Psicologia D

Psicologia D

Psicologia D

Psicologia D

DELÍRIO – Alteração grave do juízo, representado pela crença numa idéia falsa ou irreal, ou um conjunto de idéias que não têm base na realidade e não são suscetíveis à influência da razão, da lógica, ao senso comum, da persuasão ou de uma explicação racional. Podemos também definir delírio como uma crença patológica em fatos irreais ou concepções imaginativas destituídas de base. Os temas comuns são as idéias de grandeza, perseguição, ciúme e cu1pabilidade. Trata-se freqüentemente de elaborações mais ou menos incoerentes, fantásticas e puramente imaginativas. Por outro lado, o delírio é uma manifestação muito pessoal da realidade, motivada por necessidades também muito pessoais. A expressão delirante da Eu se manifesta por idéias típicas. No delírio de grandeza o indivíduo se cré dono do mundo, dando magnifica importância a si mesmo. Acredita, por exemplo, que é Napoleão, Deus ou Buda. Pode ainda acreditar que é objeto de um amor absoluto, dono de um pensamento inspirado e de um corpo perfeito e prodigioso.

No delírio de referência, o indivíduo sente que todos o observam e estão falando sobre si. O delírio de persecução caracteriza-se pela crença do indivíduo em que todos tratam de ameaçá-lo ou destruí-lo de alguma maneira. Os delírios corporais são aqueles em que a pessoa tem idéias confusas sobre seu corpo. Acredita que seu organismo está se decompondo, que está mudando de sexo ou que expele maus odores. Não se pode esquecer que pode ocorrer também um sistema delirante complexo, envolvendo os vários tipos acima mencionados. Um mecanismo bastante freqüente na maioria dos delírios é o delírio de interpretação. É caracterizado pela organização e extensão progressiva de um sistema delirante ao redor de numerosas interpretações sem que haja, habitualmente, alucinações. Caracteriza-se também pela persistência da lucidez, ausência do enfraquecimento intelectual e incurabilidade.

Uma manifestação mais comprometedora do delírio é o estado chamado agudo. É caracterizado por uma confusão mental grave que se acompanha de um comprometimento profundo do estado geral, distúrbios da temperatura, agitação, alucinações etc. Esse estado liga-se a uma lesão tóxica ou infecciosa do encéfalo, podendo provocar a morte. Uma forma de delírio agudo é o “delirium tremens”, que ocorre no alcoólatra crônico, quase sempre por ocasião de um traumatismo, de moléstia, ou suspensão brusca da bebida. Caracteriza-se por agitação, tremores, suores e alucinações terrificantes.

A permanência de um sistema delirante invariável é a característica principal das alterações chamadas paranóides. Como a característica principal de um delírio é sua invulnerabilidade à influência da persuasão exterior é evidente que nada se conseguirá com a tentativa de convencer o indivíduo da falta de lógica de sua idéia delirante. Tal intento poderá somente intensificar sua angústia e aumentar a necessidade de projetar-se mais longe. Pelo fato de que a idéia delirante pode ser um perigo para o indivíduo, faz-se necessária sua internação. Em alguns casos, porém consegue-se alguma recuperação do enfermo somente afastando-o de um ambiente tenso.

DEMÊNCIA – Debilitamento psíquico profundo, global e progressivo, que altera as funções intelectuais básicas e desintegra as condutas sociais. Considerado durante muito tempo como sinônimo de loucura, este termo designa hoje um enfraquecimento mais ou menos acentuado das faculdades mentais, decorrente de lesões do cérebro. A demência afeta a personalidade do indivíduo deteriorando seu sistema de valores lógicos, de conhecimento, de juízo e de adaptação ao meio social. O potencial evolutivo (duração, profundidade e progressividade) da demência depende essencialmente dos processos cerebrais que a condicionam. Uma observação atenta ao comportamento do indivíduo pode indicar o grau de seu estado demencial. A apresentação pessoal fora do comum, a atividade desordenada, absurda ou nula, a perda da iniciativa e do interesse por adaptar-se a uma melhor situação, a incapacidade de auto direção são alguns sintomas característicos de uma profunda desintegração psíquica. Na maioria dos casos a linguagem do indivíduo perde toda sua coerência e significação, sendo que em certos enfermos somente subsistem restos de vocabulário. As circunstâncias que indicam o início de um estado demencial são: transtornos de conduta, atos absurdos, como compras desproporcionais e modificações em sua conduta no trabalho, em família, nas suas relações privadas ou sociais. No entanto, o estado demencial não se evidência rapidamente, já que o debilitamento intelectual permanece camuflado, seja por uma evolução lenta ou por uma tolerância do meio, quase sempre surpreendente. Entre os diversos tipos de estado demencial temos a demência vesânica que envolve uma profunda desarticulação da personalidade constituindo um síndrome correspondente ao último estágio de evolução de um delírio crônico. Estão nesse caso as demências que sobrevêm à continuação da evolução da uma psicose, em geral de longa duração. Aqui a demência não forma parte integrante do conjunto sistemático, mas constitui uma complicação progressiva. São estados de marasmo psíquico de certa maneira secundários a uma evolução psicótica, Há também a demência precoce, que constitui uma doença mental muito freqüente que se inicia, em geral, na adolescência. Caracteriza-se pela inércia, quebra de afetividade, fechamento sobre si mesmo (autismo), perturbações no sistema do pensamento, discordância, dissociação intelectual com desvios no comportamento e diversos outros sintomas que reunidos recebem o nome de catatonia. A demência precoce parece estar ligada, entre outras coisas, a uma degenerescência do sistema nervoso, ou a um comprometimento tóxico-infeccioso do cérebro. Acompanha-se, às vezes, de enfraquecimento progressivo da inteligência e também algumas vezes de delírios. A evolução é longa, podendo ser entrecortada por períodos de remissão. A terapêutica moderna possibilita a cura de um apreciável número de casos de demência precoce.

O que verdadeiramente caracteriza o demente são as qualidades de seu psiquismo que diante da observação médica o apontam como um ser que perdeu a razão. Sua indolência, o desaparecimento de seus valores éticos, sua indiferença aos valores lógicos, sua adaptação a uma vida animai fora dos problemas especificamente humanos ou sociais, são algumas características fundamentais do Eu demencial. Neste sentido diz-se que o demente não tem inteligência, se por isto se entende a capacidade para o exercício do pensamento e o poder da razão, E é por isto também que se pode dizer que a demência dá lugar, na Psiquiatria, à mais grave “desumanização do homem”. Por outro lado, isto não significa que o demente esteja fatalmente ligado a esta condição desumana. Implica somente no fato de que os esforços para fazê-lo sair desta condição são extremamente difíceis e que fracassam na maioria das vezes.

Durante muito tempo tem-se tentado localizar no cérebro as funções que em conjunto constituem a inteligência e cujos transtornos justapostos constituem a demência. No entanto, muita coisa ainda está por se descobrir, sendo esta uma das mais sérias preocupações da neurofisiologia moderna.

DEPRESSÃO – Estado mental mórbido, que se caracteriza por lassidão, desânimo, fadiga e freqüentemente é acompanhado por ansiedade mais ou menos acentuada. A depressão é considerada a forma mínima e melancolia, sendo caracterizada por sentimentos de tristeza, desalento, solidão e isolamento. Muitas vezes os sentimentos de depressão se encontram disfarçados por outros males, tais como sonolência, anorexia, insônia, perda de peso, mal-estar geral, irritabilidade e diversas outras enfermidades físicas. A depressão pode ser registrada em escalas que vão desde o estado normal até a psicose. Dependendo de seu estágio, uma depressão pode ser eliminada facilmente, podendo o indivíduo voltar à vida normal. Na depressão patológica o indivíduo se mostra muito pouco comunicativo e com um aspecto bastante melancólico. Pensa que a vida é triste e não apresenta motivações. A medida que a depressão se torna mais intensa, pode haver um retardamento nos processos do pensamento. O indivíduo afetado de depressão patológica pode permanecer horas sentado numa mesma posição, com uma expressão de apatia e tristeza. Quando fala, suas palavras demonstram aflição, desespero, ausência de prazer pela vida, carência de auto-estima e uma constante sensação de vazio. São comuns os sentimentos de fracasso e desprezo nos indivíduos afetados de depressão patológica.

É importante distinguir numa depressão, se a faculdade do paciente para compreender e avaliar a realidade está intacta (característica própria da depressão neurótica), ou se a interpretação da realidade se encontra distorcida (depressão psicótica). Às vezes é difícil fazer esta distinção, porque os pacientes deprimidos são pouco comunicativos e não revelam alterações nos processos de raciocínio. Na depressão psicótica são freqüentes os delírios (crenças falsas), e as alucinações (falsas impressões sensoriais) relacionados com corpo ou as funções orgânicas. Freqüentemente a internação do indivíduo se faz necessária nos casos de depressão psicótica. Depressão pós-parto – Este tipo de depressão se apresenta geralmente entre três semanas e três meses depois do parto. Tem como características principais o pânico, o temor de uma sensação de incapacidade para cuidar do recém-nascido. Embora tenha sido considerada em princípio como uma alteração orgânica, a depressão pós-parto vem sendo reconhecida cada vez mais como uma enfermidade funcional que se produz em resposta aos problemas da maternidade. Depressão analítica – A reação de uma criança à uma repentina perda da mãe se caracteriza por falta de interesse no ambiente que a rodeia, retraimento, perdia de apetite, insônia, apreensão e outros sintomas que observados num adulto seriam considerados como depressão normal, Numa criança, porém, é chamada depressão analítica. Esta mesma reação pode ser observada simplesmente suprimindo-se a atenção materna para a criança, e sua origem é mais psicogênica que orgânica.

As depressões podem ser classificadas em exógenas e endógenas. Exógenas são as depressões provocadas por acontecimentos perceptíveis no meio ambiente. Endógenas são aquelas que não tem causa externa evidente, e perecem surgir de forma espontânea mostrando tendência à repetição. No entanto, muitos psicólogos não aceitam esta distinção. Consideram que a maior parte das depressões, depois de m estudo cuidadoso, demonstram ser uma reação algum transtorno no mundo real ou imaginário de n indivíduo. Outros estudiosos destacam a importância dos fatores genéticos e constitucionais como determinantes de todas as reações depressivas.

DESEJO – Um impulso não satisfeito em tempo leva ao surgimento de uma tensão – que caracteriza o desejo. Portanto, quando o indivíduo pensa na coisa desejada. está criando ou aumentando tensão psíquica, e ficando assim como alvo de motivação que o levará a agir no sentido de satisfazer o desejo surgido. Num sábado, por exemplo, lembramos que muitos restaurantes servem feijoada como o prato do dia, e essa lembrança desperta em nós o desejo de saborear esse prato. Se houver algum contratempo ou se uma pessoa qualquer nos desaconselhar a comer feijoada, pode acontecer de a tensão aumentar, e teremos excitado o desejo. Até que somos levados a procurar um restaurante, isto é, agimos conforme a motivação mandava, e almoçamos o prato desejado – nesse ponto estamos reduzindo ou desfazendo a tensão anteriormente provocada. Portanto o desejo é ainda uma força que tem por objetivo aliviar tensões.

O estudo do desejo compreende duas partes distintas: o estado psicológico do indivíduo, ou seja, o sentimento e a emoção que o indivíduo está tendo; e a ação ou atividade que o indivíduo se prepara para realizar, isto é, o motivo que o leva a agir. Desejando algo, o indivíduo já se está preparando para obter a meta em vista, e também se sente num estado emotivo especial, de expectativa (que pode variar em intensidade, conforme o motivo seja mais forte ou menos forte).

Convém notar a diferença entre desejo e vontade: esta é resultado de uma escolha, uma resolução pensada refletida; mas o desejo às vezes pode ser irrefletido, dominado por impulso, e até pode fazer com que a pessoa fique fora de si. se se tratar de um desejo muito violento. Pela ação da vontade, porém, um desejo pode ser reprimido, havendo um conflito entre ambos.

Outra distinção que se deve fazer é a entre desejo e necessidade: esta visa a corrigir ou suprimir uma falta, uma deficiência um mal-estar; ao passo que o desejo visa a obter satisfação por si mesma, sem que seja preciso haver anteriormente uma falta, uma deficiência, uma perturbação qualquer que justifique o sentimento e a ação correspondente. Mas desejo e necessidade estão relacionados. No exemplo já citado da feijoada, a satisfação de saborear determinado prato (satisfação de um desejo) se alia à satisfação da necessidade de ingerir alimento (eliminar a fome). Mas se repetirmos três vezes a feijoada, será por prazer, certamente para satisfazer o desejo de saborear o prato, e não mais por necessidade de ingerir alimento (fome).

As modernas técnicas publicitárias em geral se preocupam em “criar” necessidade e desejos, através da motivação a fim de provocar a compra dos produtos; isso se dá em particular quando se trata de produtos novos, ou seja, quando precisam fazer o lançamento de novos produtos. As “mensagens” propagandísticas procuram então “atiçar” os desejos do público consumidor, e mostrar-lhe, por meio da persuasão, que a vida moderna, o progresso tecnológico, as novas condições sociais etc., lhe permitem gozar disto ou daquilo que, anteriormente, talvez fosse privilégio de uma minoria. Isso realmente proporciona possibilidade de se desfrutar de certas comodidades materiais, criando porém no “público consumidor” condições para uma vida muito intensa e nervosa, mercê de prestações, de expectativas novas, de desejos maiores, de mudanças de atitudes – e até de preocupações, frustrações, tensões, que surgem tanto quanto se conseguem satisfazer as novas necessidades e os novos desejos, como também e especialmente quando eles não são satisfeitos por incapacidade ou insuficiência de meios, ou ainda por quaisquer outras razões. É um fenômeno típico das populações das grandes metrópoles, mas que se verifica igualmente em cidades médias do interior, graças aos modernos meios de comunicação de massa, que levam as “mensagens” da propaganda comercial até aos lares do público, que acaba sendo púbico consumidor às vezes até contra sua vontade natural.

DINÂMICA DE GRUPO – Fenômeno que se observa em reuniões de um grupo de indivíduos, quando se pode observar a ocorrência de transferências psico-afetivas na relação entre esses integrantes do grupo. É a dinâmica de grupo que permite modificarem-se atitudes de pessoas reunidas, e que antecipadamente não se conheciam.

Em geral, organizam-se grupos de 6 a 12 pessoas, que não se conhecem antecipadamente, e que são colocadas a conversar informalmente. Nas reuniões as pessoas acabam estudando seu próprio comportamento, tomando conhecimento de suas atitudes com relação aos demais, bem como tomando conhecimento dos motivos que determinam esse comportamento. De forma que cada indivíduo é levado a modificar sua conduta, sem ser forçado declaradamente a isso. Foi K. Lewin o primeiro psicólogo a verificar que as pessoas consideram ameaçadoras as atitudes declaradas que visam a modificar sua personalidade, sua maneira de agir e de pensar, chegando mesmo essa situação a provocar angústia em vista da idéia de fracasso; a pessoa reage negativamente a uma observação que tenha por objetivo alcançar uma modificação em sua personalidade. Daí, se uma sugestão direta pode provocar tal reação negativa, Lewin e seus colaboradores elaboraram uma técnica indireta para modificar atitudes, através da provocação de transformações psico-afetivas na relação que acaba surgindo entre pessoas que não se conhecem e que são reunidas informalmente. Em contato com semelhantes, os indivíduos acabam fazendo como que uma auto-análise, o que os leva a modificar o comportamento, com naturalidade. Essa técnica se baseia nos fenômenos da interação no grupo.

DOR – Sensação desagradável de intensidade variável (desde a dor que se pode tolerar sem desprazer maior, até a que provoca emoção violenta). É causada por perturbação física, no que se diferencia de outras emoções, como a alegria, a culpa, o remorso, o amor.

No sentido psicofisiológico, a dor é uma sensação específica de um tipo de desprazer, de sofrimento, de contrariedade. Pode ser sentida pelos pontos de dor existentes na pele (além desses, a pele possui também pontos tácteis, pontos de frio e pontos de calor), mas há igualmente as dores internas, ou melhor, as que se manifestam em órgãos internos e músculos. Distinguem-se ainda as dores surdas, agudas, tensivas, pulsativas, e outras. Alguns autores afirmam que a sensação de dor é um efeito de excitação muito forte, e portanto uma dor determinada seria uma variação de grau de intensidade, em uma sensação determinada.

A dor de origem desconhecida tem efeitos psicológicos: sentindo a emoção da dor sem saber sua causa, o indivíduo pode ser tomado de medo, imaginando alguma doença grave; ao contrário, quando o indivíduo sabe qual é a causa da dor, sua intensidade pode até diminuir.

 

débil

[Do lat. debile.]

Adj. Psiq. Que sofre de debilidade mental. Psiq. Débil mental. Débil mental. Psiq. Indivíduo com debilidade mental. [Tb. se diz apenas débil.]

debilidade mental. Psiq. Atraso, congênito ou precocemente adquirido, do desenvolvimento intelectual, caracterizado sobretudo por dificuldade de adaptação social e perturbações ou deficiência de julgamento, situando-se o nível intelectual do débil, nos testes de inteligência, abaixo do da pessoa normal de sete anos. [Cf. imbecilidade e idiotia.]

defesa

(ê)[Do lat. defensa.]

S. f. Psicol. Mecanismo de defesa.

deficiência mental

Segundo a descrição do DSM.IV, a característica essencial do Retardo Mental é quando a pessoa tem um “funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança”. Essa é também a definição de Deficiência Mental adotada pela AAMR (Associação Americana de Deficiência Mental).

déjà entendu

(dejá antandu)[Fr. ‘já ouvido’.]

Neurol. e Psiq. Ilusão epiléptica [q.v.] que representa manifestação epiléptica crítica, e durante a qual o paciente interpreta mal sensação ou sensações sonora(s) que, entretanto, percebe bem e que passa(m) a ter, para o paciente, características anormalmente familiares. [Cf. jamais entendeu.]

déjà vécu

(dejá vecu)[Fr. ‘já vivido’.]

Neurol. e Psiq. Ilusão epiléptica [q. v.] que representa manifestação epiléptica crítica, e durante a qual o paciente interpreta mal situação ou situações que, entretanto, percebe bem e que passa(m) a ter, para o paciente, características anormalmente familiares.

[Cf. jamais vécu.]

delirante, cognição

Sob a designação de Cognição Delirante incluem-se certas convicções intuitivas que surgem inesperadamente, sobretudo no início de surtos psicóticos agudos, vivências que, não raro, se mantêm, arraigadas e firmes, durante largo tempo. O característico dessas vivências é que, em contraste com as anteriores, elas dispensam por completo de conexões significativas com quaisquer dados perceptivos ou representativos concretos, ocorrendo à guisa de intuições puras atuais. É o que pode se evidenciar no seguinte relato do tipo: “Súbito, eu me dei conta de que a situação significava qualquer coisa de mau, mas eu não sabia o que“. O mesmo se verifica, neste outro exemplo, em que a paciente se revela repentinamente tomada da tranquila convicção de sua alta linhagem: “sabia que era filha do Presidente da República“, certeza que se instala sob a forma de uma evidência interna imediata, isto é, que não lhe vem de qualquer interpretação, suposição ou reflexão crítica ou lógica, referente a acontecimentos vividos. Caracteriza-se igualmente como Cognição Delirante, por exemplo, a vivência experimentada por um paciente que, acometido de súbita alteração, sai para a rua, dizendo: “Eu sou o filho da estrela d’Alva“. Algumas vezes, contudo, essas cognições aparecem em estreita consonância com a temática delirante, ligando-se então, incidentalmente, a acontecimentos implicados no delírio. Esse tipo de Cognição Delirante ligada à temática do próprio delírio se observa, por exemplo, em pacientes obcecados com a Bíblia. Jaspers cita o caso de certa jovem que, ao ler o episódio da Ressurreição de Lázaro, sente-se, de repente, ela própria, encarnada na pessoa de Maria. Daí em diante assume o delírio onde sua irmã é Marta, Lázaro é um primo seu e passa a viver, com grande intensidade, o acontecimento narrado na Bíblia.

delírio

[Do lat. deliriu.]

S. m. Psiq. (1) Perturbação mental de duração relativamente curta e acompanhada de alucinações, excitação mental, inquietude física. Pode surgir no curso de doença mental mais duradoura, ou de traumatismos, doenças infecciosas, intoxicações, e gira em torno de determinado assunto (ciúme, perseguição, grandeza, etc.). (2) O delírio é manifestação da intoxicação por medicamento, podendo se apresentar de diversas maneiras que variam do descontrole no comportamento ao estado de coma. É o estado de agitação, confusão mental e desorientação que surge de maneira muito rápida e em geral está relacionado ao uso de medicação. Em geral há alucinações, com piora da agitação e muitas vezes desenvolvimento de agressividade. Algumas vezes não há agitação, só confusão mental. É devido a intoxicação por remédios, drogas ou a distúrbios metabólicos. Pode ocorrer na retirada abrupta do álcool em alcoólatra. Pode também ocorrer no acidente vascular cerebral e nas encefalites. É frequente na terceira idade, principalmente relacionado à intoxicação por medicamentos, caracterizando uma situação de emergência.
As substâncias anticolinérgicas utilizadas com muita frequência em cólicas abdominais e também na doença de Parkinson podem provocar delírio quando em dose excessiva. Outras causas que podem levar ao delírio: alterações de açúcar circulante (hipoglicemia ou hiperglicemia ), como também de cálcio e sódio; má oxigenação, insuficiência de órgãos vitais (fígado, por ex), falta de certas vitaminas (tiamina, por ex) e infecções graves (meningites, encefalites, pneumonias).Várias doenças neurológicas, endocrinológicas e cardiovasculares podem se manifestar com delírio. Aqui deve se destacar doenças da tireóide e a insuficiência cardíaca descompensada. Uma causa de delírio é o alcoolismo, principalmente na abstinência alcoólica, que ocorre em qualquer idade e se caracteriza por intensa agitação e alucinações visuais. Algumas situações puramente psiquiátricas, como a demência ou a depressão podem se apresentar como delírio. [Sin., p. us.: delusão.]

delírio humor-congruentes

A distinção fundamental entre Idéias Delirantes (que é o delírio) e Idéias Deliróides, é que nas Idéias Deliróides a imagem do mundo exterior é falsificada de acordo com as demandas afetivas e instintivas fragilizadas. O sistema deliróide constrói a realidade da qual a pessoa necessita emocionalmente, portanto, é uma construção da realidade secundária às exigências emocionais e não, como no Delírio, uma ocorrência primária.
O raciocínio que caracteriza a idéia deliróide é bastante similar àquele que todos nós utilizamos, embora de grau muito diferente (patológico). Seria uma fantasia ou devaneio patologicamente mais sólido que aqueles aos quais todos nós estamos sujeitos nos momentos de angústia. Na penúria nos imaginamos ganhando na loteria, o deliróide tem certeza de que ganhou… Por isso a idéia deliróide é compreensível para as pessoas normais na maioria das vezes. Nossas crenças tendem a ser subjetivamente coloridas e, sem dúvida, todos recorremos a certas ficções por insegurança. O emprego da Racionalização e da Projeção com propósitos defensivos, por exemplo, têm o mesmo objetivo psicológico da utilização patológica desses Mecanismos de Defesa como acontece nas Idéias Deliróides.
As Idéias Deliróides, notadamente aquelas organizadas e sistematizadas, constituem tentativas de manipular os problemas e as tensões da vida através da fantasias elaboradas para fornecer aquilo que a vida real nega, entretanto, devido ao seu aspecto mórbido, tais fantasias não são construídas numa estrutura compatível com uma adaptação social normal.
Verificamos, com frequência, que o conteúdo das Idéias Deliróides revela aspectos significativos dos problemas pessoais do paciente. As fontes desses problemas podem ser frequentemente encontradas em inclinações e impulsos contrariados, esperanças frustradas, sentimentos de inferioridade, inadequações biológicas, qualidades rejeitadas, desejos importunantes, sentimentos de culpa e outras situações que exigem uma defesa contra a angústia. Uma profunda necessidade de consolo pode ser satisfeita por idéias auto-elogiosas, portanto, uma falsa Idéia Deliróide de grandeza, por exemplo, pode refletir uma defesa contra sentimentos de inferioridade. Na Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, como sabemos e bem atestou Kurt Schneider, embora a tristeza vital seja considerada primária, no sentido de ser também incompreensível e psicologicamente irredutível, dela deriva e se vincula toda a gama de Idéias Deliróides depressivas. Essas Idéias Deliróides são pseudo-delírios ou Delírios Secundários, como os denomina Jaspers, por tomá-los psicologicamente compreensíveis e dentro do quadro clínico geral em que se forma formam. Atualmente fala-se também em Delírio Humor-Congruentes.

delirium

O Delirium consiste de uma perturbação da consciência acompanhada por uma alteração na cognição, a qual não pode ser atribuída a alguma Demência preexistente ou em evolução (DSM.IV). O Delirium é uma síndrome clínica e orgânica de etiologia múltipla e frequentemente mal diagnosticada. Trata-se, o Delirium, de uma emergência médica verdadeira, comumente interpretado erroneamente como demência ou como psicose funcional, erro este capaz de obscurecer o diagnóstico de um sério distúrbio físico ou tóxico subjacente. O Delirium, por se tratar de um sério problema de saúde de consequência significativa e frequentemente experimentado por muitos pacientes idosos, principalmente quando hospitalizados, deve merecer sempre uma especial atenção dos médicos generalistas. Devido à sua habitual e potencial reversibilidade clínica, o tratamento do Delirium é uma atitude médica essencial. Do ponto de vista fenomenológico os pacientes com delirium, ou seja, aqueles portadores de algum transtorno mental orgânico, têm alteração da atenção, da memória e consequentemente da orientação. Não apresentam pensamento sistematizado, somente fragmentos. Eles parecem não compreender o que se passa a sua volta. Outra peculiaridade é a observada piora noturna e em qualquer situação que diminua o “input” sensorial, já que sua atenção está reduzida. Podem apresentar alterações da psicomotricidade principalmente agitação noturna, retirando equipamentos de soro, sondas vesicais ou tentando pegar pequenos animais onde não há nada (alucinose visual).A característica essencial do delirium consiste de uma perturbação da consciência, acompanhada por uma alteração na cognição, que não pode ser melhor explicada por uma demência preexistente, ou em evolução. A perturbação desenvolve-se em um curto período de tempo, de horas a dias, tendendo a flutuar no decorrer do dia. É importante observar que os distúrbios cognitivos em questão são predominantemente do nível de consciência, o que diferencia, por exemplo das esquizofrenias em que há alteração isolada de conteúdo. Etiologicamente podemos sistematizar as causas de Delirium da seguinte forma:

CAUSAS COMUNS DE DELIRIUM

Drogas: Abstinência de Álcool; Abstinência de Sedativos Distúrbios

Endócrinos: hipo/hiperglicemis; hipo/hipertiroidismo

Distúrbios Eletrolíticos: hiponatremia; hipo/hipercalcemia

Distúrbios Nutricionais: encefalopatia de Wernicke; deficiência de vitamina B12

Falência de Órgãos Sistêmicos: encefalopatia hepática; uremia

Meningites: bacteriana; viral; fúngica

Encefalites: AIDS; herpes simplex

Distúrbios Vasculares: encefalopatia hipertensiva; hemorragia subaracnóide; infarto cerebral

Trauma: concussão; hemorragia intracraniana

Convulsões: estado pós-ictial

delírios secundários

V. delírio humor-congruentes.

delirium tremens

(delírium trémenç)[Lat.]

Psiq. Forma de perturbação mental passível de ocorrer em alcoólatras e em viciados em ópio, e caracterizada por tremores, suores, dor precordial, agitação e alucinações terrificantes.

delusão

[Do lat. delusione.]

S. f. Psiq. P. us. V. delírio.

demência

[Do lat. dementia.]

S. f. Patol. Qualquer deterioração mental. [Cf. oligofrenia.]. Pop. Loucura, doidice, parvoíce.Procedimento insensato. [Sin. ger. dementação e (p. us.) amência.]. Demência precoce: Psiq. Esquizofrenia. Demência vascular: é uma forma comum de demência, também denominada demência aterosclerótica, caracterizando uma complicação do acidente vascular cerebral do tipo isquêmico – AVCI. Junto com a Doença de Alzheimer constitui a forma mais comum de demência.Não se deve ao processo de envelhecimento propriamente dito e sim à doença aterosclerótica cerebral em sua forma mais severa, que leva a repetidas isquemias cerebrais. Clinicamente confunde-se com a demência de Alzheimer da qual se distingue por mostrar lesões tanto na tomografia cerebral como na ressonância nuclear magnética (áreas de isquemia em vários pontos do cérebro). Em geral ocorre mais tarde do que a doença de Alzheimer, surgindo acima dos 80 anos de idade. O quadro clínico é o descrito para demência . Por ser devida ao processo de aterosclerose se beneficia das medidas profiláticas conhecidas, como controle da pressão alta, tratamento de arritmias cardíacas, eliminação do tabagismo, cuidados dietéticos, etc. Demência Hidrocefálica: é uma forma muito rara de demência, e ocorre uma hidrocefalia com pressão cerebral normal. Está relacionada a doenças cerebrais ocorridas no passado, como hemorragia cerebral, meningite e/ou encefalite ou traumatismo de crânio, e que levam à interrupção do fluxo de líquido céfalo-raquidiano dentro do cérebro. Frequentemente, entretanto, não se encontra uma causa. Exames como tomografia cerebral ou ressonância nuclear magnética cerebral mostram-se alteradas, indicando o aumento de tamanho dos ventrículos cerebrais. A pressão intracraniana fica pouco elevada ou normal. Clinicamente se apresenta com três sintomas característicos: demência, dificuldade para andar e incontinência urinária. O tratamento é cirúrgico e consiste na instalação de um sistema de derivação do liquido céfalo-raquidiano com a interposição de uma válvula.
V. Demências no Cid.10.

dependência

Adicção à Droga ou ao Álcool é um neologismo inadequado e até desaconselhado, em termos linguísticos, que designa o uso repetido de substância(s) psicoativa(s), de forma que o usuário (chamado adicto) fica periódica ou cronicamente intoxicado, demonstra uma compulsão para tomar a(s) substância(s) preferida(s), tem grande dificuldade em interromper ou modificar voluntariamente o uso da substância e mostra determinação para obter a substância de qualquer maneira. Adicção não tem nenhuma palavra correspondente em Português, e não se encontra consignado nem mesmo nos mais recentes dicionários da língua portuguesa. Apesar de não ser um termo diagnóstico na CID10, continua a ser amplamente utilizado por profissionais e principalmente pelo público em geral, mas seu uso é desaconselhado, mesmo na língua inglesa. Segundo o CID.10, Dependência seria um conjunto de fenômenos psico-fisiológicos que se desenvolvem após repetido consumo de uma substância psicoativa. Tipicamente a Dependência estaria associada à várias circunstâncias, como por exemplo, ao desejo poderoso de tomar a droga, à dificuldade de controlar o consumo, à utilização persistente apesar das suas consequências nefastas, a uma maior prioridade dada ao uso da droga em detrimento de outras atividades e obrigações, a um aumento da tolerância pela droga e por vezes e, finalmente, associado a um estado de abstinência quando de sua privação. A Síndrome de Dependência pode dizer respeito a uma substância psicoativa específica (por exemplo, o fumo, o álcool ou o diazepam), a uma categoria de substâncias psicoativas (por exemplo, substâncias opiáceas) ou a um conjunto mais vasto de substâncias farmacologicamente diferentes. Segundo o DSM.IV, a característica essencial da Dependência de Substância é a presença de um agrupamento de sintomas psico-fisiológicos indicando que o indivíduo continua utilizando uma substância, apesar de problemas significativos relacionados a ela. Existe um padrão de auto-administração repetida que geralmente resulta em tolerância, abstinência e comportamento compulsivo de consumo da droga. Um diagnóstico de Dependência de Substância pode ser aplicado a qualquer classe de substâncias, exceto à cafeína. Os sintomas de Dependência são similares entre as várias categorias de substâncias, mas, para certas classes, alguns sintomas são menos salientes e, em alguns casos, nem todos os sintomas se manifestam. V. Dependências do CID.10 e do DSM.IV.

depressão

[Do lat. depressione.]

S. f. Psiq. (1)Distúrbio mental caracterizado por adinamia, desânimo, sensação de cansaço, e cujo quadro muitas vezes inclui, também, ansiedade, em grau maior ou menor. (2) O termo Depressão pode significar um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles, pode significar uma síndrome traduzida por muitos e variáveis sintomas somáticos ou ainda, pode significar uma doença, caracterizada por marcantes alterações afetivas. Sendo a sintomatologia depressiva muito variada e muito diferente entre as diferentes pessoas, a psicopatologia recomenda como válido a existência de apenas três sintomas depressivos básicos e suficientes para sua detecção, no entanto, estes sintomas básicos darão origem à infinitas manifestações desta alteração afetiva. Trata-se, esta tríade, da:

1 – Inibição Psíquica,
2 – do Estreitamento do Campo Vivencial e,
3 – do Sofrimento Moral.

A Inibição Psíquica é um dos sintomas básicos da Depressão e se manifesta como uma espécie de freio ou lentificação dos processos psíquicos em sua globalidade, uma lassidão generalizada de toda a atividade mental. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda na capacidade em tomar iniciativas. O campo da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual e até da agressividade necessária para tocar adiante o dia-a-dia.
O Estreitamento Vivencial não pode ser diferenciado totalmente da Inibição Psíquica. A palavra mais adequada para designar este fenômeno é anedonia, ou seja, a incapacidade em sentir prazer. O universo vivencial do deprimido vai sendo cada vez menor e mais restrito e a preocupação com seu próprio estado sofrível toma conta de todo seu interesse vivencial. Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para interessar-se na realização ocupacional, para degustar uma boa bebida, para deleitar-se com um filme interessante, para sorver uma boa companhia, para incrementar sua discoteca, enfim, em seu rol de ocupações só existe a preocupação consigo próprio. Nada mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo. O Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, é o fenômeno mais marcante e mais desagradável na trajetória do depressivo. É um sentimento de autodepreciação, autoacusação, inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa, rejeição, feiúra, fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos autopejorativos. Evidentemente, tais sentimentos aparecem em grau variado; desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos.

depressão anaclítica

A Depressão Anaclítica é uma depressão infantil precoce que representa um severo prejuízo no desenvolvimento físico e psíquico das crianças vítimas de abandono e/ou negligência. Esse tipo de depressão infantil e precoce foi descrita pela primeira vez por Spitz, que a via como um quadro de perda gradual de interesse pelo meio, perda ponderal (de peso), comportamentos estereotipados (tais como balanceios) e, eventualmente, até a morte.
É devido à esses trabalhos sobre abandono e negligência que Winnicott chega a dizer que “Sem ter alguém dedicado especificamente às suas necessidades, o bebê não consegue estabelecer uma relação eficiente com o mundo externo. Sem alguém para dar-lhe gratificações instintivas e satisfatórias, o bebê não consegue descobrir seu próprio corpo nem desenvolver uma personalidade integrada“.

depressão endógena – exógena

A Depressão Endógena é a denominação antiga para a depressão constitucional e biológica (endo=dentro), ou seja, que vem de dentro da pessoa. Seria a Depressão que não depende, exclusivamente ou nada, da situação vivencial da pessoa mas sim, dos elementos de personalidade. Em contrapartida teríamos a Depressão Exógena (ou Neurótica) dependente das circunstâncias de vida, aparecendo como uma reação depressiva da pessoa contra a situação na qual de encontra, ou seja, que vem de fora da pessoa. Hoje em dia não se faz essa distinção (endógena/exógena) com o mesmo entusiasmo de antigamente, entretanto, para fins culturais é bom que se tenha noção da sinonímia das depressões conforme abaixo:

Depressão Endógena

Depressão Exógena

Depressão Biológica
Depressão Constitucional
Depressão Maior
Depressão Psicótica

Depressão Neurótica
Depressão Reativa
Depressão Menor
Reação Depressiva

desajustado

[Part. de desajustar.]

Adj.Psic. e Sociol. Diz-se de indivíduo que sofre de desajustamento. S. m.5. Psic. e Sociol. Indivíduo desajustado.

desajustamento

S. m. Psic. e Sociol. Falta de ajustamento ou adaptação do indivíduo ao meio familiar ou social, à comunidade, à ordem política ou econômica vigente.

descarga

[De des- + carga.]

S. f. Neurol. e Psiq.» Descarga oriunda de neurônios, decorrente da atividade simultânea de muitas dessas células. Descarga epiléptica crítica: Neurol. e Psiq. Registro de onda ou de grupos de ondas pelo eletrencefalograma, que acompanha(m) as manifestações clínicas de crises epilépticas.

desejo sexual

A atividade sexual pode ser dividida em 3 fases o desejo, excitação e orgasmo. Muito ao contrário do que pensam alguns, o desejo sexual do ser humano adulto e consciente não se compara à simples pulsões fisiológicas, como é o caso da fome ou da sede. Considera-se que o Desejo Sexual seja um complexo vivencial formado por três componentes principais; a biologia, a psicologia e a socialização. Todos três interagindo continuamente uns com os outros.
O Desejo Sexual que se experimenta no corpo e que estimula a atividade sexual mais ou menos independente da estimulação externa, provavelmente é o resultado da ativação das redes neurais do sistema nervoso central e será percebido como Impulso Sexual, vulgarmente definido pela palavra “tesão”. Trata-se pois, de um aspecto predominantemente biológico do desejo sexual.

desequilíbrio

[De des- + equilíbrio.]

S. m. Psicol. Anomalia psíquica, que se caracteriza, essencialmente, pela variabilidade de humor, emotividade excessiva e instabilidade geral, e que leva à inadaptação social.

determinismo

O Determinismo, mais precisamente Determinismo Antropológico, é a doutrina que afirma que todo agir humano é determinado por variáveis biológicas. Ou seja, que todas as suas vontades e ações não são livres (no sentido de uma determinação livres (no sentido de uma determinação racional e espontânea) do sujeito, e sim resultado de mecanismos biológicos.
O caso mais evidente do determinismo biológico é o determinismo genético, o qual afirma que uma pessoa é completamente determinada pelos seus gens: poderia exemplificar extremistamente, dizendo que se a pessoa gosta de sorvete de chocolate ou morango, isso é, em última análise, segundo o determinista genético, fixado pelos seus gens. Exageradamente poderíamos dizer que se um cientista decifrasse todos os gens, ele poderia dizer se a pessoa é mais inclinada à  morango ou chocolate. Um argumento contra tal determinismo seria a demonstração que gêmeos univitelinos também podem ser bastante diferentes.Uma outra forma de determinismo biológico é defendido por Pavlov, segundo seu esquema de reações instintivas aprendidas. Este modelo não é um puro biologismo, porque afirma a influência do meio na determinação de um indivíduo.É necessário se perceber, que determinismos são defendidos em diferentes graus. Uma coisa é afirmar que algumas características básicas são dadas geneticamente, outra coisa seria afirmar que tudo (até mesmo a decisão sobre a cor da camisa) é resultado de mecanismos biológicos. Formas alternativas de determinismo seriam: determinismo ambiental (Skinner), determinismo sócio-econômico (Marx), determinismo psicológico, ou até mesmo um determinismo teológico: Deus determina o seu comportamento. Estes modelos podem ser até mesmo complementares: poderia se dizer que o comportamento humano é determinado pelas variáveis gens + ambiente, ou gens + estrutura psicológica, etc. Contra o determinismo é defendida a tese do libertacionismo: O ser humano é livre para determinar suas ações. È a opinião do senso comum.
 

dipsomania

[Do gr. dípsa, ‘sede’ (ê), + -mania.]

S. Psiq. Impulso mórbido periódico e irresistível que leva a ingerir grande porção de bebidas alcoólicas: [Cf. metomania.]. Alcoolismo.