Psicologia B

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Biogênese – Teoria biológica segundo a qual a matéria viva procede sempre de matéria viva. Segundo as teorias formuladas pelos partidários da biogênese, entre os quais, Fritz Müller, Serres e Haeckel, a evolução do indivíduo deve reproduzir a da espécie. Procurou-se do mesmo modo explicar transformações ocorridas durante o desenvolvimento mental do indivíduo pelo desenvolvimento intelectual da espécie.
Segundo C. G. Jung, a história do desenvolvimento das espécies se repete no desenvolvimento embrionário do indivíduo. Deste modo, até atingir um certo grau de desenvolvimento em sua vida embrionária, o homem atravessa as formas anatômicas dos tempos primitivos. A mesma lei vale para o desenvolvimento mental do indivíduo. Assim, sempre segundo Jung, a criança desenvolve-se a partir de uma condição originalmente inconsciente e animal para o estado de consciência.
Voltando ao ponto de vista da hereditariedade física, Huxley foi um dos grandes partidários da teoria biogênica, juntamente com F. Redi e Hertwíg, que afirmou não ser determinado e espontâneo o desenvolvimento das células, mas que, pelo contrário, cada célula se desenvolve segundo o lugar que passa a ocupar no organismo e de acordo com as influências exercidas pelas outras células, assim como pelos agentes externos.

Balint, síndrome de
Simultagnosia é a incapacidade de perceber visualmente mais de um ou dois estímulos simultaneamente. Essa sintomatologia foi descrita por Balint em 1909 e caracteriza a síndrome com seu nome. A Atrofia Cortical Posterior – ACP -, é uma síndrome de demenciação progressiva frequentemente causada pela Doença de Alzheimer. A Atrofia Cortical Posterior é rara, e poucos autores têm estudado a natureza das perturbações visuais dela decorrentes. O fenômeno visual-cognitivo sintomático mais evidente é a incapacidade de leitura, caracterizada pela perda progressiva em juntar palavras, chamada então de Simultagnosia ventral. Há preservação da habilidade em apreender múltiplos estímulos, mas com inabilidade de interpretar a integração desses estímulos, de integrar a totalidade das cenas. Essa síndrome leva o nome de Síndrome de Balint, ou Simultagnosia, onde prevalece a ataxia ótica e/ou apraxia oculomotora. No exame de imagens cerebrais, embora possa ser normal a imagem estrutural (anatômica), na imagem funcional (SPECT) encontra-se uma importante disfunção cortical posterior. Pacientes portadores dessa Simultagnosia compreendem o discurso oral mas têm severas dificuldades na leitura de palavras escritas. Como a síndrome é progressiva a dificuldade começa com palavras longas e se agrava até as pequenas. Estas descobertas sugerem que a ACP evolui para uma dificuldade progressiva em proceder a integração visual das letras, em seguida, para o prejuízo na integração das cenas inteiras do cotidiano, momento que caracteriza, definitivamente a Síndrome de Balint.

 

barbitúrico
Grupo de substâncias depressoras do Sistema Nervoso Central, quimicamente derivados do ácido barbitúrico. Entre eles se incluem o fenobarbital, dial, amobarbital, pentobarbital e secobarbital. Eles são usados como antiepilépticos (anticonvulsivos), anestésicos, sedativos, hipnóticos e – menos comumente – como ansiolíticos. Na psiquiatria, alguns deles têm aplicação como anti-impulsivos. Os barbitúricos têm uma pequena margem de segurança entre as dosagens terapêutica e tóxica e são frequentemente letais em superdose. Devido à sua maior margem de segurança, os benzodiazepínicos têm substituído amplamente os barbitúricos como sedativos/hipnóticos, ansiolíticos e mesmo como anti-epilépticcos. A tolerância aos barbitúricos se desenvolve rapidamente e o risco de uso nocivo ou de dependência é alto. Os pacientes que usam estas drogas por períodos prolongados podem tornar-se dependentes, mesmo quando a dose prescrita não é ultrapassada. Assim sendo, eles podem desencadear síndromes de abstinência quando de sua privação ou, mais traumático ainda, podem induzir à convulsões quando interrompidos bruscamente. Os barbitúricos estão associados com a totalidade dos transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de substâncias na categoria F13 da CID-10. A sintomatologia específica para esses transtornos inclui o seguinte: intoxicação por barbitúricos; síndrome de abstinência e; demência (também denominado transtorno psicótico residual, induzido por barbitúricos).

