e que se caracteriza pela coexistência de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto simultaneamente. Portanto, no plano afetivo a Ambivalência consiste em experimentar sentimentos opostos, simultaneamente e em relação ao mesmo objeto. A Ambivalência Afetiva surge em todas as situações de conflito, especialmente nos Transtornos Neuróticos mas, será na Esquizofrenia que a Ambivalência se apresentará com aspectos mais característicos, patológicos e extremos.

 

amência ou confusão mental

Na confusão mental simples, também conhecida por turvação da consciência, ou ainda por amência, perde-se a relação entre os processos psíquicos na realização do pensamento, da memória e da percepção. Neste estado as vivências não são coerentemente elaboradas e a associação dos estímulos faz-se de forma bizarra. A própria situação do indivíduo, dentro de seu contexto existencial, passa a ser confusa e desorganizada. O curso do pensamento parece incoerente e, embora fragmentos possam ser expressos de maneira compreensível, são intercalados por lapsos completamente alienados do tema ou da realidade. É uma alteração da qualidade porque o paciente confuso encontra-se vigilante, respondendo, ainda que erroneamente, aos estímulos à ele dirigidos, portanto, sua “quantidade” de consciência está normal. A Confusão Mental está, frequentemente, presente nas psicoses esquiozofrêniformes, crises maníacas intensas, no delirium tremens, nas intoxicações por drogas e estados pós-traumáticos. Por Amência Maynert descreveu uma perturbação mental caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. Kraepelin admitiu a Amência apenas como manifestação sintomática, que se desenvolve de forma aguda, com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de distúrbios ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora. A Amência é caracterizada, principalmente, por obnubilação mais ou menos acentuada da consciência, com incoerência do pensamento e perplexidade, incapacidade do paciente apreender a realidade objetiva ao ponto de manifestar desorientação no tempo e no espaço, incompreensão da situação atual, lentidão do pensamento e das respostas e predominância de vivências alucinatórias. O estado efetivo que acompanha a Amência é de caráter depressivo, ansioso ou mesmo fóbico. Em alguns casos, podem aparecer sintomas catatônicos, interpretações delirantes de ocorrências externas, idéias deliróides confusas e contraditórias. A atividade desenvolvida pelo paciente está de acordo com o estado geral. Frequentemente se observa uma amnésia completa para o período agudo da Amência ou, quando não, apresenta apenas lembranças fragmentárias e inconsistentes. A Amência aparece mais também no curso agudo das doenças infecciosas, evolui para a cura espontaneamente dentro de semanas, não deixar sintomas residuais e pode seguir com amnésia para certos acontecimentos e lembrança para outros. V. mais sobre Consciência.

 

amnésia

A Hipomnésia e a Amnésia podem ser consideradas como graus de hipofunção da memória, ou seja, são diminuições do número de lembranças evocáveis. A Amnésia, por sua vez, seria a desaparição completa das representações mnêmicas correspondentes a um determinado tempo da vida do indivíduo”. Bleuler prefere o termo debilidade da memória ao invés de hipomnesia. Ele diz ainda que a Amnésia não precisa ser completa, havendo várias gradações entre o nada absoluto e a lembrança incompleta. Segundo Jaspers, “amnésias são perturbações da memória que se estendem a um período de tempo delimitado, do qual nada ou quase nada pode ser evocado (Amnésia parcial), ou ainda a acontecimentos menos nitidamente delimitados no tempo”. Em seguida, estuda quatro variedades de Amnésia : 1. Há profunda obnubilação da consciência mais do que perturbação da memória. Como nada se pode aprender na obnubilação, nada se pode fixar, ou seja, como nenhum acontecimento atinge a consciência, não será possível alguma reprodução. 2. Aqui verifica-se ser possível a compreensão durante algum período de tempo, porém a capacidade de fixação está profundamente diminuída, não sendo possível reter nada. Isso é comum em psicoses orgânicas, notadamente na Korsakov. 3. É quando certos acontecimentos podem ser compreendidos passageiramente, porém as disposições da memória foram destruídas por um processo orgânico bem delimitado no tempo. É, por exemplo, o que acontece nas amnésias retrógradas, após graves lesões cerebrais, em que desaparecem totalmente as experiências das últimas horas ou dias antes do acidente. 4. Trata-se de amnésias extremamente acentuadas, normalmente de origem psicogênica, sendo o principal defeito uma alteração da capacidade de reprodução, apesar da soma das lembranças existentes estar conservada. Nesses casos, muitas vezes a solução é conseguida por meio de hipnose . V. Hipominésia e Aminésia nas Alterações da Memória V. Tipos de Aminésia nas Alterações da Memória: Anterógrada, Retrógrada…

 

amusia

Amusia é a perda da capacidade de reconhecer ou evocar elementos musicais. O hemisfério direito do cérebro parece ter um papel chave para diversas aptidões musicais, mas nos profissionais da música o hemisfério esquerdo parece ter predominância. A Amusia pode ser considerada um tipo de Disfasia. A Disfasia é caracterizada, fundamentalmente, pela incapacidade para apreciar o significado simbólico das palavras, sejam elas faladas ou escritas. Esse transtorno possui valor localizatório pois, quase invariavelmente, é devido a uma lesão na Área de Wernicke do hemisfério cerebral dominante. Pacientes gravemente afetados por esse tipo de disfasia demonstram total incapacidade para compreenderem o significado das palavras que ouvem ou vêem. Muitas vezes perdem também a capacidade de apreciar sons musicais, configurando o que se define, então, por amusia.

 

analogia ou inferência

Além da teoria da formação dos conceitos como requisito indispensável ao conhecimento, também o método da inferência parece desempenhar papel importantíssimo. Aliás, a idéia da inferência na aquisição do conhecimento, como veremos, pode muito bem completar a idéia dos conceitos e não contrapor-se à ela. Enquanto os conceitos são atitudes calcadas na classificação e associação de idéias, a inferência seria um passo mais além, calcada nas comparações (analogias). Quando dizemos que nosso cão está “com ciúme”, como sabemos disso ou, mais corretamente, por que pensamos que ele está com ciúme? A única resposta possível parece ser que, de maneira um pouco remota, o comportamento do cão se parece com o comportamento de uma criança ciumenta com a qual tivemos alguma experiência, ou seja, julgamos por analogia. E como sabemos que uma criança de nossa experiência estava com ciúme? Julgamos novamente por analogia: seu comportamento se parecia com o nosso, com a memória de nosso ciúme infantil. Nesse exemplo, as palavras e atitudes que o cão e a criança usam para chamar a atenção reintegram todos os tipos de experiências passadas que tivemos com o ciúme. Isso significa que toda experiência ou processo mental em outro ser podem ser inferidos à partir de sua situação, história e comportamento, apenas quando uma experiência semelhante ou um processo mental semelhante são ou foram associados, em nós mesmos, a uma situação, história e comportamento semelhantes. A probabilidade da inferência ser positiva será proporcional ao grau dessas semelhanças. V. mais sobre o Formação de Conceitos.

 

anancástico(a), (pensamento ou personalidade)

Anancástico é um termo que se refere à preocupação obsessiva, portanto, um pensamento ou conduta ou transtorno anancástico da personalidade corresponde às características obsessivas-compulsivas da conduta, pensamento ou personalidade. No caso dos Pensamentos Anancásticos, pode se tratar de pensamentos, imagens mentais ou impulsos para agir, quase sempre angustiantes para o sujeito. As idéias obsessivas (ou anancásticos) são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, frequentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral nada prazerosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. O sujeito não tira prazer direto algum da realização destes atos os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, frequentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva. Às vezes trata-se de hesitações intermináveis entre várias opções, que se acompanham frequentemente de uma incapacidade de tomar decisões banais mas necessárias à vida cotidiana. Existe uma relação particularmente estreita entre as ruminações obsessivas e a depressão, e deve-se somente preferir um diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo quando as ruminações surgem ou persistem na ausência de uma síndrome depressiva. No caso da Personalidade Anancástica ou Obsessiva-Compulsiva, é um transtorno da personalidade caracterizado por um sentimento de dúvida, perfeccionismo, excessivos escrúpulos, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo. V. Idéias Obsessivas neste dicionário V. Personalidade Anancástica do CID.10.

 

anartria

Alterações articulares, que não são monopólio da Disartria, também podem dificultar a expressão oral dos afásicos, tanto surgindo espontaneamente como mediante a solicitação do exame. Essas alterações serão determinadas pelos testes de repetição de palavras e frases. Vistas pelo ângulo neurológico, as anomalias podem apresentar um aspecto paralítico, quando falta a articulação e há anasalamento. A falta de articulação chama-se Anartria e pode mostrar um aspecto distônico, com contrações excessivas, sincinesias ou, ainda, um aspecto apráxico. Analisadas sob um ângulo fonético, as alterações articulares se caracterizam também pela redução da formação e diferenciação dos fonemas, semelhantes às simplificações fonéticas da criança (“bibiloteca”, “espetaco”, fessado”…). Outros elementos de diferenciação entre Afasia e Disartria são as alterações evidenciadas no uso voluntário e automático da linguagem. As alterações articulares da Disartria estão ausentes na formas automáticas do falar, como no canto, por exemplo. V. Alterações da Linguagem.

 

anestesia

A Anestesia diz respeito à abolição de todas as formas de sensibilidade. Observa-se anestesia, geralmente, em afecções neurológicas focais e em seccionamentos de nervos periféricos aferentes. Na psiquiatria observamos anestesias regionais em pacientes conversivos. Nesses casos, as alterações da sensibilidade, tomando por base sua topografia e qualidade das alterações não obedecem os dermátomos neuro-fisiológicos nem as vias normais da sensibilidade. V. Alterações da Percepção.

 

aneurisma

O aneurisma é a dilatação anormal de um vaso sanguíneo, em geral uma artéria. Pode se localizar em várias partes do organismo, sendo que no idoso sua localização mais comum é ao nível da artéria aorta, no abdômen. O aneurisma da aorta abdominal é frequentemente assintomático , e se deve à arteriosclerose. Quando se torna sintomático em geral é porque está em vias de se romper, caracterizando uma situação de urgência. A sua rotura pode levar à morte. O diagnóstico precoce é fundamental, e é feito com base no exame clínico e na radiologia. O sintoma mais comum é a dor nas costas, que é queixa muito frequente e vaga. Ocorre com frequência em pessoas com doença cardiovascular tipo insuficiência coronariana ou hipertensão arterial. O exame físico pode mostrar uma tumoração abdominal. A ultra-sonografia abdominal e a tomografia computadorizada são exames básicos para o diagnóstico. A angiografia também deve ser utilizada. O tratamento é cirúrgico em todos aneurismas maiores que 6 cm. Os menores devem ser acompanhados pelo cirurgião vascular.

 

anfetamina

Anfetamina é uma classe de aminas simpaticomiméticas com poderosa ação estimulante no sistema nervoso central. Esta classe inclui a anfetamina, a dexanfetamina e a metanfetamina. As drogas farmacologicamente relacionadas incluem o metilfenidato, a fenmetrazina e a anfepramona (dietilpropiona). Em linguagem de rua, as anfetamìnas são frequentemente referidas como “bolinhas”. Atualmente, a prescrição de anfetaminas e de substâncias relacionadas está limitada principalmente ao tratamento, da narcolepsia e do transtorno de hiperatividade por déficit de atenção e como agentes anorexígenos (inibem o apetite) no tratamento da obesidade.

 

Algeman, síndrome de

A Síndrome de Angelman, relatada pela primeira vez em 1965 pelo neurologista britânico com o mesmo nome, é um distúrbio neurológico que também causa Retardo Mental, alterações do comportamento e algumas características físicas próprias. Mais tarde, em 1987, observou-se a alteração genética dessa síndrome, presente na maioria dos casos, representada pela falta de uma pequena porção (deleção) do cromossomo 15. Estima-se, atualmente, que uma em cada quinze ou vinte mil crianças são afetadas por esta doença.

 

angiografia cerebral

A angiografia cerebral, que mostra as artérias e veias do cérebro, deve ser realizada em determinadas situações em que se quer saber do estado das artérias e a presença de anomalias, como o aneurisma cerebral. Até há poucos anos a angiografia cerebral era o único método radiológico para o estudo do cérebro, tendo sido substituído pela tomografia computadorizada e pela ressonância nuclear magnética. V.: Angiografia em Exames.

 

angústia

Blaser e Poeldinger estudaram a evolução do conceito de angústia, admitindo que se deve a Kierkegaard a primeira distinção entre temor a um objeto e a angústia, livre e flutuante, desprovida de objeto. Esta distinção foi adotada por Karl Jaspers, tendo deixado claro o seu conceito ao escrever que a angústia é um sentimento frequente e torturante, e que o medo sempre se refere a alguma coisa, enquanto a angústia é sem objeto. Desde então, esta tem sido a orientação seguida pelos tratadistas, entre os quais se encontra Binder, que desenvolveu amplas considerações no sentido de estabelecer os limites entre medo e angústia: “Se procurarmos estabelecer a diferença entre esses dois estados de ânimo, a introspecção nos mostrará que a vivência afetiva de encontrar-se em perigo aparece em duas modalidades diferentes: em uma forma diferenciada, em que o referido sentimento surge em estruturas psíquicas amplamente configuradas, precisas e determinadas; quando se costuma falar quase sempre da presença de medo ou temor, e em forma mais primitiva, que se designa de modo geral como angústia e que corresponde a estratos psíquicos mais profundos que, com frequência, são menos claramente conscientes e conservam conexões psíquicas mais difusas e menos articuladas. Alguém teme algo ou sente medo diante de algo, enquanto alguém se angustia, e nestas locuções se expressa que no temor ou no medo do objeto perigoso aparece mais claramente destacado do indivíduo e é percebido, imaginado ou pensado como uma articulação e uma delimitação clara e determinada, enquanto na angústia os processos do conhecimento que a precedem são, frequentemente, muito mais vagos e indiferenciados, características que correspondem a estratos psíquicos mais primitivos”. Angústia Vital Lopez Ibor considera a angústia vital como o elemento básico da personalidade humana, podendo surgir sem características patológicas mas, em condições mórbidas, está representada por seus graus mais acentuados. A angústia se acha corporalizada. De acordo com Binder, esta forma de angústia apodera-se do consciente quando existem condições corporais íntimas ameaçadoras da vida. “Surge de modo mais claro nos estados de hipoxemia e anoxemia de qualquer natureza, seja devido a espasmos das coronárias (angina do peito), à perda de sangue (sempre que não leve à inconsciência), à dificuldade respiratória (asma brônquica, estrangulação) ou a asma cardíaca.” Bash considera que, nesses casos, a reação psíquica é perfeitamente normal: “O objeto se apresenta no consciente sob a forma de sensações viscerais”. A própria debilidade constitucional, seja do sistema ou de sua regulação vegetativa, pode determinar o aparecimento de sensações desagradáveis, as quais são captadas como ameaça à integridade do eu, estando, nesse caso, a angústia vital ligada à depressão ou à transtorno orgânico. A angústia vital, exceto nos casos de depressão, indica um grave transtorno orgânico. V. Angústia em alterações da Afetividade (Psicopatologia).

 

animia facial

Animia Facial animia é uma manifestação do complexo sintomático da acinesia em pacientes com Doença de Parkinson, ou parkinsonismo medicamentoso que consiste em escassez e pobreza de movimentos faciais que alteram a capacidade de expressar idéias mediante sinais ou gestos faciais.

 

anímica, categoria de valorizar a realidade

A pessoa aqui e agora pode ser entendida como uma resultância daquilo que ela trouxe ao mundo com aquilo que o mundo lhe deu (fenótipo = genótipo + ambiente). Para entender a categoria anímica de valorizar a realidade interessaria a pessoa aqui e agora (fenótipo). O humor, responsável por esse tipo de valorização do real, seria o perfil afetivo atual, o qual guarda em seu bojo elementos constitucionais modelados pelo destino. Vale aqui o ditado segundo o qual “cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça”. Avaliar a realidade sob o ponto de vista anímico implica em impregná-la com a tonalidade afetiva da personalidade, entendendo-se por personalidade uma constituição dinamicamente atualizada. Enquanto a categoria vital confere uma maneira perene e continuada de valorizar o mundo, a categoria anímica é dinâmica. Exemplo disso são as mudanças de valores durante a vida de uma pessoa. Pequenas variações anímicas se dão ao longo dos dias ou das horas, grandes e sólidas variações anímicas se dão ao longo dos anos. Fossemos adequar essa categoria anímica de valorizar a realidade na teoria jungueana, possivelmente estaríamos falando da reversão das fases natural para a fase cultural da pessoa onde, depois de aproximadamente 30 anos para mulheres e 40 para os homens, os valores sofreriam grande e substancial alteração; muito daquilo anteriormente importante deixa de sê-lo e vice-versa. V. tudo sobre a Representação da Realidade.

 

animismo

Animismo é a percepção de objetos inanimados como se tivessem vida, sentimentos e intenções. A percepção animista é fenômeno comum tanto às crianças como aos adultos, e depende, em sua origem, da sensibilidade de cada pessoa para as “propriedades fisionômicas” dos objetos e acontecimentos. A diferença básica entre o mundo adulto e o da criança não está na presença ou ausência desses “atributos fisionômicos”, em suas percepções, mas na proporção que geralmente ocupam no conjunto de sua experiência perceptiva. O adulto controla e tende a eliminar tais “características expressivas” dos objetos como fatores meramente subjetivos e irrelevantes. Para a criança, ao contrário, elas constituem geralmente as qualidades fundamentais dos objetos percebidos. Por força da própria maturação psicológica e da aprendizagem, o mundo perceptual dos adultos tende, por isso, a uma pronunciada uniformidade, com a progressiva “depuração” de tais elementos subjetivos em suas percepções. Ao passo que nas crianças predominam normalmente os aspectos subjetivos da percepção. Vem daí o fato do mundo de percepções de uma criança apresentar, comumente, maior riqueza e originalidade que o mundo dos adultos. E as diferenças são mais notáveis de uma criança para a outra do que entre um adulto e outro.

 

anorexia

As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo. O termo Anorexia pode não ser de todo correto, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar. A Anorexia Nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso. Normalmente a pessoa anoréxica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura. V. Anorexia em CID.10 e em DSM.IV.

 

anosmia

Existem várias doenças associadas ao paladar e olfato, tal como a anosmia, que caracteriza-se pela perda completa do olfato, ou a ageusia, que corresponde à perda total do paladar. As maiores causas são infecções no trato nasal, distúrbios hormonais ou problemas com os dentes.

 

anóxia

Anóxia é a falta ou deficiência acentuada de oxigênio nos órgãos ou nos tecidos. Em recém nascidos é ligada à insuficiência placentária, que pode ocorrer durante a gravidez, levando a um sofrimento fetal crônico, ou período perinatal, quando surge, agudamente, no momento do parto, levando a um sofrimento fetal agudo, com falta de oxigenação ao Sistema Nervoso Central ou outros centros vitais, levando a risco de vida e surgimento de paralisia Cerebral. Normalmente, no Acidente Vascular Cerebral (AVC) e no Infarto do Miocárdio, por exemplo, as lesões são causadas pela anóxia dos tecidos.

 

ansiedade

Em geral é desencadeada por aborrecimentos, sofrimento ou perdas. Outras vezes há preocupação com dinheiro, saúde, segurança. A falta de adaptação à aposentadoria é um fator de desequilíbrio emocional no idoso. Na ansiedade há uma tendência a não se preocupar consigo mesmo, surgindo o desleixo, falta de preocupação com a aparência, etc. Há em geral preocupação fixa com um determinado assunto, em detrimento de tudo em volta. O pensamento fica difícil. Há dificuldade de concentração, insônia e impaciência. Há queda da memória. O comportamento fica modificado e com caraterísticas ligadas a personalidade de cada um, isto é, pode ocorrer manifestações agressivas, depressão, etc. Algumas vezes pode haver atitudes que se confundem com a demência. Há tensão muscular podendo ocorrer dores musculares que se situam em geral nas costas ou na nuca. Frequentemente ocorre tremores nas mãos, palpitações, sudorese. A ansiedade e suas manifestações são muito frequentes e podem se confundir com inúmeras doenças. O tratamento deve atingir a causa básica na tentativa de eliminá-la ou pelos menos suavizá-la. O uso de remédios tranquilizantes, em geral benzodiazepínicos, são úteis nas situações mais críticas e deve ser feito com muito critério e sempre por tempo curto. O uso prolongado de tranquilizantes leva invariavelmente à dependência o que provoca o aumento da ansiedade. A atividade física regular ou a realização de tarefas relaxantes (leitura, pintura, etc.) conseguem os melhores resultados no combate à ansiedade. Algumas vezes há necessidade de orientação por parte de terapeuta ocupacional. V. Ansiedade e Transtorno Fóbico-Ansioso do CID.10 do DSM.IV.

 

antidepressivo

[De anti- + depressivo.]

Psiq. Adj. e s. m (1) Diz-se de, ou medicamento que evita ou atenua a depressão. Diz-se de substância que estimula o ânimo de um paciente em depressão. (2) Os antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, consequentemente, melhorando a performance psíquica de maneira global. Apesar de vários fatores contribuírem para a etiologia da depressão emocional, entre eles destaca-se cada vez mais a importância da bioquímica cerebral. A ação terapêutica das drogas antidepressivas tem lugar no Sistema Límbico, o principal centro das emo-ções. Este efeito terapêutico é consequência de um aumento funcional dos neurotransmissores na fenda sináp-tica, principalmente da Norepinefrina (NE) e/ou da Serotonina (5HT) e/ou da dopamina (DO), bem como altera-ção no número e sensibilidade dos neuroreceptores. O aumento de neurotransmissores na fenda sináptica po-de se dar através do bloqueio da recaptação desses neurotransmissores no neurônio pré-sináptico ou ainda, através da inibição da Monoaminaoxidase (MAO), a enzima responsável pela inativação destes neurotransmis-sores. Será, portanto, os sistemas noradrenérgico, serotoninérgico e dopaminérgico do Sistema Límbico o local de ação das drogas antidepressivas empregadas na terapia dos transtornos da afetividade. Podemos dividir os antidepressivos em 4 grupos: Dicionário Neuro-ciências – A4 http://www.psiqweb.med.br/gloss/dica4.htm (1 of 6) [15/12/2002 14:38:34].1 – Antidepressivos Tricíclicos (ADT) 2 – Antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina 3 – Antidepressivos Atípicos 4 – Inibidores da Monoaminaoxidase (IMAO) ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS Os Antidepressivos Tricíclicos (ADT) sofrem metabolização hepática por oxidação e hidroxilação numa via metabólica, noutra via sofrem dimetilação originando metabólitos também ativos. Eles têm uma forte tendência em ligar-se às proteínas plasmaticas, embora a fração livre tenha também uma grande importância na ação terapêutica. Apenas 5% da dose ingerida é excretada em sua forma original. Como os metabólitos dos ADT são ativos terapeuticamente, as diferenças individuais de metabolização fa-zem com que as doses equivalentes prescritas resultem, com frequência, em níveis plasmaticos muito discre-pantes de uma pessoa para outra. O local de ação dos ADT é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. Este au-mento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição na re-captação destas aminas pelos receptores pré-sinápticos. Parece haver também, com o uso prolongado dos ADT, uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos do tipo Alfa-2, cuja estimulação do tipo feedback inibiria a liberação de NE. Desta forma, quanto menor o número destes receptores, menor seria sua estimula-ção e, consequentemente, mais NE seria liberada na fenda. Portanto, dois mecanismos relacionados à recap-tação; um inibindo diretamente a recaptação e outro diminuindo o número dos receptores. Alguns autores tentam relacionar subtipos de depressão de acordo com o envolvimento do sistema seroto-ninérgico ou noradrenérgico. Teríamos então, bioquímica e farmacologicamente, a depressão por déficit de 5HT, considerada depressão ansiosa e a depressão por déficit de NE, depressão inibida. Importa, em relação à farmacocinética dos ADT, o conhecimento do período de latência para a obtenção dos resultados terapêuticos. Normalmente estes resultados são obtidos após um período de 15 dias de utiliza-ção da droga e, não raro, podendo chegar até 30 dias. Os ADT são potentes anticolinérgicos e, esta característica, juntamente com a afinidade por receptores muscarínicos explicam a maioria de seus muitos efeitos colaterais. Enquanto os efeitos terapêuticos exigem um período de latência, o mesmo não acontece com os efeitos colaterais. Estes aparecem imediatamente após a ingestão da droga e são responsáveis pelo grande número de pacientes que abandonam o tratamento antes dos resultados desejados. Inibidores seletivos de recaptação da serotonina: Os Inibidores Específicos da Recaptação de Serotonina (ISRS) atuam no neurônio pré-sináptico inibindo específicamente a recaptação desse neurotransmissor, logrando daí seu efeito antidepressivo. Por não terem efeitos anticolinérgicos e nem por apresentarem afinidade com receptores adrenérgicos, muscarínicos, colinér-gicos, histamínicos ou dopamínicos, deixam de apresentar a expressiva maioria dos efeitos colaterais encontra-dos nos antidepressivos tricíclicos e, emboral alguns deles tornem o ato sexual mais prolongado, decididamente não diminuiem a libido. Os ISRS não apresentam interações com o álcool, portanto, limitam menos o nível social dos pacientes. Estudos realizados por períodos de até um ano demonstram que a maioria dos ISRS não causa ganho de peso, ao contrário do que ocorre em muitos pacientes em uso de antidepressivos tricíclicos. Os efeitos antidepressi-vos dos ISRS começam a ser observados de 2 a 4 semanas após o início do tratamento, normalmente após a Segunda semana. O efeito máximo ocorre após 5-6 semanas de uso. Recomenda-se a utilização de 20 a 60 mg/dia, via oral, para a maioria das substâncias ISRS, dose esta que pode ser em uma única tomada, devido sua meia-vida mais longa. A Nefazodona e o Citalopram são ministra-dos em doses maiores. Antidepressivos atípicos: São os antidepressivos que não se caracterizam como Tricíclicos, como ISRS e nem como Inibidores da MonoAminaOxidase (IMAOs). Alguns deles aumentam a transmissão noradrenérgica através do antagonismo de receptores 2 (pré-sinápticos) no sistema nervoso central, ao mesmo tempo em que modulam a função cen-tral da serotonina por interação com os receptores 5-HT2 e 5-HT3 , como é o caso da Mirtazapina. A atividade antagonista nos receptores histaminérgicos H1 da Mirtazapina é responsável por seus efeitos sedativos, embo-ra esteja praticamente desprovida de atividade anticolinérgica. Outros atípicos são inibidores da recaptação de Serotonina e Norepinefrina, inibindo também, a recaptação de dopamina. É o caso da Venlafaxina. Essa droga também reduz a sensibilidade dos receptores beta-adrenérgicos, inclusive após administração aguda, o que pode sugerir um início de efeito clínico mais rápido. Alguns atípicos, como é o caso da Tianeptina, embora sejam serotoninérgicos, não inibem a recaptação da Serotonina no neurônio pré-sináptico mas, induzem sua recaptação pelos neurônios da córtex, do hipocampo e do sistema límbico. A Amineptina, outro atípico, é uma molécula derivada dos tricíclicos mas seu mecanismo de ação é essen-cialmente dopaminérgico, enquanto que os outros antidepressivos tricíclicos são essencialmente noradrenérgi-cos e serotoninérgicos. As melhoras sintomáticas poderão ser observadas a partir do 3º ao 5º dias e sobre o sono REM a partir do 20º dia de tratamento em posologia suficiente. V. Antidepressivos em Farmacologia Psiquiátrica

