Dificuldades nas comunicações mediúnicas

CAPÍTULO 8

As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o alto

 

PERGUNTA: — Há fundamento na afirmação de que os espíritos elevados defrontam sérias dificuldades para entrar em contato com os médiuns, ou com o Plano material?

RAMATíS: — Em face da vibração subtilíssima dos espíritos superiores, que já se distanciam bastante do padrão espiritual comum de vossa humanidade, eles se vêem obrigados a mobilizar todos os seus esforços e energias para serem percebidos pelos encarnados. Somente através dos médiuns sublimados no serviço do Cristo é que as entidades angélicas conseguem se manifestar mais a contento, por encontrarem fluidos sutilizados e balsâmicos, com que podem revestir os seus perispíritos para o contato com a matéria. Em geral, esses espíritos necessitam de grande quantidade de fluidos dos médiuns, mas só aproveitam uma pequena parte, isto é, a que for menos animalizada e mais susceptível de “eterização” angélica.

Embora se trate de seres sublimes, cuja presença é agradabilíssima e balsâmica às percepções das criaturas bastante sensíveis, eles não podem prescindir das energias grosseiras do plano carnal, quando desejam sintonizar-se com o perispírito dos médiuns. Daí o maior sucesso dos médiuns nesse elevado intercâmbio, quando se devotam incessantemente ao Bem e vivem à distância dos vícios e das paixões degradantes, pois isso também sublima-lhes os fluidos animalizados, devido à constante conexão com a frequência vibratória das regiões edênicas.

 

PERGUNTA: — Poderíeis nos explicar qual o tipo de sofrimento que então afeta esses espíritos elevados durante o seu contato terreno?

RAMATÍS: Não se trata propriamente de qualquer sofrimento à semelhança do que acontece convosco no mundo físico, pois as vibrações espirituais dessas entidades sublimes superam a mediocridade de freqüência vibratória da matéria, tal como o raio do Sol não sofre perturbação quando incide sobre o vaso de barro.

Os espíritos sábios e angélicos só podem afligir-se quando necessitam manter um contato mais direto convosco e atuar mais positivamente na matéria. Quando eles se servem dos médiuns para as comunicações com os encarnados, ingressam no seio de energias primárias da vida animal, e por isso sofrem a fadiga produzida pelo magnetismo opressivo do meio, o qual atua-lhes no perispírito e oprime-lhes a delicada composição fluídica. Envidam hercúleos esforços para baixar a sua dinâmica angélica natural e assim sintonizarem-se com os fluidos mais inferiores, a fim de poderem se fazer perceptíveis no cenário material.

Embora não possamos descrever com os vocábulos da linguagem humana o estado fluídico incômodo, angustioso e opressivo que ataca os seres angélicos quando se ajustam aos fluidos coercivos do mundo físico, lembramo-vos o caso de um homem sadio e jovial que, depois de habituado ao oxigênio puro e ao perfume inebriante das flores, se visse quase tolhido na sua respiração natural, e ainda obrigado a absorver as emanações sulfiricas de algum pântano. Essa dificuldade no contato mais direto das entidades angélicas com os fluidos ásperos e animalizados do mundo terreno lembra também o caso da criatura que, vestindo alvíssimo traje de linho, necessitasse penetrar com urgência no meio da lama gélida e repugnante, para socorrer alguém em perigo.

 

PERGUNTA: — Porventura as altas vibrações próprias dos espíritos angélicos não ultrapassam as freqüências vibratórias das faixas mais inferiores da matéria, imunizando-os contra qualquer atuação confrangedora? Então esses espíritos elevados, para não se perturbarem em sua ventura, paradisíaca, não devem se aproximar do nosso mundo material?

RAMATÍS: — Repetimo-vos, mais uma vez, que o raio de Sol não se perturba quando incide no vaso de lama. As altas entidades espirituais só padecem pelas vibrações angustiosas quando precisam entrar em “contato direto” com os médiuns e acioná-los no seu ambiente físico. Então necessitam tornar-se receptivas na tela do mundo material, por cujo motivo revestem-se de fluidos terráqueos opressivos, aos quais já estais acostumados por ser condição normal de vossa vida física. É certo que, por força da mesma lei que Deus criou para encaminhar os seus filhos à ventura eterna espiritual, todos os espíritos angélicos também-já cursaram a escola terrena e, por força de sua ignorância, natural do início de sua consciência no seio do Cosmo, também laboraram nos mesmos equívocos e experimentaram as mesmas paixões e vícios que ainda são comuns à humanidade terrena.

Só depois de percorridas as etapas planetárias que lhes facultaram a libertação definitiva da carne, é que então desvestiram-se dos trajes de fluidos animalizados, e puderam integrar-se definitivamente no seio da comunidade angélica. Em suas memórias siderais, eles não esquecem suas próprias dores atávicas, padecidas na vida educativa da matéria, o que então os faz apiedarem-se dos seus irmãos encarnados, que ainda gemem à retaguarda, aproveitando todos os ensejos favoráveis para ajudá-los.

Por isso não temem enfrentar a massa pegajosa e opressiva, que é produzida pelas paixões e pelos vícios da humanidade, assim como certas vezes eles renunciam à sua paz e ventura gozadas na moradia bem- aventurada, para renascerem na matéria com o fito de ministrar diretamente suas lições espirituais no seio da familia consangüínea. E isso o têm provado os sacrifícios dos grandes líderes da vida espiritual, como Antúlio, Hermes, Crisna, Buda e outros, e com particular destaque Jesus, que deixou suas esferas celestiais para habitar a carne terrena e expor pessoalmente os mais avançados programas de salvação do homem imperfeito.

 

PERGUNTA: — Ante a grande dificuldade de os espíritos sublimes comunicarem-se com o nosso mundo físico, não seria possível e aconselhável proceder-se à higienização antecipada do ambiente onde eles dois pretendem atuar? Essa providência profilática não os poderia ajudar a se fazerem mais compreendidos ou, então, favorecê-los para o melhor êxito no espiritual?

RAMIATÍS: — Sem dúvida, para o melhor contato convosco no campo mediúnico, os espíritos superiores tanto requerem a cooperação dos técnicos siderais, para a necessária higienização fluídica ou “ionização” do ambiente em que pretendem se manifestar, como ainda precisam exercer uma ação profilática sobre os próprios médiuns. Estes costumam participar dos trabalhos mediúnicos, em sua generalidade, envolvidos ainda pela aura psíquica que conserva os resíduos mentais dos pensamentos, palavras, objetivos e hábitos esposados durante o dia. Essa emanação residual da mente do médium é densa cortina de fluidos inferiores interpondo-se entre os espíritos elevados comunicantes, o que então requer a sua dispersão e a limpeza do halo mental.

Embora esta providência saudável seja tomada com bastante antecipação, em geral, as entidades elevadas ainda necessitam estagiar de três a seis horas no seio dos fluidos densos e das substâncias espessas em que operam, para só depois conseguirem a possibilidade de agir em direção ao mundo material.

A mensagem espiritual transmitida das esferas elevadas para o mundo físico exige antecipadamente atencioso planejamento e, além disso, os mensageiros responsáveis pela sua divulgação benfeitora devem ser auxiliados tecnicamente na sua descida gradativa, para as camadas fluídicas cada vez mais inferiores. A redução vibratória pelo adensamento gradativo do perispírito deve ser realizada em perfeita correspondência com o tempo de trabalho e o “quantum” de energia disponível no ambiente em que as entidades deverão atuar.

A entidade superior que voluntariamente se devota ao serviço espiritual junto aos encarnados deve ser poupada tanto quanto possível ante a opressão angustiosa dos fluidos densos sobre a sua delicada vestimenta perispiritual.

