Mesas dançantes

CAPITULO 15

Trabalhos de tiptologia
(Mesas Dançantes)

 

PERGUNTA: — Como se processa o trabalho das cha­madas “mesas dançantes”, conhecido por Tiptologia?

RAMATÍS: — As comunicações mediúnicas pelo pro­cesso de tiptologia, ou seja através das mesas dançantes, são mais favoráveis quando entre os seus componentes se encon­tra algum médium de fenômenos físicos. Ele então auxilia o trabalho fornecendo os fluidos necessários para interpene­trarem os interstícios dos átomos etéreos do duplo invisívelda mesinha, que se ajustam em perfeita conexão com os áto­mos e sistemas eletrônicos da sua estrutura material. Na falta de um médium adequado a esse gênero de trabalho, o seu maior sucesso e exatidão ficará dependendo da melhor harmonia dos fluidos de todas as pessoas participantes do trabalho, pois é a sintonia fluídica na mesma faixa vibrató­ria que neutraliza a força gravitacional para os espíritos operarem livremente.

Então a mesa poderá mover-se em várias direções ou levantar-se, obedecendo ao comando mental e à vontade dos desencarnados, e os seus movimentos serão tão certos e positi­vos quanto o sejam também a qualidade e a natureza da massa ectoplásmica que for arregimentada pela afinidade entre os presentes. Só depois de decorrido o tempo necessário para a adaptação preliminar entre todos os componentes do trabalho, é que se efetua o intercâmbio satisfatório e compreensível com os desencarnados, por meio das batidas convencionadas em alfabeto, através dos toques da mesinha em movimento.

 

PERGUNTA: — É possível tratar-se de assuntos impor­tantes e educativos através da tiptologia? Explicam-nos alguns confrades que a tiptologia é um trabalho mediúnico de baixa qualidade espiritual, em que só operam espíritos inferiores. Isso é verdade?

RAMATÍS: — O que determina a qualidade superior ou Inferior de qualquer trabalho mediúnico não é o seu gênero de expressão, mas, acima de tudo, as condições morais e a natureza dos objetivos dos seus componentes. Não há dúvi­da de que a sintonia com os espíritos desencarnados tam­bém dependerá das intenções boas ou más dos encarnados. Assim como o vício do jogo não está nas cartas de jogar, mas naqueles que jogam com intenções subvertidas, a qualidade do trabalho tiptológico não reside particularmente no fato de se utilizar a mesinha, mas sim no conteúdo espiritual dos que a utilizam. Ela é apenas um meio, um instrumento con­vencional para ajustar os interesses e facultar as relações, como ponto de apoio, entre os vivos e os mortos. Em conse­qüência, é um gênero mediúnico que também permite cui­dar-se com ele de assuntos elevados, desde que seja pratica­do por criaturas mais interessadas na sua ascensão espiri­tual do que mesmo na solução dos problemas da vida mate­rial transitória. O que atrai os espíritos inferiores são os objetivos ou as intenções condenáveis, e não o tipo de comu­nicação mediúnica.

Quanto ao sucesso técnico da tiptologia, conforme já vos explicamos, depende mais propriamente da quantidade ou qualidade do amálgama de fluidos que se puder combi­nar entre os presentes. No entanto, o nível intelectual do tra­balho, principalmente em seu início, fica adstrito à média da mentalidade de todos os seus componentes, pois suas idéias influem consciente ou inconscientemente na manifestação tiptológica. Essa fusão mental impede então a ação absolu­tamente independente dos espíritos desencarnados que operam do Além, pois a coerência e fidelidade no trabalho só é possível depois de certo tempo de intercâmbio mediúnico e maior afinidade entre todos os assistentes. O trabalho, enfim, evolui tanto quanto se reduz o desvio fluídico do ele­mento vital-etéreo em liberdade, que sofre a interferência mental dos encarnados, quando precisa combinar-se à sua força nervosa.

 

 

PERGUNTA: — Como entenderíamos melhor a natureza dessa interferência mental?

