Dicionário de Umbanda-F

Letra F

Dicionário de Umbanda Letra F

Dicionário de Umbanda Letra F

Dicionário de Umbanda e Iorubá (Yorubá)

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Dicionário de Umbanda

Fonte principal: “Dicionário de Umbanda”. Altair Pinto. editora Eco.

F

 (Iorubá) — limpar.

FÃJI (Iorubá) — prazer.

FALANGE — Falange em Umbanda significa a subdivisão de Linhas onde cada Falange é composta de um número incalculável de espíritos orientados por um Guia chefe da mesma.

FALANGES — Como discriminação de Falanges, podemos citar as seguintes:

   Linha de Santo ou de Oxalá:
        Falange de Santo Antônio
Falange de São Cosme e São Damião
Falange de Santa Rita
Falange de Santa Catarina
Falange de Santo Expedito
Falange de São Benedito
Falange de São Francisco de Assis

   Linha de Iemanjá:
        Falange das Sereias – Chefe Oxum
Falange das Ondinas – Chefe Nanamburucu
Falange das Caboclas do Mar – Chefe Indaiá
Falange das Caboclas do Rio – Chefe Iara
Falange dos Marinheiros – Chefe Tarimã
Falange das Calungas – Chefe Calunguinha
Falange da   Estrela Guia – Chefe Maria Madalena

   Linha do Oriente:
        Hindus — Zartu
Médicos e Cientistas — José de Arimatéia
Árabes e Marroquinos — Jimbaruê
Japoneses, Chineses, Mongóis e Esquimós — Ori do Oriente
Egipcianos, Aztecas, Incas — Inhoari
Índios Caraíbas — Itaraiaci
Gauleses, Romanos e outras raças européias — Marcus I, Imperador Romano.

   Linha de Oxóssi:
        Falange de Urubatão
Falange de Araribóia
Falange de Caboclo das Sete Encruzilhadas
Falange de Peles Vermelhas — Chefe Índio Aguia-Branca
Falange de Tamoios — Chefe Índio Grajaúna
Falange de Guaranis — Chefe Índio Araúna
Falange de Cabocla Jurema.

   Linha de Xangô:
        Falange de Iansã
Falange do Caboclo do Sol e da Lua
Falange da Pedra Branca
Falange do Vento
Falange Treme-Terra
Falange dos Pretos-Quenguelê

   Linha de Ogum:
        Falange de Ogum Beira-Mar
Falange de Megê
Falange de Naruê
Falange de Malei
Falange de Nagô.

   Linha Africana:
            Falanges:                           Chefes:
Povo da Costa                     Pai Francisco
Povo do Congo                    Pai Jerônimo
Povo de Angola                   Pai José
Povo de Benguela               Pai Benguela
Povo de Moçambique        Rei do Congo
Povo de Loanda                  Pai Cabinda
Povo de Guiné                      Zun Guiné

 

FALANGES E SUAS MISSÕES — Os espíritos das Linhas e Falanges têm as seguintes missões: A Linha de Oxalá ou de Santo é composta de espíritos de diferentes raças da Terra, não somente brancos e pretos — da Bahia, pretos-Mina, frades, freiras, padres e em geral todas as pessoas que foram devotas e muito religiosas.

As falanges desta Linha penetram nas Linhas de Quimbanda a fim de diminuir o mal produzido pelos quimbandeiros.

Os espíritos da Linha de Iemanjá, repartidos entre as suas Falanges, são protetores de marinheiros e de criaturas do sexo feminino, fazendo limpeza fluídica nos rios e no mar, enfim, trabalhando sempre para o bem.

As Falanges da Linha do Oriente compõem-se de espíritos de cientistas versados em ciências ocultas. São mestres em Astrologia, Quiromancia, Numerologia, Cartomancia e praticam sempre a caridade.

Os espíritos das Falanges da Linha de Oxóssi, fazem a caridade, desmancham trabalhos de Quimbanda, de feitiçaria e de Magia Negra, dando ainda passes conhecendo ainda os segredos das plantas medicinais.

A Linha de Xangô, compõe-se de espíritos em trabalhos de demanda, combatendo os quimbandeiros.

As Falanges da Linha Africana executam trabalhos de Magia Branca e desmancham os trabalhos de Quimbanda, para isso costumam infiltrar-se nos terreiros onde se fazem despachos de Exu. São espíritos que possuem muitos conhecimentos, sendo joviais e conversadores.

 

FALANGEIRO — Chefe de Falange. Guia. Orientador espiritual incorporado.

FAMÍLIA — Assim é designado o Exu infantil.

FAÊER BOZÔ — Significa enfeitiçar alguém, sendo usado para isso os trabalhos de magia negra.

FÀSÉ (Iorubá) — fechar.

FAZER MESA — O mesmo que abrir uma sessão e os respectivos trabalhos, sob a orientação do chefe de terreiro.

FAZER OSSÊ — Cerimônia semanal que consiste no oferecimento de alimento ou bebida preferida pelos Orixás.

FAZER SALA — São as orações do culto malê, que são feitas em número de cinco no correr do dia, da forma seguinte: l.a Acubá. 2.a Ailá. 3.a Aí-a-Sari. 4.a Alimangariba. 5.a Adixá.

 — Não pode haver espiritualismo, seja ele de Umbanda ou de Kardec, se não houver uma fé devidamente forte. A fé é a virtude que remove montanhas, disse Cristo. Porém, mais pesados do que as montanhas, são a impureza e todos os vícios que dela decorrem e que se acham depositados no coração do homem. Devemos partir, pois, animados da maior coragem para removermos essa montanha de iniquidades que as gerações futuras somente deverão conhecer como lenda.

Se o médium se desvia do seu objetivo, empregando a preciosa faculdade que lhe foi concedida em coisas fúteis ou prejudiciais, se coloca a mediunidade a serviço de interesses mundanos e luxuriosos, se se recusa em a utilizar em benefício dos que geralmente têm necessidade de amparo, é certo que em tal situação, Deus lhe retirará essa mediunidade que se tornou, não só inútil, mas também prejudicial. A esperança e a caridade, nada mais são que produtos da fé, formando com esta o trio inseparável que todos nós conhecemos e que está sempre presente ao nosso espirito.

FECHAR A GIRA — Significa encerrar os trabalhos do terreiro.

FECHAR A TRONQUEIRA — É o ato de defumar o lugar onde se realiza uma sessão, lançando-se ao mesmo tempo aguardente aos quatro cantos do mesmo local. Com esse cuidado evita-se a balbúrdia provocada pelos espíritos obsessores que descem ao terreiro, garantindo-se um desenrolar tranquilo dos trabalhos.

FEITIÇO — É a atração de forças negativas contra alguém, por uma série infindável de coisas, desde as mais inocentes às mais repulsivas e odiosas. O feitiço pode ser: Direto, quando é transmitido por contato àquele contra o qual foi feito e, Indireto, quando é transmitido por irradiações maléficas.

FEITO — É o médium masculino desenvolvido dentro do ritual.

FEITO EM PÉ — É o médium que não cumpriu o cerimonial do seu desenvolvimento.

FEITURA DE SANTO — Iniciação do desenvolvimento de um médium.

FÈRÉ (Iorubá) — flauta.

FERRADURA — É o amuleto feito com uma ferradura usada para proteger residências e pessoas, devendo ser colocada, de preferência, junto à porta de entrada da casa.

FERRAMENTA DE   XANGÔ — Consiste na espada, foice, machado, lança, enxada e outros apetrechos.

FESTAS UMBANDISTAS — São diversas as festas celebradas pelos umbandistas, e a nova Umbanda que surge, registrou em seu calendário o que de mais expressivo havia para que as tradições sejam conservadas num sentido mais compatível com uma corrente espiritualista de tanta importância.

Existem algumas festas que não se revestem de atos teúrgicos, e que são:

Natal de Jesus — Deve ser celebrado na intimidade dos lares, com simplicidade e respeito àquela família sagrada que modificou para sempre a estrada palmilhada pelos homens! Nada de exageros e bebedeiras. Se o culto do lar, o estudo dos Evangelhos e o exercício da prece é um dever de todos os dias, a noite de Natal é uma noite de alegria espiritual. Os que desejarem ofertar brindes, que o façam, mas que o façam diretamente, dizendo que é um simbolismo. Jesus foi presenteado com as oferendas que os magos levaram, e, sendo a noite de Natal, a data comemorativa do mais sublime evento entre os homens, rende-se homenagem ao Cristo Jesus, e as oferendas marcam o dia em que se procura evidenciar o gozo que traz o advento de Jesus no coração humano!

Cosme e Damião — A festa de Cosme e Damião é aquela em que a Umbanda celebra o advento da criação do homem em seu duplo aspecto: Físico e Astral. Dois corpos exatamente iguais em sua aparência e traços fisionômicos, conforme já descrevemos. Vide Cosme e Damião. Convocação de Xangô — A Umbanda destes dias, fugindo ao ritual gêge-nagô, celebra a festa denominada Convocação de Xangô, de forma um tanto diferente, deixando de lado os sacrifícios e outros atos menos compatíveis com o Cristianismo.

É uma solenidade altamente teúrgica, e para ela devemos atentar com cuidado, uma vez que é a época em que todas as atividades da organização Umbandista serão balanceadas. A festa da Convocação de Xangô tem lugar no dia 25 de Setembro.

FEITA — Médium feminino que teve o cerimonial de firmeza de cabeça por haver completado seu desenvolvimento mediúnico. Também chamada Filha-de-Santo.

FENI (Iorubá) — amar.

FÉRÈ (Iorubá) — leve.

FÉRÈ (Iorubá)— quase.

FÉSI (Iorubá) — responder.

FETICHE — Objeto natural com propriedades mágicas naturais ou adquiridas mediante preparo pelos Guias, servindo de ponto de apoio as forças extraterrestres e supernaturais.

FETICHISMO — Adoração de objetos materiais como suportes de forças sobrenaturais.

FIBO (Iorubá) — esconder vestir.

FIFUN (Iorubá)— dar.

FIGA — Amuleto muito conhecido e usado contra mau-olhado, feitiçarias etc, constituindo na forma de uma mão fechada, na qual o polegar atravessa o indicador e o dedo médio. A figa, para proteger contra mau olhado e inveja, deve ser colocada atrás da porta de entrada da casa.

FIGUEIRA — Arvore muito conhecida, gozando de propriedades mágicas. Reza a tradição que é a árvore dos Exus, onde são traçados seus planos, principalmente da meia-noite e quinze minutos.

FIHÀN (Iorubá) — mostrar.

FIJÓ (Iorubá)— dançar com.

FILA — Gorro litúrgico, usado nas cerimônias de entrega do Deká. (V. Deká).

FILACTERE — Amuleto. Talismã. Preservativo mágico contra mau olhado, fluidos nocivos e uma infinidade de outras aplicações.

FILHO DE FÉ — Denominação dada aos adeptos da Umbanda. FILHO OU FILHA-DE-SANTO — Médium que se submeteu a todo o aprendizado do ritual.

FIRMAR A PORTEIRA — É a segurança para os trabalhos de sessão que será realizada, simbolizada por um ponto de firmeza, riscado na entrada do Terreiro. Existe uma enorme variedade de se firmar a porteira, conforme o critério seguido de Terreiro para Terreiro.

FIRMAR O PONTO — Concentração coletiva que se consegue cantando   o ponto “puxado” pelo Guia responsável   pelos trabalhos. Significa também quando o Guia dá seu ponto cantado e riscado, como prova de identidade.

FITA-DE-SANTO — É a fita que foi amarrada ao santo como promessa ou que representa o tamanho da imagem ou um de seus membros, servindo como amuleto e para diversos outros trabalhos.

FITÍLÀ (Iorubá) — Lâmpada.

FLUIDO — É uma das formas de manifestação da Energia Universal das Forças Cósmicas.

FLUIDO ÓDICO — É o fluido individual, característico de cada ser humano.

FLUIDOS DA UMBANDA — A carne, elemento primordial do corpo humano que se fixa nos ossos para proteção do esqueleto e das vísceras, recebe, dessas mesmas vísceras e desse esqueleto, aquilo que é necessário para a exteriorização da vida material, no complemento da órbita que se destina à permanência do espírito na terra. E assim como a carne é o elemento que jamais poderia deixar de existir no corpo humano, assim os fluidos carnais fazem dos trabalhos da Umbanda, porque, buscando a Umbanda, para os seus trabalhos de magia, os elementos que cercam o homem, ela tira desses fluidos, que deverão ser apurados para o completo êxito desses trabalhos, tudo que é necessário para os espíritos poderem receber as mensagens da magia e dar a esse mesmo homem os influxos espirituais de que ele necessita, a fim de que possa ser realizado um perfeito trabalho mágico.

Se o homem material busca aperfeiçoar o seu espírito e dar- lhe sabedoria, nós buscamos os fluidos carnais, que vão dos pés à cabeça do médium, para a realização de tudo o que se necessita dentro dos trabalhos, não só os chamados terra-a-terra, como também aqueles para os quais buscam-se os grandes elementos, para dar ao homem esse alívio que somente os fluidos umbandistas podem dar, porque esses elementos são os únicos que se adaptam aos fluidos espirituais.

Assim é a Umbanda. Casa seus espirituais com os fluidos carnais e deles aproveita o máximo para tirar o mínimo para si.

Busquem, meus filhos, a harmonia para, dentro dessa harmonia, poderem obter aquilo que se chama realidade dos fatos.

FORÇAS CONTRÁRIAS — São as forças benéficas ou maléficas quando atraídas, podem trazer o mal e prejudicar as pessoas e os seus lares.

FORÇAS OCULTAS — São as forças benéficas ou maléficas que nos envolvem e sobre nós atuam, pois que sendo acionadas e movimentadas por certos rituais, poderão produzir o efeito desejado, a não ser que a influência de um poder mais forte, humano ou espiritual, possa tornar sem nenhum efeito as suas finalidades.

FRANQUIA — É o bosque ou mata onde os médiuns realizam trabalhos. Terreiro dentro do mato. Bosque sagrado.

FUMAÇA ÀS DIREITAS — É a sessão cujos trabalhos ou despachos têm a finalidade única de fazer o bem a alguém.

FUMAÇA ÀS ESQUERDAS — Trata-se de sessões de baixo espiritismo, pois os seus trabalhos ou despachos visam apenas a fazer o mal.

FUNÇÕES DOS ORIXÁS — São as seguintes as funções de alguns orixás que passamos a mencionar:

Oxalá — É o Obatalá da trindade primitiva. É chamado Olssass no ritual gêge. Oxalá é a denominação nagô. Em nagô, alguns o invocam, ora como Orixá-Babá (Santo Pai), ora como Babá-Okê (Grande Pai). Em Angola, é Cassumbecá.

Olorum — É o Senhor Supremo, Deus, o Criador do Universo, em Nagô. A origem do nome parece significar Olo (muito longe, muito alto) e Oriun (o Sol) Olorum é o Supremo, o que está muito alto no Céu, a fonte de lua que ilumina o Mundo.

Ifá — É o terceiro elemento da trindade divina, correspondendo ao Espírito Santo. É representado por dois vasos, contendo, cada um, dezesseis frutos de dendê. Sacudindo os frutos nas mãos, eles vão caindo um a um. À proporção que caem, o Babalaô vai traduzindo e explicando o que significam. No final resume a profecia do ifá, e a adivinhação está completa. As mulheres não podem trabalhar com os ifás, mas somente com o jogo do búzios ou a alobaça (alubosa, o verdadeiro nome da cebola, jogo, dos caboclos).

Xangô — É um dos orixás mais discutidos, pois a lenda diz que ele teve vida terrena, tendo, depois, se transformado em orixá. É o dono do trovão e do raio, propriedade que reparte com o orixá feminino Iansã.

Bessên — É o orixá que simboliza o arco-íris. Bessên é a denominação Gêge de Oxum-Barê. É também simbolizada por uma figura de cobra e está ligada à lenda de Xangô.

Ossãe — É a divindade da folha. É representada por uma mulher cujo rosto não pode ser visto. Corresponde também ao Caapora (tupi) que só tem uma perna. Ossãe nunca se manifesta.

Iroco — É o orixá da árvore. Diz-se que Iroco aparece à noite, num bambuzal, aumentando e diminuindo de tamanho. É também Loko, uma planta rara, ao pé da qual se fazem obrigações.

Exu — É o agente mágico universal, intermediário entre os seres humanos e os orixás. É um orixá com uma função toda especial e, por isso, tratam-no de compadre. Chama-se Aluvaiá, em Angola, em Keto, é Embarabô. Em Gêge é denominado Legbá, ou seja, a serpente que o simboliza. No congo é chamado Bombogira.

FUNDANGA — Feitiçaria. Encantamento. Pólvora.

FUNFUN (Iorubá) — branco.

FURABULÊ —    Saudação.  Reverência.  Cumprimento de cordialidade, amizade e fraternidade entre os Guias.