 

belle indifférence
(fr.)
Trata-se de uma expressão francesa que se refere à típica ausência aparente de preocupação em relação a sintomas incapacitantes, proeminente e característica nos Transtornos Dissociativos e Conversivos (histéricos). Um exemplo disso é a pessoa que acaba de ficar cega (emocionalmente, cegueira histérica), paralítica ou muda, reage à essa brutal incapacidade com naturalidade. A Belle Indifférence deve ser diferenciada da anosognosia, que é uma negação de doença baseada numa distorção da imagem corporal, geralmente resultante de uma lesão no lobo parietal. Na Belle Indifférence, a doença não é negada, a pessoa se sabe incapacitada, a imagem corporal não está perturbada, mas o indivíduo parece despreocupado com o grau em que os sintomas interferem com o seu funcionamento. Geralmente acompanha transtornos dissociativos e conversivos. V. Transtornos Dissociativos e Conversivos

 

benzodiazepínicos
Os Benzodiazepínicos são um grupo de drogas estruturalmente relacionadas, usadas primordialmente como sedativos/hipnóticos, relaxantes musculares e antiepilépticos, e outrora denominados de “tranquilizantes menores”. Acredita-se que estes agentes produzam efeitos terapêuticos ao potencializar a ação do ácido gama-aminobutírico (GABA), um importante neurotransmissor inibidor. Os benzodiazepínicos, segundo a duração de sua ação, são classificados em benzodiazepínicos de ação longa ou de ação curta. Os benzodiazepínicos foram introduzidos como alternativas mais seguras que os barbitúricos. Eles não suprimem o sono REM na mesma extensão que os barbitúricos, mas tem um potencial significativo para induzir dependência e uso indevido. Mesmo quando os benzodiazepínicos são consumidos em doses terapêuticas, sua interrupção abrupta induz uma síndrome de abstinência em até 50% das pessoas tratadas por seis meses ou mais. Os sintomas de abstinência parecem ser mais intensos com as preparações de ação curta; com os benzodiazepínicos de ação longa os sintomas de abstinência aparecem uma ou duas semanas depois da interrupção e duram mais, mas são menos intensos. Como com outros sedativos, é necessário um programa de desintoxicação lenta para evitar complicações graves como as convulsões da abstinência. Os Benzodiazepínicos são utilizados nas mais variadas formas de ansiedade e, infelizmente, sua indicação não tem obedecido, desejavelmente, a determinadas regras. Os Benzodiazepínicos são apensas ansiolíticos e nada mais que isso. Não são antineuróticos, antipsicóticos ou anti-insônia, como pode estar pensando muitos clínicos e pacientes. A melhor indicação para os Benzodiazepínicos são nos casos onde a ansiedade NÃO faz parte da personalidade do paciente ou ainda, para os casos onde a ansiedade NÃO seja secundária a outro distúrbio psíquico. Resumindo, serão bem indicados quando a ansiedade estiver muito bem delimitada no tempo e com uma causa bem definida. Naturalmente podemos nos valer dos Benzodiazepínicos como coadjuvantes do tratamento psiquiátrico, quando a causa básica da ansiedade ainda não estiver sendo prontamente resolvida. No caso, por exemplo, de um paciente deprimido e, consequentemente ansioso, os Benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento antidepressivo não estiver exercendo o efeito desejável. Trata-se, neste caso, de uma associação medicamentosa provisória e benéfica ao paciente. Entretanto, com a progressiva melhora do quadro depressivo não haverá mais embasamento para a continuidade dos Benzodiazepínicos. ALPRAZOLAM – Frontal, Tranquinal BROMAZEPAM – Brozepax, Deptran, Lexotam, Nervium, Novazepam, Somalium, Sulpam BUSPIRONA – Ansienon, Ansitec, Bromopirim , Brozepax, Buspanil, Buspar CLOBAZAM – Frizium, Urbanil CLONAZEPAM – Rivotril CLORDIAZEPÓXIDO – Psicosedim CLOXAZOLAM – Elum, Olcadil DIAZEPAM – Ansilive, Calmociteno, Diazepam, Diazepan, Kiatriun, Noam, Somaplus, Valium LORAZEPAM – Lorium, Lorax, Mesmerin V. Benzodiazepínicos (Ansiolíticos)

 

bestialismo/zoofilia
Por vezes uma pessoa com Transtornos da Sexualidade apresenta um Transtorno da Preferência Sexual. Diversas outras modalidades da preferência e do comportamento sexual tais como o fato de dizer obscenidade por telefone, esfregar-se contra outro em locais públicos com aglomeração (Frotteurismo), a atividade sexual com um animal, o emprego de estrangulamento ou anóxia para aumentar a excitação sexual. Quando a preferência diz respeito à atividade sexual com um animal dizemos Bestialismo ou Zoofilia. Portanto, trata-se de uma Parafilia, que são alterações da sexualidade caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Entre essas Parafilias podemos ter a escatologia telefônica (telefonemas obscenos), necrofilia (cadáveres), parcialismo (foco exclusivo em uma parte do corpo), zoofilia (animais), coprofilia (fezes), clismafilia (enemas) e urofilia (urina), entre outras. V. Parafilia, Zoofilia (DSM.IV) V. Transtorno da Preferência Sexual (CID.10)

 

betacaroteno
Faz parte da composição da vitamina A junto com o retinol. A Vitamina A é o retinol. O caroteno (beta-caroteno), pigmento de algumas plantas ( vegetais amarelos e verdes: cenoura, mamão papaia e pêssego), é convertido em vitamina A pelo organismo. Está relacionada à visão e à manutenção da integridade da pele como também com o crescimento ósseo, com a reprodução e com o desenvolvimento embriológico. É discutível usá-la na prevenção do câncer. Ocorre também nos óleos de peixe, fígado, gema de ovo, mas sua principal fonte são os vegetais amarelos e verdes, e a batata doce. A dieta normal contem quantidades suficientes de retinol. A sua deficiência gera um distúrbio da visão denominado cegueira noturna e pode ser devida a falta de ingestão ou a distúrbios na sua absorção ao nível do estômago-duodeno. É rara na III Idade. Pode ocorrer em dietas restritivas que só contenham arroz, feijão e batata, por exemplo, comum em nosso meio. É comum no alcoolismo e também em pessoas que se utilizam com frequência de determinados medicamentos, como a colchicina para o tratamento da gota, por ex. A sua intoxicação leva ao aumento na pressão intracraniana, com dores de cabeça e vômitos. Pode ocorrer o coma.

 

biogênese
Biogênese é uma teoria biológica segundo a qual a matéria viva procede sempre de matéria viva. Segundo as teorias formuladas pelos partidários da biogênese, entre os quais, Fritz Muller, Serres e Haeckel, a evolução do indivíduo deve reproduzir a da espécie. Procurou-se do mesmo modo explicar transformações ocorridas durante o desenvolvimento mental do indivíduo pelo desenvolvimento intelectual da espécie. Segundo C. G. Jung, a história do desenvolvimento das espécies se repete no desenvolvimento embrionário do indivíduo. Deste modo, até atingir um certo grau de desenvolvimento em sua vida embrionária, o homem atravessa as formas anatômicas dos tempos primitivos. A mesma lei vale para o desenvolvimento mental do indivíduo. Assim, sempre segundo Jung, a criança desenvolve-se a partir de uma condição originalmente inconsciente e animal para o estado de consciência. Voltando ao ponto de vista da hereditariedade física, Huxley foi um dos grandes partidários da teoria biogênica, juntamente com F. Redi e Hertwíg, que afirmou não ser determinado e espontâneo o desenvolvimento das células, mas que, pelo contrário, cada célula se desenvolve segundo o lugar que passa a ocupar no organismo e de acordo com as influências exercidas pelas outras células, assim como pelos agentes externos.

 

bipolar, transtorno (pmd)
Transtorno Bipolar é um transtorno caracterizado por dois ou mais episódios de alteração do humor onde o nível de atividade do sujeito está profundamente perturbado, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação patológica do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento patológico do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). Pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares. Esse transtorno chamava-se Psicose Maníaco-Depressiva até antes de editar-se o CID.10. O DSM.IV já classifica o Transtorno Afetivo Bipolar em dois tipos: Bipolar I e Bipolar II. A característica essencial do Transtorno Bipolar I é um curso clínico caracterizado pela ocorrência de um ou mais Episódios Maníacos ou Episódios Mistos. Com frequência, mas não obrigatoriamente, os indivíduos também tiveram um ou mais Episódios Depressivos Maiores. A característica essencial do Transtorno Bipolar II é um curso clínico marcado pela ocorrência de um ou mais Episódios Depressivos Maiores, acompanhados por pelo menos um Episódio Hipomaníaco. Os Episódios Hipomaníacos não devem ser confundidos com os vários dias de eutimia que podem seguir-se à remissão de um Episódio Depressivo Maior. V. Transtorno Afetivo Bipolar (DSM.IV) V. Transtorno Afetivo Bipolar (CID.10)

 

bissexualidade
Atividade sexual com membros de ambos os sexos. Algumas culturas estimulam a atividade sexual ritual com o mesmo sexo, em determinadas circunstâncias.

 

bissexual
(cs)[De bis- + sexo + -al.]
Adj. 2 g. Relativo ao comportamento sexual com indivíduos de ambos os sexos.

 

bloqueado
[Part. de bloquear.]
Adj. Psiq. Que sofre de bloqueio.

 

bloquear
[Do fr. bloquer.]
V. t. d. Med. e Psiq. Causar bloqueio.

 

bloqueio
[Dev. de bloquear.]
S. m. Psiq. Parada súbita na execução de um ato ou de um gesto, ou na emissão de uma palavra, ou detenção súbita e transitória do curso do pensamento, sem comprometimento intelectual ou sensorial, sintoma frequente em certas doenças mentais, especialmente na esquizofrenia.

 

borderline – personalidade
Patologicamente podemos dizer que a pessoa portadora de Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos, embora não apresentem deformações de caráter típicas das personalidades sociopáticas. Na realidade, o Borderline tem séria limitação para usufruir as disponibilidades de opção emocional diante dos estímulos do cotidiano e, por causa disso, pequenos estressores são capazes de enfurecê-lo. São indivíduos sujeitos a acessos de ira e verdadeiros ataques de fúria ou de mau gênio, em completa inadequação ao estímulo desencadeante. Essas crises de fúria e agressividade acontecem de forma inesperada, intempestivamente e, habitualmente, tem por alvo pessoas do convívio mais íntimo, como os pais, irmãos, familiares, amigos, namoradas, cônjuges, etc. Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em grande número de situações, ele tropeça escandalosamente em certas situações triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas. V. Personalidade Borderline (PsiqWeb) V. Personalidade Borderline (DSM.IV)

 

bradifrenia
Lentificação mental que se associa à bradicinesia (lentificação dos movimentos) e ocorrem na Doença de Parkinson. Observa-se também a bradifrenia em outras patologias que implicam em lesões da substância cerebral branca (esclerose múltipla, leucodistrofias, etc.). V. fonte Dicionário CorpoMente Dicionário Neuro-ciências – B

 

bruxismo
O Bruxismo é um hábito parafuncional de ranger os dentes e constitui um dos mais difíceis desafios para a odontologia restauradora, sendo que a dificuldade para sua resolução aumenta de acordo com a gravidade do desgaste dentário produzido. Fisiopatologicamente, o esmalte dentário é o primeiro a receber os prejuízos do Bruxismo, e o desgaste anormal dos dentes é o sinal mais frequente da anomalia funcional. O padrão de desgaste dental do Bruxismo prolongado é, frequentemente, não uniforme e mais severo nos dentes anteriores. A importância do Bruxismo ainda se deve à sua relação com a dor muscular da articulação temporo-mandibular e alguns tipos de cefaléia. V. Bruxismo

 

bulimia nervosa – polifagia
As características essenciais da Bulimia Nervosa consistem de compulsões periódicas em comer (polifagia) e métodos compensatórios inadequados posteriores para evitar ganho de peso. Além disso, a auto-avaliação dos pacientes com Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo, tal como ocorre na Anorexia Nervosa. Para qualificar o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana por 3 meses. Uma compulsão periódica é definida pela ingestão, num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos pacientes consumiria sob circunstâncias similares. O médico deve considerar o contexto no qual a compulsão periódica ocorreu; durante uma celebração ou uma ceia festiva, por exemplo, o que seria considerado um consumo excessivo em uma refeição comum é considerado normal. V. Bulimia V. Bulimia no DSM.IV

 

bufê delirante
(fr. bouffée délirante)
Condição psicótica aguda e transitória associada com turvação da consciência, excitação psicomotora e comportamento agitado, seguida de amnésia anterógrada. O quadro agudo tem bom prognóstico (como de praxe nos quadros agudos da psiquiatria). Em essência (e fisiopatologicamente), o Bufê Delirante se assemelha às psicoses agudas e transitórias, relacionadas a estresse agudo. A descrição original da apresentação clínica contém cinco características cardinais: 1. início abrupto, 2. delírios estruturados com alucinações ocasionais, 3. um certo grau de turvação da consciência associada com instabilidade emocional, 4. ausência de sinais físicos e 5. uma remissão rápida e completa. Mais recentemente, outras características têm sido assinaladas: a possibilidade de precipitação por estressores psicossociais, o alto risco de recorrência de episódios após intervalos assintomáticos e a independência nosológica do episódio em relação à esquizofrenia, ainda que um estado (crônico) de esquizofrenia possa desenvolver-se após uma ou mais recaídas. Um dos sinônimos nosográficos do Bufê Delirante é a Psicose Reativa Breve. A Psicose Reativa Breve se caracteriza pelo aparecimento abrupto dos sintomas psicóticos sem a existência de sintomas pré-mórbidos e, habitualmente, seguindo-se à um estressor psicossocial. Os sinais e sintomas clínicos são similares àqueles vistos em outros distúrbios psicóticos, como na Esquizofrenia e nos Transtornos Afetivos com Sintomas Psicóticos. O prognóstico é bom e a persistência de sintomas residuais não ocorre. Durante o surto observa-se incoerência e acentuado afrouxamento das associações, delírios, alucinações e comportamento catatônico ou desorganizado. Há componentes afetivos com mudanças bruscas de um afeto para outro, perplexidade e confusão. A Organização Mundial de Saúde, através da Classificação Internacional de Doenças (CID), recomenda que esta categoria de psicose deve ser restringida ao pequeno grupo de afecções psicóticas, em grande parte ou totalmente atribuídas a uma experiência existencial recente. Deve ser entendida como uma alteração psicótica na qual os fatores ambientais tem a maior influência etiológica. Trata-se de reações cuja natureza não é só determinada pela situação psicotraumática, mas também pelas predisposições da personalidade. A maioria das reações psíquicas mórbidas desenvolve-se em função de uma perturbação de caráter que predispõe a elas. Tal perturbação será fruto de um desenvolvimento psicorreativo anormal. O desenvolvimento da Psicose Reativa pode satisfazer a necessidade do paciente em representar, simbolicamente, a si e aos outros através da natureza interna de suas contradições, angústias e paixões, numa espécie de falência aguda de sua capacidade de adaptação a uma situação sofrível. V. Psicose Transitória ou Breve

 

Burnout, síndrome de
A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das consequências mais marcantes do estresse profissional, caracterizando-se por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos. Outros autores, entretanto, julgam a Síndrome de Burnout algo diferente do estresse. Para nós, de modo geral, vamos considerar esse quadro de extrema apatia e desinteresse, não como sinônimo de estresse, mas como uma de suas consequências bastante sérias. Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto, excessivo e estressante com o trabalho, essa doença faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer inútil. Esta síndrome afeta, principalmente, profissionais da área de serviços que trabalham em contato direto com os usuários. Entre a clientela de risco, estão os trabalhadores em educação, profissionais em saúde, policiais, agentes penitenciários, os bancários, profissionais liberais, departamentos de vendas e de compras, enfim, funções que obrigam um contacto intenso com o outro. Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe. V. Síndrome de Burnout.