Dicionário de Umbanda-T

Letra T

Dicionário de Umbanda Letra T

Dicionário de Umbanda Letra T

Dicionário de Umbanda

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Dicionário de Umbanda

Fonte principal: “Dicionário de Umbanda”. Altair Pinto. Editora Eco.

T

TA — Amuleto em forma de noz.

TABA-CARANA — Fumo bravo empregado em defumações e banhos como dispersador de miasmas psíquicos e afugentador de espíritos obsessores de pessoas e ambientes.

TABU — Atributo religioso a uma pessoa ou objeto. A palavra tabu, de origem polinésica, significa sagrado. Segundo a enciclopédia, a palavra tabu, com os derivados tapu e kapu, em certos dialetos, é um oposto à palavra noa, a qual era aplicada a toda pessoa ou coisa cujo contato ou uso podia ser independente ou livre, sem constituir perigo algum. Segundo inúmeras crenças religiosas, podiam ser tabus, quaisquer seres ou objetos, os quais eram respeitados como coisas sagradas. Os Chefes, os sacerdotes, os feiticeiros, os cadáveres, as mulheres em determinadas condições etc, representavam verdadeiros tabus. Quando os tabus se referiam a objetos, armas ou apetrechos de guerra, eram considerados invioláveis, sendo sujeitos aos mais tremendos castigos aqueles que os violassem. Em algumas religiões fetichistas, os tabus representavam objetos divinos, e acreditavam plenamente nos castigos, por parte dos deuses, a quem se atrevesse a violá-los. Os tabus também representavam divindades, bem como faziam parte da indumentária e rituais de inúmeras crenças religiosas dos povos antigos.

TACURU — Monte de terra fofa feito por formigas, algumas vezes utilizado em trabalhos, seja de magia negra, seja de Umbanda.

TAHU — Entre os africanos, esta palavra traduz a impureza espiritual adquirida com a prática de algum ato reprovável ou qualquer outro passível de censura e da qual se livra por meio de purificação do ritual, orientada pelos chefes das tribos.

TAJÁS — Tinhorões. Plantas que, em todas as suas variedades, são empregadas na medicina doméstica, na magia branca, na magia negra e na magia amorosa.

TALISMÃ — Objeto dotado de virtudes mágico-profiláticas para uma determinada finalidade protetora,   diferindo,   pois, do amuleto, cujo uso é mais generalizado, porém menos eficiente.

TAMBACÊ — Ogum em certos terreiros.

TAMBATAJÁ — Uma das variedades do tinhorão muito empregada em magia amorosa.

TAMBOR — Assim são chamados os centros e terreiros em alguns estados do Norte.

TAMBORETE — Pequeno banco de quatro pés, usado nos terreiros para assento dos Pretos-Velhos em suas conversas com os consulentes.

TANGURU-PARÁ — Caboclo respeitado nos catimbós, atuando como Pajé. Segundo a crença indígena, é uma entidade que auxilia o pajé, nas práticas da pajelança, isto é, um orientador espiritual.

TANINO — Substância química dotada de propriedades adstringentes, encontrada em certas plantas, como o barba-timão, quebracho e outras. Essa substância adicionada a outras serve para preparar uma solução muito do agrado dos médiuns mistificadores, pois que eles a usam passando no corpo, porque assim não sentem o calor do fogo ou queima de pólvora nas palmas das mãos etc.

TAPERÁ — Variedade de andorinha. Pássaro grandemente usado nos trabalhos de magia amorosa.

TARAMEÇU — Pequena mesa onde se jogam búzios.

TAROT — É um baralho composto de setenta e oito cartas que é destinado a trabalhos de adivinhação, tanto para assuntos gerais como para assuntos pessoais. Este sistema de adivinhação demanda uma técnica muito complicada para, não só fazer o jogo das cartas, assim como para bem interpretar os resultados. Além disso, é da tradição fazer a consagração do baralho para lhe conferir força mágica mediante um ritual muitíssimo complicado.

TARAMESSO — É a mesa onde o Olhador do Ifá se senta para os seus trabalhos.

TARIBOT — Feiticeiro de raça negra. O mesmo que Quimbandeira

TASNEIRINHA — Planta dotada de grandes propriedades mágicas, muito empregada também em medicina doméstica.

TATA — Espírito protetor entre os negros bantos. Os Tatás são espíritos evoluídos e de muita luz. Pai. Pai-de-Santo. Chefe de Terreiro.

TATÁ-MANHA — Mãe do Fogo.

TATÁ TI INKICE — Chefe de Terreiro. Babalaô. Pai-de-Santo.

TAÚBA — Assombração.

TAUBINAM — Fantasma.

TAUMATURGO — Santo ou pessoa que faz milagres. Termo muito usado pelos católicos romanos porque o Taumaturgo emprega as forças divinas para que os seus milagres se realizem.

TEFROMANCIA — É a adivinhação pelas cinzas dos sacrifícios ou quando obtidas dos defumadores das cerimônias.

TEINIAGUA — Indivíduo dado à prática de mágicas.

TELEBÊ — Nome de um ponto cantado que leva o médium desleixado a se corrigir mediante um auto castigo, quando incorporado. Esse ponto chama-se também Toada de Couro.

TELEMA — Objeto consagrado. O mesmo que Talismã. V. esta palavra.

TELEPATIA — É a comunicação do pensamento à distância, independente da ação dos meios sensoriais habituais.

TELERGIA — Objetivação das forças, isto é, quando as forças psíquicas desempenham, em determinadas condições, trabalhos de ordem material.

TEMBA — Diabo. Satanás. Exu.

TEMOTI — Assombração.

TEMPLO — Lugar onde são praticados os cultos religiosos ou espirituais.

TEMPLO DE UMBANDA — O Templo Umbandista deve ser simples, sóbrio e harmonioso em seu aspecto. A pintura deve ser clara, de preferência branca. O salão deve ser retangular e a parte destinada ao organismo mediúnico deverá ser separada por uma grade, tendo ao centro uma passagem aberta para a entrada e saída dos elementos que formam a corrente mediúnica.

Templo de Umbanda, terreiro de umbanda, centro de umbanda

Templo de Umbanda

O recinto dos trabalhos deve ocupar uma área que represente um terço do comprimento do salão e estabelecido sobre uma base que esteja cinqüenta centímetros mais alta que o restante do salão. Três degraus devem ser colocados diante da passagem existente ao centro da grade, os quais representam os três graus de iniciação umbandista.

Sobre o estrado funcionarão as mesas de   Umbanda designadas por: Mesa de Oxalá, Mesa de Ogum e Mesa das Almas.

A Mesa de Oxalá representa e ocupa de fato a segurança dos trabalhos mediúnicos e a condução de todo o corpo mediúnico. Assim, sendo, a ela cabe a orientação e direção dos trabalhos. A sua corrente representará os sentidos e a força do diretor presidente espiritual da instituição, mantendo com ele laços íntimos de colaboração.

A Mesa de Ogum, que ocupa lugar à direita da primeira, um pouco mais à frente, destina-se a manter a segurança do equilíbrio dos trabalhos e do ambiente. Seus trabalhos devem correr com calma, ponderação e exatidão. Comportando a segunda ordem mediúnica, destina-se, na parte dos fenômenos a produzir: materializações dos corpos astrais e sua projeção à distância; cirurgias astrais; transportes de objetos; ressuscitação de plantas para os trabalhos de magia; condensação de fluidos e outros fenômenos. Sua ação se estende aos médiuns que estejam trabalhando no terreiro e que formam a ala direita da corrente. Toda vigilância no campo astral é feita pela Mesa de Ogum, que toma as ocorrências verificadas e as leva ao conhecimento da Mesa de Oxalá para que determine as medidas compatíveis com a natureza de cada caso.

A terceira mesa é a Mesa das Almas. Sua missão é de grande importância e responsabilidade, uma vez que trabalha com os elementos visíveis e também invisíveis da Natureza.

Quando as três mesas trabalharem em conjunto, o Presidente dirigirá os trabalhos auxiliado por um dos diretores. Durante esses trabalhos deverá reinar a mais absoluta harmonia, a fim de que possam ser obtidos os auxílios para aqueles que necessitam de proteção e que comparecem à sessão em busca da caridade, que é a verdadeira finalidade da Umbanda.

TENDJIT — É o nome do amuleto de efeitos negativos na magia negra.

TERÊ — Gênio da Terra entre os africanos.

TERREIRO — É o local onde são realizadas as cerimônias dos cultos aos Orixás e onde são atendidos os que ali vão em busca de proteção. O Terreiro também é conhecido por outros nomes, como Xangô, Macumba, Candomblé, Catimbó etc.

TERREIROS DE UMBANDA — Nos Terreiros de Umbanda é onde baixam as almas das criaturas humanas sofredoras, que são trazidas pelos espíritos das Linhas, a fim de terem a certeza de que já deixaram o mundo material, e serem doutrinados. Nos Terreiros   de Umbanda aparecem   também   os Espíritos da Natureza e os próprios espíritos de Quimbanda, inclusive os Exus. Ver Templo de Umbanda.

TEURGIA — É assim chamada uma das formas da Alta Magia, que consiste na ação e efeito das forças e potências divinas, ou seja, o apelo a essas forças e potências para a prática do bem.

TIA — Amuleto usado pelos escravos, especialmente pelos negros malês.

TIBARANÉ — Alma penada. Espírito sofredor.

TIMBIRI — Um dos Exus.

TINTAS — Em qualquer trabalho de Alta Magia — e os de Umbanda estão neles incluídos — não se usa o artificial, devendo ser tudo natural, seja do reino animal, vegetal, ou mineral a fim de, com seu emprego, se obter o máximo de resultados possíveis devido às vibrações que possuem os corpos a serem utilizados. Por essa razão, daremos a seguir uma pequena relação das plantas com as quais se pode trabalhar quando houver necessidade de uma tinta ou um corante, evitando-se, pois, o uso das fabricadas com anilinas e outros produtos sintéticos, artificiais):

Acariúba — Fervendo-se lascas dessa árvore obtém-se tinta preta utilizada no tingimento de cuias, tecidos, algodão e em outros trabalhos de Terreiros.

Anil — Também conhecido pelo nome de índigo; essa planta dá tinta azul.

Achauá — Pela fervura de suas cascas obtém-se tinta vermelha- escura servindo para tingir qualquer objeto e para qualquer trabalho.   .

Bastão Roxo — Fornece, pela maceração ou pelo cozimento, tinta roxa.

Caimbé — Os frutos espremidos, e a seguir, fervidos, fornecem tinta escura.

Carajuru — Das folhas secas e por maceração, extrai-se uma tinta vermelha, insolúvel n’água, solúvel no álcool e óleos. Os índios usam essa tinta solubilizada no óleo de andiroba para tingir seus corpos.

Cruz-de-Malta — Por maceração da planta, obtém-se tinta amarela.

Cumaté — Fornece tinta preta brilhante, muito usada no tingimento de cuias.

Araça dos Campos — Com as cascas prepara-se por fervura uma bela tinta roxa.

Genipapo — As cascas e os frutos fornecem tinta azul escura e violeta. Para conservar a coloração deve-se pintar os objetos ao abrigo do ar e, depois de secos, passar uma camada fina de verniz (copai ou goma-laca por exemplo) ou outro isolante qualquer para evitar o enegrecimento pela oxidação devido ao oxigênio contido no ar atmosférico.

Limarana — Tinta amarela.

Macuco — A infusão das cascas é utilizada como mordente, isto é, fixador da tinta, qualquer que seja a cor.

Mirindiba — A madeira dessa árvore dá tinta vermelha- arroxeada.

Murici — Da casca extrai-se uma matéria corante avermelhada, muito usada pelos índios para tingimento de tecidos de sua fabricação.

Pau-de-Arara — Por infusão da casca obtém-se tinta vermelha carmim.

Urucum — Por cozimento das sementes ou maceração no álcool, obtém-se tinta avermelhada, cor barrenta.

Com as cores dadas, pode-se obter qualquer outra cor desejada, bastando misturar as soluções   que darão a cor procurada.

TIPTOLOGIA — Processo pelo qual os espíritos se comunicam com os vivos e consistem em pancadas correspondendo: uma pancada,

à letra A; duas pancadas, à letra B e assim sucessivamente, ou também, uma pancada significa uma resposta afirmativa do espírito, enquanto, duas, significam uma resposta negativa.

TIRA A MAO DA CABEÇA — É o conjunto de cerimônias que se faz desde o dia do falecimento de um Chefe de Terreiro até um ano depois. Essas cerimônias têm por finalidade desfazer o que tinha sido feito com o mesmo Chefe quando ainda vivo.

TIRA-TEIMA — Planta dotada de altas virtudes mágicas, muito usada em defumações e banhos para pessoas e ambientes como ótimo afastador de fluidos nocivos e afugentador de obsessores.

TIRAR O PONTO — O mesmo que cantar o ponto.

TOBOCO — Um dos nomes de Ogum em alguns terreiros.

TOMADO — O mesmo que mediunizado. Transe mediúnico Incorporação.

TOMAR — Receber o Guia ou outro espírito por incorporação.

TOUÁ BOZON — Casa coberta de palha destinada aos espíritos. Espécie de Padê de Exu.

TOXINA PSÍQUICA — Fluidos nocivos que prejudicam a pessoa, ambientes e   objetos e   que são deslocados, afastados   ou destruídos, mediante banhos de descarga, defumações, passes magnéticos, uso de amuletos e uma interminável série de medidas defensivas e protetoras.

TRABALHO — De um modo geral o trabalho pode ser benéfico, como também pode ser prejudicial, podendo, pois, ser realizado por indivíduos de bons sentimentos e Guias espirituais, como por pessoas más e espíritos atrasados, empedernidos no erro e na vingança que, consciente ou inconscientemente prejudicam alguém.

TRABALHO ÀS DIREITAS — Trabalhos para o bem por meio de Magia Branca.

TRABALHOS ÀS ESQUERDAS — Trabalhos para o mal. Magia Negra. Quimbanda.

TRABALHOS DE UMBANDA — Os trabalhos mediúnicos de Umbanda, espirituais e anímicos, segundo a escola dos simples, recebem a influência de três campos, que são: Astral Espiritual, Astral Cósmico e Astral Anímico. As linhas que correspondem aos mesmos são, respectivamente: Oxalá, Iemanjá e Oxóssi.

TRANCA-PORTEIRA — Quixaba. Planta dotada de altas virtudes mágicas e muito utilizada em trabalhos.

TRANSE — É um estado praticamente psicológico e fisiológico que pode levar o indivíduo ao estado hipnótico, com perda da consciência e uma série de alterações, inclusive a liberação do inconsciente e do controle mental

TRASGO — Aparição. Fantasma, Assombração

TREPA-MOLEQUE — Planta também conhecida com o nome de Pau-de-Banco, usado em medicina doméstica e também em trabalhos de terreiro.

TREVO — Vegetal dotado de poderosas virtudes mágicas, sendo que o trevo de quatro folhas é tido como um poderoso amuleto para quem o encontra ou para quem o conduz.

TRIGO — As espigas e os grãos de trigo são muito usados em trabalhos de Umbanda por suas propriedades mágicas, sendo que, uma delas, é a de atrair a fartura.

TRIPUDIO — Processo de adivinhação, mediante certo ritual, por meio de frangos, especialmente galo novo.

TROCA DE CABEÇA — Transferência que é feita para uma pessoa, animal ou vegetal, de doenças, contrariedades, maus negócios, divergências familiares, feitiços etc, com a finalidade de beneficiar ou prejudicar alguém, ao fazer esse despacho, não se deve olhar para trás, nem pisar sobre ele, evitando-se também voltar pelo mesmo itinerário seguido, para não se neutralizar, acumular ou adquirir o que se foi desfazer; se assim não se fizer será uma verdadeira volta ao passado, com a continuação do que se quer libertar ou a contaminação por fluidos deletérios existentes em tais trabalhos. Depois de feito o que foi recomendado, a pessoa que se encarregou e se desincumbiu dessa missão, deve, para maior segurança, tomar um banho de descarga ou se defumar.

TUBIXABA — Morubixaba. Pajé. Cacique. Chefe de tribo.

TUCULÃ — Óleo que é muito empregado em certos rituais de iniciação e desenvolvimento de médiuns, servindo para untar a cabeça dos mesmos durante os trabalhos.

TUCUMÃ — Palmeira que fornece um óleo muito empregado em trabalhos mágicos.

TUPÃ — Deus do fogo, do raio e do trovão. Gênio do bem. Deus.

TUPÃ-MONGUETÁ — Orar. Rezar. Fazer preces.

TUPANRAIRA — Filha de Deus.

TUPANSI — Nossa Senhora.

TURÍBULO — É o queimador de incenso suspenso por três correntes finas ligadas por uma argola.