Psicologia C

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Catalepsia – Estado de plasticidade motora no qual o indivíduo conserva as posições que lhe são dadas, como se se tratasse de um boneco de cera (flexibilidade cerosa). Os músculos tornam se como que mecânicos. A catalepsia pode ser observada, sobretudo, na demência precoce e no sono hipnótico. Caracteriza-se por uma perturbação psicomotora. que consiste na cessação brusca dos movimentos voluntários, sem que haja lesão dos músculos, e na manutenção da atitude ou posição em que se encontrava o paciente no momento do ataque. Durante a perturbação o doente conserva o uso perfeito das faculdades, da inteligência e da percepção, mas fica impossibilitado de responder às questões que lhe são propostas. Os membros se tornam moles, mas não ha contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A catalepsia ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicações e alcoolismo.

Catarse – Método que visa a eliminar perturbações psíquicas, excitações nervosas, tensões, angústia, através da provocação de uma explosão emocional ou de outras formas, e baseando-se na rememorização da cena e de fatos passados que estejam ligados àquelas perturbações. Ajuda o indivíduo a obter controle emocional e a enfrentar os problemas da vida. De acordo com Aristóteles, a palavra catarsis significa “limpeza da alma”.
Utilizando a hipnose, J. Breuer fazia reviver na mente do indivíduo, ou melhor, em sua memória, algumas cenas que estavam esquecidas, e provocando 0 que se denominou “ab-reação”, ou seja, uma descarga afetiva com lágrimas e cólera. Foi Breuer que primeiro utilizou o método catártico para curar enfermidades psíquicas. Aliás, a catarse está ligada intimamente ao início da Psicanálise de Freud. De fato, os primeiros trabalhos dêsse psicólogo austríaco se acham relacionados aos trabalhos dos psiquiatras J. M. Charcot e H. Berheim, bem como também do austríaco J. Breuer. No início dos estudos de Freud, considerava-se que as neuroses tinham por causa algumas fraquezas do sistema nervoso – portanto uma origem física. Quando Freud tomou conhecimento dos efeitos da hipnose praticada por Charcot, na França, teve a idéia de que a histeria poderia apresentar origem psíquica. Tempos depois, Freud verificou também a possibilidade de haver conteúdos inconscientes que influenciam a conduta humana. Esses dois fatores a natureza psíquica da histeria e a possibilidade de influências inconscientes sobre o comportamento humano – surgiram do estudo da hipnose e constituíram aspectos básicos na formulação (posterior) de toda a doutrina freudiana. Enquanto Freud efetuava contatos com os dois primeiros psiquiatras citados, e desenvolvia seus estudos, o médico vienense Breuer fazia um tratamento que se tornaria da mesma forma importante para o surgimento da Psicanálise: hipnotizou uma mòça que apresentava graves sintomas, como paralisia, fobias, desordens de linguagem etc. Durante o sono hipnótico, Breuer propôs à moça algumas palavras que ele tinha ouvido da própria paciente, sugerindo que ela explicasse o que as palavras lhe faziam lembrar e sentir. A moça então fez narrativas com fortes doses de emotividade, ficando patente que o ponto nevrálgïco era uma cena de quando a paciente estava cuidando de seu pai doente. Após as sessões de hipnose, Breuer observou, admirado, que a moça sentia muitas melhoras, parecendo até mesmo estar curada. Um tratamento baseado na conversa provocada e dirigida para certos assuntos específicos. Assim, Breuer concebeu que devia haver uma ligação entre a doença e as narrativas carregadas de emoção, ou seja, talvez se pudesse conseguir uma cura completa através de descarga emocional provocada pela conversa sobre o fato que gerou o mal. Depois, Freud e Breuer trabalharam algum tempo em parceria, e essas experiências iniciais de Breuer tiveram papel importante para a formulação da Psicanálise, se bem que mais tarde Freud resolveu abandonar a hipnose, preferindo usar o método verbal da associação livre, pelo qual o paciente fica consciente, ativo, cooperando com o tratamento.
O método de tratamento iniciado por Breuer, e que se chama catarse, se resume nos seguintes pontos: a ) houve na vida da pessoa um acontecimento envolto em muita emoção. Essa emoção não pode manifestar-se em ações nu verbalmente, no tempo certo, fazendo surgir um trauma psíquico; b) do trauma surge o mal psíquico, alimentado pelos restos daquela emoção reprimida, e que permanecem no inconsciente; o indivíduo se torna histérico; c) entretanto, o indivíduo não tem conhecimento consciente do trauma, isto é, não se lembra dos fatos ou daquele acontecimento específico que provocou o mal; d) enfim, para livrar o paciente, será necessário submetê-lo à hipnose. No estado hipnótico, o psiquiatra provoca a lembrança dos pontos importantes ligados diretamente às causas da histeria e também provoca fortes emoções vindas daquela lembrança. Essa memorização e essa descarga emotiva tem efeito purificador, livrando a mente do indivíduo do problema, ou seja, trata-se de uma purificação que traz cura – daí a denominação de método catártico. Quando porém a lembrança de fatos específicos ligados ao mal não provoca as fortes emoções, Breuer notou que não advém a cura, por isso é importante provocar a descarga emotiva.
A confissão de erros, que os católicos fazem ao padre, é em última análise uma aplicação prática do método catártico, se considerada no campo da Psicologia. Confessando-se, o indivíduo passa a ter um alívio do sentimento de culpa.

Catatonia – Síndrome complexo encontrado habitualmente na demência precoce, consistindo, sobretudo, em negativismo, bloqueio, sugestibilidade, maneirismo, catalepsia, estereotipia etc. A evolução da catatonia traz uma crescente deficiência intelectual ao paciente, cujos movimentos se estereotipam. Dois dos principais sintomas da catatonia são a sugestibilidade e o negativismo do indivíduo. No primeiro caso, há exagerada tendência do doente a submeter-se às sugestões externas, especialmente as fúteis e sem consequências benéficas. No segundo caso, verifica-se uma teimosa oposição à execução do que se pede ao doente que faça, chegando ao ponto de realizar exatamente o inverso daquilo que lhe é indicado. Como catatonia compreende-se também a contração de determinados grupos de músculos, o que provoca atitudes estereotipadas, sem que se dê, no entanto, a cessação dos movimentos voluntários.

 

Cinestesia – É o sentido do movimento corporal e da tensão muscular, provocados pelas forças mecânicas que influenciam os receptores nos músculos, nos tendões e nas articulações.
A cinestesia – literalmente, “sensibilidade ao movimento” – é um dos nossos sentidos fundamentais. Dá informações a respeito dos movimentos das estruturas físicas, do levantamento dos braços, das rotações do globo ocular, do ato de engolir; informa, em suma, a respeito de todas as ações motoras. Além disso, é responsável pela sensação de tensão e de esforço muscular.
Os estímulos físicos para as sensações cinestésicas são forças mecânicas que atuam sobre os receptores localizados nos músculos, nos tendões e nas articulações do corpo. A medida que os músculos funcionam, modificando as posições das partes do corpo, diversos padrões de pressões, nesses receptores, fornecem a informação essencial para a orientação da ação motora. Há uma grande interação entre essas sensações cinestésicas e outros aspectos de nossa experiência perceptual. A percepção visual da distância, por exemplo, inclui, entre outras coisas, uma síntese completa de informações das retinas e do movimento dos músculos dos globos oculares.
Normalmente, não nos damos canta do papel das sensações cinestésicas em nosso comportamento. Sua importáncia se revela, porém, e de modo dramático, nos casos em que vem a falhar. Certas pessoas podem apresentar doenças em que perdem, em caráter permanente, as sensações cinestésicas de certas partes do corpo – as pernas, por exemplo – em conseqüência da destruição dos nervos sensoriais essenciais. Pode-se então observar que estas pessoas, ao caminhar, arrastam com dificuldade os pés e olham continuamente para eles. Sem essa orientação visual, não seriam sequer capazes de se locomover, pois não dispõem de uma informação cinestésica direta sobre o que está ocorrendo com os músculos da perna.
Estreitamente ligadas às sensações cinestésicas estão as “sensações vestibulares”, responsáveis pela percepção do movimento espacial e da orientação do corpo como um todo, ou seja, as sensações relacionadas com o “sentido do equilíbrio”.

Compensação – Mecanismo de defesa que tem por objetivo alcançar uma diminuição da ansiedade surgida de situações de inferioridade (real ou imaginária) e de assegurar o indivíduo em relação aos demais.
A inferioridade é o fundamento dos mecanismos compensadores, podendo ser uma inferioridade real ou uma inferioridade criada pela mente do próprio indivíduo, e portanto imaginária apenas. Esses mecanismos freqüentemente conduzem à super compensação, satisfazendo ao indivíduo mas sendo fictícia em relação aos valores sociais. A personalidade se esforça sempre para obter uma auto-estimulação e um sentido de segurança satisfatórios, frente aos estímulos sociais e à realidade. Alguns indivíduos, quando frente a esses estímulos sociais e frente à realidade, conseguem promover atividades positivas, porque suas reações se acham bem integradas; mas outros procuram isolar-se do grupo, não conseguindo promover qualidades satisfatórias da personalidade.

Complexo – É um conjunto estruturado de atributos pessoais, geralmente inconscientes e adquiridos na, infância, por cristalização das relações humanas num círculo familiar e social, ao mesmo tempo típico e singular. Esse termo foi introduzido na psiquiatria por Jung, que o define como um agrupamento de elementos psíquicos que envolvem conteúdos de tonalidade emocional. Aparentemente os conteúdos de um complexo podem ser conscientes ou inconscientes.
Jones define o complexo como grupos de idéias coloridas emocionalmente, parcial ou totalmente reprimidas. Pode-se, em geral, dizer que os conflitos psíquicos fundamentais, provocados geralmente durante as etapas de sexualidade infantil, podem gerar um complexo. Fala-se, assim, de complexos de Édipo, Eletra e de Castração.
Nem todos os complexos decorrem porém de problemas relacionados com o sexo. Muitos são provocados por situações econômicas, sociais, culturais, podendo-se, deste modo, distinguir complexos de superioridade, inferioridade e familiar. Consequentemente, embora a infância seja a fase mais própria à germinação de complexos, eles podem ser provocados e manifestarem-se em qualquer fase da vida.

Complexo de Édipo – É o apego erótico e excessivo, às vezes inconsciente, do filho em relação à mãe, paralelamente ao desenvolvimento de sentimentos obscuros de ciúmes em relação ao pai que, no caso, se apresenta à criança como o principal rival. Quando existem várias crianças numa família, o complexo de Édipo expande-se e passa a ser denominado complexo de família. Quando os filhos crescem, um dos meninos pode, com efeito, tomar a irmã como substituta da mãe, a qual não pode possuir somente para si, porque não conseguiu vencer seu rival, o pai.
Diretamente, porém, podemos considerar que o amor à mãe e a hostilidade ao pai constituem os dois elementos básicos do complexo de Édipo na concepção do próprio criador do termo, Freud.
Édipo é o personagem principal de uma antiga lenda grega, eleito pelo destino para matar seu pai e desposar sua mãe. Ao tomar consciência do crime que havia praticado, Édipo, corroído pelo remorso, furou seus próprios olhos para se punir.
Essa mesma história, segundo Freud, se repete na vida das crianças em relação aos seus pais e mães. Segundo o criador da psicanálise, isso acontece quando o menino começa a manifestar exagerada preferência pela mãe a querer que ela exista só para ele. Ciumento em relação ao pai, o menino faz tudo para afastá-lo de sua convivência com a mãe, vindo posteriormente a sentir-se culpado de uma falta grave, relacionada quer com seu amor erótico pela mãe, quer com sua aversão pelo pai.
O fato de que as crianças sejam capazes de ter sentimentos amorosos em relação a seus pais não constitui motivo de espanto, pois sabemos que elas tem vida sexual, embora o sexo, na fase infantil, não se manifeste de forma genital. Segundo Freud, o complexo de Édipo não só é normal como pode aparecer e desaparecer durante toda a infância, dando lugar a um perfeito equilíbrio emocional nas relações entre pais e filhos.
Quando porém, por um motivo ou outro, determinados fatores impedem esse desenvolvimento, as conseqüências podem ser bastante graves, chegando mesmo a estragar completamente a vida do adulto. Os homens que não conseguem superar o complexo de Édipo tornam-se geralmente, efeminados e medrosos. Com efeito, quando o menino, que ama a mãe e odeia o pai, sente-se incapaz de enfrentar, de igual para igual seu rival, o complexo de Édipo entra por um caminho normal de evolução. O menino desfaz-se de sua agressividade paia tentar vencer o pai por outros métodos. Para isso, ele irá cada vez mais renunciando à sua virilidade e tornando-se submisso. Em vez de se comportar como homem, começa a se comportar como mulher, procurando se identificar com a mãe para, com ela, dividir as simpatias e atenções do pai.
Esse complexo mal superado na infância pode, segundo Freud, conduzir muito facilmente o indivíduo a ser, na fase adulta, homossexual ou, pelo menos, um tipo submisso e acovardado. Por outro lado, a experiência de haver amado a mãe, sabendo que ela não podia lhe pertencer exclusivamente, pode, ainda segundo o criador da psicanálise, marcar profundamente o espírito da criança pela idéia de que o objeto do amor deve sempre ser disputado com um rival. Quando chegar à fase adulta, o indivíduo poderá sentir-se incapaz de amar uma mulher completamente livre. Pelo contrário, sentirá grande prazer em disputar com outro homem a noiva ou a esposa.
Para Adler, o complexo de Édipo parece menos complicado e é motivado, em grande parte, pelos excessivos mimos dispensados à criança. Pensa que a atitude normal da criança é um interesse quase igual para com o pai ou a mãe, mas considera que são fatores externos que motivarão desencadeamento de maior interesse para com um ou outro dos pais: Por exemplo, certos traços do pai podem fazer com que o menino se apegue mais intensamente a ele que à mãe; uma mãe excessivamente carinhosa pode afastar a criança do pai, fazendo com que fique mais achegada a si. Apegando-se excessivamente à mãe, a criança torna-se mais ou menos parasita, procurando-a para satisfação de todos os seus desejos, também os sexuais. Se, por outro lado, existir atração do menino pelo pai, Adler explica esse fenômeno como sendo não-sexual mas preparatório para assumir um outro estágio do desenvolvimento sexual.
A criança “mimada” é, segundo Adler, sexualmente precoce porque aprendeu a não se privar de coisa alguma. Consequentemente entregar-se-á à fantasia erótica, superestimulando seu desenvolvimento sexual. A esse respeito os carinhos excessivos da mãe podem constituir outro fator de excitação sexual. e as fantasias sexuais, nas quais a criança se refugia, serão dirigidas para a mãe.
Por isso, segundo Adler, o complexo de Édipo nada mais é que “uma das múltiplas formas que aparecem na vida da criança mimada, que é joguete de suas excitadas fantasias”.
Para Jung, o começo real da sexualidade se opera por volta do sexto ano. Consequentemente, toda manifestação de amor por parte do menino para com a mãe não pode ser considerado como manifestação sexual propriamente dita. Até essa idade, a mãe não tem significado sexual de qualquer importãncia. É apenas uma fonte de proteção e de nutrição que, por isso, mesmo, faz com que a criança a ela se apegue com maior intensidade que ao pai.
Somente com o decorrer do tempo esse interesse relacionado com a alimentação, consubstanciada na pessoa da mãe, vai cedendo lugar ao complexo de Édipo em sua significação propriamente erótica.
Para Erich Fromm, o “mito de Édipo” não deve ser considerado como um símbolo incestuoso entre mãe e filho, mas como uma rebelião do filho contra a autoridade paterna numa família patriarcal. Segundo ele, o complexo de Édipo não se verifica em qualquer tipo de família. Basta que a criança tenha um melhor relacionamento com outros indivíduos de sua idade para que não se verifiquem tensões tão acentuadas entre pais e filhos.
Analisando a teoria freudiana relativa ao complexo de Édipo, Fromm afirma que as observações do criador da psicanálise são parciais e inconsistentes. Para Fromm, o conflito entre pai e filho resulta do fato de, numa sociedade patriarcal, ser a criança, especialmente a do sexo masculino, considerada como uma propriedade do pai, como um bem imóvel ou mesmo como um “animal de carga”. Semelhante atitude e tratamento dado pelo pai, ao filho, opõe-se ao desenvolvimento livre e independente da criança. Fromm considera tanto o complexo de Édipo, como a neurose, manifestações de um conflito entre a luta do homem pela liberdade e auto-afirmação, e os princípios éticos e sociais que impedem o alcance de liberdade, frustrando os indivíduos que naturalmente a procuram.
Para Fromm, quando tivermos uma sociedade que respeite a integridade de todos os indivíduos, incluindo todas as crianças, o complexo de Édipo, como um mito, já pertencerá ao passado.
Harry Stack Sullivan pouco difere de Fromm na interpretação do complexo de Édipo. Segundo ele, trata-se mais de um problema de liberdade que de sexo. Dá fundamental importância ao papel dos pais. especialmente da mãe (na infância e na puberdade. Segundo ele, o sentimento de familiaridade que o pai ou a mãe alimenta em relação ao filho do mesmo sexo conduz a uma atitude suportaria que produz ressentimento e hostilidade por parte da criança. Por outro lado, em virtude da própria diferença de sexo, o pai ou a mãe trata o filho do sexo oposto com maior consideração.
A diferença de sexo faz com que o pai se sinta menos apto para orientar a vida da filha e, assim, trata-a com mais cuidado. por assim dizer, “com luvas de pelica”. Isso faz com que se manifeste na família maior afeição da filha pelo pai e do filho pela mãe.

