Mediunidade mecânica

CAPÍTULO 12

A mediunidade mecânica.

  

PERGUNTA: — Como é que se processa a mediunidade mecânica?

RAMATÍS: — Na classificação feita por Alan Kardec no “Livro dos Médiuns”, o médium mecânico é “aquele em que o espírito desencarnado poderá atuar diretamente sobre os centros nervosos e nervos motores, sem necessidade de agir pelo seu perispírito”. Isso facilita-os agirem tão livremente e sem obstáculos anímicos, que então escrevem, pintam ou até compõem música sem a interferência mental do médium. Nesse caso o médium não toma conhecimento direto do fato que ocorre consigo, e o espírito comunicante, atuando com fidelidade, tanto consegue escrever na forma que lhe era peculiar na vida física, como também pode tratar de assun­tos desconhecidos do seu próprio intermediário, que apenas assiste em vigília ao trabalho automático de sua mão, poden­do mesmo ocupar-se mental ou verbalmente de outras coisas. O espírito desencarnado liga-se ao médium mecânico através dos gânglios nervosos à altura da omoplata: ali ele dispõe de um segundo cérebro e pode atuar facilmente nos nervos motores dos braços e das mãos do médium, podendo escre­ver diretamente, tal como o fazia em vida física.

Certos médiuns mecânicos chegam a trabalhar com ambas as mãos ao mesmo tempo e sob a ação simultânea de duas entidades; alguns tanto escrevem mecanicamente em sua linguagem comum, como também o fazem em idioma desco­nhecido e até em dialetos já extintos, do mundo. Os seus escri­tos também apresentam caracteres gráficos exatamente como os escreviam os seus comunicantes quando encarnados. Em tais condições excepcionais, o médium mecânico ainda pode palestrar com os circunstantes sobre assunto completamente diferente daquele que psicografa automaticamente.

 

 

PERGUNTA: — Que poderíeis nos dizer sobre a mediu­nidade “semimecânica”, que também é faculdade do vosso atual médium?

RAMATIS: — Conforme explica Allan Kardec no “Livro dos Médiuns”, o médium semimecânico participa tanto da mediunidade mecânica como da intuitiva, pois escreve rece­bendo parte do pensamento dos espíritos pela comunicação e contato perispiritual, ao mesmo tempo que outra parte é articulada pelos comunicantes, independentemente de sua vontade. No médium absolutamente mecânico, o movimen­to de sua mão é dirigido pelo espírito comunicante, e o pen­samento, portanto, vem depois da escrita; no caso do médium intuitivo, a sua escrita é espontânea e voluntária, pois o pensamento do desencarnado precede-lhe o ato de escrever. O médium semimecânico, que atua entre essas duas faculdades, tanto escreve intuitiva e voluntariamente, como às vezes o faz através dos impulsos diretos dos desencarna­dos, cujos pensamentos então acompanham a escrita.

O médium semimecânico tem conhecimento parcial daquilo que escreve, pois a maior porcentagem do assunto transmitido do Além atravessa-lhe o cérebro perispiritual. No entanto, passa a ignorar os trechos que são escritos mecanica­mente pelo seu braço através do plexo braquial e sem fluir-lhe pelo cérebro físico. Em vez de “ouvir” ou “captar” o pensamen­to do espírito comunicante, na recepção intuitiva, quando ele escreve mecanicamente só pode limitar-se a “ler” o que inde­pendentemente de sua vontade vai sendo escrito no papel.

No entanto, ele conhece antecipadamente e fiscaliza uma grande parte daquilo que deverá escrever e que lhe passa pelo cérebro perispiritual, mas ignora os pensamentos ou palavras que a sua mão escreve automática e acidentalmente sob a ação dos desencarnados. A comunicação recebida pelo médium mecânico conserva as características psicológicas e gráficas dos espíritos comunicantes, mas a psicografia do médium semimecânico ainda trai a sua maneira peculiar de escrever normalmente, exceto em algumas frases ou tópicos, em que se percebe o estilo do autor espiritual.

Em verdade, o êxito do trabalho do médium semimecâ­nico depende muitíssimo da sua capacidade em conjugar-se simultaneamente ao pensamento e aos fluidos dos espíritos comunicantes. O médium intuitivo, por exemplo, recebe o pensamento do desencarnado através do seu cérebro perispi­ritual e depois o veste com os seus vocábulos peculiares, expri­mindo-se com o seu próprio modo de falar ou escrever mas o semimecânico tanto psicografa intuitivamente parte do comu­nicado do Além e produz o escrito mediúnico com o seu pró­prio vocabulário, como também emprega frases e palavras, que se grafam espontaneamente e através de impulsos que lhe tomam a mão independentemente de sua vontade.

É uma comunicação que se processa de modo intermi­tente, isto é, parte mecânica e parte intuitiva, e quanto mais esse tipo de médium se absorve no seu trabalho, também os desencarnados encontram mais facilidade para comunicar-se diretamente e sem o necessário contato perispiritual. Entretanto, os médiuns semimecânicos diferem intensamen­te entre si, pois, enquanto em alguns predomina a faculdade mecânica, noutros prepondera a mediunidade intuitiva. O nosso médium, por exemplo, é predominantemente intuitivo e só em raras ocasiões podemos grafar algum assunto sem mantermos contato com o seu cérebro perispiritual.

 

 

PERGUNTA: — Tratando-se de um tema que é do inte­resse da maioria dos médiuns, poderíeis explicar-nos, ainda, com mais detalhes, o funcionamento dessa mediu­nidade semimecânica?

RAMATÍS: — Exemplificamos: o médium intuitivo age conscientemente, por sua livre e espontânea vontade, e compõe o ditado mediúnico, transmitido pelos desencarnados, com si as próprias palavras. No entanto, o médium mecânico sub­mete-se inteiramente ao comando do Além, enquanto sua mão escreve diretamente e sem qualquer interferência de sua parte. O médium semimecânico participa de ambas as faculdades, pois os espíritos tanto lhe transmitem suas idéias através do cérebro do perispírito como, nos momentos favoráveis e de maior sensibilidade mediúnica, conseguem escrever frases ou trechos movimentando-lhe a mão diretamente. O médium bas­tante experimentado, em tais momentos, deixa-se mover docil­mente, não oferecendo resistência aos impulsos que lhe fluem pelo braço e pela mão. Mais tarde comprova que parte da comunicação psicografada foi escrita mecanicamente, enquan­to a outra parte passou-lhe nitidamente pelo cérebro físico.

Dizem os médicos, como se fora notável descoberta moderna, que a eletricidade biológica é o elemento dinâmi­co propulsor do trabalho dos nervos; é a força viva que age no campo neuro-muscular. No entanto, há milênios isso já era conhecidíssimo dos velhos iniciados caldeus, egípcios, etíopes e indus, que a denominavam de”prana”, isto é, o ele­mento magnético e cósmico vital, muito familiar das escolas espiritualistas do Oriente e de todos aqueles que investigam os fenômenos do mundo oculto.

Essa energia, que tanto impregna o perispírito como interpenetra os interstícios de todo o organismo carnal, tam­bém se subordina, na sua manifestação, a leis bastante seme­lhantes aos princípios que disciplinam a energia elétrica. Conseqüentemente, o “prana” ou a eletricidade biológica classificada pela Medicina acadêmica escoa-se facilmente pelo corpo humano através da rede nervosa, e principalmen­te pelas pontas dos dedos ou dos cabelos, em obediência a princípios ou leis muito parecidas às que regem a manifes­tação de eletricidade, na sua forma de energia dinâmica em dispersão ou “fuga” pelas pontas. O “prana”, portanto, como a eletricidade biológica, também foge ou dispersa-se pelas pontas dos dedos ou dos cabelos dos homens; em sentido inverso, ele transforma-se em energia estática e polariza-se em torno dos órgãos e regiões esféricas do corpo físico.

Eis por que é possível aos radiestesistas experimentados atestar o grau de vitalidade orgânica do homem examinan­do as oscilações negativas ou positivas dos pêndulos de pros­pecção, os quais se movimentam conforme a freqüência das ondas eletromagnéticas, que são emitidas pelos corpos ou seres na forma de energia dinâmica ou estática.

Em conseqüência, os plexos nervosos são fontes de “prana” armazenado ou de eletricidade biológica polarizada, constituindo-se nas reservas energéticas, que a qualquer momento transformam-se em energia dinâmica fazendo a conexão dos órgãos físicos e as suas respectivas contrapartes ou matrizes situadas no perispírito, que são extremamente sensíveis à atuação dos espíritos desencarnados, no caso dos médiuns mecânicos. Quando o médium conserva maior potencial de carga magnética em torno dos seus plexos ner­vosos, ele também oferece melhor ensejo para os desencarna­dos acionarem os seus nervos motores e assim identificarem-se mais facilmente por suas características individuais.

O médium mecânico é mais apropriado para identificação dos “falecidos”, pois a seiva magnética que ele acumula prodi­gamente nos plexos nervosos transforma-se em alavanca efi­ciente para os desencarnados comandarem-lhe os nervos motores dos braços, e assim exporem fielmente as suas idéias e escreverem de forma idêntica à que usavam em sua vida físi­ca. Mas o médium semimecânico, cujo sucesso no intercâmbio com o Além depende da melhor conjugação simultânea com os seus comunicantes, vê-se obrigado a preencher intuitivamente todos os truncamentos ou vazios de suas comunicações mediú­nicas, por cujo motivo tem consciência perfeita de quase tudo o que escreve, embora o faça de modo semimecânico. Quando desaparecem-lhe os impulsos da mão, na escrita mecânica, ele prossegue o comunicado passando a “ouvir” intuitivamente os seus comunicantes, que ora escrevem diretamente, ora o fazem pelo ajuste perispiritual.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico