Mediunidade e Espiritismo

CAPÍTULO 1

Considerações sobre o “Livro dos Médiuns”

 

PERGUNTA: — De início, gostaríamos que nos indicásseis qual o método mais eficiente para o êxito do desenvolvimento mediúnico ou qual o processo mais aconselhável para educar o candidato a médium.

RAMATÍS: — Assim como ao futuro acadêmico compete primeiramente estudar a cartilha primária, a fim de aprender o alfabeto que o credenciará para tentar no futuro os estudos mais complexos da cátedra universitária, o médium também precisa começar o seu desenvolvimento mediúnico orientado pelas lições básicas da doutrina espírita. O homem pode tomar-se engenheiro, advogado, médico ou magistrado, mas ele sempre terá de começar pela alfabetização.

Atualmente, à medida que o mundo terreno progride, a sua humanidade também freqüenta cursos para poder exercer as suas profissões as mais singelas e, devido a isso, mul- tiplicam-se e popularizam-se os tratados científicos e os compêndios técnicos, a fim de serem orientadas as experimentações ou as especulações mais comuns. Hoje estudam-se e consolidam-se regras e leis que, baseadas nas longas experimentações do passado, graduam disciplinadamente os estudos mais variados e facilitam muitíssimo o roteiro educativo dos estudiosos. Pouco a pouco eliminam-se as indecisões, os equívocos, os transtornos e as surpresas tão comuns às tentativas empíricas e próprias das experimentações sem métodos seguros.

Em conseqüência disso, os empreendimentos culturais, os cursos científicos e os conhecimentos técnicos modernos são tratados em linguagem acessível a todas as mentes estu- diosas e aceleram o progresso da humanidade terrena, porquanto reduzem a perda de tempo comumente empregado no empirismo desordenado. Proliferam, então, as academias destinadas a oficializar todos os labores humanos, pois diplomam costureiras, floristas, oradores, barbeiros, motoristas, fabricantes de doces, especialistas em extração de calos ou técnicos das mais variadas profissões. É evidente que, se a faculdade mediúnica é destinada a objetivos mais sublimes, e bem mais complexa e importante do que as profissões comuns do mundo, ela também exige um roteiro inteligente, sensato e criterioso,sob o mais devotado carinho e desprendimento de seus cultores.

Nesse aprimoramento mediúnico estão em jogo os elevados ensinamentos da vida evangélica, e a sua finalidade é a de proporcionar ao homem a sua mais breve libertação espiritual. Entretanto, o êxito depende muitíssimo das condições morais e dos conhecimentos do médium, o qual deve se afastar de tudo aquilo que possa despertar o ridículo, a censura ou o sarcasmo sobre a doutrina espírita. O médium desenvolvido, na acepção da palavra, é fruto de longas experimentações em favor do próximo; só o serviço desinteressado, a imaginação disciplinada e o equilíbrio moral-emotivo é que poderão garantir-lhe o sucesso nas suas comunicações com o Alto.

Só o desenvolvimento mediúnico correto, supervisionado por outras criaturas sensatas e experimentadas, é que realmente poderá garantir os resultados proveitosos e evitar os espinhos das decepções prematuras ou o desencanto das tarefas fracassadas. Embora algumas criaturas se deixem atrair pelas manifestações e encenações exóticas, que impressionam os leigos nos fenômenos mediúnicos, o intercâmbio satisfatório e profícuo com o Além também requer disciplina semelhante à que se exige nos cursos acadêmicos do mundo profano.

Assim como seria absurdo pretender alguém candidatar-se a um curso acadêmico, mas negando-se a alfabetizar-se em primeiro lugar e tentando alcançar o seu objetivo superior por meio de tentativas empíricas e experimentações confusas, também é absurdidade que o candidato necessitado do desenvolvimento mediúnico espiritista, despreze as regras e as normas fundamentais do “Livro dos Médiuns”, nas quais Allan Kardec cimentou definitivamente a prática sensata da mediunidade.

Assim como não confiais na criatura que se afirma portadora de um diploma acadêmico, mas sem nunca ter feito os estudos primários, é claro que também não podeis confiar na capacidade, na segurança e no entendimento de qualquer médium que ignore os principios_mais rudimentares sobre a mediunidade expostos no “Livro dos Médiuns”. Muito mais importante e perigosa do que as relações e as profissões no mundo material são ainda as relações entre os vivos e os mortos, por cujo motivo o médium não pode prescindir de um roteiro certo e seguro em seu desenvolvimento, tal como Allan Kardec o estabeleceu em suas obras fundamentais.