RAMATÍS: — Alguns dos participantes, cuja mente e vontade são muito desenvolvidas, podem no início do inter­câmbio tiptológico interferir e truncar a resposta dos espíri­tos operantes, impondo as suas próprias conclusões e mesmo certas emersões do subconsciente. Isso pode aconte­cer porque os movimentos da mesinha dançante são mais propriamente comandados a princípio pela ação vigorosa da energia fluídica dos seus componentes, ainda com fraco domínio dos espíritos comunicantes.

Deste modo, os assuntos tratados através das conven­ções tiptológicas cingem-se à média do nível de entendimen­to comum dos que se reúnem e que se transforma numa “cortina-psíquica”, que os espíritos desencarnados não con­seguem atravessar no propósito de manifestar suas próprias idéias. Em conseqüência, os resultados ou as conclusões espirituais das primeiras manifestações do Além só corres­pondem ao índice mental dos presentes, surpreendendo ou decepcionando-os, porque a comunicação dos espíritos é vacilante, confusa e não sobressai-se da craveira comum.

 

PERGUNTA: — Será então que os trabalhos mediúnicos de tiptologia são exclusivamente fruto do animismo dos encarnados?

RAMATÍS: — Não é isso que pretendemos dizer, mas sim advertir-vos de que o fracasso, a confusão e a incoerên­cia de muitos desses trabalhos tiptológicos são resultantes da precipitação dos seus próprios componentes que, já de início, exigem provas indiscutíveis da imortalidade e a iden­tificação minuciosa dos espíritos comunicantes. Eles igno­ram que, na fase preliminar dessas experimentações mediú­nicas, ainda predomina fortemente a interferência anímica dos que participam e assistem aos trabalhos. Só depois de assíduo e perseverante intercâmbio com o Além, experimen­tação cuidadosa e observação percuciente, é que se estabili­za a tiptologia, em face da presença dos desencarnados sen­satos e benfeitores que, então, principiam a controlar o fenô­meno mediúnico e a dominar a interferência anímica.

Os seus componentes sempre se candidatarão às mais desanimadoras decepções, desde que pretendam servir-se da mesinha dançante como o oráculo infalível, que deve resol­ver-lhes todas as perguntas fúteis e os assuntos tolos. Fora da experimentação séria, com a finalidade construtiva de sadia espiritualidade, o trabalho de tiptologia dominado pelos interesses materiais trunca-se e desilude os seus participan­tes, em face das respostas vulgares dos espíritos irresponsá­veis e o maquiavelismo das sugestões capciosas.

As entidades benfeitoras são unânimes em recomendar que todo intercâmbio e transações dos “vivos” com os “mor­tos” devem ser exercidos só em função de progresso espiritual e à distância de quaisquer objetivos que visem unicamente a solução dos interesses ardilosos do mundo físico. Qualquer trabalho mediúnico sem finalidade superior de libertação espiritual, e que se cristaliza no intercâmbio mercenário com as entidades do astral inferior, termina sempre por agravar a escravidão da criatura às formas terrenas.

 

PERGUNTA: — Quais os recursos que podem elevar o trabalho mediúnico tiptológico além do nível mental criado pelos seus próprios participantes?

RAMATÍS: — São os propósitos adotados pelos seus componentes o que eleva ou rebaixa tanto o nível espiritual como o intelectivo de qualquer trabalho de intercâmbio com o Além. Os espíritos superiores, sem dúvida, são mais desen­volvidos mental e espiritualmente, por cujo motivo eles se transformam em sublimes catalisadores angélicos junto daqueles que lhes merecem a presença ou lograrem atraí-los devido ao cultivo dos seus objetivos espirituais. O trabalho de tiptologia poderá ultrapassar o nível mental escravo da influência dos seus componentes quando eles também pude­rem usufruir da presença ou das relações com os desencar­nados de alta estirpe espiritual.

De início, as respostas dos desencarnados, através da tip­tologia, podem ser incongruentes, evasivas, zombeteiras ou confusas, refletindo em grande parte o automatismo mental e emotivo dos seus participantes, e às vezes contradizem o assunto em foco, ou a compreensão mais comum. O grau de sensibilidade da mesinha está de acordo com o potencial de força nervosa e de magnetismo, conjugados, dos presentes, o que lhe facilita libertar-se da força gravitacional do mundo físico de conformidade com o volume e a natureza do ecto­plasma que for extraído no ambiente. Às vezes a mesa se move mais propriamente pela ação “psico-magnética” dos pró­prios assistentes, enquanto desobedece ao comando dos espí­ritos desencarnados que, atuando em faixa vibratória mais sutil, ficam tolhidos de interferir no comando mais positivo alimentado pelo magnetismo físico dos “vivos”.

Se o trabalho de tiptologia ficar adstrito unicamente à área mental dos encarnados, o que às vezes acontece, ele dei­xará de oferecer qualquer ensejo para se obterem conclusões certas nas perguntas formuladas, e dificilmente poderá auxi­liar quanto à identificação dos seus comunicantes. Repeti­mos: é preciso muito treino, contato mediúnico e paciência para que o trabalho de tiptologia compense integralmente.

 

 

PERGUNTA: — Quais as providências que, de início, poder-se-iam adotar para o mais breve êxito do trabalho tiptológico?

RAMATÍS: — Já vos advertimos de que a base funda­mental do progresso e do êxito de qualquer trabalho mediú­nico ainda é a natureza elevada dos seus objetivos, pois só desse modo afastam-se as entidades galhofeiras e levianas,

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que costumam interferir em qualquer empreitada medianí­mica de propósitos triviais ou interesses materiais. Esses espíritos irresponsáveis tudo fazem para quebrar a fé, semear a desconfiança, a intriga ou as decepções mais amar­gas entre aqueles que tolamente se colocam sob sua direção subversiva. E com mais facilidade eles podem interferir na tiptologia, porque se trata de um intercâmbio apoiado prin­cipalmente pelo magnetismo animal e mais fácil de sofrer a influência das mentes desenvolvidas, embora sejam almas imperfeitas na graduação espiritual. Os vossos guias, embo­ra vos protejam constantemente na vida física, só depois que se firmam os objetivos espirituais e as intenções elevadas dos componentes do trabalho tiptológico é que então conseguem intervir a contento e dispender o seu precioso tempo em favor do vosso progresso espiritual. Os galhofeiros e malfei­tores então se afastam ante a inutilidade dos seus esforços dispendidos para subverter ou mistificar os encarnados.

As criaturas desavisadas da realidade espiritual ou da res­ponsabilidade mediúnica, assim que obtêm algum êxito no intercâmbio espiritual pela tiptologia, não tardam em servir-se desse gênero de trabalho para solver todos os seus interesses de ordem material, sacrificando o esclarecimento espiritual em favor das soluções prosaicas do mundo terreno transitório. Manhosamente truncam o sentido elevado e o ensino moral que os espíritos benfeitores ministram do Além, e encaminham o intercâmbio tiptológico a favor dos seus interesses vulgares no mundo físico. Impacientes ante as instruções e esclareci­mentos sobre a vida do espírito imortal, desviam o assunto espiritual para as indagações fúteis ou interesseiras.

 

PERGUNTA: — Poderíeis explicar-nos esse assunto mais objetivamente?

RAMATIS: — Certas vezes é o chefe da família que, habilmente, tenta extrair dos desencarnados a solução pro­veitosa para os seus negócios mais comuns; o jovem negli­gente e comodista indaga da possibilidade de ser transferido o gerente que lhe dificulta a ascensão na firma em que trabalha; a dona de casa consome precioso tempo do comuni­cante, para que lhe explique a urticária do cotovelo, mani­festada depois de uma feijoada completa; a moça casadoira, mas volúvel, indaga qual dos seus namorados ser-lhe-ia o melhor partido para o desejado casamento; e o caçula, dis­plicente mas vivo, apoiado ainda pelo estímulo materno, requer então do espírito desencarnado uma solução fácil para resolver os seus problemas escolares, pois que se abor­rece em estudá-los. Doutra feita, a visita acidental e encan­tadoramente cética, que gentilmente participa da tiptologia, curiosa e zombeteira, resolve comprovar a realidade do Além, desafiando o espírito comunicante a revelar-lhe a cor do novo vestido que ela adquiriu para o baile de gala.

Indubitavelmente, os espíritos sensatos e criteriosos afas­tam-se de imediato dos grupos de trabalhos mediúnicos cujas indagações não ultrapassam o círculo vicioso dos seus interes­ses materiais. E os seus lugares não tardam a ser preenchidos pelas entidades irresponsáveis, zombeteiras e levianas, que espreitam as oportunidades favoráveis para travar relações com os encarnados na base do negócio doméstico, o que então lhes permite imiscuírem-se cinicamente na vida alheia. Aliás, algumas delas chegam a prestar pequenos serviços, e assim mobilizam novas simpatias mas, como estimam os louvores humanos, procuram impor os seus conceitos vulgares à conta de alta filosofia e revelações incomuns.

Como esses espíritos não possuem cultura espiritual suficiente para orientar com proveito os seus simpatizantes encarnados, o intercâmbio mediúnico e o trabalho de tipto­logia decaem muitíssimo no seu tom intelectivo, situando-se unicamente na esfera das soluções banais e dos conceitos comuns, à guisa de vulgar entretenimento para os ociosos do Além. Mas, desde que os seus componentes se interessem realmente pelo seu progresso moral e pela sua ascensão espi­ritual, o intercâmbio mediúnico disciplina-se e alcança um ritmo produtivo e sério, com a singularidade da mesinha poder revelar até o temperamento dos próprios espíritos comunicantes.

Mediunismo

 

 

PERGUNTA:Poderíeis explicar-nos de que modo a mesinha pode até revelar o temperamento dos espíritos comunicantes, através de seus sinais tiptológicos? Não é ela apenas um móvel sem nervos e sensibilidade?

RAMATIS: — Uma vez que a mesinha tiptológica passa a ser na Terra o prolongamento móvel e material do espírito manifestante, pois é o instrumento de que ele dispõe para manifestar sua inteligência e exprimir o teor do seu psiquis­mo, é óbvio que nos próprios movimentos que ela efetua também pode demonstrar em sua mímica a natureza dos sentimentos, do temperamento e da psicologia que a ani­mam sob a ação do espírito comunicante. É o meio com que ele conta, naquele momento, para exprimir-se em linguagem inteligível para o mundo material. A mesinha, em conse­qüência, é o intérprete material, sensibilizado pelo magnetis­mo humano, que na sua movimentação para dar o recado do Invisível, também se impregna com algo da contextura psi­cológica dos seus próprios comunicantes.

 

PERGUNTA: — Poderíeis atender-nos com alguns exemplos dessa influência?

RAMATÍS: — Ao mesmo tempo que o espírito comuni­cante transmite os seus pensamentos pela “tiptologia”, que é a linguagem das pancadas, ele também exprime a natureza dos seus sentimentos pela “sematologia”, ou seja, a lingua­gem dos sinais.

Assim, quando se comunica entidade benfazeja e sere­na, a mesinha curva-se ou bate docemente, efetuando movi­mentos tranqüilos e suaves; sob a ação de algum espírito severo e enérgico, mas bem intencionado, as batidas são fir­mes, os movimentos exatos, rápidos e decisivos. Os espíritos destros e de bastante vitalidade astral manejam a mesinha com firmeza e segurança; os recém-desencarnados, sofredo­res ou acabrunhados pelo remorso, movem-na de modo penoso e incerto, porque ainda se manifestam psiquicamen­te debilitados e confusos.

As entidades agressivas e mal intencionadas efetuam movimentos bruscos e rudes, apresentando um estilo tipto­lógico carregado de hostilidade; os espíritos coléricos produ­zem movimentos impacientes e nervosos; os espíritos levia­nos, zombeteiros ou mistificadores, através da mesinha traem seus impulsos duvidosos e falsos na burla contra os encarnados, e os néscios e estúpidos do Além acionam-na desassisadamente e de modo confuso.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico