Dicionário de Umbanda-C

Letra C

Dicionário de Umbanda Letra C

Dicionário de Umbanda Letra C

Dicionário de Umbanda e Iorubá (Yorubá)

Dicionário de Umbanda, termos umbandistas, vocabulário umbanda

Dicionário de Umbanda

 

C

CAÁ-CANGAB — Mato, floresta.

CAAPOMANGA — Erva com virtudes   divinas, usada tanto como remédio, como em trabalhos de terreiro, sempre com resultados maravilhosos.

CAAPORA — É assim designado o espírito protetor da caça na selva amazônica.

CABAÇA — Vaso feito do fruto maduro do cabaceiro depois de esvaziado do miolo.

CABAIA — Assim é chamada a túnica de mangas largas muito usada nos terreiros pelos médiuns, babalaôs e cambonos.

CABALA — Magia oculta. Reunião para sessão de práticas mágicas e religiosas.

CABANA — Casa rústica ou palhoça. É o nome também dado aos lugares onde são instalados terreiros ou centros espíritas, sobretudo de Umbanda.

CABEÇA FEITA — É como é denominado o médium que se desenvolveu e foi cruzado em terreiro, tendo um protetor ou Guia como chefe espiritual.

CABECEIRA — Aqueles que orientam materialmente uma Tupã oca até a chegada do Morubixaba.

CABELUDO — Assim é chamado o espírito obsessor que baixa nos trabalhos de terreiro.

CABOCLO — Termo designativo de certos Guias das linhas de Xangô, Ogum e Oxóssi. Também chamado caboclo de terreiro. Os caboclos são espíritos guias das raças ameríndias, os quais não têm nenhum impedimento em baixar nos terreiros ou tendas de Umbanda. Os caboclos são também espíritos adiantados. Embora não tenham a brandura dos Pretos-Velhos, são muito prestativos e sabem agir com eficiência, nunca se negando a beneficiar ou praticar a caridade.

CABORGE — Trata-se de um termo que tanto designa patuá, amuleto e fetiche, como feitiço, malefício, prostituta e meretriz.

CACARUCAI — Idoso, velho, provecto.

CACARUCAIA — Mulher velha, idosa.

CACHIMBO — Muito usado nos trabalhos de terreiro.

CACUETO — Denominação de filho em Iorubáno.

CAFIOTO — Embora pouco empregado, este termo quer dizer: adepto da Umbanda.

CAIR DE SANTO — Transe mediúnico, isto é, quando o médium está pronto para receber o protetor.

CAIR EM TRANSE — É quando, no terreiro em que se realiza uma sessão, um médium se encontra em perfeitas condições para receber o seu protetor.

CAJANJÁ — É o mesmo que Omulu para os negros africanos de Angola.

CAJILA — É o nome como se designa um amuleto que tenha diversas finalidades de proteção, trazendo felicidade, tanto para o próprio que o possui como para outros a quem se deseja felicidade.

CALANDRINIA — É uma variedade de capim usada, tanto em banhos, como defumações, pois em qualquer caso, havendo fé e alta concentração, somente bons resultados serão obtidos.

CALÇO DE MARCA — É uma mistura de fumo com incenso usado durante os trabalhos de terreiro e muito apreciada pelos caboclos.

CALENDÁRIO DE UMBANDA — Muito embora as sessões das correntes umbandistas não tenham dias certos para a sua realização, sendo os dias mais comuns as 2.as 4.as e 6.as feiras, deve se destacar os dias comemorativos para sessões festivas, que são os seguintes:
1.° de Janeiro — Festa da Fraternidade Universal. 20 de Janeiro — Dia de São Sebastião e de São Jorge — Ogum — no culto nagô.
1.° de Março — Dia de Xangô Aganju (São José da Igreja Católica).
23 de Abril — Dia de Ogum no Culto nagô.
13 de Maio — Dia de Festa dos pretos-velhos em que se comemora também a abolição da escravatura no Brasil.
13 de Junho — Da mesma forma que no Catolicismo, também em Umbanda, nesta data, é comemorado Santo Antonio.
24 de Junho — Dia das solenidades de São João.
29 de Junho — Comemoração de São Pedro e São Paulo.
26 de Julho — Dia de Sant’Ana.
15 de Agosto — Dia de Nossa Senhora.
8 de Setembro — Natividade de Maria Santíssima.
27 de Setembro — É a grande data de Cosme, Damião e Doum.
30 de Setembro — Dia de Xangô Alafim (São Jerônimo)
4   de Dezembro — Comemorações de Santa Bárbara.
25 de Dezembro — O maior dia da cristandade pois a ele corresponde o nascimento de Jesus Cristo. Oxalá.

CALUNGA — Cemitério.

CALUNGA GRANDE — Oceano. Mar.

CAMANÁ — É uma prova rara, pois o médium que passou por ela teve que ir ao cemitério com uma vela apagada e voltar com a mesma acesa, sem ter levado fósforos ou qualquer objeto de ignição para acendê-la. Camaná é também a designação de médium entre as tribos malês.

CAMARINHA — É o nome dado ao compartimento existente no terreiro e que tem como finalidade abrigar os iniciados em trabalhos, sejam homens ou mulheres, os quais ali ficarão retidos alguns dias, enquanto perdurar o desenvolvimento da mediunidade e aprendizagem de tudo quanto se relaciona com os trabalhos de terreiro, como o ritual, os nomes e as finalidades dos objetos usados, os pontos riscados e cantados, os passes e tudo o mais que um médium não pode desconhecer para poder ser admitido nas sessões.

CAMBA — É o nome dado ao chefe de terreiro na Linha das Almas. CAMBA — É um amuleto de proteção para todos os fins. Ele deve ficar enterrado na entrada das casas de residência, ou pendurado nas paredes, atrás das portas, não só nas casas de família, como também nos estabelecimentos comerciais ou outros. É bom não ficar esquecido: sempre que não houver lugar para ser enterrado, ele deve ficar pendurado atrás de uma porta. O seu efeito é magnífico e absoluto. O chefe de terreiro é quem o poderá preparar para aquele que estiver interessado nos seus efeitos e na sua proteção.

CAMBONO — Servidor de Orixá e auxiliar de médium em transe. O cambono, pode-se dizer, é um médium que não obteve o necessário desenvolvimento, sendo, por isso, apenas um auxiliar dos guias e médiuns nos trabalhos de terreiro.

CAMINHOS ABERTOS — Quando os caminhos estão abertos, tudo se torna fácil e tudo dá certo.