 

PERGUNTA: — No entanto, conhecemos alguns confrades que se consideram “bons médiuns” e são bastante seguros em suas tarefas mediúnicas, mas que afirmam nunca haver lido uma página do “Livro dos Médiuns”, nem mesmo consultado qualquer outra obra de Allan Kardec. Que dizeis disso?

RAMATÍS: — Quanto a haver médium bom e seguro, mesmo ignorando as obras de Allan Kardec, não opomos dúvida alguma, pois o Catolicismo, o Protestantismo, a Teosofia, o Esoterismo, o Budismo, o Islamismo, o Induísmo e o Judaísmo, as instituições Rosa-Cruz e outras associações iniciáticas contaram em seu seio com magníficos médiuns de alto critério espiritual, mas alheios aos postulados espíritas. O Espiritismo é o conjunto de leis morais que disciplinam as relações desse “mediunismo” entre o plano visível e o invisível, coordenando também o progresso espiritual dos seus adeptos. Mas os fenômenos mediúnicos começaram a ocorrer muito antes de ser codificada a doutrina espírita, assim como também podem se registrar independentemente de sua existência. Sem dúvida, tendes de distinguir que o mediunismo é manifestação que pode ocorrer independentemente do Espiritismo; o primeiro é uma “faculdade” que pode não estar sujeita a doutrinas ou religiões; o segundo é “doutrina” moral e filosófica codificada por Allan Kardec, cuja finalidade precípua é a libertação do homem dos dogmas asfixiantes e das paixões escravizantes.

A literatura mediúnica, proveniente de várias fontes religiosas e doutrinárias, é pródiga em vos comprovar a quantidade de sensitivos que recepcionam mensagens daqui, embora não operem diretamente sob a inspiração do Espiritismo codificado por Allan Kardec.

Assim é que, independentemente da codificação cardeciana, foram recebidos do Espaço as importantes “Cartas de Meditações” e a obra “Luz da Alma”, ditadas pelo instrutor tibetano a Alice A. Bailey; as missivas de escrita direta a Helena Blavatsky, fundadora da Teosofia, dos mestres Mória e K. H.; as “Cartas do Outro Mundo”, ditadas a Elza Barker por um magistrado inglês; as comunicações intituladas “Trinta Anos entre os Mortos”, pela faculdade da senhora Wicklan; a “Luz no Caminho” a Mabel Collins, inspirada por mentores Yogas; o magnífico poema “Aos Pés do Mestre”, inspirado ao jovem Krisnamurti; “A Vida nos Mundos Invisíveis”, ditada pelo monsenhor Robert Hugs Benson a Anthony Bórgia; as mensagens do Padre Marchai a Ana de G.; “A Vida Além do Véu”, ao pastor protestante rev. G. Vale Owen, de autoria de sua progenitora; as inéditas experiências de Eduardo Van Der Naillen, entre os Mayas — que ignoravam o Espiritismo — originaram “A Grande Mensagem”, obra admirável como repositório de conhecimentos do Além. O bispo anglicano C. H. Leadbeater, um dos esteios da Sociedade Teosófica, revelou poderosas faculdades de clarividência e escreveu instrutivas obras de esclarecimentos espirituais, sem qualquer contato doutrinário com o Cardecismo.

No vosso século, sem se situarem na área espírita, Pietro Ubaldi entregou-vos “A Grande Síntese”, obra extraordinária e de inspiração mediúnica produzida por sublime entidade sideral, e Rosaria de La Torre compôs mediunicamente “Harpas Eternas”, da autoria espiritual de Hilarião de Monte Nebo, destacado iniciado sideral. Os profetas eram médiuns poderosos. Jonas, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Naum, Samuel, Job, Habacuc e outros iluminavam as narrativas bíblicas com os seus poderes mediúnicos. Moisés hipnotizou a serpente e a transformou num bastão, fazendo-a reviver, depois, diante do Faraó surpreendido. Ele sabia extrair ectoplasma à luz do dia; praticava levitações, transportes, e produziu chagas no corpo, curando-as rapidamente. Realizando a mais assombrosa hipnose da História, usou o povo egípcio como “sujet” e o fez ver o rio Nilo a correr como sangue; atuando nas forças vivas da Natureza, visto que conhecia o processo da magia sobre as salamandras, semeava o fogo em tomo de si, cercando-se da “sarça ardente”, e punha em fuga os soldados escolhidos para matarem-no.

Na esfera católica, Terezinha via o sublime Senhor nimbado de luz; Francisco de Assis revelava as chagas de Jesus; Antônio de Pádua transportava-se em espírito de Portugal à Espanha para salvar o pai inocente; Dom Bosco, em transe psicométrico, revia Jesus em sua infância, ou então profetizava sobre o futuro, inclusive quanto às realizações atuais do vosso país’; Vicente de Paula extinguia úlceras à simples imposição de suas mãos e São Roque curava a lepra à força de orações. Teresa Neumann, no nosso século, apresenta os estigmas da crucificação, e alguns sacerdotes católicos se tomam curandeiros milagrosos sob a terapêutica dos benzi-mentos. Na índia, Sri Ramana Maharishi e Nirmala Devi entram em “samadhi”, integrando-se à Consciência Crística, em gozo inefável, mas independentemente da técnica espírita. Lahiri Mahasaya levita-se diante da esposa, que se ajoelha estática, e Babají, o Yogi Cristo da índia, materializa, cura e ressuscita, revelando os mais altos poderes mediúnicos; Buda foi a antena viva ligada ao Alto, vertendo para a Ásia a mais elevada mensagem espiritual; Ramacrisna, através da Bíblia da Natureza, reproduzia aos discípulos os pensamentos mais profundos transmitidos pelos mestres desencarnados. Mesmo Lutero, João Huss, Prentice Mulford, Savonarola, Sócrates, Pitágoras, Apolônio de Tyana etc., já revelavam distinguida faculdade mediúnica, muito antes de Allan Kardec estabelecer o roteiro do “Livro dos Espíritos” e do “Livro dos Médiuns”. Nenhum desses tradicionais seres da História Religiosa era espírita, na acepção do vocábulo, embora todos fossem médiuns, o que ignoravam. Esses inolvidáveis trabalhadores da Verdade não se ufanavam, porém, de ser “bons médiuns”; foi o próprio serviço cristão, consagrado pela História, que os classificou assim.

Conseqüentemente, cremos ser um tanto precário o julgamento em causa própria da criatura que se jacta de que é “bom médium”, mas que desconhece a disciplina do desen- volvimento preconizado por Allan Kardec, e isso muito antes de apresentar um labor convincente na esfera espiritualista. O médium que realmente tem propósitos sérios e pretende um desenvolvimento técnico e disciplinado, ordeiro e seguro, aspirando realizar serviço cristão na seara espírita, pode ignorar o método experimental de Kardec e o subestimar propositadamente, mas de modo algum se livrará das confusões próprias dos experimentos empíricos.

1 — A profecia de Dom Bosco encontra-se publicada na obra “O Brasil e Suas Riquezas”, de Waldomiro Potsch, 30a edição, editada pela Fundação Herculano Xavier Potsch – Rio de Janeiro.

 

PERGUNTA: —   Embora   isso   nos surpreenda, já ouvimos certos médiuns justificarem a sua ignorância sobre o “Livro dos Médiuns”, ou quaisquer outras obras mediúnicas, alegando que os seus próprios “guias” endossam tal atitude. Dizem que, assim, esses guias evitam fortalecer-lhes o animismo, que seria mais intensificado pela associação das idéias dos autores das obras lidas. Esses médiuns são adeptos de um desenvolvimento mediúnico completamente espontâneo, e afirmam livrar-se de qualquer condicionamento literário e métodos doutrinários particulares que possam restringir-lhes a livre eclosão da faculdade em florescimento.

RAMATÍS: — Certamente, tais médiuns pretendem justificar a sua própria preguiça mental ou alergia para com o estudo da doutrina espírita, coisa ainda muito comum em alguns deles. Não percebemos que razões sensatas possam sancionar tais disparates! Já sabeis que, “do lado de cá”, muitas vezes são vertidos conselhos e orientações maquiavélicos por parte de “pseudos” guias, que semeiam incongruências e alimentam sandices entre os médiuns invigilantes e avessos à disciplina espiritual.

Embora a faculdade mediúnica seja espontânea em sua essência, o seu desenvolvimento deve enquadrar-se em rigoroso procedimento e experimentações sadias, livrando-o das práticas e ritualismo ridículos, dos exotismos e das demais inconveniências censuráveis. Não resta dúvida de que existem médiuns de excelente estirpe espiritual, que puderam lograr o seu desenvolvimento mediúnico livres das experimentações aflitivas e isentos dos desenganos e das interferências capciosas dos desencarnados. Mas quando isso acontece é porque se trata de criaturas já credenciadas à proteção excepcional do Além, porquanto o seu trabalho mediúnico é menos “prova” e mais incumbência superior.

Sob qualquer hipótese, os espíritos benfeitores da área espírita sempre preferem comunicar-se pelos médiuns cujo desenvolvimento mediúnico se orientou principalmente pelas normas expostas no “Livro dos Médiuns”, que ainda é o admirável repositório de regras sensatas e advertências salutares, concretizadas só depois de copiosa experimentação mediúnica. É obra que pode ajudar o progresso do candidato a médium, distanciando-o das decepções e do desperdício de tempo, como é muito comum no desenvolvimento empírico e inexperiente.

Kardec estudou profundamente as características psicológicas dos médiuns e classificou-os também de conformidade com o tipo de sua faculdade mediúnica em floração, disciplinando-lhes a imaginação exacerbada das comunicações incipientes dos primeiros dias. Organizou-os em grupos afins e graduou-lhes a capacidade de realização, selecionando os médiuns positivos, calmos, seguros, devotados, coerentes e modestos daqueles que são improdutivos, lacônicos, nervosos, inseguros, vaidosos ou preguiçosos.

Cremos que é bastante desconexa a penetração de médiuns incipientes na floresta espessa das contradições mediúnicas, quando as flores do bom mediunismo já vicejam à beira da estrada larga dos compêndios espíritas. Esses são médiuns que atendem mais propriamente ao imperativo intrínseco de sua mediunidade em floração sem aliá-lo também ao conteúdo doutrinário e moral do Espiritismo. Trata-se de simpatia ou de conveniência espiritual dos seus tipos psíquicos, e que os faz empreender o seu desenvolvimento em ambientes que possuem características diferentes das regras especificadas por Kardec junto à mesa espírita. É o que acontece principalmente nos terreiros da Umbanda, que desenvolvem os seus médiuns sob uma técnica exclusivamente inerente ao fenômeno mediúnico, despreocupada da relação com qualquer disciplina doutrinária já consagrada pelo tempo.

No entanto, também hão de contrariar a pureza da linhagem espírita aqueles que se colocam sob a proteção ou simpatia do Espiritismo, mas desprezam a base do desenvol- vimento mediúnico ensinado pelo “Livro dos Médiuns”. Sabeis que seria perfeita tolice que, depois de os cientistas terrenos terem identificado completamente os elementos químicos e as proporções exatas com que eles se combinam para formar substâncias úteis, como a água, o sal, o enxofre, o açúcar etc., os estudiosos modernos da química resolvessem proceder teimosamente a novas tentativas e experimentações fatigantes, para depois concluírem mais deficientemente, com as mesmas fórmulas dos seus antecessores.

Também não se justifica que certos candidatos a médiuns prefiram o desenvolvimento empírico de sua mediunidade, quando já existe o “Livro dos Médiuns”, em que a sabedoria, a experiência e a ajuda sensata de Allan Kardec escoimaram as práticas mediúnicas das fórmulas improfícuas, das crenças supersticiosas ou das encenações ridículas.

 

PERGUNTA: — Alguns espiritualistas, pensadores, e mesmo alguns médiuns “livres”, que subestimam o “Livro dos Médiuns” e louvam a espontaneidade incondicional do desenvolvimento mediúnico, alegam que o “cardecista” é um adepto de postulados obsoletos e de ensinamentos anacrônicos, que atualmente já estão bastante superados pelos conceitos do espiritualismo moderno. Julgam que o “cardecismo” é velharia, sinônimo de sectarismo intransigente. Que dizeis?

RAMATÍS: — Não aconselhamos a ortodoxia espírita, capaz de impermeabilizar os seus adeptos contra qualquer outro esforço alheio e digno, no campo da espiritualidade. O Espiritismo, conforme já o dissemos, não tem como objetivo agrupar prosélitos ferrenhos e estimular movimentos intolerantes. É empreendimento libertador da consciência e não imposição de seita. Significa o generoso fermento vivo que acelera o psiquismo humano e incita o homem a se libertar quanto mais cedo possível de sua animalidade. A sua missão fundamental, como um catalisador divino, é modificar e exaltar as qualidades de tudo aquilo em que pode intervir ou influir. É o denominador espiritual comum aferindo os valores nobres de todas as almas, em vez de se tomar qualquer ruga sectária, isolando trabalhadores diferentes e que são devotados à mesma causa do espírito imortal.

Em face destas considerações, vereis que é perfeitamente descabida qualquer ironia ou descaso que alguns espiritualistas desavisados ainda emitem contra Allan Kardec e a sua codificação espírita. Nenhum dos seus postulados fere qualquer outro movimento religioso ou doutrina espiritualista, pois foram todos edificados sobre as raízes que milenariamente entrelaçam todos os movimentos consagrados à busca da Verdade. São princípios tão velhos quanto o espírito do homem; isentos de preconceitos de seita ou de casta, eles orientam o curso humano para os objetivos avançados da vida imortal superior. As obras de Allan Kardec foram inspiradas por elevados mentores dos destinos humanos e abalizados psicólogos siderais, conhecedores indiscutíveis das mais ínfimas necessidades da humanidade terrena. São tratados acessíveis ao homem comum, mas suficientes para ajudá-lo na sua emancipação espiritual.

Em seu trabalho redentor, Kardec foi orientado pelo Espírito da Verdade, sob cujo pseudônimo se ocultou um dos mais sábios instrutores espirituais da Terra, o qual, além de genial psicólogo sideral, capacitado para autopsiar os mais complexos recônditos da alma humana, ainda é portentoso cientista que domina todos os problemas cármicos do vosso planeta.

Allan Kardec, portanto, espírito generoso, liberto das peias religiosas e das limitações dogmáticas, não deve ser responsabilizado pelo fanatismo de alguns “espíritas” irascíveis, intolerantes e sectaristas.

O Espiritismo não foi codificado para competir com as demais religiões já existentes, pois que os seus postulados são baseados na Causa e Efeito da Lei do Carma e no processo lógico e sensato da Reencarnação, princípios estes já consagrados milenarmente por todas as filosofias orientais que se preocupam com o mais breve aperfeiçoamento do homem. O vocábulo “cardecismo”, bastante generalizado entre os espíritas, é somente a indicação do modo de se exercer o compromisso da mediunidade isento de rituais, idolatrias, oferendas, distinções hierárquicas ou quaisquer outras exigências que exteriorizam aquilo que só requer um entendimento mais interior. Ele significa, pois, a distinção correta de um procedimento doutrinário, sem menosprezar qualquer idéia ou movimento espiritualista alheio.

As instituições religiosas, as doutrinas espiritualistas ou os estatutos políticos do mundo não devem ser culpados do sectarismo infeliz dos seus adeptos ignorantes e falaciosos, que fazem de sua crença o alicerce para o desforço pessoal contra aqueles que discordam de suas idéias. Da mesma forma, “cardecismo” não significa um agrupamento de homens em oposição doutrinária ou religiosa a outros grupos de homens. É apenas a conceituação tradicional de um sistema de trabalho mediúnico. No campo do mediunismo, significa, mais propriamente, uma preferência técnica, um modo particular de operar em contato com o mundo invisível. O “cardecista”, pois, é aquele que se simpatiza com o exercício mediúnico de “mesa”, isto é, conforme preceituou Allan Kardec para os adeptos da doutrina espírita. No entanto, existem outros sistemas de se praticar o mediunismo, tais como o que se efetua na Umbanda, no qual se tende mais a objetivar todas as expressões e aspectos que os seus comunicantes possuíam na vida física; ou então as sessões de “mesa branca”, dos Tatwas esotéricos, em que os seus filiados se limitam a transmitir conscientemente a “inspiração” que lhes é dada pelos familiares do seu movimento.

De modo nenhum é licito ao “cardecista” censurar qualquer um dos movimentos alheios que, atendendo ao modo peculiar de sua instituição, pratiquem um mediunismo diferente do que é preconizado pelo Espiritismo em seu seio doutrinário.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico