Dicionário de Umbanda-B

Letra B

umbanda-b, Dicionário de Umbanda Letra E

Dicionário de Umbanda Letra E

Dicionário de Umbanda e Iorubá (Yorubá)

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Dicionário de Umbanda

B

BA (Iorubá) — com, contra

BÁ… (Iorubá)  — encontrar

 (Iorubá) — nunca

BAAL — Deus do povo fenício.

BAAMI — Protetor de terreiro umbandista.

BABA (Iorubá) — pai, papai

BABÁ — Chefe dos trabalhos. Mãe, chefe de culto. Mãe-de-Santo já envelhecida. Sacerdotisa.

BABALÁ — Avô, na linguagem africanista.

BABALAÔ — Pai-de-Santo. Sacerdote do terreiro de culto umbandista.

BABALAXÉ — Chefe de terreiro no Culto Gêge.

BABALAWO (Iorubá) — Sacerdote de Ifá

BABALORISA (Iorubá) — sacerdote

BABALORIXÁ — Grão-sacerdote. Pai-de-Santo. Chefe de terreiro de Umbanda. Sumo sacerdote.

BABALÕSA (Iorubá) — avô

BABANLA (Iorubá) — sacerdote

BABÁ-OKÊ — Grande chefe de trabalhos.

BABASSUÊ — Terreiro de Candomblé; onde são praticados os cultos de todas as religiões africanistas.

BABATIMBA — Mulher com poderes especiais e muito elevados de mediunidade.

BABUGEM — Resto de bebidas e comidas em trabalhos de terreiro.

BACAFUSADO — Desordem num Centro.

BACALHAU — É o nome do chicote com que eram castigados os escravos.

BACURO — Entidade espiritual. Filho. Protetor no Culto Banto. Guia. Orixá.

BACURO DE PEMBA — Filho-de-santo.

BADA — Campo ou terreiro para a iniciação de médiuns.

BADÊ — Significa Xangô.

BAGATÁ — Quer dizer: feitiçaria, bruxaria ou qualquer outro trabalho com má finalidade. Magia Negra.

BAGOYON — É todo aquele que pratica a magia negra.

BAIANI — Nome da festa com que os nagôs faziam o encerramento do seu ano religioso, ou seja, em 30 de setembro. Este termo significa também qualquer coisa ou objeto ligado a Xangô.

BAIXAR — Quer dizer quando os protetores ou guias baixam nos terreiros durante as sessões, para se incorporarem nos médiuns.

BALANGANDà— Enfeites e ornamentos. É também assim chamado o amuleto feito com objetos que servem de proteção, como figas, tesouras, chaves, anéis etc.

BALBA — É o fluido que se desprende durante uma sessão, geralmente de Quimbanda, para prejudicar a uma certa pessoa à distância.

BALÊ — Segundo a crença africanista, significa a casa dos mortos, onde os espíritos desencarnados permanecem, antes da partida definitiva para o plano espiritual no infinito.

BALÉ (Iorubá) — chefe de uma casa, senhor.

BALI — É quando no meio dos trabalhos descem dois espíritos com diretrizes diferentes, causando, assim, certos distúrbios difíceis de serem contidos pelos chefes de terreiro.

BALIBÊ — É um amuleto de grandes poderes que presta grande proteção aos caçadores e pescadores. É de muito valor também para o tratamento de muitas doenças, aparentemente sem solução, mesmo pára os médicos.

BALOMÁ — Com este nome são designados, entre as tribos de índios africanos, os espíritos evoluídos de parentes.

BALONGO — É todo aquele que pratica a feitiçaria com qualquer intenção, seja boa ou má.

BALSAMOS DE TOLU — Apesar de ser uma droga muito empregada na medicina popular, bem como na indústria farmacêutica, é muito empregada em trabalhos, quando a sua defumação serve para atrair as forças benéficas, pois é fora de qualquer dúvida o seu grande poder de proteção.

BALUWE (Iorubá) — banheiro.

BAMBA — É todo aquele que, por ser terrível e poderoso, é muito respeitado, pois que todos temem a sua força.

BAMBA — Comida de terreiro. Cangerê.

BAMBARÉ — Balançar.

BANDA — É o lugar ou terra do guia. É também a Linha a que está ligado o protetor.

BANGANA — Significa um velho iniciado que tenha alcançado o mais elevado grau de desenvolvimento mediúnico, tornando-se por isso, o mais profundo conhecedor de todos os segredos dos rituais de Umbanda.

BANGANDRO — Planta da flora africana de grandes propriedades mágicas, sendo, por isso, muito utilizada em qualquer parte do corpo, em forma de pomada, para afastar os espíritos perseguidores.

BANGO — Dinheiro ou valores.

BANGOLAR — Andar sem rumo.

BANQUEIRO — É todo aquele que, por influência espiritual ou não, é dado ao vício da bebida, principalmente da cachaça.

BANGULÊ — Dança dos pretos africanos.

BANHOS DE DESCARGA E DEFUMADORES — Após os motins da mata, inicia-se nas grandes e frondosas árvores, com as suas folhas e os seus frutos, mais uma magia, não só para a Umbanda, a Quimbanda, o Candomblé, como para toda e qualquer religião. Porque é no fruto, ou é na folha ou na flor, que se buscam os aromas para purificar o ambiente em que as religiões desejam trabalhar. Aí, essa parte divide-se em duas. Uma, a magia da descarga humana, para os médiuns receberem os seus guias através dos chamados banhos de caboclos e para outros misteres usados, como todos bem conhecem, e outra, a das flores e dos frutos, que vem purificar o ambiente de toda e qualquer religião, a fim de que possam ter lugar os ofícios religiosos. Por tudo isso, pela grandiosidade com que ela se apresenta e pelo que produz em benefício da humanidade, é a mata considerada, para os humildes filhos do sertão, a soberba Rainha.

BANTO — Um dos dialetos mais falados em vários pontos do sul e do centro da África, inclusive o Congo e Angola. Os negros, originários dos pontos em questão, são chamados Bantos, como Banto é também o nome de uma corrente trazida por eles para o Brasil.

BANZÉ — Discussão, conflito, briga, barulho.

BANZO — Sentimento de saudade que os escravos africanos sentiam da sua terra, tomando-os indiferentes a tudo e dominados por uma grande nostalgia.

BAQUETA — Assim é denominada uma vareta de pau que serve para tocar os tambores nas sessões de terreiro.

BARA — São Pedro. Também Exu-Bará.

BARA (Iorubá) — Deus do mal.

BARAKA — Força considerada misteriosa e que, entre as tribos africanas é tida como uma verdadeira bênção de Deus.

BARICADA-SUBÁ — É uma forma de cumprimento dos malês que significa: Deus lhe dê um dia muito feliz.

BARKISSU — Assim é denominado o Pegi dos negros da corrente dos Bantos. Barkissu é também o nome de Santuário no terreiro dos mesmos negros Bantos.

BARRACÃO — É o local destinado às danças, quando estas se realizam em complemento de uma sessão de terreiro.

BÃRU (Iorubá) — cavalo.

BASI (Iorubá) — por que, como?

BÁSIGUN (Iorubá) — médico chefe.

BASTÃO DE OGUM — É uma planta também conhecida pelo nome de Espada-de-São-Jorge.

BASULAQUE — É uma das formas do doce de coco feito pelos índios, com mel de abelha.

BATA (Iorubá) — sapato.

BATÁ-COTÔ — Assim é chamado o tambor de guerra utilizado pelos negros escravos durante as lutas com os inimigos.

BATARA — É o nome dado ao galo utilizado nos trabalhos de terreiro, devendo ter penas claras ou vermelhas, com manchas pretas.

BATE-BAÚ — É a denominação de uma dança um tanto semelhante ao samba e introduzida no Brasil pelos negros de origem africana.

BATE-CHOQUE — Tambor usado pelos negros africanos.

BATECUM — É o barulho produzido pelo grande número de palmas com que o público presente às sessões aplaude e acompanha as danças.

BATER A BAQUERA — Significa morrer, em linguagem indígena.

BATER A CABEÇA — Quando se faz uma batida de cabeça, seja ao pegi, ou em respeito a algum guia que esteja incorporado, tal cumprimento representa um sinal de grande respeito e também de humildade.

BATER NOS OMBROS — É uma espécie de saudação que tem lugar durante os trabalhos de terreiro, quando o guia, com seu ombro esquerdo, toca no ombro direito de algum outro guia ou mesmo de algum assistente, e com o ombro direito bate no esquerdo. V, Saravá.

BATUCAJÊ — É uma dança religiosa que se realiza dentro do terreiro, cuja finalidade é proporcionar maior facilidade à incorporação dos protetores nos médiuns.

BATUQUE — Dança, sapateado. É também o nome que é dado aos terreiros   e   centros   espíritas   em alguns lugares   do Norte, sobretudo na Bahia e no Amazonas. Batuque é também o nome das danças que os escravos africanos praticavam sob o som de um instrumento com a semelhança de um tambor. No Rio Grande do Sul esta designação corresponde ao mesmo ritual da Umbanda; muito usado pelos umbandistas do Sul.

BAYÀNNI (Iorubá) — ídolo adorado pelos adoradores de Sango.

BAZAFAN — Produto da flora africana que é muito aproveitado na confecção de amuletos para proteger os seus portadores. Toda pessoa que tiver essa planta no jardim ou quintal de sua casa, terá uma proteção completa para todos os moradores da mesma.

BEDENGUÊ — Dança muito popular dos pretos da Costa.

BEIJADA — É o nome dado às falanges quando constituídas apenas de crianças. Também diz-se, ibeijadas.

BEIJIS — Assim são chamados Cosme e Damião em muitos terreiros de lugares do Sul. Também ibeijis.

BEJA — É o nome dado à cerveja branca quando usada nos trabalhos de centros.

BEKU — Pessoa já desencarnada, cujo espírito é chamado em sessão.

BENDENGÓ — É o meteorito que se encontra no Museu Nacional e que caiu na Bahia no ano de 1888. Embora os cientistas tenham as suas convicções sobre o mesmo, para os umbandistas a pedra de Bendengó é apenas e tão-somente um grande e autêntico fetiche de Xangô, pois ninguém pode ignorar o seu extraordinário poder de vibração.

BENGUÊ — É o nome como é designado o amuleto destinado a proteger as casas de moradia, sendo a sua confecção à base da planta chamada Kongo.

BENTERERÊ — Ave cujo canto é sinal de bom agouro.

BENTINHOS — É um escapulário que se traz pendurado no pescoço e que contém orações, rezas e figuras de santos. Pode ser considerado também como um patuá para dar proteção a quem o conduz.

BENZEDURA — É o meio usado para curar doenças, tendo-se» em vista as orações e as práticas mágicas e espiritualistas, quando feitas numa sessão de terreiro.

BÈRÉ (Iorubá) — começar.

BERIMBAU — Instrumento de percussão ou urucungo.

BERUNDANGA — Feitiço. Trabalho para o mal.

BETULÉ — Machado feito de pedra pelos negros e pelos índios, tendo também a designação de machado de Xangô.

BÉWO (Iorubá) — visitar.

BICO-DE-PATO — É o nome como é conhecida uma planta de grande uso em defumações, pois que a sua ação é infalível para desfazer trabalhos e afastar os fluidos maus e pesados que possam prejudicar pessoas ou ambientes.

BIFROST — Na Umbanda este nome é como que um sinônimo de Exu, enquanto, na mitologia, significa arco-íris.

BILONGO — Amuleto muito usado pelos caçadores que têm uma fé absoluta na sua proteção.

BIMBA — Coxa.

BIMO (Iorubá) — dar a luz a uma criança.

BINGA — Copo feito de chifre.

BINGBA — Arvore natural do Sudão, na África, tida como elemento protetor dos campos na sua produção.

BIRAIA — Mulher de maus sentimentos e de mau comportamento. Megera. Prostituta.

BIRUPIÇA — Assim são chamados os arranjos e os preparos para uma festa, desde que tenha fundo espiritualista.

BI-SI-MI-LAI — Expressão sempre usada para proceder a qualquer trabalho a ser realizado pelos negros malês.

BISORONHA — Aparição. Assombração. Fantasma.

 (Iorubá) — cobrir, esconder.

BODE — Assim é chamada a comida votiva de Exu.

BODO — Raiz de planta africana com grandes propriedades de proteção.

BOI — É um cachimbo de confecção muito rústica, muito usado pelos fumadores de maconha.

BOJÁGUASSÚ — Bojá, Bojámirim — Entidades espirituais que em ordem decrescente, estão colocadas num Terreiro de Umbanda, depois do Aberémirim.

BOLA DE CRISTAL — É uma bola feita de cristal, através da qual o vidente detentor de poderes especiais, poderá interpretar o que estará para acontecer a alguém que o tenha procurado.

BOLARO — Espírito atido apenas e exclusivamente à prática do mal.

BOLOI — Esta palavra quer dizer também praga ou enfeitiçamento por palavras ou gestos.

BOMBO-GIRA — Assim é denominado Exu entre os pretos do Congo. Denomina-se também Exu Pomba-Gira.

BONECO — Assim é denominada a figura de uma pessoa ou de um animal, que é feita de preferência com cera podendo também ser feita com outro material. Esse boneco é feito para ser empregado em trabalhos de terreiro, principalmente trabalhos de Alta Magia ou mesmo Magia Negra, ou seja, fazer o bem ou mal a alguém. Para fazer o trabalho com o boneco, é preciso que o mesmo traga um trapo de roupa, bem como uma pequena quantidade de saliva, de urina, de suor, de sangue, bem como pedaços de unha e de cabelo, ou ainda qualquer outra coisa que tenha estado em contato com o corpo do indivíduo a quem se quer fazer bem ou prejudicar.

BONGAR — Procurar alguma coisa na senda espiritual. Termo de linguagem indígena de origem africana.

BONHURA — Esse é o nome de um amuleto especial destinado a proteger, quem o possui, contra qualquer espécie de doença, seja física ou espiritual.

BONI — Negros escravos originários da Guiné, na África.

BOODÓ — Comida africana feita de legumes.

BORI — Significa Espíritos, tanto na linguagem africana, como nos meios espirituais de Umbanda. Pode significar também Protetores.

BORI (Iorubá) — cobrir a cabeça, vencer.

BÓRI (Iorubá) — adorar a cabeça.

BÒRISA (Iorubá) — adorar ídolos

BORÓ — Assim é chamado o pagamento que é feito a um, medium, ou chefe de terreiro, antecipadamente a qualquer trabalho, sendo desta forma mercantilizada de um modo absoluto a mediunidade.

BARÚ (Iorubá) — mal, mau.

BOSUM — Assim é chamado, tanto a Divindade, como também os Santos e os Espíritos de Luz e ainda Orixá e Vodum.

BOTAR A MÃO NA CABEÇA — É quando o chefe de terreiro manda que os médiuns recebam seus protetores. Então, cada um dos médiuns presentes à sessão, coloca as mãos na cabeça para receber o Guia ou Protetor.

BOTAR NA MESA — É quando um médium, mesmo sem estar numa sessão, atende a alguém para fazer adivinhações ou orientar o seu consulente sobre casos a resolver. Esta consulta é feita estando o médium e o consulente sentados numa mesa, um em frente ao outro.

BOTAR BOZÓ — Significa trabalhos de Magia Negra ou de feitiçaria com a finalidade de trazer a desgraça a alguém, o que é comum na Linha de Quimbanda.

BOTAR FUMO — O mesmo que enfeitiçar ou fazer trabalhos para dar azar a alguém.

BOTIRGA — Corrente espiritualista de pretos africanos.

BOTO — A crença popular assim designa um peixe, o qual tem dente e olhos fora do comum e que dizem possuir virtudes mágicas, motivo por que são muito usados em amuletos, bem como em trabalhos apenas dedicados à magia do amor, ou seja, muito indicados para os namorados que visam terminar o seu romance com o casamento e a felicidade.

BOWO (Iorubá) — apertar as mãos.

BOYA (Iorubá) — talvez.

BOYLA — Colar feito de contas, muito usado pelos médiuns femininos, bem como pelos cambonos.

BOZÔ — Trabalhos de Magia Negra. Jogo de dados. Feitiço. Quando se faz essa feitiçaria, é indispensável uma galinha morta, bem como farofa e azeite-de-dendê e ainda moedas de cobre, além de uma grande variedade de outras coisas, de conformidade com o fim que se tenha em vista com este trabalho.

BRADA-MUNDO — É o nome de uma planta conhecida com a designação de Cardamomo, sendo as suas folhas muito usadas para banhos e defumações, sendo também um poderoso condensador de fluidificações e grande atrativo de forças benéficas.

BRAKALI — Assim é designado, entre os povos africanos, o Grande Gênio dos Oráculos.

BRAMA — É uma força de grandes poderes mágicos e de evocação sagrada, que é realizada sob os cânticos e sacrifícios de trabalhos ritualísticos.

BREA — Oração usada em terreiros de Quimbanda, antes do início dos trabalhos.

BREVE — Embora se trate de uma palavra comum é muito conhecida em Umbanda. Ela quer dizer Patuá, ou seja, uma oração guardada numa espécie de envelope de couro, sempre acompanhando o seu possuidor para protegê-lo em tudo e em todos os momentos da vida.

BRIQUITAR — Ter paciência. Saber esperar sempre sem perder a fé em Ogum.

BRÓDIO — Festa espiritualista dentro do ritual de Umbanda.

BRONGAR — Procurar alguma coisa importante.

BRUXA — Pode-se dizer que é o feminino de Bruxo, pois se a Bruxa é a feiticeira que trabalha para todos os fins, principalmente para o mal, o Bruxo é também um boneco feito de pano e utilizado para trabalhos de Magia Negra, tanto nos terreiros de Quimbanda corno fora deles.

BU — Entre os negros africanos é o grande Gênio que tem o poder absoluto de dominar os ares.

BUGIAR — Significa importunar, isto é, quando alguém, durante o decorrer de uma sessão, dirige-se a outra pessoa que esteja presa a algum trabalho e, por isso não possa tratar de outro assunto.

BUGIGANGA — Coisa desprovida de valor. Objetos miúdos, vidrilhos etc.

BUJAMÉ — Assim é chamado o mestiço, isto é, o filho de preta com   mulato. É também o nome como é conhecido um instrumento musical de sopro, usados pelos pretos da Costa de Angola.

BURRO — Médium em Quimbanda. Médium de Exu. Trata-se de um termo de grande uso entre os Exus e pelos protetores de caboclos.

BÚZIOS — Os búzios são pequenas conchas marinhas em outras épocas

búzios-mesa-de-jogo, jogar búzios

Jogo de Búzios

usadas como dinheiro, sendo hoje empregadas como enfeites, inclusive em pulseiras, colares e braceletes, bem como amuletos, dado às altas virtudes mágicas que possuem. Os búzios também são empregados para adivinhações, para o que são usados da seguinte maneira: Doze búzios são convenientemente preparados pelo Babalorixá e, para se saber alguma coisa, eles são fechados na mão direita, a qual sendo aberta a seguir, os búzios são atirados sobre a mesa, formando então várias figuras, as quais são interpretadas pelo Babalorixá.

Não devemos esquecer que, quando o Babalorixá está jogando os búzios, há sempre espíritos, ou protetores, junto dele e do consulente. Esses protetores auxiliam o Babalorixá a interpretar as figuras, quando estas se tornam muito complicadas e difíceis.

Antes de iniciar a adivinhação, o Babalorixá dirige uma prece ao seu Guia e ao Guia do consulente.

Um dos búzios representa o consulente, enquanto os outros representam as pessoas a respeito das quais o mesmo consulente está interessado em saber alguma coisa. Uma só pergunta não pode ser respondida num lance de búzios apenas. De um modo geral, uma resposta completa para cada pergunta só pode ser obtida com três lances.

Depois de terminada a adivinhação, o Babalorixá deve indicar ao consulente o que este tem a fazer. Assim deverá receitar remédios, se ele se dedicar à medicina de ervas e banhos,

bem como dar conselhos e indicar os trabalhos que devem ser

feitos para afastar dificuldades.

Os búzios só servem para a adivinhação se, depois de apanhados na praia, receberem um batismo, isto é, se forem preparados pelos Babalorixás que conhecem o sexo dessas conchas, dando-lhes nomes. Os búzios assim preparados e consagrados são guardados dentro do altar.

De um modo geral, o número de búzios é de 12, mas esta quantidade pode ser aumentada até 16 ou 20. Todos os búzios recebem, cada um, o nome de um Orixá.

Para que uma pessoa que faça uma consulta a um Babalorixá possa obter respostas certas, é indispensável que o seu corpo e a sua aura estejam perfeitamente limpos. Desta forma, se for mulher, não poderá fazer consultas se estiver em período de menstruação. Se for homem, na véspera não deve ter relações sexuais, bem como não deverá ir à consulta em estado de acoolismo.

Há também Guias e Babalaôs que trabalham com 7, 12, 16 e 21 búzios, embora a maioria, de um modo geral empregue 7 ou 16 misturados, ou seja, búzios masculinos e femininos. Os nomes como são chamados os 16 búzios empregados na adivinhação, são os seguintes: 1.° — EIDI-OBÊ; 2.° — OJECU-MEIJI; 3.° — JORI MEIJI; 4° — URI-MEIJI; 5.° — OROSÊ-MEIJI; 6.° — NANI-MEIJI; 7.° — OBARA-MEIJI; 8.° — OCAIRÁ-MEIJI; 9.° — EGUNDA-MEIJI; 10.° — OSÊ-MEIJI; 11.° — OTURÁ- MEIJI; 12.° — ORETÉ-MEIJI; 13.° — ICÁ-MEIJI; 14.° — ETURAFAN-MEIJI;   15.° — ACHÉ-MEIJI; 16.º — OGIO- OFUN.

Como já ficou dito, o Babalorixá faz uma prece ao seu Guia e concentra o pensamento. Faz então um primeiro lance dos búzios, com o fim de verificar as condições e intenções do consulente e verificar as possibilidades do mesmo ser atendido. Em qualquer hipótese, o Babalorixá deverá ser extremamente sincero, manifestando ao consulente o que há a seu respeito. Somente depois dessa verificação é que terá início a consulta.