CAMINHOS FECHADOS — A expressão caminhos fechados emprega-se quando uma pessoa se encontra sob a influência de maus espíritos que perturbam o bom êxito do seu trabalho e provocam males de toda sorte, tornando-a vítima de intrigas, calúnias etc.

Devemos dizer que são vários os motivos que podem tornar fechados os caminhos de alguém, sendo que, na maioria dos casos, a culpa é da própria vítima que, desta forma, estará pagando erros de vida anterior ou mesmo da vida atual. Outras vezes, a vítima não tem a menor culpa, mas os caminhos acham- se fechados pela ação de inimigos gratuitos, invejosos, desafetos, que não têm o menor escrúpulo em recorrer a trabalhos de quimbandeiros para prejudicar o seu semelhante.

Para combater a ação dos caminhos fechados, o que se tem a fazer é consultar um Babalorixá, o qual, pelos búzios, verificará a realidade da situação e indicará o consulente sobre o que deve fazer.

A vítima dos caminhos fechados deverá tomar banhos de descarga, conforme as prescrições do seu Babalorixá e fazer preces ao seu espírito protetor, as quais deverão ser pela manhã, ao levantar-se, à noite, antes de deitar-se, dar auxílios aos pobres e evitar o uso de bebidas, bem como não discutir, não se irritar e não se zangar com ninguém. Convém que peça ao Babalorixá que lhe prepare um amuleto, o qual não deverá deixar de trazer sempre consigo.

CAMOLETE — É um lenço branco de tamanho grande que é colocado na cabeça dos médiuns durante os trabalhos.

CAMUCITÊ — Nome dado ao templo, altar e pegi.

CAMUTUÊ — Cabeça (em africano).

CANDOMBLÉ — O candomblé, entre nós, surgiu primeiramente no Estado da Bahia, originário da mistura de rituais praticados pelos escravos que ali aportaram, vindos dos diversos países aos quais estavam submetidos e que, ramificando-se através dos estados circunvizinhos, foi pelo próprio povo erroneamente denominado de Umbanda. E, pelo fato da pluralidade desses cultos, o termo Umbanda também se pluralizou.

O Candomblé não deixa de ser uma religião, pois assemelha- se às demais religiões que praticam rituais evocativos das entidades dos planos Astrais superiores e inferiores, tais como as crenças: Ortodoxa, Anglicana, Bramanista, Budista, Confucionista, Protestante, Islâmica e Católica.

O Candomblé como crença espírita, simboliza perfeitamente os cultos Nagô, Banto, Gêge, Malê, Ameríndio, Cabinda, Benguela, Loanda etc. etc, tanto de origem africana como ameríndia.

Tanto a teogonia, como a liturgia e a hierarquia que se pratica no Candomblé, não passa de uma mistura de credos, os quais variam de conformidade com as seitas afro-brasileiras. No entanto, as suas práticas são perfeitas, e tudo que se distingue como fazendo parte do seu ritual, define-se de um modo claro e insofismável.

A composição dessa seita, inclui, na teogonia, a crença nos seus deuses, considerados como Orixás Maiores, constituindo o que se denomina de SUPREMA CORTE DE ARUANDA, onde as mais altas divindades irradiam para a Terra sua força fluídica, sem no entanto, darem-se ao trabalho de baixar neste planeta. Possuem, no entanto, esses Orixás, os seus subalternos, os quais, com a denominação de Orixás Menores, trazem até nós as ordens e as irradiações que desejam espalhar sobre a Terra.

Como entidades superiores, consideram os praticantes do Candomblé, as seguintes:

1.° – Os chamados Espíritos de Luz, encarnando as forças na natureza, considerados como elementais. São os espíritos evoluídos que se projetam através dos planos superiores do mundo Astral e que aceitam, como qualquer elemento humano, os AMALÁS (comidas de santo), quando incorporados nos seus médiuns.

2.° – Os EGUNS, ou espíritos desencarnados, considerados como ELEMENTARES. São as almas ou espíritos dos mortos, ou ainda: os espíritos humanos que não chegaram a atingir as mais altas camadas espirituais do mundo astral, por isso sujeitos muitas vezes a novas reencarnações.

3° – Os EXUS, ou espíritos diabólicos, considerados como servos ou escravos dos Orixás, servindo de intermediários entre os Orixás Menores, e o homem. São essas entidades que se incumbem de castigar os filhos de fé quando eles erram, pois que aos Orixás não é dado o direito ao castigo e tampouco têm a incumbência da prática do mal.

Com relação à escola hierárquica dos praticantes, iniciados ou sacerdotes do culto no Candomblé, conhece-se como chefe principal o chamado PAI-DE-SANTO conhecido também por outras denominações tiradas dos dialetos negros, tais como: BABALAÔ, BABALORIXÁ, BABALOXÁ, BABALUAÊ, ou ainda: Chefe de terreiro, Senhor de Olurum, Chefe do Rebanho, Príncipe de Umbanda etc. etc, do lado masculino; e MÃE-DE- SANTO ou BABÁ, do lado feminino.

Como intérpretes e ajudantes do Pai-de-Santo, temos os Cambonos, que são os encarregados de preparar e facilitar a chamada dos filhos da fé, ao se dirigirem ao Babalaô.

As sessões de Candomblé, embora muitos digam que elas somente servem para trabalhos maléficos, podemos afirmar que tai não ocorre, dado que os verdadeiros trabalhos apenas têm em vista dar a proteção a todos os que recorrem à sua prática. Assim todos aqueles que fazem magia negra e dizem que estão praticando a religião do Candomblé, estão apenas fazendo uma confusão que chega a ser revoltante, pois que os caminhos do Candomblé são apenas os caminhos da Graça de Deus, nada mais.

CANDURU — Assim são chamadas as brasas do defumador em linguagem nagô.

CANELA-PRETA — Também chamado Pau-de-Sant’Ana. Ê muito empregado para banhos e defumações de limpeza, bem como no preparo de amuletos.

CANGERÊ — Trabalho com fundo de feitiçaria visando fazer mal a alguém. É também a denominação de uma dança de negros em alguns terreiros, embora o seu fundo religioso.

CANJIRA — Lugar onde são realizadas as danças, de acordo com o ritual que seja praticado.

CANZÓ — Casa, lar, vivenda, moradia. (em africano).

CANZUÁ DE QUIMBÊ — Assim é denominado o lugar onde ficam retidos os espíritos dos desencarnados, de conformidade com a crença dos negros bantos.

CAÔ BECILHÊ — Saudação a Xangô.

CAPEBA — É aquele que trabalha apenas em feitiçaria.

CAPIANGO — Quer dizer ladrão em Angola.

CARAJURU — É uma planta de grandes virtudes mágicas, servindo, tanto para remédio, como para trabalhos no cerimonial umbandista.

CARAPIAPEMBA — Exu. Entidade maléfica, muito respeitada entre os negros bantos.

CARGAMELA — Esta é a designação de São Lázaro entre os negros cabindas.

CARREGADO — Assim é chamada a pessoa que sente sempre um mal estar inexplicável, como nervosismo e medo, tudo de proveniência de encosto espiritual, mau olhado, trabalhos, bem como influência de algum irmão inconsciente. Quem se achar nessa situação, deve recorrer ao trabalho de terreiro, pois o tratamento médico nenhum resultado dará.

CARUARA — Doença causada por trabalho de feitiçaria. Tanto pode ser chamada quebrante, como mau olhado.

CARURU — Planta muito conhecida e de grande uso nos terreiros.

CARVÃO — É um elemento muito usado, tanto nos trabalhos de alta magia, quando tem a finalidade de observar os fluidos maus, como na magia negra, quando a sua ação é a de provocar os maus fluidos. É um elemento que depende dos trabalhos onde é empregado.

CASA DE MINAS — É o nome como se denomina os terreiros em alguns pontos do Norte e Nordeste do Brasil.

CASEBRE — Além de designar casa pobre ou rancho, é também assim chamado o lugar destinado para os trabalhos de terreiro pobre.

CASSAIÚ — Elemento muito usado para banhos e defumações, dado o seu grande valor como dispersador de fluidos de fundo maléfico.

CASSINGA — Cipó muito empregado para banhos e defumações, dada a sua grande ação como dissolvente de fluidos maus, tanto em pessoas como em residências.

CASSUTO — Divindade maléfica protetora das doenças.

CATALAMBO GUNZA — Entre os negros de Angola, este é um dos nomes como é conhecido Oxóssi.

CATIMBAU — Cachimbo velho. Prática de feitiçaria.

CATIMBÓ — Termo de uso no Nordeste e que significa terreiro onde baixam os espíritos protetores de caboclos.

CATIMBOZEIRO — Espécie de cambono ou médium sem desenvolvimento, embora seja adepto das sessões de terreiro.

CATULÁ — É o termo usado em sessão e que significa a anulação de trabalho maléfico feito contra alguém. Sacaanga.

CAÚBA — Alguidar usado em sessão.

CAURI — É a concha marinha que, entre os escravos, valia como dinheiro. Búzio.

CAVALO — Médium dos Guias em Umbanda. Como em todas as correntes espíritas, este termo quer dizer o mesmo que aparelho, isto é, todo o médium que está sempre pronto a receber o protetor ou Guia.

CAVALO COMPLETO — Quer dizer o médium que, indistintamente, trabalha em qualquer linha, seja ela umbandista ou não.

CAVALO-MARINHO — Peixe que se tem em casa como poderoso amuleto, não só para, proteção, como para evitar os efeitos de trabalhos, feitiçaria e mau olhado, pois as suas virtudes mágicas são extraordinárias.

CAVÔ — Não somente significa despacho, como traduz também o sacrifício de animais para trabalhos e determinadas cerimônias de terreiro.

CAXAMBU — Nome de cidade brasileira de origem africana. Significa um tambor especial que os negros usam nas suas danças.

CEPO — Tronco de árvore muito largo, em forma de tora, de cujas raspas são feitos trabalhos que somente devem ser orientados e dirigidos pelos Protetores dos Centros.

CERA DOS TRÊS REINOS — É a cera que resulta da fusão de três outras ceras, que são: cera de abelha, cera de carnaúba e parafina. O produto assim obtido é muito empregado pelos Guias e Protetores conscientes para quem necessite   de   proteção   e amparo.

CERVEJA — Tanto a preta como a branca, a cerveja é a bebida preferida por muitos guias, sendo também usada em muitos trabalhos, inclusive em banhos, dentro do ritual de Umbanda.

CHÁ DE RASTRO — É o chá feito com a terra apanhada no lugar onde uma pessoa tenha dado sete passos. Este chá é utilizado com grandes proveitos tanto nos trabalhos de magia negra como nos de magia branca.

CHAMA — É sabido que o emprego do fogo em trabalhos de alta magia de Umbanda, vem de épocas bastante remotas, sofrendo muitas transformações no seu ritual, mas conservando toda a sua essência em toda a sua pureza assim podendo se compreender o reconhecimento e a homenagem às Entidades Superiores. A chama, pelo fato de conter luz e calor, encerra um real e profundo significado no que diz respeito à ligação e às ligações entre r Terra e o Astral. Em casos de interpretação, quando se tem em conta trabalhos de terreiro, a interpretação da chama pode ser feita da seguinte forma: Se a oscilação da chama verifica-se da direita para a esquerda, quer dizer um acontecimento muito próximo e que tanto pode ser bom ou mau. Se oscila em forma espiral, quer dizer intrigas ou traições. Dando-se o caso da chama se extinguir, isto é, se apagar, significa um fato muito importante e muito desagradável. Quando a sua luminosidade aumenta, mesmo sem ninguém soprar ou se aproximar dela, isto apenas deve ser interpretado como bons augúrios, sobretudo para a pessoa para quem a chama foi acesa.

CHAVE — A chave pode ser utilizada como uma espécie de amuleto, sendo muito grande o seu número de aplicações nos trabalhos de ritual de Umbanda.

CHEFE DE CABEÇA — É um dos nomes como é designado o Guia- chefe do médium de terreiro que tenha sido desenvolvido e cruzado no mesmo.

CHIBAMBA — Palavra de origem africana que quer dizer fantasma, assombração, aparição.

CHOQUE DE RETORNO — Quando o despacho não produz efeito contra aquele a quem fora destinado, esse efeito não desaparece, pois volta-se contra quem o preparou e também contra quem o encomendou. Isto é que se chama choque de retorno, o qual se verifica algum tempo depois de ter sido praticado. A pessoa que encomendou o despacho de Exu, para fazer mal a alguém, fica doente ou cai na pobreza ou sofre algum desastre, ou às vezes, acontece morrer alguma pessoa da sua família. Muitas vezes, também, nada disso acontece, pois que a pessoa vai sofrer depois de desencarnada, esse caso é muito freqüente e é por isso que existem milhões de espíritos sofredores. Outras vezes, o choque de retorno somente vai produzir efeitos em outra encarnação, isto é, a pessoa desencarna para sofrer em outra encarnação, sendo este o motivo por que se justifica, ou se explica, o fato de muita gente nascer aleijada, cega, muda, enquanto outras morrem em desastre ou assassinadas, sem nunca gozarem nenhuma felicidade.

Os males do choque de retorno são devidos aos perigos da magia negra, os quais são tantos que não podemos mencioná-los todos aqui. Entretanto, um dos maiores perigos está em que, os que se dedicaram à magia negra, quando desencarnam , são escravizados pelos Exus, que somente os soltam quando é chegada a hora de voltarem a reencarnar. Um grande número dos espíritos das Linhas das Almas e Mista, compõe-se de criaturas humanas que praticaram ou se utilizaram da magia negra para fazer mal aos seus semelhantes, com fins puramente egoísticos.

Os babalorixás e os médiuns têm grande responsabilidade nos trabalhos de magia negra. Por isso, quando eles desencarnam, os seus espíritos vão passar séculos no astral, em meio aos mais horríveis sofrimentos, constituindo-se   em espíritos perigosíssimos, como se fossem verdadeiros Exus.

CHOUPO — Trata-se de uma árvore que, pelas virtudes mágicas que contém é de grande emprego em vários trabalhos mágicos de Umbanda.

CHUGUDU — Assim se define o gênio do mal cujo símbolo é uma galinha preta usada nos trabalhos de magia negra dos terreiros de Quimbanda.

CHUMBADO — É quando uma pessoa é alcançada por uma carga fluídica negativa, ou seja, uma espécie de enfeitiçamento produzido por trabalho de magia negra.

CHURUMANGUNGO — Espírito obsessor, ou melhor, espírito atrasado e sem luz que, em plena ignorância, pratica o mal sem saber o que está fazendo.

CINDA — Nome do orixá Oxum nos terreiros de Omolocô.

CINZAS — Resíduos decorrentes da queima de madeira e muito usados em trabalhos de terreiro de Umbanda, pois é muito reconhecida a sua força protetora contra espíritos atrasados e fluidos maléficos.

CITA — Nome do orixá Iansã, nos terreiros de Omolocô.

CLARIVIDÊNCIA — Ê o poder de percepção de médium vidente ou clarividente que tem o dom de ver coisas às vezes muito importantes, e que são totalmente ignoradas por eles médiuns e também pelo consulente e pelos assistentes.

COBRA DE DUAS CABEÇAS — É uma cobra não venenosa e muito empregada em trabalhos de Quimbanda.

COISA FEITA — Quer dizer trabalho feito para levar o mal a alguém, como seja, despacho, feitiço, bruxaria etc. Às vezes uma pessoa, sente-se como que diminuída, doente, desanimada, sentindo mesmo coisas que não sabe explicar. Isto é o que se pode chamar trabalho ou perseguição espiritual, pois que quem se sente em tal situação, não pode atinar com o que seja a causa dos seus males, pois que os mesmos, se não são uma resultante de algum trabalho feito nalgum centro de Quimbanda por um seu inimigo, pode resultar de um encosto de um espírito ignorante e sem luz. De qualquer forma, todo aquele que se encontrar em tal situação, deve procurar a proteção recorrendo aos trabalhos de um centro de Umbanda, pois somente assim poderá tudo ser desfeito e ser dado fim ao sofrimento.

COMIDAS DE SANTO — As comidas de santo, também chamadas comidas dos Orixás ou de Amalá, são, resumidamente, as seguintes que passamos a mencionar: XANGÔ — Abará. Caruru. Pamonha. Adô. Aberem. Olubê. Efum. Ecuru. Belo. OGUM — Feijão fradinho. Feijão Preto. Abóbora. Agrião. Batata. OXALÁ — Cangica, Acassá. Peixe. Doces. OXUM — Muqueca de peixe. Carne. Cabrito. Aussá. Xin-Xin. IANSÃ — Pescado. Camarão. Acarajé. Xin-Xin. Abará. Ipete. IEMANJÁ — Guisado de cabrito. Muqueca de peixe. Sardinha. Camarão. A pipoca, embora não esteja citada, é uma comida comum de todos os Orixás.

CONCENTRAÇÃO — É assim designado o estado mental em que nos colocamos para ater a nossa atenção e o nosso pensamento em alguma coisa de nosso interesse, seja ela material ou espiritual. Para se conseguir que a concentração seja a mais perfeita possível, isto é, para evitar que fuja do nosso pensamento aquilo que está preso no nosso subconsciente, existem várias modalidades. Uma delas é a seguinte: Pensamos em Jesus e em São Gabriel que anunciou que a Virgem Maria seria a Sua Mãe, não esquecendo o seu nascimento na mangedoura e a fuga para o Egito, bem a sua vida de misericórdia, seus inúmeros sofrimentos, a sua crucificação e esplendorosa ressurreição. Se, quando precisarmos concentrar o nosso pensamento, fizermos assim, estaremos em perfeitas condições para afastar quaisquer outras idéias da nossa mente. Podermos, também, ao invés de Jesus, procurar outro assunto que nos mantenha preso o pensamento, livrando-nos, de manter a confusão em nosso cérebro, pois somente assim estaremos em condições de nos atermos à questão para a qual uma concentração perfeita é indispensável. Assim, sempre que estivermos presentes a uma sessão, seja apenas para acompanharmos os trabalhos, ou para esperar alguma graça, devemos sempre nos manter na maior concentração, evitando de um modo absoluto manter conversas e tendo o pensamento na forma como já somente assim as correntes   poderão ser bem   encaminhadas e produzir os benefícios esperados.

CONCHAS DO MAR — As conchas do mar nada mais são que fetiches de Iemanjá, sendo também usadas como amuletos, pois que após serem preparadas pelos Guias, elas passam a ter uma poderosa influência sobre o seu portador, além de o proteger também com o seu extraordinário poder mágico.

CONDENSADOR FLUÍDICO — É uma solução aquosa ou oleosa que tem a capacidade de aumentar e acumular a força fluídica que os médiuns recebem durante os trabalhos de terreiro. A água utilizada para o condensador fluídico, não deve ser filtrada e, sendo óleo, este pode ser qualquer um, mas que esteja absolutamente puro, isto é, que não tenha servido para qualquer outra coisa. Para o seu uso no ambiente de trabalho deve-se colocar uma pequena quantidade numa vasilha, a qual deve ser posta no meio de um círculo feito com pemba.

CONFIRMAÇÃO — A confirmação do protetor tem lugar depois da lavagem da cabeça, quando são cantados os pontos indicados para tal fim, baixando os protetores de terreiro, os quais preparam colares — guias — que o médium terá de usar. O Babalorixá ou o chefe de terreiro coloca na cabeça do médium uma coroa feita com espadas-de-São-Jorge, guiné e ramos de arruda. Nesta altura, derrama-se um pouco de vinho tinto sobre a cabeça do médium, cantando-se os pontos de caboclos, até que o Protetor de médium se incorpore o risque seu ponto. Então tudo escara pronto para que os trabalhos sigam o seu ritmo normal.

CONFUCIONISMO — Com o nome de Khong-tseu ou Khongfu- Tseu, ou ainda com a denominação de sábio, mestre ou doutor Khong, e mais tarde CONFÚCIO, foi esse grande filósofo, historiador e homem de Estado chinês, o verdadeiro criador e impulsionador da doutrina Confucionista. Confúcio conseguiu reunir cerca de 3.000 discípulos, morrendo com a idade de setenta e três anos, em 479 antes de Cristo, tendo antes revisto os Kings e dado um último impulso às suas obras filosóficas e espiritualistas. Confúcio, sem a menor sombra de dúvida, pode ser considerado um dos grandes precursores da Doutrina de Umbanda.

CONGA — Protetor do terreiro de Umbanda. Pegi. Altar.
Artigo:

Congá, Gongá ou Altar de Umbanda
Altar-conga-umbanda

A palavra Congá tem origem no idioma Banto, mas está diretamente ligada àquela aquela que na língua latina significa altar, tendo tanto o alto e o acima, como o nutrir, o alimentar por significado. Definição bastante adequada à função desempenhada por todo o Congá, onde se estabelecem pontos energéticos, dos quais o principal é o Altar.

Vários povos de diferentes culturas, através de sua hierarquia espiritual (sacerdotes, Xamãs, Pajés e outros) de alguma forma identificavam locais onde energeticamente estabeleciam relações com suas divindades e onde aí consagravam seus cultos a elas, como uma “ponte” entre os humanos e o sagrado, mesmo antes de se fazer templos destinados a seus cultos.

O Gongá é o ponto principal de axé do Terreiro. Um local consagrado, onde as energias são permanentemente renovadas, através de nossas preces e outros objetos imantados que ali são dispostos, como velas, flores, copos com água, pontos riscados, pedras e imagens. Imagens de Santos católicos por conta do sincretismo religioso, de caboclos, de pretos velhos, entre outras entidades de Umbanda.

Assim como o Congá, como um todo, é imantado, todos os elementos presentes lá também o são. Os símbolos ali presentes são energizados para poderem fazer parte deste ponto sagrado dentro da casa de Umbanda. É no Congá que o altar suspenso se une a outros pontos energéticos de firmeza espiritual para irradiar a energia por todo o chão, onde os pés descalços absorvem todo o fluido.

Na Umbanda lidamos com fluidos às vezes muito pesados e uma grande quantidade de pessoas não consegue ainda compreender o verdadeiro objetivo da Umbanda. O gongá é o mais potente aglutinador de forças do templo, ele é atrativo, condensador, escoador, expansor, transformador. Alimentador dos mais diferentes tipos de energias e de magnetismo. Existe um processo de constante renovação de força que emana do gongá, como núcleo centralizador de todos os trabalhos de umbanda.

Características do Gongá:

Atrativo: Atrai os pensamentos que estão a sua volta num amplo magnetismo  de recepção das ondas emitidas. Quanto mais as imagens e elementos dispostos no altar forem harmoniosos com os orixás regentes do templo, mais é intensa essa atração. Gongá com excessos de objetos, dispersa e quebra as energias e suas forças emitidas.

Condensador: Condensa as ondas mentais que se “amontoam” ao seu redor, decorrentes da emanação psíquica dos presentes: palestras, adoração, consultas. Ele absorve os pensamentos dos consulentes e médiuns.

Escoador: Se o consulente ainda estiver formas-pensamentos negativos, ao chegar na frente do gongá, elas serão descarregadas para a terra, passando pelo gongá em patente influxo como se fosse um para-raios. O gongá absorve as energias negativas dos consulentes e descarrega na terra.

Expansador: Expande as ondas mentais positivas dos presentes; associadas aos pensamentos dos guias que as potencializam, são devolvidas para toda a assistência num processo de fluxo e refluxo constante.

Transformador: Funciona como uma verdadeira usina de reciclagem de lixo astral, devolvendo-o para a terra.

Alimentador: é o sustento vibratório de todos os trabalhos mediúnicos, pois junto dele fixam-se no astral os mentores dos trabalhos que não incorporam.

Assim, podemos verificar que o altar, ou o Gongá, usando terminologia própria da Umbanda, é uma verdadeira concentração energética. Todos concentram alí seus pensamentos, suas orações, suas criações mentais mais sutis. Então, quando precisamos de uma cota energética maior para desenvolver certas atividades, é só recorrermos a esse “depósito” de energias, pois ele é também um imenso reservatório de ectoplasma, força nervosa grandemente utilizada por nossos trabalhadores, em vista da natureza nas nossas atividades.

Desta forma, é necessário que se cuide muito bem do conga de uma Casa. A harmonia de uma reunião de Umbanda está diretamente relacionada com a manutenção da boa prática de energização de todos os símbolos ali presentes, para que a troca realizada seja intensa e benéfica para todos os participantes da corrente mediúnica.

Fontes diversas.
Autor: Tátila
Fonte: www.ceenc.com.br

 

CONGO — Vegetal de cujas altas virtudes mágicas se aproveitam os negros africanos no preparo de amuletos e fetiches. Região da África.

CONSAGRAÇÃO — Após ser consagrada pelo Guia Responsável dos trabalhos, o candidato é entregue ao Presidente da Casa, o qual procederá à leitura do texto evangélico que se encontra em Lucas, cap. 10 vers. 1 a 20. Em seguida, de pé, e enquanto se faz ouvir música em surdina, colocará a mão direita sobre a cabeça do novo doutrinador, e dirá: Em nome de Deus, de Jesus e do Guia Responsável dos nossos trabalhos, eu te recebo (diz o nome do candidato), aos trabalhos da Ordem Umbandista, rogando a Jesus Misericordioso que sobre ti derrame as suas bênçãos.

Após cumprimentar o novo trabalhador, o Guia Responsável encaminha-o ao diretor da mesa das Almas, que receberá o recém-escolhido com um abraço, promovendo, em seguida uma breve palestra relativa ao ato. Depois de terminada, será cantado o ponto do Guia chefe, fazendo o Presidente a prece de Jerônimo de Praga. O candidato será abraçado por todos os demais irmãos.

CONSAGRAÇÃO DE CAMBONOS — Para esta consagração, o presidente abrirá os trabalhos na forma do ritual, mandando cantar logo em seguida, sete pontos, correspondendo cada um a uma linha de Umbanda. Em seguida determinará a formação da corrente mediúnica, colocando ao centro do círculo, que será formado por todos os elementos das mesas e do terreiro, o candidato ou candidatos. O diretor de terreiro fará a prece de Jerônimo de Praga e, a seguir, o presidente fará a declaração, dando por empossados ou empossado o novo ou os novos trabalhadores, com um abraço fraternal. Os trabalhos serão encerrados com o ponto da casa e o presidente encaminhará os novos ou novo companheiro aos demais irmãos, a fim de receber os abraços. Assim, terminado o cerimonial, os cambonos já estarão em condições de prestar seus trabalhos no terreiro.

CONVOCAÇÃO DE XANGÔ — O dia de Xangô, é um dia destinado ao balanço das atividades gerais dos trabalhadores de Umbanda, encarnados e desencarnados. Para a Umbanda é uma solenidade de   alta importância e, assim sendo, deve ser observada com interesse especial. Daremos os esclarecimentos na parte referente às festas umbandistas. V. esse título.

CORES — Na magia de Umbanda, as cores são observadas e empregadas sob vários aspectos. Para explicar melhor, vamos aqui relacionar, num pequeno esquema, tudo quanto diz respeito ao simbolismo das cores, como se segue:

Alaranjado — É uma cor decorrente da combinação do amarelo com o vermelho. Simboliza a indissolubilidade e a iluminação espiritual.

Amarelo — Esta cor simboliza a revelação Divina da Iniciação.

Azul — É o símbolo da verdade Divina e Eterna, simbolizando, também a castidade, a fidelidade a lealdade.

Branco — Cor que simboliza a pureza absoluta e que, pela sua excelência, anula todos e quaisquer fluidos nocivos. Além de pureza, esta cor simboliza também a verdade e a inocência.

Cinza — Esta é a cor que simboliza a morte, ou melhor o desencarne terrestre e a imortalidade do espírito.

Preto — Também é o símbolo do desencarne espiritual.

Verde — Dentre as três cores fundamentais, o verde é a principal, sendo as demais, o amarelo, o azul e o vermelho, sendo que do amarelo e do azul que se forma o verde. É o símbolo do amor e da verdade.

Vermelho — esta cor simboliza as virtudes espirituais e as energias materiais da vida, bem como a força moral e a alegria.

Rosa — Tudo quanto nos está oculto é simbolizado por esta cor. Ela simboliza também o primeiro grau de regeneração na vida terrena.

Violeta ou Roxo — Esta cor, que é formada pela combinação do azul com o vermelho, é o símbolo do amor e da verdade.

CORIFEU — Assim é denominado o chefe de seita, seja ela umbandista ou quimbandista.

CORPO ASTRAL — Assim é chamado o perispírito, dado a sua consistência puramente fluídica, sem nenhuma influência de qualquer substância material.

CORPO LIMPO — Quer dizer o médium (homem ou mulher) que venha de longo tempo fazendo um preparo conveniente para trabalhar nos terreiros. É indispensável que não deixe de tomar o seu banho de firmeza, fazendo também higiene mental, para isso pensando apenas em coisas de grande elevação espiritual. É indispensável também que não tenha tido relações sexuais nos dias dedicados aos trabalhos de terreiro.

CORPO SUJO — É justamente o contrário do Corpo Limpo, ou seja, o médium (homem ou mulher) que justamente nos dias de trabalhos não tenham tomado banho de descarga e tenham tido relações sexuais. O médium feminino estará com o corpo sujo se em período de menstruação, não podendo em tais condições tomar parte, de modo algum, nos trabalhos de terreiro.

CORREDOR DE GIRA — É assim denominado o freqüentador de terreiros que se tem na conta de perfeito, pois que se julga mais espiritualizado e com muito maiores conhecimentos que as próprias entidades de grande elevação espiritual, com as quais, durante as sessões, procura manter conversas, embora isto seja contra-indicado.

CORRESPONDÊNCIA ZODIACAL DO CORPO HUMANO — São os seguintes signos do Zodíaco que estão ligados às diversas partes do corpo humano:

ÁRIES — Destinado a governar a cabeça de um modo geral, inclusive a massa cerebral e os olhos.

TOURO — Tem a sua ação na garganta, na boca e nas glândulas salivares.

GÊMEOS — Oxigenação orgânica, braços, espádua, olfato e sistema nervoso.

CÂNCER — Pulmões, baço e suco gástrico.

LEÃO — Coração, nervos, estômago e fígado.

VIRGEM — Barriga, ventre e intestinos.

LIBRA — Bexiga e rins, inclusive órgãos urinários.

ESCORPIÃO — Governa apenas a próstata.

SAGITÁRIO — Tem ação única nos órgãos genitais.

CAPRICÓRNIO — Musculatura em geral, coxas, nádegas e ânus.

AQUÁRIO — Circulação sanguínea, pernas e  respectivos nervos.

PEIXES — Os tecidos em geral e os pés.

 

COSME E DAMIÃO — A festa de Cosme e Damião é aquela em que a Umbanda celebra o advento da criação do homem em seu duplo aspecto: Físico e Astral. Dois corpos exatamente iguais em sua aparência e traços fisionômicos. É uma festividade na qual a magia divina é exalatada de forma especial; geralmente é dispensada atenção especial à criação, porque ela esconde o segredo da mesma que há de crescer dando lugar a um mundo melhor, se educada e conduzida ao seu verdadeiro destino. Os idólatras confundiram aqueles corpos: Físico e Astral com gêmeos, daí as figuras de Cosme e Damião, dois médicos lendários de um país africano. Esotericamente não há festa, visto que a magia da criação do homem é assunto de longos estudos para o umbandista. Exotericamente organizam-se programas festivos para as crianças e ensina-se aos pequeninos a viver sem violência, afastando-os da infausta doutrina racista, das castas e das condições de cor. A criança deve ser vista como a esperança do amanhã, a luz da vida para um mundo mais civilizado e cristão. Organizam-se festejos adequados à infância e distribui-se presentes e doces em local apropriado, onde possam brincar aprendendo coisas úteis e agradáveis.

São festas simbólicas e teúrgicas, isto é, aquelas que se revestem de sentido especial e que são programadas pelos Guias, ou pelo Guia Responsável pelos trabalhos.

Festa de Ogum
Festa de Oxóssi
Festa de Oxum
Festa de Iemanjá
Festa de Pretos-Velhos.

Para elas todos os membros da entidade umbandista deverão estar preparados de conformidade com as instruções do Guia da Casa.

COSTUME — Quer dizer menstruação, isto é, o período em que a mulher, sendo médium, não poderá tomar parte nos trabalhos, muito embora possa estar presente como simples assistente.

COTAS — São assim chamadas as zeladoras de terreiro, quando médiuns femininos, se já tiveram alcançado o terceiro grau de desenvolvimento. Os dois primeiros graus são IAÔS e SAMBAS.

COVÃO — Termo usado para designar cemitério.

CRAVO — Flor de grande uso em banhos de descarga, bem como em defumações e outros trabalhos de terreiro, dadas as suas grandes virtudes mágicas.

CREDO-EM-CRUZ — É uma interjeição, que traduz espanto, admiração e repulsa, sendo também usada para evitar e afugentar os maus espíritos. Fazer o sinal-da-cruz para, em seguida, rezar o Credo.

CRÉDULO — É a pessoa de boa fé e ingênua, que aceita e acredita em todas as tolices que os fanáticos soltam em nome de Umbanda e outras correntes espiritualistas.

CRENÇA — É a convicção e firmeza em tudo quanto é grande e elevado.

CRENDICE — É o crédito que muita gente dá a coisas falsas e absurdas decorrentes da ignorância, do falso espiritismo.

CRISMA — É assim chamado o óleo com essência aromáticas, usado em terreiros para trabalhos de rituais de desenvolvimento e de Alta Magia.

CRISTIANISMO — Deu-se o nome de Cristianismo à religião surgida em Roma, nos tempos de Nero, professada pelos chamados Cristãos, os quais professavam a lei de Cristo ou Chrestos, com a significação hebraica de bom, doce, agradável, saudável, nutritivo etc. Cristo não representava nome próprio, mas sim o equivalente a Messias, ou enviado de Deus.

A crença cristã afirma a existência de um só Ente, o qual consideram como imutável, absoluto, infinito, onipotente, onipresente e criador único de todas as coisas e substâncias. Dessas substâncias compreende-se a criação dos entes espirituais puros (anjos), das matérias (astros), e dos homens, considerados de origem mista, por conterem em seu Eu o espírito e a matéria ou o corpo e a alma. Deus é esse espírito supremo, consciente e onisciente. Acreditam os cristãos que os anjos, por serem criaturas de Deus, permanecem no céu os bons, e no inferno aqueles que se rebelaram contra as suas leis. Tem como ponto fundamental a filosofia cristã, a crença na imortalidade da alma, condição   essencial   aos   dogmas e moral   do cristianismo. Acredita-se que todas as almas retomarão seus corpos, a fim de comparecerem ao tribunal de Deus, no dia do Juízo Universal, onde receberão o castigo ou o prêmio pelas boas ou más ações praticadas durante a passagem pela terra. Segundo os católicos, cismáticos ou protestantes, a alma vai para o céu ou para o inferno; e ainda; segundo a crença católica, irá para o purgatório, segundo a desobediência das leis da Igreja.

Na própria Igreja Católica, muita coisa errada se tem feito em nome de Deus. Para resumir, vamos falar sobre os Papas. Constituindo doutrina na igreja romana, o Papa representava o ponto vital da igreja universal de Cristo, investindo-se de autoridade suprema sobre bispos e pastores do mundo inteiro. Assim, o Papa investiu-se de plenos poderes e veio a ser, quase que universalmente, reconhecido como o enviado de Deus na terra, possuindo autoridade sobre a Igreja e sobre o Estado. Os mandamentos da Lei de Deus foram suprimidos em alguns pontos e insertos em outros, a fim de que permanecessem com número exato. Passaram a adorar as imagens, em completa desobediência às Leis Divinas. Houve o protesto em virtude de que com o estabelecimento do papismo, a fé em Cristo deixara de ser o verdadeiro fundamento da Igreja, atribuindo-se ao Papa o poder de autoridade em confiar e perdoar os erros dos homens. Foi imposta ao povo a condição de que o Papa representava o mediador de Cristo sobre a terra, e que ninguém podia chegar junto ao Pai, a não ser por seu intermédio e que por esse motivo devia ser incondicionalmente obedecido e respeitado. O papado encheu-se de força e de dinheiro, à custa das chamadas indulgências, sendo que, no século XIII instituiu-se o mais hediondo e horripilante instrumento da catequese romana, a chamada Santa Inquisição.

Tornara-se o Papa o maior déspota do mundo, enquanto a igreja católica atingia o clímax do seu poderio universal.

CRUZAMENTO — O cruzamento de médiuns na Umbanda, é um ato que deve ser revestido de toda a solenidade. Ele significa o entrosamento completo da mente do médium com a mente do Guia-chefe de sua cabeça, que passará, daquele dia em diante, a estabelecer uma corrente fluídica definitiva, corrente esta adquirida no decorrer do seu desenvolvimento, através dos fluidos das entidades presentes no terreiro, durante a fase desse desenvolvimento.

O cruzamento terá lugar quando o Guia-chefe do terreiro, que tem a responsabilidade da boa orientação e da harmonia que devem imperar no mesmo, sentir que os fluidos daquele médium, até então em desenvolvimento, atingiram a sua fase de aperfeiçoamento. Então é chegado o momento de fazer-se a chamada definitiva da entidade-Chefe de sua cabeça, para que ela, tomando conhecimento de que se acha em completa ligação fluídica com esse médium, determine os materiais que deseja, como parte integrante de seu ritual, para que o cruzamento se realize com os fluidos de cada um desses materiais, dos quais a entidade vai se servir nos seus futuros trabalhos de magia.

Falando sobre a parte prática dessa cerimônia, devemos dizer que o cruzamento é feito da seguinte maneira: o Presidente ou o Chefe de terreiro, faz com uma pemba branca 7 cruzes no médium, sendo uma na cabeça, uma na nuca, uma acima do peito do lado esquerdo, uma no peito de cada pé, uma nas costas de cada mão, ao mesmo tempo que será cantado em voz baixa:

Encruza, encruza esse filho de Umbanda, encruza, encruza, encruza na lei de Umbanda.

As demais etapas do cruzamento do médium, são as seguintes: a lavagem da cabeça, a confirmação dos Protetores e a confirmação dos Guias.

A lavagem da cabeça é feita derramando-se vinho tinto na cabeça do médium, depois de se cantar um ponto de caboclo.

A confirmação do Protetor tem lugar depois de terminada a lavagem da cabeça, cantando-se os pontos adequados, quando baixam os protetores do terreiro que preparam os colares — guias — que o médium terá de usar. O Presidente ou o chefe do terreiro coloca na cabeça do médium uma coroa de espada-de- São-Jorge, guiné e ramos de arruda. Derrama-se sobre a cabeça do médium uma pequena quantidade de vinho tinto, cantam-se os pontos de caboclos, até que o Protetor do médium venha a se incorporar e risque seu ponto. E assim está terminado o cruzamento, podendo o médium agora tomar parte nos trabalhos de terreiro.

CUBANGO — É a designação de Exu entre os negros cabinda.

CUBATA — Quer dizer Choupana africana no angola.

CUCUMBIS — Festa de circuncisão dos meninos, celebrada pelos Congos e Munhambanas.

CUIPEUNA — Flor de Quaresma. Planta cujas flores são muito usadas em trabalhos, em banhos e defumações.

CUMAÇà— Planta muito semelhante ao cipó e possuindo grandes virtudes mágicas, sendo por isso muito empregada em trabalhos de terreiro.

CUMBA — Indivíduo forte, valente e provocador. Esta palavra serve também para designar o Feiticeiro e todo aquele que se dedica a trabalhos de bruxaria.

CUNDIM — Farofa preparada com cebola, vinagre e azeite, cuja finalidade é acompanhar os despachos feitos nas encruzilhadas.

CURANDEIRISMO — Concebe-se na Umbanda como Curandeirismo, o ato que os povos antigos praticavam no exercício do que, hoje, se concebe como falsa medicina.

Nas antigas civilizações, onde o progresso era falho e a prática da medicina ainda não havia tomado o seu  incremento, exercia-se o curandeirismo entre as tribos, com a finalidade de curar aqueles que se julgavam enfermos, ou possuídos por seres infernais. Os curandeiros eram tidos como sábios, pelo fato de conhecerem profundamente o uso de fórmulas químicas obtidas com a infusão de ervas e raízes, com as quais obtinham impressionantes resultados. Por outro lado, os curandeiros das tribos eram também chamados feiticeiros pelo fato de praticarem o que o vulgo chamava de feitiçaria, por trabalharem   com   as correntes espirituais, na evocação de entidades demoníacas. Durante o período da Idade Média, mais acentuada se tornou a prática do curandeirismo, estendendo-se até o período compreendido entre os séculos XV a XIX.

Na época atual, a questão do curandeirismo deixou quase que praticamente de existir, a não ser nas práticas exercidas por alguns cultos fetichistas, entre eles o CANDOMBLÉ. Na Umbanda atual, entretanto, as autoridades policiais exercem uma séria fiscalização nesse sentido, pois representa crime contra a saúde pública o exercício ilegal da medicina. A Umbanda, não obstante todo o bem que pratica em benefício dos que recorrem à sua ajuda, em qualquer caso age contra o que determinam as leis.

Acontece, porém, que numa Umbanda codificada, a questão do curandeirismo poderia ser interpretada de outra maneira, e, assim, aquilo que denominamos de Curas Mediúnicas, passaria a ser encarada de um modo mais lisonjeiro e interpretado como CIÊNCIA MÉDICA RELIGIOSA, como já existe nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Acreditamos mesmo que o curandeirismo jamais deixará de existir, pois existindo na realidade os Espíritos de Luz e os Guias Espirituais, não deixarão eles de nos ministrar os seus passes e receitar-nos os seus remédios feitos com elementos vegetais que traduzem o perfeito conhecimento que possuem da medicina do espaço.

Acompanhemos a evolução da Umbanda, e dia virá em que a própria medicina se curvará ante a magia dominadora das poderosas entidades espirituais.

CURANDEIRO — Na Umbanda o curadeirismo não existe, pois nos seus terreiros há sempre irmãos médicos prontos a atender os que necessitam de tratamento, contando para isso com a ajuda de irmãos protetores que foram médicos quando na vida terrena. Todavia, devemos dizer que curandeiro é todo aquele que deturpa as suas qualidade espirituais, pensando beneficiar os seus semelhantes.

CURIADORES — São as bebidas que se oferecem às entidades espirituais que baixam nos terreiros. Essas bebidas variam de acordo com a exigência de cada entidade, e têm também a sua significação esotérica. Da mesma forma que Cristo, ao reunir os discípulos, por ocasião da ceia, irmanou-se com eles, bebendo vinho, em confraternização de amizade, da mesma maneira praticam as entidades espirituais o uso desse costume que se tornou tradicional entre as civilizações. Assim, acreditam todos os que praticam a Umbanda, e mesmo aqueles que cultuam outras religiões, que o ato de beber, quando é feito no sentido de reunir pessoas amigas em um mesmo círculo com a finalidade de festejar um acontecimento qualquer, traz-nos alegria e momentos de felicidade. Do mesmo modo, as entidades espirituais, atraídas pelo seu curiador predileto, trazem boas irradiações espirituais, ao mesmo tempo procurando satisfazer os nossos desejos e vontades.

O fato de um espírito não precisar absolutamente de bebida ou comida, não implica no ponto de vista de um ritual antigo, e que ainda hoje é largamente cultuado. Nesse caso, quando os católicos fazem suas promessas aos Santos, prometendo-lhes braços de cera, velas etc, isto não quer dizer que os Santos estejam precisando desses objetos. A finalidade dessas ofertas é unicamente uma crença na LEI DA OFERTA E DA PROCURA, lei essa da qual a humanidade jamais se poderá afastar. Dar para receber, é uma das condições espirituais, e essencial ao elemento humano, cuja origem é DIVINA, e reside no íntimo de cada um. CURIAU — Despacho. Comida de santo.

CURUPIRA — Fantasma ou espírito de assombração, que tem a particularidade de somente aparecer à noite.

CURUPIRO — Ajudante de trabalhos de terreiro, exercendo papel semelhante ao dos cambonos.