 

anti-Parkinsonianos

As drogas anti-parkinsonianas só são utilizadas em situações mais avançadas da doença. A dopamina é a principal droga (Levodopa), e em geral é encontrada comercialmente associada a substância que aumenta sua potência (“Sinemet” ou “Prolopa”). As complicações que surgem com o uso da levodopa (movimentos anormais, por ex) limitam a sua eficácia. Recentemente surgiram medicamentos que otimizam a ação da levodopa: o tolcapone e o entacapone.Existem outras substâncias que auxiliam a dopamina ou aumentam a sua eficiência como a bromocriptina (“Parlodel”) e a Amantadina (“Mantidan”). Drogas anticolinérgicas (“Artane”, “Akineton”) também podem ser úteis. A Selegilina foi recentemente desenvolvida e provoca o aumento da dopamina no cérebro havendo uma tendência atual de se iniciar o tratamento com ela.

 

anti-psicóticos

Os antipsicóticos ou neurolépticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras, como é o caso da excitação e da agitação. Paralelamente eles atenuam também os distúrbios neuro-psíquicos ditos psicóticos, tais como os delírios e as alucinações. São substâncias químicas sintéticas, capazes de atuar seletivamente em células nervosas que regulam os processos no homem e a conduta em animais. Antipsicótico é um termo genérico aplícado de maneira ampla a diversas classes químicas de drogas empregadas no manejo sintomático de várias condições psicóticas, especialmente a esquizofrenia e estados de excitação. As substâncias incluem fenotiazinas, butirofenonas e tioxantenos, assim como drogas mais recentes como difenilbutilpiperidinas, pimozide e fluspirileno. A maioria delas pode provocar reações adversas, das quais as síndromes extrapiramidais são as mais incômodas. V. Antipsicóticos (tipo sedativos).

 

antisocial, transtorno

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Anti-Social é um continuado desrespeito e violação dos direitos dos outros, que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. Este padrão também é conhecido como psicopatia, sociopatia ou transtorno da personalidade dissocial. É comum que as pessoas com Personalidade Antisocial tenham tido Transtorno da Conduta na infânmcia ou adoelescência. O Transtorno da Conduta envolve um padrão de comportamento repetitivo e persistente, no qual ocorre violação dos direitos básicos dos outros ou de normas ou regras sociais importantes e adequadas à idade. Os comportamentos específicos característicos do Transtorno da Conduta ajustam-se a uma dentre quatro categorias: agressão a pessoas e animais, destruição de propriedade, defraudação ou furto, ou séria violação de regras. O padrão de comportamento anti-social persiste pela idade adulta. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social não se conformam às normas pertinentes a um comportamento dentro de parâmetros legais. Eles podem realizar repetidos atos que constituem motivo de detenção (quer sejam presos ou não), tais como destruir propriedade alheia, importunar os outros, roubar ou dedicar-se à contravenção. As pessoas com este transtorno desrespeitam os desejos, direitos ou sentimentos alheios. Frequentemente enganam ou manipulam os outros, a fim de obter vantagens pessoais ou prazer (por ex., para obter dinheiro, sexo ou poder). Podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir. Um padrão de impulsividade pode ser manifestado por um fracasso em planejar o futuro. As decisões são tomadas ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as consequências para si mesmo ou para outros, o que pode levar a mudanças súbitas de empregos, de residência ou de relacionamentos. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social tendem a ser irritáveis ou agressivos e podem repetidamente entrar em lutas corporais ou cometer atos de agressão física (inclusive espancamento do cônjuge ou dos filhos). Os atos agressivos cometidos em defesa própria ou de outra pessoa não são considerados evidências para este quesito. Esses indivíduos também exibem um desrespeito imprudente pela segurança própria ou alheia, o que pode ser evidenciado pelo seu comportamento ao dirigir (excesso de velocidade recorrente, dirigir intoxicado, acidentes múltiplos). Eles podem engajar-se em um comportamento sexual ou de uso de substâncias com alto risco de consequências danosas. Eles podem negligenciar ou deixar de cuidar de um filho, de modo a colocá-lo em perigo. V. Transtorno de Personalidade Antisocial em DSM.IV V. Transtorno de Personalidade Dissocial em CID.10.

 

apercepção da realidade

Desta forma, enquanto a natureza da sensopercepção é melhor entendida predominantemente a nível do fisiologismo neuro-sensorial, através dos cinco sentidos, a representação reporta-se predominantemente à subjetividade da realidade, e é revestida de uma tonalidade afetiva particular do indivíduo, portanto, a nível afetivo-psicológico. Uma simples rosa pode ser percebida fisiológicamente através da visão, tato ou olfato, porém, será ricamente representada através do subjetivismo da pessoa. Pode até ser dispensável, nesta representação, a presença física do objeto rosa. Da mesma forma, a palavra mãe, por exemplo, que pode ser percebida pela visão, se for escrita ou pela audição, se for falada, terá sua representação interna tocada pela afetividade e jamais será igual entre as pessoas. O texto de Jung é bastante explicativo: “parece que o consciente flui em torrentes para dentro de nós, vindo de fora sob a forma de percepções sensoriais. Nós vemos, ouvimos, apalpamos e cheiramos o mundo, e assim temos consciência do mundo. Estas percepções sensoriais nos dizem que algo existe fora de nós, mas elas não dizem o que isso seja em si. Esta é tarefa não do processo perceptivo, mas do processo de Apercepção. Este último tem uma estrutura altamente complexa. Não que as percepções sensoriais sejam algo simples, mas a sua natureza é menos psíquica do que fisiológica. A complexidade da apercepção, pelo contrário, é psíquica”. Portanto, Jung identifica a representação da qual falamos, com a Apercepção, algo responsável pela significação da coisa ou do que é a coisa em si. V. em Representação da Realidade.

 

apnéia do sono

Pessoas que tem o transtorno conhecido como Apnéia do Sono podem parar brevemente de respirar quando adormecidos, e tem vários despertares breves e repetidos ao longo da noite perturbados por essas crises. Este distúrbio frequentemente se associa a roncos, que é a tradução sonora do estreitamento da via aérea durante a passagem do ar. Quando o referido estreitamento da via aérea se torna mais severo, dá-se o fechamento desta, resultanto em Apnéia. Assim sendo, a Apnéia é arbitrariamente definida como parada da respiração ou interrupção do fluxo aéreo por no mínimo durante 10 segundos. A chamada Apnéia Noturna ou Apnéia do Sono é muito mais comum nos idosos que em outros grupos etários, e uma importante causa de hipersônia. A Apnéia Noturna se caracteriza por uma crise de roncos altos, repentina, que se repete ao longo da noite e cessa em mais ou menos 10 segundos. As crises acontecem mais quando a pessoa dorme de barriga para cima. A Apnéia do Sono parece estar relacionada ao excesso de sonolência durante o dia, a depressão, a dor de cabeça, e o prejuízo da memória da demência. O quadro de Apnéia do Sono está ainda relacionado a um aumento do risco de morte súbita dormindo.

 

apagamento

Termo vulgar para designar a amnésia anterógrada aguda, não associada com perda de consciência, resultante de ingestão de álcool e de outras substâncias; um período de perda de memória durante o qual há pouca ou nenhuma lembrança do que passou. Quando isto ocorre no curso da ingestão contínua de álcool, é algumas vezes chamado de “palimpsesto alcoólico”.

 

apercepção

[De a-4 + percepção.]

  1. f. Psic. Assimilação de novas experiências. [Cf. percepção.]

 

apragmatismo

Apragmatismo é a incapacidade de realizar atos eficientes, objetivos e propositais. No Apragmatismo a atividade fica estéril ou ineficaz por incoordenação das ações parciais necessárias à realização do ato pleno. Nos estados confusionais as pessoas ficam apragmáticas, assim como nos Estados Crepusculares e em algumas crises de epilepsia parcial e/ou psicomotora. Em muitas doenças mentais, incluindo as mais graves, como a Esquizofrenia, pode haver um preejuízo do pragmatismo (diminuição) mas raramente chega-se ao Apragmatismo. Quando ela ocorre é sempre bom verificar a possibilidade de causa orgânica.

 

apraxia

Apraxia é o prejuízo na capacidade de executar atividades motoras, apesar de as capacidades motoras, função sensorial e compreensão estarem intactas para a tarefa exigida. Na realidade é a perda da capacidade de executar eficientemente a intenção para um ato para um determinado fim, mas não há comprometimento anatômico das estruturas cerebrais envolvidas na execussão desse ato (seja ele da musculatura voluntária, da fala, da mímica, etc). Os indivíduos com demência podem apresentar apraxia. Eles apresentam prejuízo em sua capacidade de demonstrar com mímica o uso de objetos (por ex., pentear os cabelos) ou de executar atos motores conhecidos (por ex., acenar dizendo adeus). A apraxia pode contribuir para déficits nos atos de cozinhar, vestir-se e desenhar. As perturbações na habilidade motora podem ser testadas pedindo que o indivíduo execute funções motoras (por ex., mostrar como se escova os dentes, copiar pentágonos que se intercruzam, montar blocos, ou arranjar varetas em desenhos específicos).

 

arquétipo

[Do gr. archétypon.]

Psicol. Segundo C. G. Jung, psicólogo e psicanalista suíço (1875-1961), imagens psíquicas do inconsciente coletivo [q. v.], que são patrimônio comum a toda a humanidade.

 

aquisição

O estágio durante o qual uma nova resposta é aprendida e gradualmente tornada mais forte. V. também condicionamento clássico.

 

arteriosclerose

É o nome que se dá ao processo de envelhecimento das grandes e medias artérias do corpo, que se tornam endurecidas e estreitadas. Consiste no depósito de gordura nas paredes das artérias. É uma situação que facilita as embolias, as tromboses , e os infartos, isto é, os processos que levam à má irrigação sanguínea. A arteriosclerose se inicia na juventude e começa a ficar nítida por volta dos 50 anos. É a base de moléstias como o acidente vascular cerebral ou derrame, e o infarto agudo do miocárdio, duas das principais causas de morte no mundo ocidental. Há situações em que o processo está mais acentuado podendo surgir logo na infância levando a manifestações cardíacas na juventude, mas isto caracteriza uma situação muito rara. Não se conhece a causa da aterosclerose mas sabe-se que a hereditariedade é importante. A alimentação rica em gorduras (colesterol) é também um fator predisponente. O aumento de gorduras no sangue também pode ocorrer em algumas doenças, principalmente aquelas que apresentam diminuição do colesterol de alta densidade (CAD). A diminuição dos níveis sanguíneos de CAD é considerado um fator de risco para doenças como o infarto do miocárdio, por ex., que ocorre no adulto jovem. Na terceira idade os níveis de gordura no sangue não tem relação com a doença cardíaca. Outros fatores, denominados de risco por favorecerem ou acelerarem o processo de arteriosclerose são o tabagismo, a pressão alta, o diabetes, a obesidade, a vida sedentária e o stress. Sabe-se também que o tipo de personalidade pode favorecer o processo de arteriosclerose, destacando-se então as pessoas tensas e ansiosas. É um processo progressivo . A placa ou ateroma é a lesão que ocorre na artéria e que surge mais tardiamente. Consiste no acúmulo exagerado de material gorduroso dentro de determinados vasos sanguíneos, o que os tornam ainda mais estreitos. Esta placa tende a se calcificar e apresentar ulcerações ou fissuras. Estas alterações da parede interna da artéria são os locais propícios para a formação de.trombos. O trombo é um agrupamento de componentes do sangue (plaquetas) que se prendem aos locais alterados, ou placas, da parede das artérias. O crescimento do trombo pode levar à obliteração da artéria (trombose), ou um pedaço do mesmo, desprendido, pode entrar na corrente sanguínea e obliterar uma artéria menor mais distante (embolia). A arteriosclerose ocorre de preferência em grandes artérias, destacando-se: a aorta, artérias dos membros inferiores (femoral, poplítea, tibial), artérias do coração (coronárias) e artérias que irrigam o cérebro (carótidas). O termo arteriosclerose é genérico e indica o envelhecimento de artérias e seu consequente processo de endurecimento. Popularmente é usado como sinônimo de arteriosclerose.

 

asma – psicossomática

A Asma é um dos quadros mais associados ao conceito que se tem da psicossomática. A fisiopatologia clássica tem atribuído a Asma Brônquica um desequilíbrio (constitucional) nos receptores beta-adrenérgicos da mucosa brônquica. Os leucócitos destes pacientes costumam liberar com facilidade certas substâncias que acabam produzindo a bronco-constrição como respostas a estímulos (adversos ao paciente) específicos, como por exemplo, odores, mudanças de temperatura, fumo, inalantes ambientais, poluição, pêlos de animais, drogas, polens, poeira, ácaros, alimentos, exercícios físicos, situações de ansiedade e estresse, etc. V. Alergia e Emoção – Relação entre estados alérgicos (asma, rinite…) e estados emocionais. V. Asma e Emoção – A asma brônquica do ponto de vista psicossomático.

 

Asperger, síndrome de

Transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Ele se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha de um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta. Inclui o que se pode chamar de Psicopatia Autística e Transtorno Esquizóide da Infância As características essenciais do Transtorno de Asperger são um prejuízo severo e persistente na interação social e o desenvolvimento de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. A perturbação deve causar prejuízo clinicamente significativo nas áreas social, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento. Contrastando com o Transtorno Autista, não existem atrasos clinicamente significativos na linguagem (isto é, palavras isoladas são usadas aos 2 anos, frases comunicativas são usadas aos 3 anos). Além disso, não existem atrasos clinicamente significativos no desenvolvimento cognitivo ou no desenvolvimento de habilidades de auto-ajuda apropriadas à idade, comportamento adaptativo (outro que não na interação social) e curiosidade acerca do ambiente na infância. V. Síndrome de Asperger em Transt. do Desenvolvimento – CID.10 V. Síndrome de Asperger em Transt. Invasivos do Desenvolvimento – DSM.IV.

 

aspiração sexual
A última dimensão do Desejo Sexual, sua parte social, repousa na Aspiração Sexual. Historiadores, sociólogos, filósofos, teólogos e antropólogos lembram que a vida sexual também sofre a influência de forças culturais, as quais muitas vezes são mais importantes do que os aspectos biológicos ou psicológicos.
Em algumas culturas o sexo ainda é considerado algo pecaminoso, algo que deve ser combatido constantemente, que deve ser repudiado… Muitas pessoas assim influenciadas passam a reprimir seus desejos e experimentar situações fortemente conflitivas, com uma grande plêiade de consequências emocionais.
Aspirações Sexuais brotam da conjunção entre razões psicológicas e circunstâncias culturais. Elas se compõem de nosso dinamismo psíquico colocado à mercê dos valores culturais solidamente impressos em nossa personalidade. Elas variam em temática e potência entre as pessoas, vão desde os auto-enganos que impomos a nós mesmos sobre nossas vidas sexuais, perdendo a noção entre o culturalmente recomendado e o pessoalmente possível, até as questões ditas de consciência, as quais reprimem sentimentos e comportamentos por toda a vida. Essas idéias fazem parte do processo de socialização da pessoa desde tenra idade até sempre.
Em mulheres a Motivação Sexual, vinculada que é aos elementos culturais, como por exemplo a moral, a religião, a decência, etc., representa um determinante sexual algo maior que nos homens. Isso tendo em vista o papel ainda diferente que a mulher tem em nossa sociedade. V. Desejo Sexual

 

assembléias neuronais

Chamamos de Assembléias Neuronais uma das hipóteses acerca da formação da consciência no ser humano. O mecanismo responsável para a formação da consciência no ser humano não encontra nenhuma explicação, plenamente satisfatória até o momento. A consciência reflete sempre a individualidade e unidade do ser humano e, sem dúvida, seu aspecto mais relevante é sua característica unitária, onde todas as nossas percepções, pensamentos e emoções são integrados e fundidos num mesmo e determinado momento. Depois de muitos séculos tentando delimitar um sítio cerebral específico para a sede da consciência, tudo indica que esta não esteja circunscrita à nenhuma área cerebral específica, mas se espalha difusamente pelo cérebro, sendo, simultaneamente, uni-temporal e múltiplo espacial. Essa visão global da consciência se alicerça na recente teoria das Assembléias Neuronais. A teoria baseada nas Assembléias Neuronais representa um modelo muito convincente para a formulação de uma hipótese a respeito da consciência. Segundo essa teoria, o pensamento consciente é gerado quando vários neurônios de diversas colunas se unem funcionalmente e, atuando harmonicamente e em conjunto, constroem uma assembléia, iniciando assim a formação de um determinado estado consciente. Essa teoria tem sido corroborada por constatações de que os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo se dissolve e os neurônios estão novamente aptos a se engajarem em outras assembléias, para cumprirem uma nova tarefa. Há, ainda, um aspecto quantitativo acerca dessa Assembléia Neuronal, segundo a qual, quanto maior o número de neurônios recrutados, maior será o tamanho dessa assembléia e, em consequência, maior será essa determinada e recém criada consciência, em termos de intensidade e tempo de duração. Contrariamente, se for pequeno o número de neurônios recrutados, a consciência resultante será pequena em intensidade e duração. V. mais sobre a Consciência.

 

associação

  1. f. Psicol. Estabelecimento de relações funcionais entre estados e atividades psíquicas, no decurso da experiência individual. Associações de Idéias: processo intelectivo segundo o qual a mente humana, a partir de uma idéia inicial (indutora), é imediatamente levada a suscitar uma outra, isto em razão de alguma “conexão natural” existente entre ambas. A idéia indutora pode ser representada no caso, tanto por uma palavra, como por um objeto, uma imagem, ou mesmo uma emoção (da qual o sujeito toma consciência) cujo simples aparecimento na mente é suficiente para despertar uma segunda idéia, e esta uma terceira, e assim por diante, num processo praticamente sem limite e no qual, conforme a expressão popular, “uma coisa puxa a outra”. Trata-se de fenômeno conhecido e estudado desde a antiguidade grega. Já Aristóteles descobrira que o processo de associação de idéias se rege por algumas leis intrínsecas e invariáveis. São elas: a) a lei da contiguidade (ou continuidade) temporal, segundo a qual a idéia indutora tende a evocar de preferência uma segunda idéia que, em experiência anterior, tenha sido apreendida ao mesmo tempo ou quase ao mesmo tempo que ela; b) lei da semelhança (ou similaridade), segundo a qual uma idéia tende a suscitar outra que lhe seja afim quanto ao significado; c) lei do contraste, segundo a qual uma idéia tende a evocar, entre outras, uma outra que lhe seja especificamente contrária. A estas três leis básicas deve-se juntar, segundo alguns intérpretes, a lei da causalidade, de acordo com a qual o objeto representado pela idéia induzida apresenta uma relação de causa ou efeito com o objeto ou coisa representada pela idéia indutora. Depois de muitos séculos, foi o inglês Locke quem lançou em circulação, tanto em Filosofia como em Psicologia, a expressão “associação de idéias”. Muitos psicólogos passaram a entender todo o funcionamento da mente humana como um simples processo de associação, de natureza mais ou menos mecânica. São os chamados associacionistas. A existência desse processo mental, bem como o conhecimento das leis que o regem, possibilitou a Freud e aos psicanalistas desenvolver, em psicoterapia, uma importante técnica de análise psicológica, conhecida como “prova (ou método) das associações”, sejam livres, sejam condicionadas. Associações Livres: A prova das associações livres pode ser considerada como a técnica clássica da psicanálise freudiana para a identificação das perturbações emocionais oriundas dos mais diversos tipos de complexos. Consiste essencialmente em um processo de evocação espontânea de idéias, em estado consciente (e portanto, não hipnótico) e sem a interferência direta do terapeuta. Além de permitir a localização de idéias e desejos reprimidos, que se encontram na raiz dos sintomas mórbidos apresentados pelo paciente, produz uma descarga geral da tensão psíquica, sendo este o seu efeito terapêutico mais simples e imediato. O procedimento usual é o seguinte: o paciente é convidado a deitar-se sobre um divã, em uma sala semi-obscura e silenciosa, devendo colocar-se em posição de completo relaxamento e repouso, numa atitude inteiramente passiva e “disponível”. Postando-se por trás dele o médico lhe pede então que deixe a mente vagar descontraída, numa espécie de devaneio proposital, e vá dizendo em voz alta tudo o que lhe ocorrer no momento. É importante conseguir que o sujeito diga tudo, absolutamente tudo, sem a mínima inibição ou crítica, portando-se como mero espectador, completamente neutro, do próprio pensamento. O analista se limita a ir anotando ou gravando em um aparelho de som com imparcial fidelidade, as palavras e frases proferidas pelo paciente. As idéias assim evocadas revelarão invariavelmente certas associações (das quais o próprio sujeito não tem consciência) a partir das quais é possível descobrir ligações lógicas e emocionais entre os sintomas de seus distúrbios e experiências anteriores traumatizantes por ele vividas. Essas associações espontâneas, involuntariamente estabelecidas pelo sujeito durante seu solilóquio em presença do terapeuta, são portanto “significativas” em relação aos sintomas apresentados e servem como pista indicadora capaz de levar o terapeuta à identificação das causas mais profundas dos males de seu paciente. Uma série de indicações e convergências de “sentido” darão ao terapeuta um quadro elucidativo da situação patológica em seu conjunto e lhe permitirão – com a ajuda das leis gerais das associações de idéias – conjecturar e reconstruir o material “esquecido” e recalcado que deu origem aos sintomas mórbidos atualmente verificáveis no paciente. Durante todo o processo, o terapeuta jamais intervém no próprio curso das associações, deixando o paciente inteiramente à vontade, como se estivesse falando sozinho. Apenas quando, depois de repetidas horas de sessão, o rumo desse “solilóquio” se mostra evidentemente improdutivo (no sentido de que nada de realmente significativo pareça vir à tona), ele procurará intervir, sugerindo uma palavra, um tema ou imagem que lhe pareça particularmente “fecunda” e a partir da qual o paciente passará a estabelecer novas associações. Com isto, o método já se aproximará de uma técnica correlata, que é a prova das associações condicionadas, a qual é aliás preferida por muitos terapeutas desde o início das sessões. Ao final de cada sessão o terapeuta pedirá ao paciente para “explicar” e ampliar as associações por ele expressas durante o “devaneio”. Juntos, procurarão assim uma interpretação satisfatória da situação. Entre as críticas que se fazem sobre a validade e eficácia de tal método psicanalítico, costuma-se chamar a atenção para o fato de que o paciente pode facilmente imprimir uma orientação subjetiva e intencional às próprias associações. Além disto, sua disposição momentânea, bem como a própria tensão gerada pela tarefa proposta, podem influir decisivamente no rumo dado a essas associações que, desse ponto de vista, já não seriam realmente “livres” e espontâneas. A atitude preconcebida do próprio terapeuta (por exemplo, sua tendência a tudo querer explicar em termos de sexo) pode naturalmente influir no curso do trabalho, desviando e falsificando o verdadeiro sentido dos dados obtidos. Mas estes parecem ser riscos óbvios, inerentes a qualquer tipo de interpretação psicanalítica. Para isto supõe-se a competência profissional de qualquer terapeuta.

 

associacionismo

  1. m. Psicol. Teoria que reduz todas as manifestações da vida mental a um jogo de associações entre os estados psíquicos.

 

ataxia

Ataxia, do grego ataxis, quer dizer sem ordem ou sem coordenação, é um sintoma, não uma doença específica ou um diagnóstico. Ataxia significa a perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários; é um termo que cobre uma grande variedade de desordens neurológicas e, portanto, pode fazer parte do quadro clínico de numerosas doenças do sistema nervoso. Algumas formas de ataxia são mais comuns que outras e têm até nomes específicos, como por exemplo a ataxia de Friedreich, a mais comum entre as ataxias. Algumas ataxias são causadas por uma anormalidade genética e com frequência os primeiros sintomas aparecem na infância (early onset). Outras formas podem aparecer até a metade da vida e são então conhecidas como de iniciação tardia (late onset). Geralmente, todo esse grupo de desordens neurológicas é conhecido como ataxia degenerativa porque os sintomas se agravam com o passar do tempo. A ataxia pode afetar os dedos, as mãos, os braços, as pernas, o corpo, a fala ou o movimento dos olhos. Essa perda de coordenação pode ser causada por diversas condições médicas ou neurológicas; por essa razão é importante que uma pessoa com ataxia procure auxílio médico para determinar a causa subjacente do sintoma e obter o tratamento apropriado. V. um site sobre Ataxia.

 

atenção

Uma maneira importante pela qual a percepção se torna consciente é através da Atenção que, em essência, é a focalização consciente e específica sobre alguns aspectos ou algumas partes da realidade. Assim sendo, nossa consciência pode, voluntariamente ou espontaneamente, privilegiar um determinado conteúdo e determinar a inibição de outros conteúdos vividos. Portanto, reconhece-se a Atenção como um fenômeno de tensão, de esforço, de concentração, de interesse e de focalização da consciência. A Atenção pode ser entendida como uma atitude psicológica através da qual concentramos a nossa atividade psíquica sobre um estímulo específico, seja este estímulo uma sensação, uma percepção, representação, afeto ou desejo, a fim de elaborar os conceitos e o raciocínio. Portanto, de modo geral a Atenção parece criar a própria consciência. V. Psicopatologia da Memória e Atenção.

 

ativação biológica

Estado de excitação do córtex cerebral e do Sistema Simpático, que implica na tenacidade e vigilância dos sentidos, atitude de alerta, aumento da frequência cárdio-respiratória, da pressão arterial e do tônus muscular, juntamente com o aumento de glicose e ácidos graxos no sangue circulante.

 

ato

[Do lat. actu.]

  1. m. Ato falhado: Psican. Ato falho. Ato falho: Psican. Interferência, num ato intencional, de um outro acidental e aparentemente sem propósito, produzido pelos mecanismos de um desejo inconsciente, cuja intenção primária é levar a cabo esta realização acidental; ato falhado. Ato Compulsivo: Compulsivos são os atos que se impõem a um indivíduo, apesar de seus esforços para resistir aos mesmos. Os atos compulsivos mais comumente se referem à limpeza (particularmente o ato de lavar as mãos), verificação repetida para se assegurar a eliminação de que uma situação potencialmente ou organização e arrumação. Subjacente ao comportamento manifesto está um medo, usualmente de perigo para o paciente ou causado por ele, e o ritual é uma tentativa ineficaz ou simbólica de afastar aquele perigo. Ato Voluntário: Jaspers acredita que somente as ações são voluntárias somente quando há possibilidades de escolha, de reflexão e de decisão. Caso não haja esse conjunto circunstancial o ato será impulsivo, isto é, será mera descarga motora, sem direção e sem conteúdo, ou será ainda instintivo, sem considerações conscientes, embora dotadas de finalidade . Para se formar uma idéia geral do verdadeiro processo volitivo, temos que delimitar e identificar quatro etapas: 1. intenção ou propósito, fase onde se esboçam as inclinações ou tendências de ação, geralmente vivenciadas sob a forma de algum interesse e, normalmente, polarizando nossa atenção sobre determinado objeto; 2. deliberação, etapa que corresponde à ponderação consciente dos motivos mencionados acima, analisando-se o que será favorável ou desfavorável (apreciação), levando forçosamente a uma opção, isto é, a fazer ou deixar de fazer; 3. decisão, momento culminante do processo volitivo, instante que demarca o começo da ação, resultado da vantagem consciente dos motivos favoráveis; 4. execução, quando surgem as atitudes necessárias à consumação dos propósitos, dependente da performance da pessoa sob o ponto de vista global e sua capacitação à eficácia da ação. Para a execução do ato voluntário exige-se um certo grau de consciência e de reflexão sobre finalidades, entretanto, a maior parte dos atos que executamos na vida diária são relativamente automáticos. Para a atividade voluntária cotidiana fazem parte uma série reflexos automáticos e instintivos os quais, na prática, não podem ser bem diferenciados. A frequente repetição de atitudes voluntárias acaba por transformar atos volitivos em atos automáticos, portanto, todos atos automáticos foram antes atos volitivos. V. mais sobre Alterações da Atividade Voluntária.

 

atraso cultural

Atraso Cultural pode ser entendido como a persistência de um costume ou norma cultural para além do tempo de sua contribuição funcional para aquela dada sociedade ou cultura podendo gerar conflito com outros costumes ou normas mais contemporâneas. Um exemplo de Atraso Cultural são os núcleos regionais onde a estrutura familiar rural serve como norma inflexível para todos, a despeito dos atuais aspectos da sociedade urbanizada. Também os papéis dos gêneros sexuais (masculino e feminino) tradicionais. Ao invés de Atraso Cultural, talvez fosse mais adequado falar em Dissonância Cultural para esta discrepância entre práticas tradicionais e necessidades moderas. Esse fenômeno pode precipitar transtornos de ajustamento ou transtornos mais graves.

 

aura

[Do lat. aura.]

  1. f. Psican. Ambiente psicológico de um acontecimento exterior. Aura epiléptica: Med. Aura que denuncia ataque epiléptico.

 

ausência

[Do lat. absentia.]

  1. f. Psiq. (1)Lapso de memória. (2) A Crise de Ausência era, numa denominação mais antiga, o principal sinal da epilepsia chamada tipo Pequeno Mal. Consiste na diminuição ou perda da consciência, geralmente durando entre 2 e 15 segundos e, em acompanhada de descargas neuroelétricas epilépticas generalizadas. A epilepsia é um distúrbio do cérebro que se expressa por crises epilépticas repetidas. As crises podem acontecer de diferentes maneiras: A crise convulsiva é a forma mais conhecida pelas pessoas e é identificada como “ataque epiléptico”. Nesse tipo de crise, a pessoa pode cair ao chão, apresentar contrações musculares em todo o corpo, mordedura da língua, salivação intensa, respiração ofegante e, às vezes, até urinar. A Crise de Ausência é conhecida como “desligamentos”. A pessoa fica com o olhar fixo, perde contato com o meio por alguns segundos. Por ser de curtíssima duração, muitas vezes, não é percebida pelos familiares e/ou professores. A Crise de Ausência resulta, então, num lapso momentâneo da consciência. Ela costuma ser mais comum em crianças e adolescentes. Durante essas crises o paciente interrompe o que está fazendo, fixa o olhar, pisca ou mantém o olhar vago por alguns segundo antes de voltar a fazer o que estava fazendo. Os que presenciam essas crises podem achar que a pessoa estava apenas tendo um devaneio ou nem perceber o que aconteceu. Há um outro tipo de crise epiléptica que se manifesta como se a pessoa estivesse “alerta” mas não tem controle de seus atos, fazendo movimentos automaticamente. Durante esses movimentos automáticos involuntários, a pessoa pode ficar mastigando, falando de modo incompreensível ou andando sem direção definida. Em geral, a pessoa não se recorda do que aconteceu quando a crise termina. Esta é chamada de crise parcial complexa. Existem outros tipos de crises que podem provocar quedas ao solo sem nenhum movimento ou contrações ou, então, ter percepções visuais ou auditivas estranhas ou, ainda, alterações transitórias da memória.

 

ausente

[Do lat. absente.]

Adj. Psiq. Diz-se da pessoa que sofre de lapso de memória, que se encontra incapaz de raciocinar; esquecido, distraído.

 

autismo

[De aut(o)- + -ismo.]

  1. m. Psiq. (1) Fenômeno patológico caracterizado pelo desligamento da realidade exterior e criação mental de um mundo autônomo. (2) É essencial diferenciar Autismo, como sintoma psicótico, do Autismo Infantil, uma doença específica. O Autismo sintoma diz respeito ao relacionamento entre o sujeito e a realidade, entre o paciente e outras pessoas. No autismo esta relação se deforma grotescamente e o doente se exclui da comunidade, ele se afasta da Concordância Cultural que deveria permear a vida gregária de um determinado sistema, portanto, podemos dizer que, de modo geral, o delírio tende ao autismo. No Autismo o paciente experimenta sua convicção doentia sem se preocupar, de forma alguma, com outros pontos de vista, interesses e juízos. O paciente autista quase exclui o outro, ou quase se exclui dos outros, ele não sente necessidade de comprovar sua convicção diante da realidade, não se preocupa em fundamentá-la nem para si, nem para os demais. Em casos de esquizofrenia, o autismo, com a sua significação de perda do contato vital com a realidade, serve para explicar certos tipos de estereotipias, como a catatonia, por exemplo, as alterações da linguagem oral e escrita. Nesses casos pode ocorrer que os enfermos repitam, sem cessar, as palavras ou frases, em tom de voz monótono, em voz sussurrada ou aos gritos. Autismo infantil: As características essenciais do Transtorno Autista são a presença de um desenvolvimento acentuadamente anormal ou prejudicado na interação social e comunicação e um repertório marcantemente restrito de atividades e interesses. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo. O Transtorno Autista é chamado, ocasionalmente, de autismo infantil precoce, autismo da infância ou autismo de Kanner. O prejuízo na interação social recíproca é amplo e persistente. Pode haver um prejuízo marcante no uso de múltiplos comportamentos não-verbais (por ex., contato visual direto, expressão facial, posturas e gestos corporais) que regulam a interação social e a comunicação. Pode haver um fracasso em desenvolver relacionamentos com seus pares que sejam apropriados ao nível de desenvolvimento, os quais assumem diferentes formas, em diferentes idades. Os indivíduos mais jovens podem demonstrar pouco ou nenhum interesse pelo estabelecimento de amizades; os mais velhos podem ter interesse por amizades, mas não compreendem as convenções da interação social. Pode ocorrer uma falta de busca espontânea pelo prazer compartilhado, interesses ou realizações com outras pessoas (por ex., não mostrar, trazer ou apontar para objetos que consideram interessantes). Uma falta de reciprocidade social ou emocional pode estar presente (por ex., não participa ativamente de jogos ou brincadeiras sociais simples, preferindo atividades solitárias, ou envolve os outros em atividades apenas como instrumentos ou auxílios “mecânicos”). Frequentemente, a conscientização da existência dos outros pelo indivíduo encontra-se bastante prejudicada. Os indivíduos com este transtorno podem ignorar as outras crianças (incluindo os irmãos), podem não ter idéia das necessidades dos outros, ou não perceber o sofrimento de outra pessoa. O prejuízo na comunicação também é marcante e persistente, afetando as habilidades tanto verbais quanto não-verbais. Pode haver atraso ou falta total de desenvolvimento da linguagem falada. Em indivíduos que chegam a falar, pode existir um acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversação, um uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou uma linguagem idiossincrática. Além disso, podem estar ausentes os jogos variados e espontâneos de faz-de-conta ou de imitação social apropriados ao nível de desenvolvimento. Quando a fala chega a se desenvolver, o timbre, a entonação, a velocidade, o ritmo ou a ênfase podem ser anormais (por ex., o tom de voz pode ser monótono ou elevar-se de modo interrogativo ao final de frases afirmativas). As estruturas gramaticais são frequentemente imaturas e incluem o uso estereotipado e repetitivo da linguagem (por ex., repetição de palavras ou frases, independentemente do significado; repetição de comerciais ou jingles) ou uma linguagem metafórica (isto é, uma linguagem que apenas pode ser entendida claramente pelas pessoas familiarizadas com o estilo de comunicação do indivíduo). Uma perturbação na compreensão da linguagem pode ser evidenciada por uma incapacidade de entender perguntas, orientações ou piadas simples. As brincadeiras imaginativas em geral estão ausentes ou apresentam prejuízo acentuado. Esses indivíduos também tendem a não se envolver nos jogos de imitação ou rotinas simples da infância, ou fazem-no fora de contexto ou de um modo mecânico. Autismo Atípico (F84.1) É esse mesmo transtorno desintegrativo do desenvolvimento que difere do autismo infantil típico, tanto pela idade de início quanto pelo fato de não preencher todos os critérios de diagnósticos. Refere-se a um desenvolvimento anormal e prejudicado que se evidencia somente depois dos 3 anos de idade, faltando normalidades suficientemente demonstráveis em uma ou duas das três áreas da psicopatologia requeridas para o diagnóstico de autismo típico, como por exemplo:
  2. interações sociais recíprocas anormais;
  3. comunicação anormal;
  4. comportamento restrito, estereotipado e repetitivo.

Apesar de faltar anormalidades nas áreas supra-referidas, há anormalidades características em outras áreas. O autismo atípico surge mais frequentemente em indivíduos com deficiência mental profunda e em indivíduos com um grave transtorno específico do desenvolvimento, da recepção e da linguagem. V. Síndrome de Autismo Infantil em Transt. do Desenvolvimento – CID.10 V. Síndrome de Autismo Infantil em Transt. Disruptivo – DSM.IV V Síndrome de Autismo Infantil.

 

auto-afirmação

[De aut(o)- + afirmação.]

  1. f. Psicol. Necessidade íntima do indivíduo de impor-se à aceitação do meio; afirmação. [Pl.: auto-afirmações.]

 

auto-agressão

[De aut(o)- + agressão.]

  1. f. Psicol. Consumação de atos destrutivos que tem por objeto o próprio agressor.

[Pl.: auto-agressões. Cf. heteroagressão.]

 

auto-análise

[De aut(o)- + análise.]

  1. f. Psican. Investigação sistemática de si mesmo, mediante certos processos do método psicanalítico.

[Pl.: auto-análises.]

 

auto-erotismo

[De aut(o)- + erotismo.]

  1. m. Psiq. Impulso sexual espontâneo, sem qualquer estímulo externo, direto ou indireto, e cuja forma típica é o orgasmo durante o sono. Masturbação.

[Pl.: auto-erotismos. Cf. aloerotismo.]

 

autofilia

[De aut(o)- + -filia.]

  1. f. Psiq. Sentimento de amor a si próprio.

 

automatismo

[Do gr. automatismos.]

  1. m. Psicol. Prática de atos de tipo não reflexo, sem orientação consciente por parte daquele que os executa.

 

autopsíquica, orientação, desorientação

Orientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual temos consciência plena, em cada momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos. É indubitável que a orientação depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e do estado de consciência e, uma vez perturbada esta consciência, altera-se concomitantemente a orientação. A orientação mobiliza, em sua execução, fatores que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de certas operações mentais, bem mais complexas do que se conhece. De regra, verifica-se a orientação autopsíquica e a orientação alopsíquicas, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica. Na desorientação autopsíquica total, o indivíduo não sabe quem é. Normalmente esse desconhecimento da própria identidade se verifica nas amnésias totais traumáticas, nos estados de acentuada obnubilação da consciência ou na evolução extremas dos processos demenciais. Bem mais frequente é a chamada falsa orientação autopsíquica. É a que acomete os enfermos delirantes, quando se auto atribuem uma nova identidade ou quando assimilam a personalidade de figuras fantasiosas de seus delírios. V. mais sobre Orientação.

 

aversão sexual

Frequentemente acompanhando os Transtornos do Desejo Sexual, onde se inclui a Frigidez ou Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, coexiste o Transtorno da Excitação Sexual Feminina e o Transtorno Orgásmico Feminino. A pessoa com Transtorno da Excitação Sexual Feminina pode ter pouca ou nenhuma sensação subjetiva de excitação sexual. Pelo DSM. IV, esse transtorno pode resultar em intercurso doloroso, esquiva sexual e perturbação de relacionamentos conjugais ou sexuais. Um estágio agravado do Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo é o Transtorno de Aversão Sexual. Pelo DSM. IV, a característica essencial do Transtorno de Aversão Sexual é a aversão e esquiva ativa do contato sexual genital com um parceiro sexual. Para esse diagnóstico a perturbação (Aversão) deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. O paciente com Trans-torno de Aversão Sexual relata ansiedade, medo ou repulsa ao se defrontar com uma oportunidade sexual com um parceiro. A aversão ao contato genital pode concentrar-se em um determinado aspecto da experiência sexual (por ex., secreções genitais, penetração vaginal). Alguns indivíduos experimentam repulsa generalizada a quaisquer estímulos sexuais, inclusive beijos e toques. A intensidade da reação do indivíduo quando exposto aos estímulos aversivos pode variar desde uma ansiedade moderada e falta de prazer, até um extremo sofrimento psicológico. Portanto, o desejo sexual pode sofrer alterações, mais frequentemente alterações para menos, ou seja, no sentido de uma Hipofunção Sexual.