Complexo de Electra – Intrinsecamente, o complexo de Eletra se resume no mesmo problema do complexo de Édipo. A única diferença está nas pessoas que entram em jogo. Entretanto no complexo de Édipo se verifica o apego erótico do filho pela mãe, com o desenvolvimento paralelo de ódio pelo pai, no complexo de Eletra a filha encontra na mãe uma rival que compete com ela na disputa das simpatias do pai.
Parece todavia um pouco forçada a denominação de complexo de Eletra, uma vez que, na mitologia grega esta personagem não representa, tão bem quanto Édipo, o sentimento erótico e de ódio para com o pai e a mãe, respectivamente. Com efeito, segundo a mitologia, Eletra, filha de Agaménon e de Clitemnestra, e irmã de Orestes, nem matou sua mãe, nem se apaixonou .por seu pai. A mitologia grega diz simplesmente que, depois que sua mãe e Egisto assassinaram seu pai, Eletra salvou a vida de seu irmão enviando-o à côrte do rei Estrófio. Mais tarde Orestes regressou e foi incitado à vingança por sua irmã, assassinando sua mãe e Egisto.
Seja como for, a menina, em seu desenvolvimento sexual enfrenta os mesmos problemas, embora geralmente com menor intensidade que o menino, e as conseqüências do desenvolvimento anormal do complexo de Eletra são tão graves quanto as do complexo de Édipo. Não seria, portanto necessário repetir aqui tudo o que foi dito a respeito do complexo de Édipo, e daremos apenas algumas opiniões dos principais i autores que abordaram esse assunto.
Para Freud o desenvolvimento sexual da menina é mais difícil e mais complicado que o do menino, Além das diferenças fisiológicas, existem também distinções instintivas e psíquicas. Para a criancinha do sexo feminino, como para a do masculino, o primeiro objetivo de interesse instintivo é a mãe, uma vez que é dela que recebe toda assistência. Até por volta do 4 ° ano, sempre segundo Freud, a criança manifesta desejos libidinosos ambivalentes, isto é, tanto masculino com feminino. A menina pode sentir inconscientemente desejos de ser seduzida pela mãe e de ter um filho por intermédio dela.
Finalmente, por uma variedade de razões, a menina se afasta da mãe numa atmosfera de ódio. O aparecimento de um irmão menor gera um sentimento de ciúme contra o recém-nascido e de ressentimento contra a mãe infiel. A menina torna-se travêssa e intratável. Quando durante a fase fálica, a mãe reprova qualquer gesto de masturbação, ocorre a maior frustração de seus desejos e apetências libidinosas. Com o abandono da masturbação clitórica, a menina começa a manifestar mais intensamente suas tendências passivas. É nesse momento que, com a preponderância de seus impulsos instintivos passivos, ela se volta para o pai e vai se orientando para a situação feminina.
A transferência da tendência infantil ativa da menina para o interesse pelo pai marca o ingresso da criança na situação do complexo de Eletra. É somente aqui que a mãe passa a ser vista como uma rival, que obtém o que a filha desejaria obter do pai.
Em relação ao complexo de Eletra, Jung quase nada acrescenta ao que disse Freud. Embora quando menos importância aos fenômenos sexuais anteriores à idade de 5 a 6 anos mais ou menos, acrescenta que quanto mais a sexualidade amadurece, tanto mais a pessoa é forçada a deixar a família e adquirir independência e autonomia. Segundo Jung, se os adultos não lograrem emancipar-se espiritualmente e, por si próprios, o complexo de Eletra provoca necessariamente conflito que poderá causar perturbações neuróticas.
Para Karen Horney, o apego aos pais não provém de razões biológicas. A devoção da filha pelo pai deve ser considerada como simples conseqüências de relações familiares. As crianças crescem geralmente num ambiente psicológico desfavorável. Os pais representam, ao mesmo tempo, proteção e proibições. Isto provoca grande ansiedade na criança, fazendo com que a menina, por natureza frágil e mais passiva, se apegue mais diretamente ao pai porque vê nele um elemento de segurança. A devoção vai, habitual mente, para o mais protetor, o mais temido dos pais, uma vez que a obtenção de sua proteção oferece mais segurança.
Com o menino não se dá o mesmo porque ele é mais sensível aos carinhos maternos e, consequentemente, apega-se mais à mãe, não só para desfrutar desses carinhos que lhe saciam os instintos libidinosos, mas também para protegê-la.
O ponto mais importante da doutrina de Horney a respeito do desenvolvimento sadio da criança é a ênfase dada à afirmação de que as relações dos primeiros tempos na vida familiar modelam o caráter em sua totalidade. Dessas relações, os elementos altamente necessários à criança são a ternura, o interesse a confiança e a sinceridade dos pais.

Complexo de Inferioridade – Esta denominação foi criada pelo discípulo de Freud, Adler, para designar o estado neurótico que tem por fundamento o sentimento de insuficiência ou incapacidade para enfrentar a vida e seus problemas. Esse complexo pode ser provocado por vários motivos, reais ou irreais como por exemplo um defeito físico, uma situação econômica ou social difícil, ou simplesmente pela recordação de um fracasso perante um obstáculo que não foi possível vencer.
O neurótico procura compensar sua insuficiência real ou suposta, seja pela tentativa de sobressair em qualquer atividade física, artística ou cultural, o que constitui uma reação positiva, seja procurando vencer seu estado de inferioridade por artimanhas, agindo, consciente ou inconscientemente, com astúcia, cautela e pedantismo, a fim de apresentar aos outros caracteres que realmente não possui.
Neste último caso, que representa uma reação negativa o complexo de inferioridade pode se agravar se o indivíduo for mal sucedido nessas tentativas de compensação. Até aqui consideramos o complexo inferioridade como um estado anormal e neurótico.
Ultimamente tornou-se comum o uso da expressão “complexo de inferioridade” para designar um sentimento normal de inferioridade, que não deve ser confundido com o sentimento de origem neurótica, uma vez que a consciência de inferioridade, com sua conseqüente procura de compensação, representa um elemento dinâmico do desenvolvimento individual. Pode-se dizer que, em todo indivíduo, o sentimento de inferioridade está na base do próprio sentimento da personalidade. O ideal do indivíduo é tanto mais dominador quanto mais ele é consciente de que ainda resta um longo caminho a percorrer.
A psicologia individual, através da evolução, vê em todo esforço humano a procura de perfeição. Todo impulso vital está implicitamente ligado a essa tendência de perfeição, mas em comparação com a perfeição ideal irrealizável, todo homem é constantemente invadido pelo sentimento de inferioridade que o estimula a procurar a perfeição.
Toda a história da humanidade deve ser considerada “como a história do sentimento de inferioridade e das tentativas feitas para encontrar-lhe uma solução”, escreveu Adler. E, ainda segundo o discípulo de Freud, “o homem é um ser inferior mas esta inferioridade que lhe é inerente, da qual ele toma consciência num sentimento de limitação e de insegurança, age como um sortilégio estimulante, a fim de descobrir uma via por onde realizará a adaptação a esta vida… e a fim de nivelar as desvantagens da posição humana na natureza.”
Nessa perspectiva, podemos considerar que o complexo de inferioridade resulta de uma condição natural do indivíduo, mais ainda, de uma fonte de dinamismo que não foi bem conduzida pela pessoa.

Compulsão – Impulso muito forte e até irresistível que leva o indivíduo a fazer algo que lhe parece indesejável, errado ou fora dos limites da razão e que se repete de maneira perseverante, objetivando evitar a angústia. Em geral, as compulsões (atos) e as obsessões (idéias) coexistem na mente patológica e quando chegam a atuar de forma violenta podem afetar as relações do indivíduo com outras pessoas. De fato, o indivíduo pode ter inicialmente uma personalidade obsessiva (embora dentro do normal), que talvez virá provocar reações obsessivas, com leve depressão. O aumento do componente obsessivo, depois, pode dar origem a compulsões ou obsessões específicas, que complicam a existência do indivíduo, caso prossigam aprofundando-se.

Condicionamento – O condicionamento é uma forma básica de aprendizado, que envolve uma resposta simples ou uma série complexa de respostas a determinados estímulos. O processo de condicionamento depende da discriminação dos estímulos e de condições do organismo que afetam o comportamento. Alguns psicólogos concordam com a divisão do condicionamento em dois tipos: o condicionamento respondente ou clássico e o condicionamento operante ou instrumental. O primeiro, também chamado condicionamento pavloviano, ocupa-se principalmente com as relações entre estímulos e resposta. 1; útil para explicar como o comportamento involuntário e as reações emocionais são condicionadas. No estudo do condicionamento, Pavlov conclui que um estímulo incondicionado provoca uma resposta incondicionada; um estímulo condicionado, uma resposta condicionada; e um estimulo incondicionado associado a um estímulo neutro passa a ser condicionado. O condicionamento respondente é principalmente relacionado com a substituição dos estímulos sempre que ambos os estímulos provocam aproximadamente a mesma resposta. Como vimos, o condicionamento respondente envolve a associação de um estímulo condicionado a um estímulo incondicionado para obter a mesma resposta de um estímulo condicionado. Este tipo de condicionamento é comumente relacionado ao comportamento involuntário, e está intimamente ligado ao sistema nervoso autônomo. As crianças em geral desenvolvem aversões e preferências alimentares notavelmente semelhantes às de seus pais. Se uma criança recusa tomates, sabendo-se que sua mãe também não gosta de tomates, pode-se concluir que tomate para esta criança representa um estímulo condicionado pela aversão da mãe a tomates. Pode mesmo ocorrer que praticamente todo comportamento emocional aprendido, ódio a animais, repulsa às aranhas, medo de lugares altos, envolvam substituição de estímulos como a base de sua demonstração. Sempre que o comportamento pode ser melhor analisado tendo como base o paradigma de Pavlov, ele pode ser chamado condicionamento clássico ou respondente.
Condicionamento operante ou instrumental Grande parte do comportamento humano pode ser explicada pelos princípios do condicionamento respondente. Isto é especialmente verdadeiro no que se refere a comportamentos involuntários, que dependem do sistema nervoso autônomo, incluindo reflexos simples e muito do que é chamado comportamento emocional. Entretanto, outros aspectos do comportamento humano podem ser melhor entendidos pelos princípios do condicionamento operante. Estão nesse caso nossos atos ou comportamentos voluntários, que algumas vezes dependem de atos voluntários. As diferenças entre condicionamento respondente e operante são dadas porque ajudam a distinguir quanto aos modos como diferentes comportamentos são aprendidos.
O comportamento respondente é primariamente controlado pelos estímulos que ocorrem antes da resposta. No condicionamento operante uma resposta dada é controlada pelo estímulo que se lhe segue. Freqüentemente uma resposta do comportamento causa modificações no ambiente. As mudanças subseqüentes determinam se a resposta persistirá. Em outras palavras, os estímulos que seguem as respostas são mais importantes no condicionamento operante. Neste tipo de condicionamento, qualquer comportamento emitido pode operar de modo a produzir mudanças no ambiente. O condicionamento operante se refere então a uma resposta que atua no ambiente. Por envolver uma resposta instrumental na obtenção da mudança, o condicionamento operante é freqüentemente chamado condicionamento instrumental. O modelo para o condicionamento operante envolve representação do estímulo antecedente e do estímulo que se segue à resposta. A resposta conseqüente, isto é, o estímulo que segue a resposta, chama-se estímulo de reforço quando obedece a certos princípios. Segundo o modelo de condicionamento operante o que se segue à resposta aprendida, mais do que aquilo que a precede, serve para formar muito de nosso comportamento voluntário cotidiano, isto é, comportamento que depende primariamente do sistema nervoso central.
O condicionamento operante ou instrumental ocorre quando uma resposta operante é reforçada. As respostas operantes são emitidas quando um organismo devei se adaptar a condições ambientais ou resolver problemas. Por exemplo, quando um animal é colocado numa gaiola, dá respostas tipicamente de fuga (respostas operantes). A resposta que leva à liberdade é reforçada pela fuga, e tende a ser dada toda vez que o animal é recolocado na gaiola. A maioria das aprendizagens complexas são de tipo operante.

Conflito – O conflito ocorre quando duas exigências que estão sendo impostas a uma pessoa se manifestam incompatíveis, isto é, fazendo com que a satisfação de uma torne impossível à pessoa fazer o que é solicitado pela outra. Há muitas maneiras de qualificar e dividir os conflitos. Uma delas é a que consiste em analisar as exigências conflitantes. Por elas, podemos determinar as espécies de conflitos:

a) Conflitos entre exigências internas e externas. São os mais freqüentes nos primeiros anos de vida, quando a pessoa não interiorizou ainda muitos valores próprios da sociedade em que vive. Esta é uma das razões porque a educação moderna, à luz da psicologia, evita ditar simplesmente leis e regulamentos sem mostrar o porque dos deveres, sem motivar os educandos.

b) Conflitos entre duas exigências externas. Existem, na sociedade, muitos valores incoerentes e incompatíveis entre si. Na escola, no lar ensinaram-nos a amar, a respeitar nossos semelhantes, a olhar com afabilidade os que nos rodeiam, a sermos humildes. Ao mesmo tempo, porém, em conflito direto com esses valores verbalmente transmitidos, somos encorajados a adotar uma atitude agressiva e individualista. A filosofia humilde de “darmos a outra face” está em flagrante conflito com o sistema real de valores que se revela constantemente na sociedade em que vivemos. A criança sobretudo, que discerne com maior dificuldade, é mais suscetível de absorver essas duas exigências incompatíveis, e essa incompatibilidade contribuirá para a formação de um conflito neurótico.

c) Conflitos entre duas exigências internas. Pela assimilação de valores que nos foram apresentados, transportamos conosco muitas exigências contraditórias. Para isso, além da pura assimilação de padrões culturais, características fisiológicas contribuem para que nossa personalidade, consciente ou inconscientemente, seja arrastada em duas direções contraditórias provocando conflitos.

O ilustre teorizador no campo da personalidade e dos processos sociais, Kurt Lewin, classifica os conflitos a partir da tendência humana para abordar ou evitar estímulos que a pessoa considera como benéficos ou prejudiciais, sendo que, para Lewin, abordar ou evitar não significam, necessariamente movimento físico, podendo ser também um evento puramente mental. O teorizador distingue três tipos básicos de conflitos: de acercamento-acercamento, distanciamento-distanciamento e acercamento-distanciamento.
No conflito de acercamento-acercamento, a pessoa sente-se atraída, simultaneamente, para dois objetivos positivos, igualmente sedutores, e encontra dificuldade em optar. Por exemplo, o indivíduo pode sentir-se em face a um dilema ao ter que escolher entre ir à praia ou ao estádio assistir a uma partida de seu time.
O conflito distanciamento-distanciamento é provocado por dois objetivos negativos, ambos repulsivos. Uma pessoa, por exemplo, pode ser levada a ter que escolher entre continuar sofrendo ou extrair o dente infeccionado, embora não considere coisas agradáveis continuar sofrendo ou enfrentar o gabinete dentário.
Em terceiro lugar, há o conflito acercamento-distanciamento que se apresenta como um dos mais difíceis de serem resolvidos. Ele se dá quando 0 indivíduo é, ao mesmo tempo, atraído e repelido por um objetivo. È o caso, por exemplo do estudante que vai enfrentar os exames finais. O exame o atrai por marcar mais uma vitória e, ao mesmo tempo, o início das férias; mas, por outro lado, a incerteza do sucesso o repugna. Isto acontece também com um indivíduo tímido ao se preparar para um encontro amoroso: deseja a realização do acontecimento, mas sente-se angustiado por não ter certeza do que poderá acontecer.
A análise do conflito em termos de acercamento e distanciamento abre novos horizontes, realçando as tendências de reação de uma pessoa mais para objetivos conflitantes do que para as origens internas ou externas do próprio conflito.

Consciente – Consciente é um dos níveis da vida psíquica, muito pequeno em relação à parte inconsciente, e do qual o indivíduo é responsável em qualquer momento de sua existência. Embora o consciente seja uma continuidade durante a vida normal, seu conteúdo é extremamente transitório e se modifica continuamente.
Freud e Jung afirmam que se tem exagerado a importância da parte consciente do psiquismo. Para Jung, o consciente não existiria se não houvesse uma base inconsciente sólida. O consciente é responsável pela adaptação ao meio. Jung considera o EU como a parte central do consciente, explicando que esse EU seria caracterizado por sua continuidade, sua estabilidade. Afirma o discípulo de Freud que o EU representa as atitudes conscientes e estáveis do indivíduo frente ao mundo exterior.
Para Freud, é consciente todo processo psíquico pelo qual tomamos conhecimento num momento dado. Estou, por exemplo estudando e, de repente, lembro-me de que amanhã é feriado e que irei à praia. Esta idéia passa a ocupar meu espírito, torna-se consciente e permanece consciente enquanto eu continuar pensando nela. Quando eu deixar de pensar que amanhã irei à praia e concentrar-me novamente no estudo, que acontecerá com a idéia de meu programa para amanhã? Terá ido embora. Mas ,para onde? Para o lugar de onde tinha vindo. Antes de eu ter pensado nela, ela já se encontrava em meu espírito, pois eu já sabia que amanhã iria à praia. Apenas não estava pensando nela, no momento em que a idéia tornou; consciente.
A consciência é como um raio de luz que se projeta na direção de um objeto que se encontra n escuro. O objeto iluminado torna-se consciente pode ser vista por mim. Os outros objetos que se encontram ao redor e que não são vistos nesse determinado momento, mas que o poderão quando el quiser, são denominados pré-conscientes.
O consciente é, portanto, a região que se encontre iluminada por minha consciência.

Convulsão – É uma contração espasmódica da musculatura do corpo, acompanhada de abalos mais ou menos fortes. As contrações são bruscas e involuntárias, ora demoradas e com tendências a deixar as regiões afetadas em uma posição fixa, denominando-se então convulsões tônicas; ora rápidas e sucessivas, dando assim lugar a movimentos intermitentes e sendo, neste caso, conhecidas por convulsões clônicas.
Um dos mais conhecidos e freqüentes tipos de convulsões tônicas é a provocada pelo tétano. Dependendo dos efeitos e manifestações externas, as convulsões podem ser denominadas gerais ou parciais, rítmicas ou irregulares, externas ou internas.
As convulsões clônicas gerais manifestam-se preferencialmente nas crianças, quer em virtude de infecções, perturbações digestivas ou pela presença de vermes, quer ainda, fugindo ao campo propriamente fisiológico, por toda e qualquer espécie de emoções fortes capazes de traumatizar, como o medo, a cólera ou mesmo a alegria.
Embora nem sempre sejam graves, estas convulsões realizadas em virtude de distúrbios psíquicos podem ter conseqüências funestas, sobretudo quando levamos em conta que a criança, em seu período de formação psico-física, é muito mais sensível aos fatores que podem perturbar o processo normal de desenvolvimento.
Isso não significa porém que os adultos estejam completamente livres das conseqüências causadas por convulsões. No que diz respeito às causas, tanto físicas como psíquicas desse fenômeno patológico, tanto a criança como o adulto estão sujeitos a serem vitimados. Uma e outro pode ser acometidos de lesões bulbares, de meningite ou de encefalite, principais responsáveis, no campo físico, pelo aparecimento de convulsões mais ou menos graves, segundo a gravidade das lesões que a provocam.
No campo psíquico também, adultos e crianças podem ser acometidos de histeria, de catalepsia ou de toda sorte de epilepsia que, segundo sua intensidade e duração podem ser grandes responsáveis pelo fenômeno de convulsão e de muitos outros distúrbios psíco-físicos.

cacofagia
Trata-se, a Cacofagia, de uma alteração do paladar e do apetite que acaba por induzir a pessoa a comer coisas repugnantes, como por exemplo, fezes (Coprofagia). As severas alterações da personalidade, como é a Deficiência Mental Severa pode produzir esse sintoma, assim como os casos de deterioração mental severa da Esquizofrenia crônica.

 

cacosmia
A Cacosmia é uma alteração do olfato, na qual o paciente relata como sendo agradáveis odores muito desagradáveis ou, ao contrário, percebe como muito desagradáveis odores neutros ou agradáveis. A Cacosmia deve determinar cuidadosa investigação neurológica por ser comum nos casos de tumores cerebrais.

 

cafeína
A Cafeína é uma substância da família das Xantinas, capaz de estimular levemente o Sistema Nervoso Central, vasodilatador e diurético. A cafeína é encontrada no café, chá chocolate, guaraná, Coca Cola e outros refrigerantes, em alguns casos juntamente com outras xantinas tais como teofilina ou teobromina. Denomina-se cafeinismo o uso excessivo crônico ou agudo (por exemplo, consumo diário de 500mg ou mais) com eventual toxicidade. Os sintomas incluem inquietação, insônia, rubor facial, contração muscular, taquicardia, perturbações gastrintestinais (por exemplo, dores abdominais), tensão, pensamento e fala acelerados e desorganizados e, algumas vezes, exacerbação de uma ansiedade preexistente ou estados de pânico, depressão ou esquizofrenia. Os transtornos por uso de substâncias da CID-10 incluem os transtornos causados pelo uso e a dependência de cafeína (classificadas em F15).
Na terapêutica psiquiátrica biológica a Cafeína pode ter excelentes resultados no tratamento do Transtorno Hipercinético (Déficit de Atenção por Hiperatividade). Nos EUA a cafeína tem sido muito pouco utilizada para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade devido às facilidades para a prescrição do Metilfenidato (Ritalina®), no Brasil a Ritalina® é muito mais difícil de ser prescrita. Há necessidade de receituário especial para entorpecentes (cor rosa) que só a secretaria da saúde fornece.
Assim sendo, a cafeína pode ser muito bem utilizada com o mesmo propósito estimulante do metilfenidato. A grande maioria das crianças portadoras de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade responde muito bem ao tratamento com a cafeína, formulada em farmácias de manipulação na dose de 10 mg/kg/dia, dividido em 3 tomadas.
V. Tratamento da Hiperatividade onde pode ser usada a cafeína

 

calosotomia
Extirpação total ou parcial de corpo caloso. Em general se extirpam os dois terços anteriores para o tratamento da epilepsia ou parte do terço anterior para abordar tumores do terceiro ventrículo.

 

cálcio
É um elemento do organismo, constituinte dos dentes e dos ossos. Participa também da contração muscular e auxilia o controle do ritmo cardíaco. O seu metabolismo é regulado pela vitamina D. Relaciona-se também com a coagulação do sangue e com os impulsos nervosos. A sua falta obriga o organismo a retirá-lo dos ossos tornando os mesmos mais fracos.Após os 40 anos há uma queda do cálcio no organismo devido a um declínio na sua absorção pelo intestino. Na menopausa a diminuição do hormônio estrógeno provoca a diminuição da fixação do cálcio nos ossos, daí ser a osteoporose mais frequente entre as mulheres neste período. A deficiência de vitamina D (ingestão inadequada e a pouca exposição à luz solar) é também causa de queda de cálcio na III Idade. Doenças renais e distúrbios do sistema digestivo podem também levar a diminuição do cálcio.
A deficiência do cálcio provoca tremores e contrações musculares e a sua correção pode ser feita pelo aumento da ingestão e pela correção da causa básica.
Os alimentos ricos em cálcio são o leite e seus derivados, o agrião, o espinafre e o feijão. A suplementação da dieta com cálcio é recomendável para mulheres a partir da menopausa com intuito de evitar a osteoporose. O aumento na ingestão de cálcio é recomendada após os 40 anos.O excesso de cálcio é uma situação incomum e em geral está relacionada a doença cancerosa com metástases ósseas ou a intoxicação por vitamina D. Pode também ocorrer nas disfunções da glândula tireóide. Os sintomas do aumento de cálcio são discretos, podendo ocorrer inapetência, náuseas e vômitos. O tratamento varia em função da causa básica.

 

canibalismo – antropofagia
Canibalismo é a atitude de comer o animal da mesma espécie, portanto, não é monopólio do ser humano, já que outros animais podem devorar seus pares, filhotes, etc. Quando o Canibalismo afeta o ser humano chama-se Antropofagia. Evidentemente, na avaliação do comportamento, não podemos considerar o ato humano isoladamente mas, sempre, inserido num determinado contexto. Existem determinadas atitudes perfeitamente aceitas em certas culturas e consideradas aberrantes em outras. É o caso, por exemplo, da Antropofagia, em algumas culturas (e algumas épocas) poderia ser entendida como uma atitude nobre, de vencedores. Atualmente, na expressiva maioria dos casos é indício de severa patologia mental. Sabemos que, de acordo com determinadas exigências situacionais extremas, indivíduos psiquicamente normais podem atuar maneira tal que, em outras circunstâncias mais amenas, seriam considerados francamente patológicos. Veja-se, por exemplo, o caso da antropofagia registrada em desastres dantescos. Mais uma relatividade dos critérios, neste caso, situacional.

 

câncer cerebral
Os tumores cerebrais são raros acima dos 70 anos. Até os 70 anos os principais tumores são as metástases de tumores em outros locais, os tumores próprios do sistema nervoso (gliomas) e os tumores das meninges (meningeomas). As principais manifestações são a dor de cabeça e a crise convulsiva. É frequente também a mudança de comportamento e a confusão mental. Os tumores cerebrais podem ser confundidos com um Acidente Vascular Cerebral ou um Hematoma Subdural. A tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética são fundamentais para o diagnóstico. O tratamento envolve cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

 

capacidade de enfrentamento
Trata-se da capacidade de ajustamento e adaptação à realidade, resolução de problemas e interagir bem com os desafios. Uma capacidade de reação individual que reflete a interação de múltiplos fatores, incluindo bagagem genética, história pessoal do aprendizado, desenvolvimento e estrutura de personalidade. A ansiedade fisiológica e normal comum à todos seres humanos tem uma função adaptativa (de enfrentamento), entretanto, até certo ponto. Até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência.À partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da capacidade adaptativa. Nesse ponto crítico, onde a ansiedade foi tanta que já não favorece a adaptação, ocorre o esgotamento da capacidade adaptativa. Vejamos a ilustração acima de um gráfico hipotético, onde teríamos um aumento da adaptação proporcional ao aumento da ansiedade mas só até um ponto máximo, com plena capacidade adaptativa. A partir desse ponto o desempenho ou adaptação cai vertiginosamente. Aí se caracteriza o esgotamento.
As falências adaptativas quando patológicas estão incluídas nos Transtornos de Ajustamento. Veja Transtornos de Ajustamento do DSM.IV

 

caráter
De acordo com Reich, o Caráter é composto das atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão consistente de respostas para várias situações. Inclui atitudes e valores conscientes, estilo de comportamento (timidez, agressividade e assim por diante) e atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo). Na psiquiatria clássica o Caráter é o atributo funcional da Personalidade responsável pela volição (vontade) e pelos conceitos éticos e morais. Assim sendo, o sociopata ou a pessoa que se conduz emancipada dos conceitos morais e éticos, bem como aquela que não consegue dominar sua vontade seria portadora de um transtorno de Caráter. As neuroses (algumas) também podem ser entendidas como alterações do Caráter. A chamada Personalidade Neurótica ou, conforme termo de Henri Ey, do Caráter Neurótico, implica nas Disposições Pessoais, no arranjo peculiar dos Traços no interior do eu, da modelagem afetiva no desenvolvimento da Personalidade, da história biológica e existencial do indivíduo e das exigências adaptativas que a vida solicita. Patologicamente podemos dizer, também, que a pessoa portadora da Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos, embora possam ter deformações de caráter tanto quanto nas personalidades sociopáticas. Estas personalidades sociopáticas ou psicopáticas, devido aos defeitos de caráter, costumam fazer com que o a pessoa demonstre uma absoluta falta de sentimentos diante de estímulos importantes. Ao estudarmos as perturbações mentais, em muitos casos vamos ver que se tratam de reações cuja natureza não é só determinada pela situação vivencial psicotraumática, mas também pelas predisposições da personalidade. A maioria das reações psíquicas mórbidas desenvolve-se em função de uma perturbação de Caráter que predispõe a elas.

 

cardiopatia alcoólica
Trata-se de um transtorno difuso do músculo do coração, observado em indivíduos com história de consumo exagerado de álcool por, geralmente, no mínimo 10 anos. Esses pacientes apresentam caracteristicamente uma insuficiência biventricular do coração.
Os sintomas mais comuns da Cardiopatia Alcoólica incluem diminuição do fôlego durante pequenos esforço e mesmo deitado (dispnéia noturna), palpitações, edema de tornozelos e distensão abdominal (devido à ascite). É comum o transtorno do ritmo cardíaco; a fibrilação auricular é a mais frequente arritmia. A cardiopatia alcoólica deve ser diferenciada do beribéri cardíaco e de uma forma da “cardiomiopatia dos bebedores de cerveja”, causada pelo envenenamento por cobalto. Sinônimo: Doença Alcoólica do Músculo Cardíaco.

 

catatonia
É uma condição psicomotora caracterizada pela perda total da iniciativa motora, postura fixa e estática (fica como um boneco de cera), juntamente com mutismo (não fala) e afastamento da realidade. Na Catatonia o paciente permanece sempre imóvel e absorto do mundo à sua volta, não come, não bebe, não controla suas necessidades biológicas. Algumas vezes pode apresentar um quadro de agitação, chamado de Excitação Catatônica, onde os movimentos são agitados, intensos, repetitivos e sem nenhum propósito. Quando a Esquizofrenia apresenta esses sintomas, além dos sintomas típicos da psicose, chamamos de Esquizofrenia Catatônica.
Assim sendo, a Esquizofrenia Catatônica é então dominada por distúrbios psicomotores chamados de Catatonia, a qual pode alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e o negativismo. O fenômeno catatônico pode estar combinado com um estado oniróide com alucinações cênicas vívidas. Embora a Catatonia tenha sido historicamente associada à Esquizofrenia, o clínico não deve esquecer que os sintomas catatônicos são inespecíficos e podem ocorrer em outros transtornos mentais.

 

catexia
Catexia é o processo pelo qual a energia libidinal disponível na psique é vinculada a ou investida na representação mental de uma pessoa, idéia ou coisa. A libido que foi catexizada perde sua mobilidade original e não pode mais mover-se em direção a novos objetos. Está enraizada em qualquer parte da psique que a atraiu e segurou. Tomando a Libido como exemplo de uma dada quantidade de dinheiro, a Catexia seria o processo de investir esse dinheiro. Digamos, então, que uma porção do dinheiro foi investida (catexizada), permanecendo nessa hipotética aplicação e deixando algo a a menos do montante original para investir em outro lugar.
Estudos psicanalíticos sobre luto, por exemplo, interpretam o desinteresse das ocupações normais e a preocupação com o recente finado como uma retirada de Libido dos relacionamentos habituais e uma extrema Catexia na pessoa perdida. A teoria psicanalítica se interessa em compreender onde a libido foi catexizada inadequadamente. Uma vez liberada ou redirecionada, esta mesma energia ficará disponível para satisfazer outras necessidades habituais. A necessidade de liberar energias presas também se encontra nos trabalhos de Rogers e Maslow, assim como no Budismo. Cada uma dessas teorias chega a diferentes conclusões a respeito da fonte da energia psíquica, mas todos concordam com a alegação freudiana de que a identificação e a canalização dessa energia são uma questão importante na compreensão da personalidade.
V. mais de Freud

 

catalepsia
Catalepsia é um estado de plasticidade motora no qual o indivíduo conserva as posições que lhe são dadas, como se se tratasse de um boneco de cera (flexibilidade cerosa). Os músculos tornam se como que mecânicos. A catalepsia pode ser observada, sobretudo, na demência precoce e no sono hipnótico e se caracteriza por uma perturbação psicomotora que consiste na cessação brusca dos movimentos voluntários, sem que haja lesão dos músculos. Caracteriza-se ainda pela manutenção da atitude ou posição em que se encontrava o paciente no momento do ataque. Durante a perturbação o doente conserva o uso perfeito das faculdades, da inteligência e da percepção, mas fica impossibilitado de responder às questões que lhe são propostas. Os membros se tornam moles, mas não ha contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A catalepsia ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicações e alcoolismo.

 

catarse
(ss)[Do gr. kátharsis.]
S. f. Psicol. (1) Efeito salutar provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional e/ou traumatizante, até então reprimida. (2) Catarse é o método que visa a eliminar perturbações psíquicas, excitações nervosas, tensões, angústia, através da provocação de uma explosão emocional ou de outras formas, e baseando-se na rememorização da cena e de fatos passados que estejam ligados àquelas perturbações. Ajuda o indivíduo a obter controle emocional e a enfrentar os problemas da vida. De acordo com Aristóteles, a palavra catarsis significa “limpeza da alma”. Utilizando a hipnose, J. Breuer fazia reviver na mente do indivíduo, ou melhor, em sua memória, algumas cenas que estavam esquecidas, e provocando 0 que se denominou “ab-reação”, ou seja, uma descarga afetiva com lágrimas e cólera. Foi Breuer que primeiro utilizou o método catártico para curar enfermidades psíquicas. Aliás, a catarse está ligada intimamente ao início da Psicanálise de Freud. De fato, os primeiros trabalhos dêsse psicólogo austríaco se acham relacionados aos trabalhos dos psiquiatras J. M. Charcot e H. Berheim, bem como também do austríaco J. Breuer. No início dos estudos de Freud, considerava-se que as neuroses tinham por causa algumas fraquezas do sistema nervoso – portanto uma origem física. Quando Freud tomou conhecimento dos efeitos da hipnose praticada por Charcot, na França, teve a idéia de que a histeria poderia apresentar origem psíquica.
Tempos depois, Freud verificou também a possibilidade de haver conteúdos inconscientes que influenciam a conduta humana. Esses dois fatores a natureza psíquica da histeria e a possibilidade de influências inconscientes sobre o comportamento humano – surgiram do estudo da hipnose e constituíram aspectos básicos na formulação (posterior) de toda a doutrina freudiana. O método de tratamento iniciado por Breuer, e que se chama catarse, se resume nos seguintes pontos: 1. houve na vida da pessoa um acontecimento envolto em muita emoção. Essa emoção não pode manifestar-se em ações nu verbalmente, no tempo certo, fazendo surgir um trauma psíquico; 2. do trauma surge o mal psíquico, alimentado pelos restos daquela emoção reprimida, e que permanecem no inconsciente; o indivíduo se torna histérico; 3. entretanto, o indivíduo não tem conhecimento consciente do trauma, isto é, não se lembra dos fatos ou daquele acontecimento específico que provocou o mal; 4. enfim, para livrar o paciente, será necessário submetê-lo à hipnose. No estado hipnótico, o psiquiatra provoca a lembrança dos pontos importantes ligados diretamente às causas da histeria e também provoca fortes emoções vindas daquela lembrança. Essa memorização e essa descarga emotiva tem efeito purificador, livrando a mente do indivíduo do problema, ou seja, trata-se de uma purificação que traz cura – daí a denominação de método catártico. Quando porém a lembrança de fatos específicos ligados ao mal não provoca as fortes emoções, Breuer notou que não advém a cura, por isso é importante provocar a descarga emotiva.A confissão de erros, que os católicos fazem ao padre, é em última análise uma aplicação prática do método catártico, se considerada no campo da Psicologia. Confessando-se, o indivíduo passa a ter um alívio do sentimento de culpa.

 

cefaléia (dor de cabeça)
A dor de cabeça ou cefaléia é um tipo de dor muito frequente que pode estar relacionado desde a um simples quadro gripal até a um tumor cerebral, passando por intoxicações alimentares como ocorre no excesso de ingestão de álcool. Na grande maioria das vezes, entretanto, as dores de cabeça são devidas à tensão muscular e estão relacionadas a estados psicológicos como a ansiedade, a angustia e o “stress”. Pode surgir subitamente e em geral é acompanhada de outros sintomas como vômitos, suor frio, palpitações ou pressão alta. Pode também ser crônica, existente há meses ou anos, e produzir desânimo, perda de apetite, alterações de sono e de humor. A enxaqueca é uma dor de cabeça sofisticada que se deve à dilatação de determinadas artérias cerebrais. Ocorre em crises de dor tipo latejante, em geral em uma metade da cabeça (daí também ser conhecida como hemicrania ) acompanhada por vômitos, fotofobia, mudanças de humor, e formigamentos. Pode ser precedida por um sinal indicativo do inicio da crise, como o aparecimento súbito de pontos luminosos na visão ou iniciar-se sem qualquer aviso. A enxaqueca pode estar relacionada com o ciclo menstrual, determinados alimentos, álcool, certos perfumes, “stress”, etc. A enxaqueca é mais comum entre mulheres e em geral se inicia na juventude com tendência a desaparecer após os 50 anos de idade. A identificação da causa que leva à crise (fator desencadeante ) é fundamental para o tratamento. Sua causa mais comum é a tensão nervosa ou “stress”. Toda cefaléia deve ser bem investigada. Apesar da baixa incidência de causas orgânicas o estudo médico deve ser sempre completo. Nas doenças neurológicas como o tumor cerebral ou a meningite a cefaléia se deve ao aumento da pressão dentro cabeça produzindo dor contínua com piora ao se realizar esforços e também ao deitar-se. Na sinusite a dor é em peso e em geral na fronte. A pressão alta é uma causa importante de dor de cabeça quem em geral é matinal. Nos problemas de acuidade visual a dor em geral é acompanhada de ardor nos olhos e lacrimejamento. Alguns medicamentos, com destaque para aqueles utilizados no controle da angina de peito, podem levar a dores intensas. O estado depressivo caracteriza uma situação que com frequência leva à dor crônica. Infecções dentárias, inflamações do ouvido e problemas com a articulação têmporo-mandibular são situações que podem levar a dor na face e na cabeça. A nevralgia do trigêmeo é uma dor muito rara e muito característica que atinge a face provocando dores muito fortes semelhantes a choques elétricos. Na maioria das vezes a avaliação clínica bem feita com a correta caracterização da dor faz o diagnóstico sem qualquer tipo de exame secundário, principalmente nas situações em que a dor é crônica. A dor de cabeça de aparecimento recente deve ser sempre muito bem investigada. A Radiografia Simples do Crânio muitas vezes pode dar rapidamente o diagnóstico, como nos caso de uma sinusite. A Tomografia Cerebral ou a Ressonância Nuclear Magnética são os exames básicos para o estudo do cérebro. O exame do Líquor deve ser sempre realizado quando se suspeita de uma infecção tipo meningite.
Seu tratamento utiliza remédios analgésicos e antiinflamatórios. Na enxaqueca os medicamentos em geral contem substâncias que previnem o vômito associadas a vasoconstritores. As pessoas que tem crise de enxaqueca precedida de um aviso devem tomar a medicação se possível antes de se iniciar a dor. Nas situações de ansiedade e “stress” medidas relaxantes, caminhadas, atividades esportivas como a natação e massagens podem ser úteis. Quando há indicação deve-se recorrer à psicoterapia. A acupuntura realizada por pessoa habilitada pode trazer excelentes resultados no tratamento de dores de causa tensional. Evidentemente o sucesso no tratamento é decorrente da descoberta da causa precisa que está levando à dor.

 

cegueira cortical
A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do SNC. A anestesia, surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do SNC onde se projetam essas sensações determinando o desaparecimento delas. Quando a lesão é central (cortical) podemos ter essas alterações seguidas do nome “cortical”. Cegueira cortical é um defeito da visão produzido por lesão extensa no córtex cerebral occipital primário (área 17). Distingue-se da cegueira periférica onde os olhos têm uma aparência normal e os reflexos pupilares estão conservados. Associa-se, frequentemente à alucinações e falta de consciência do déficit (síndrome de Anton).

 

censor
(ô)[Do lat. censore.]
S. m. Psican. A parte do inconsciente, i. e., o superego, que funciona como guarda, a fim de impedir que o material recalcado surja na consciência. [Cf. sensor.]

 

ciclóide
[Do gr. kykloeidés.]
Adj. Psiq. Diz-se do tipo em geral jovial, displicente, porém sujeito a períodos de depressão discreta.

 

ciclotimia
[De cicl(o)- + -tim(o)- + -ia.]
S. f. Psiq.1 Transtorno bipolar. Temperamento que se caracteriza por variações cíclicas, da alegria à depressão. [O paciente que a apresenta é, com frequência, do tipo pícnico.]

 

ciclotímico
Psiq. Adj. Relativo à, ou que apresenta ciclotimia.
S. m.2. Indivíduo ciclotímico.

 

cisão da atenção
É quando os objetos da Atenção opõem-se um ao outro e, por causa disso, não se pode estabelecer uma unidade.Observação das mais significativas para a Psicopatologia consiste na noção de Cisão da Atenção. Este fato pode ocorrer com relativa frequência em alguns transtornos psíquicos, criando sérios problemas para a mente que deve atender, simultaneamente, a objetivos múltiplos ou extremamente contraditórios. No caso de “cisão”, Nos casos mais acentuados, em que se manifestam outros sintomas concomitantes, a cisão da Atenção pode determinar uma verdadeira desintegração da mente. Bateson propos a hipótese do “duplo-vínculo”, aplicável às situações insolúveis em que se encontram muitos indivíduos no contexto familiar.
A situação é descrita como aquela em que uma pessoa transmite à outra duas mensagens afins, porém contraditórias e incompreensíveis, contendo exigências de natureza oposta, ao mesmo tempo que trata de impedir que a vítima expresse uma opinião acerca da incoerência.
O paciente se encontra numa situação singular e insustentável. Não pode adotar nenhuma atitude sem sofrer pressões e exigências contraditórias vindas, geralmente, de parte de um ou de ambos os pais. O fato de não saber para que lado deva se “voltar”, para o lado do pai ou da mãe, ocasiona o desmantelamento no interior de si próprio e, externamente, nas relações interpessoais. Cria-se uma situação sem saída para os que se encontram a ela vinculados.
V. mais sobre a Atenção e Memória

 

compensação
[Do lat. compensatione.]
S. f. Psican. Mecanismo de defesa que atua inconscientemente, e pelo qual o indivíduo tenta compensar deficiências reais ou imaginárias. Psican. Processo consciente em que o indivíduo se esforça para contrabalançar defeitos reais ou fantásticos no referente ao físico, ao desempenho, às habilidades ou aos atributos psicológicos.

 

complexado
(cs)
Adj. Psicol.1 Diz-se de, ou aquele que tem complexo.

 

complexo
(cs)[Do lat. complexu.]
Adj. Psicol. Conjunto de representações ou idéias estruturadas e caracterizadas por forte impregnação emocional, total ou parcialmente reprimidas, e que determinam as atitudes de um indivíduo, seu comportamento, seus sonhos, etc.

complexo de Édipo

Psicol. Inclinação erótica de uma criança pelo progenitor do sexo oposto, realçada em virtude do conflito ambivalente com o progenitor do próprio sexo, ao mesmo tempo amado, odiado e temido. [O complexo de Édipo, que constitui uma etapa normal no crescimento psicológico da criança, torna-se patológico quando não resolvido.] Complexo de inferioridade. Psicol. Complexo vinculado a sentimentos de deficiências reais ou imaginárias: “Parece que Newton deve ter sofrido de um enorme e invencível complexo de inferioridade, pois sempre se recusou a dançar nas reuniões da sua cidade, e não se conhece dele uma só aventura amorosa.” (Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Astronomia e Astronáutica, pp. 17-18.)

comportamento sexual compulsivo
Para ser tomado como algo patológico, segundo os autores e as diretrizes da psicopatologia, o Comportamento Sexual Compulsivo deveria causar sofrimento emocional e proporcionar sérias consequências interpessoais, ocupacionais, familiares e financeiras. Mesmo assim estaríamos diante de um critério polêmico, pois se há uma sexualidade patológica, na qual o apetite e as fantasias sexuais aumentam a tal ponto que ocupam quase todos os pensamentos e sentimentos, estaríamos sim diante de um quadro Obsessivo-Compulsivo com sintomatologia sexual. Por outro lado, se estivermos diante de uma pessoa que exige gratificação sexual sem maiores considerações éticas, morais e legais, resolvendo-se numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres, aí então estaríamos diante de um Transtorno Sociopático ou Borderline da Personalidade, com sintomas também sexuais. Continuando nossa revisão, o Comportamento Sexual Compulsivo pode se associar a outras doenças psiquiátricas, particularmente ao abuso de substâncias psicoativas, atualmente à cocaína. Transtornos Ansiosos, Transtornos de Personalidade e outros Transtornos do Controle de Impulsos também podem ser concomitantes ao Comportamento Sexual Compulsivo.


conduta, transtorno de
Dentro da psiquiatria infantil um dos quadros mais problemáticos tem sido o chamado Transtorno de Conduta, o qual caracteriza por um padrão repetitivo e persistente de conduta anti-social, agressiva ou desafiadora, por no mínimo seis meses (CID10). E é problemático, exatamente por situar-se nos limites da psiquiatria com a moral e a ética. Trata-se, sem dúvida, de um sério problema comportamental, entretanto, muitos são os autores que se recusam a situá-lo como uma doença que isenta o portador da responsabilidade civil comum a todos nós.
De fato, soa estranho a alguns psiquiatras a necessidade de considerar-se doença um quadro onde o único sintoma é uma inclinação ao delito mas, não seremos nós a julgar essa questão. No mínimo devemos ter em mente que, para problemas éticos… soluções éticas. Para ser considerado Transtorno de Conduta, esse comportamento deve alcançar violações importantes, além das expectativas apropriadas à idade da pessoa e, portanto, de natureza mais grave que travessuras infantis ou rebeldia normal de um adolescente. Este tipo comportamento delinquêncial parece preocupar muito mais os outros do que a própria criança que sofre da perturbação. Ela pode não ter consideração pelos sentimentos alheios, direitos e bem estar dos outros, faltando-lhe um sentimento apropriado de culpa e remorso. Há, normalmente uma demonstração de comportamento insensível, podendo ter o hábito de acusar seus companheiros e tentar culpar qualquer outra pessoa ou circunstância por suas eventuais más ações.

 

compulsão
[Do lat. compulsione.]
S. f. Psicol. Tendência à repetição.

 

conação
[Do lat. conatione.]
S. f. Psicol. Tendência consciente para atuar.

 

consciente
[Do lat. consciente.]
Adj. Psicol. Pertencente ou relativo ao consciente:
S. m. Psicol. O conjunto dos processos e fatos psíquicos de que temos consciência, i. e., conhecimento (por oposição a inconsciente [q. v.]). [Cf. nesta acepç., subconsciente ]

 

conversão
[Do lat. conversione.]
S. f. Psiq. Processo em virtude do qual emoções se transformam em manifestações físicas.

 

crise
[Do lat. crise.]
S. f. Distúrbio de origem cerebral que acomete um paciente cujo estado de saúde era, aparentemente, bom, ou torna mais grave uma doença crônica já existente.
Crise epiléptica. Neurol. e Psiq. Crise cerebral decorrente de excessiva carga oriunda de neurônios e que, segundo suas características clínicas e/ou eletrencefalográficas, apresenta formas diversas. Crise epiléptica generalizada. Neurol. e Psiq. Aquela que se caracteriza, clinicamente, por distúrbios da consciência, do sistema nervoso autônomo, acompanhadas, ou não, de alterações da motricidade (em especial, convulsões), e que é registrada em encefalograma como descarga epiléptica crítica [q. v.]. Crise epiléptica parcial. Neurol. e Psiq.1. Aquela cujas manifestações iniciais (motoras, sensoriais, psíquicas, do sistema nervoso autônomo) não têm caráter intenso das vistas nas crises epilépticas generalizadas.