Mesmo no mundo terrestre não se exige a permanência de alguém por longas horas em local impróprio à sua organização física ou de emanações agressivas senão pelo tempo exato para cumprir-se ali a tarefa determinada. Seria absurdo, por exemplo, exigir-se que o encarregado de alimentar animais no jardim zoológico devesse permanecer longas horas em cada jaula infecta, para depois cumprir a tarefa que exige alguns minutos.

O serviço sideral junto à Terra é supervisionado matematicamente pelo Alto, sendo previstos todos os acontecimentos favoráveis ou desfavoráveis durante o”descenso”vibratório das entidades angélicas, cujo prazo é cuidadosamente determinado, a fim de não ficar oprimido em demasia o energismo perispiritual dessas almas sublimes. Quando elas se propõem a auxiliar os encarnados, necessitam revestir-se de uma couraça protetora de fluidos densos, que lhes estorvam os movimentos mais diminutos, tal como acontece com os antigos mergulha- dores que, submetidos a dificultosa permanência no fundo dos rios, só depois que abandonam o escafandro à superfície das águas é que podem se mover desembaraçadamente,

 

PERGUNTA: — Nesse   planejamento tão meticuloso, em que esses espíritos superiores “baixam” espontaneamente até o nosso mundo, eles sempre logram o êxito esperado em seus projetos benfeitores?

RAMATÍS: — Só muito raramente conseguem o sucesso almejado no contato com o mundo material, e já se consideram bem satisfeitos quando em suas heróicas empreitadas logram um vigésimo do êxito previsto! Embora precisem mobilizar todas as suas energias perispirituais, em conexão com sua inteligência, perseverança e tenacidade espiritual, não ignoram que ainda são bem precários os resultados favoráveis na empreitada de esclarecer o homem terreno.

 

PERGUNTA: — Poderíeis nos indicar quais os fatores adversas que neutralizam os esforços e o devotamento desses espíritos superiores no seu empreendimento sacrificial para esclarecer a humanidade através dos médiuns?

RAMATÍS: — Os principais fatores adversos decorrem principalmente da deficiência do material humano, que nesse caso é o próprio médium encarregado de recepcionar os pensamentos e interpretar as orientações angélicas transferidas para o entendimento do homem encarnado. Muitas vezes um programa espiritual de ordem superior, elaborado cuidadosamente e descido do Alto em ritmo dificultoso,

é sacrificado em sua concretização final pelo médium transviado, que ainda vive preso às paixões perigosas e aos vícios do mundo terreno, atraindo espíritos infelizes e vampirizadores que o desviam facilmente de sua tarefa benemérita.

A irresponsabilidade, o comodismo, os prazeres efêmeros e os interesses subalternos podem aniquilar à última hora um programa sideral que requereu avultadas energias despendidas pelas almas de escol. E is o acontece porque os seus intérpretes humanos negam-se a cumprir exatamente a etapa derradeira que lhes cabe no serviço de propagar a mensagem espiritual educativa para a matéria. É algo semelhante à construção de um importante edifício de objetivo educacional e que, depois de planejado com imenso carinho por engenheiros competentes, adquiridos com suma dificuldade o terreno e todo o material necessário, os operários, num ato de condenável irresponsabilidade, se recusassem a trabalhar.

 

PERGUNTA: — Como poderíamos compreender mais claramente a irresponsabilidade dos médiuns, perante essa empreitada sacrificial de esclarecimento terreno, empreendida pelos espíritos superiores?

RAMATIS: — Não vos deve parecer duvidoso que a concretização final de um programa superior, elaborado no mundo oculto do espírito angélico e com a finalidade de ser revelado em seus mínimos detalhes na Terra, dependa da derradeira peça que, nesse caso, é o médium encarregado de sua materialização no cenário físico. Apesar de se tratar de um projeto organizado nas regiões superiores e muito acima das imperfeições humanas, a sua revelação à luz dos sentidos humanos exige o concurso indispensável do médium, como o último elo situado na matéria.

Embora seja ele a peça menos valiosa no esquema sideral é, no entanto, imprescindível para o trabalho a ser realizado. É a janela viva menos importante, mas tão responsável pelo sucesso da mensagem benfeitora para o mundo físico, tanto quanto a vitória do exército beligerante depende, às vezes, do plano de batalha que o comando geral envia às pressas e por intermédio do mensageiro ignorante. Como espírito encarnado na matéria, com a sensibilidade psíquica avançada para unir os dois pólos, o do mundo espiritual e o da matéria, o médium representa a etapa final dos objetivos ideados pelos espíritos superiores.

Em conseqüência, é muito grave a sua responsabilidade nesse serviço auxiliar com o Alto pois, além de sua própria deficiência espiritual e a dádiva da mediunidade para sua redenção moral, ele ainda é agraciado com a confiança angélica, que o associa às sublimes tarefas de esclarecimento humano. Lastimavelmente, alguns projetos siderais baixam até à crosta material, devido à renúncia e ao sacrifício heróico dos seus elevados executores, mas ficam dependendo, em seu desfecho final, da vontade frágil, indócil e caprichosa de certos médiuns que ainda são escravos das paixões deletérias e devotos das ilusões tolas da vida física.

Mas, devido aos esforços conjugados de todas as entidades experimentadas no labor educativo das diversas esferas intermediárias entre a Terra e o mundo angélico, os princípios esclarecedores da vida imortal baixam até o nível comum dos médiuns sediados na Terra, pois alguns deles, pela sua abnegação e critério superior, compensam a irresponsabilidade e o descaso dos companheiros invigilantes.

 

PERGUNTA: — Poderíamos crer que o esclarecimento do Alto para a Terra sempre se processou desse modo, ficando o seu êxito dependente de médiuns negligentes e irresponsáveis?

RAMATIS: — Não resta dúvida de que o esclarecimento espiritual do homem deverá ser

feito através do próprio homem, o qual é um espírito encarnado e, como tal, um médium em potencial ligado ao mundo invisível. Alguns homens são médiuns inconscientes de sua função, e tanto podem transmitir o bem como o mal. Outros, que já visualizam o fenômeno mediúnico em si, então se transformam nos instrumentos conscientes e disciplinados da revelação da vida oculta.

Mas é preciso convir em que o Alto não fica na dependência exclusiva dos homens imperfeitos para transmitir a sua mensagem salvadora ao mundo físico, pois, quando milhares de homens ou médiuns convocados deixam de transmiti-la a contento, basta um punhado de outros seres conscientes e sublimes intuitivos sintonizados à Mente Divina para compensá-los de modo louvável. Todas as vacilações no intercâmbio mediúnico, as revelações contraditórias, os fracassos de missões espirituais e o retardamento de orientações para a Terra foram compensados regiamente pela presença de um Rama, Hermes, Antúlio, Crisna, Buda, Kardec, Ramacrisna, Maharisi e o Mestre Jesus, os quais restabeleceram as bases indestrutíveis da Verdade Imortal.

 

PERGUNTA: — Mesmo os médiuns de ‘prova” estão assim comprometidos com tarefas elevadas? Como distinguir os que se ligam a compromissos severos com o Alto, daqueles que só resgatam o seu fardo cármico no serviço mediúnico? Os médiuns, em geral, oferecem tão diversas condições morais e variam tanto em sua capacidade intelectual, que dificilmente se poderiam identificar os mais credenciados para um serviço espiritual incomum. Não é verdade?

RAMATIS: — O nosso principal escopo nestes relatos é o de ressaltarmos a grande responsabilidade dos médiuns no desempenho de sua tarefa mediúnica, e também exortá-los quanto às suas atividades no mundo terreno. Já vos temos lembrado que o médium é o homem diretamente compro- metido com a direção espiritual do planeta para realizar um serviço definido junto à humanidade, e também em favor de sua própria renovação moral superior.

Visto não poder eximir-se de sua obrigação pré-encamatória, que assumiu no Espaço, ele deve apurar o seu caráter, controlar suas emoções e aprimorar o seu intelecto no contato incessante com os valores preciosos da espiritualidade.

Em conseqüência, não é de muita importância a preocupação de distinguirdes quais os médiuns comprometidos particularmente com os espíritos sublimes, destinados a exercer trabalhos incomuns no mundo físico. O mais certo e proveitoso é que todos às médiuns cultuem dignamente a vida humana e renunciem em definitivo às ilusões do mundo, protegendo-se, assim, contra as perfídias do astral inferior e credenciando-se eletivamente para cumprir na íntegra qualquer mandato sob o comando das falanges angélicas.

 

PERGUNTA: — Podeis indicar os principais motivos ou fatos que, em geral, fazem os médiuns negligenciarem seus compromissos de última hora, impossibilitando os seus mentores de ultimarem na matéria o seu programa sideral manifesto depois de um andamento tão dificultoso?

RAMATÍS: — Os médiuns, em sua maioria, e antes de se encarnarem na Terra, prometeram cumprir à risca determinados programas com objetivos espirituais, que lhes expuseram no Além, com o fito de influírem algumas criaturas para a sua renovação crística. Entretanto, à última hora, grande parte negligencia ou foge do seu compromisso espiritual, enquanto outra vive de modo tão equívoco, que se toma impermeável à receptividade dos seus elevados mentores. Em geral, eles se deixam influir pelos espíritos maquiavélicos das sombras, que tudo fazem para interceptar as mensagens nobres do Alto e operam contra os objetivos sadios da vida crística.

Às vezes, após incessante assistência cotidiana e benfeitora do guia junto ao seu médium, incentivando-o para que participe de certo trabalho mediúnico com o fito de abalar as convicções errôneas de algumas criaturas, eis que ele desiste de sua tarefa mediúnica da noite, preferindo realizar a visita trivial, demorar-se no repasto glutônico, prender-se à prosa fútil ou entregar-se à aventura pecaminosa.

Como o êxito do intercâmbio mediúnico superior depende muitíssimo do estado vibratório do espírito do médium, isso só é conseguido quando ele se devota a uma vida sadia de corpo e de alma, a fim de manter-se pronto, a qualquer momento, para a convocação do serviço espiritual. Mas, às vezes, o médium apresenta-se para cumprir o seu dever mediúnico só depois que abandona as mesas opíparas, com o estômago e os intestinos forrados pelos miasmas da carne regada a álcool, mal podendo dissimular as erutações da fermentação hostil produzida pela digestação descontrolada.

Quando não é assim, ele gasta os derradeiros minutos que o separam do serviço mediúnico no humorismo vil das palestras fesceninas e do anedotário indecente, cujos assuntos alicerçam-se despudoradamente sobre a figura da mulher. Então apresenta-se para cumprir a tarefa junto à”mesa espírita”, com os fluidos corrompidos, malgrado o esforço profilático dos seus guias para o sanearem das impurezas comuns. Afora de tudo isso, ainda existem os médiuns que buscam a concentração mediúnica depois de violenta discussão conjugal ou da altercação insultuosa com o vizinho teimoso. Enfraquece-se ainda a prática da mediunidade naqueles que destrambelham os seus nervos com emoções tolas junto ao carteado clandestino, pela avidez de ganho na aposta imprudente ou então pela paixão fanática com que comenta colericamente os lances duvidosos do seu clube de futebol em competição infeliz.

Assim, louváveis empreendimentos programados no Espaço, com o fito de esclarecer a humanidade terrena, ficam na dependência exclusiva dos médiuns invigilantes e indiferentes, que deixam de aproveitar integralmente o “acréscimo” da mediunidade concedida generosamente para a sua própria redenção espiritual.

 

PERGUNTA: — Como se caracteriza o médium adequado e digno de exercer o intercâmbio com os espíritos superiores?

RAMATIS: O médium já caracterizado definitivamente pela eclosão de sua faculdade

mediúnica, e que pode ser convocado para o serviço ativo do Bem, é algo semelhante ao mensageiro enviado a ruidosa cidade repleta de vícios e ilusões perigosas, onde ele deve estagiar para divulgar a mensagem sublime dos seus maiorais. Ele tem o direito de trocar a sua veste empoeirada pelo traje limpo, usufruir da alimentação justa, do sono reparador e permanecer junto dos seus entes queridos. Entretanto, comprometeu-se a evitar qualquer contato vicioso e indigno, que possa enodoar o serviço superior e trair a confiança daqueles que o credenciaram para a consecução dos objetivos benfeitores.

No seu contrato espiritual, o médium obrigou-se a repelir qualquer empreendimento capaz de subverter-lhe a sensibilidade mediúnica ou afetar-lhe o caráter espiritual, tais como as aventuras condenáveis, onde a malícia, o desrespeito, a paixão desregrada ou o vício deletério terminam atrofiando as mentes levianas e indisciplinadas. Ele deve ser o esposo digno, o pai amoroso, o cidadão honesto, o filho generoso, assim como o amigo fiel para os que o aceitam no círculo de suas amizades, ou o homem tolerante e benevolente para com os seus adversos.

Embora não despreze os viciados e os infelizes que tombam sob o guante das paixões pecaminosas, não deve pactuar com o vício e a corrupção. Jesus afagava os pecadores, mas de modo algum ele condescendia com o vício e as impurezas do mundo. Amava os homens, mesmo quando eram pervertidos ou débeis de espírito, mas não seas ociava àssuastramas desonestasnem admitia os seus desregramentos morais.

O médium, como espírito que aceitou espontaneamente a tarefa de servir aos encarnados, precisa evitar as práticas viciosas que lhe agravam o carma pretérito, para usufruir da aura benfeitora que se nutre só dos fluidos sadios dos pensarnentos regrados e dos sentimentos benevolentes. Embora ele seja também um espírito encarnado atuando no seio turbilhonante da vida física e, assim, participando dos ambientes de infelicidade e dos sofrimentos humanos, ainda cumpre-lhe o dever de orientar o próximo por entre o cipoal contraditório da vida humana, ofertando-lhe os ensinamentos confortadores que recebe dos seus amigos desencarnados. Mas, sem dúvida, não deve olvidar que, acima de toda a sua obrigação mediúnica, ainda precisa cuidar carinhosamente de sua própria redenção espiritual.

Se ainda existe um contato proveitoso das altas esferas com a humanidade encarnada, isso se deve muito mais ao heroísmo dos espíritos bondosos, que abdicam do seu ambiente paradisíaco para socorrerem seus irmãos ainda comprometidos com a carne, do que ao trabalho dos médiuns existentes na Terra.

 

 

 

PERGUNTA: — Essas frustrações muito comuns no intercâmbio dos espíritos benfeitores para com a Terra só ocorre com os chamados “médiuns de prova”, ou também poderão ocorrer entre aqueles cuja mediunidade é o fruto de sua evolução espiritual?

RAMATIS: — Conforme já frisamos anteriormente, há grande distinção entre a

mediunidade de “prova” e a mediunidade “natural”, em que esta última é faculdade espontânea e intrínseca do espírito já sublimado, isto é, uma decorrência ou corolário do seu próprio grau espiritual. Aquele que usufrui da Intuição Pura, como percepção angélica, fruto abençoado dos milênios de sacrifícios, renúncia e renovação moral na escalonada espiritual, põe-se facilmente em contato com a consciência crística do Criador, pois já vive em sua intimidade o estado de Paz e euforia das almas santificadas. Não pode ele sofrer alterações que o contradigam espiritualmente na sua faixa vibratória já alcançada; é imune às influências menos dignas, pois não vibra com as modulações inferiores dos vícios, das paixões ou das seduções da

 

matéria. Ele não se dissintoniza com o comando angélico do orbe. Sua alma filtra os pensamentos e as revelações angélicas, assim como a lâmina diamantífera fulge à luz suave do Sol, sem se ofuscar o seu brilho natural.

O médium natural não exige que os altos dignitários da Vida Oculta desçam vibratoriamente até à sua organização humana para efetuar o serviço mediúnico, uma vez que ele se encontra ligado permanentemente à fonte angélica e representa na Terra o seu prolongamento vivo. É o cidadão sideral que desceu de sua moradia sublime, mas sem se desligar do plano Divino, cuja mente vibra sempre à distância de qualquer pensamento ou resíduo moral menos digno. Buscando-vos algum exemplo esclarecedor, diríamos que o médium em prova é a lâmpada de vidro colorido, que dá à luz que ele filtra a cor de que também é constituída, enquanto o médium natural, como um foco luminoso cristalino, irradia sempre a luz em sua pureza original.

Como não há retrogradação na intimidade do espírito, o médium natural nunca apresenta contradições em sua mediunidade, a qual é somente a emanação de sua própria graduação espiritual. A faculdade mediúnica é intrínseca à sua própria índole superior, não podendo poluir-se com as imperfeições do meio em que vive, porque também não há decadência em seu nível superior já consolidado. Em conse- qüência, ele não pode causar nenhuma decepção às almas que o inspiram pela “via-interior” e o induzem a elevar o seu padrão espiritual do mundo físico.

Ele jamais precisa ser atuado para agir corretamente, uma vez que permanece continuamente ligado ao pensamento crístico da vida sublime, e a qualquer momento constitui-se na sentinela avançada do Alto sobre a Terra. Quando ele pensa, deseja e age, ainda reproduz vivamente o alto grau da mensagem angélica porque, sendo íntegro no trato evangélico com todos os seres, em seus atos reflete sempre a vontade definitiva do Criador. Assim o foram Francisco de Assis, Antônio de Pádua, Crisna,Tereza de Jesus, Pitágoras, Buda, Jesus e muitos outros anônimos que o mundo desconhece, pela sua grande renúncia e humildade.

 

PERGUNTA: — Os médiuns que negligenciam com esses compromissos espirituais deverão sofrer severamente, depois de desencarnados, as penas impostas pelo Tribunal Divino?

RAMATIS: — Desnecessário é vos dizer que o sofrimento dos médiuns que não cumprem

o seu mandato espiritual dignamente na Terra — e que eles mesmos requereram para a sua própria redenção bem antes de se reencarnarem, não é imposto à semelhança dos julgamentos da justiça humana. Embora não lhes seja aplicado deliberadamente nenhum castigo determinado pelas autoridades sidéreas, as suas con- dições vibratórias demasiadamente confrangedoras e o remorso cruciante, devido ao desrespeito à confiança angélica, são suficientes para vergastar-lhes a consciência e maltratar-lhes a alma angustiada.

Depois que despertam no Além e reconhecem, à luz meridiana de sua consciência espiritual, os enormes prejuízos que causaram na consecução do elevado programa organizado pelos espíritos benfeitores, os médiuns delinqüentes se tornam ainda mais infelizes, verificando a necessidade de recomeçar novamente a mesma tarefa na Terra, não só em piores condições como ainda deserdados do endosso angélico de que abusaram negligentemente. E como ainda é extensa a fila dos espíritos desencarnados aguardando novos corpos físicos para uma reabilitação espiritual que lhes amaine as dores perispirituais e lhes olvide o remorso das vidas pregressas mal vividas, esses médiuns perdulários e faltosos terão de permanecer muitos anos no mundo astral, a meditar nas suas desditas e sofrer o efeito de suas mazelas íntimas.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico