Ramatis

Mediunismo
Ramatis

Psicografia de Hercílio Maes pelo Espírito Ramatís

HOMENAGEM A

RODOLFO DOS SANTOS FERREIRA, coração generoso e idealizador do “Lar Rama-tis” para as crianças, em Osasco, São Paulo.

A OSWALDO POLIDORO, espírito incansável e escritor fecundo, que enriqueceu a bibliografia espírita com admirável conjunto de obras de ascensão espiritual.

Curitiba, 20 de agosto de 1960

HERCÍLIO MAES

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No campo da mediunidade
(Capítulo extraído da obra “Coletânea do Além”, ditada por André Luiz ao médium Francisco

Cândido Xavier. Obra editada pela Livraria Man Kardec-LAKE – São Paulo).

 

O cérebro físico é aparelho de complicada estrutura. Constitui-se de células emissoras e receptoras, que servem nos mais diversos centros mentais reguladores da vida orgânica. Imantam-se, dentro dele, poderosas correntes magnéticas, a flutuarem sobre o líquido cérebro-espinhal, qual a engrenagem de um motor em óleo adequado, produzindo vibrações elétricas com a freqüência de dez a vinte hertz por segundo. Daí parte infinidade de ordens, endereçadas ao sistema nervoso, ao aparelhamento endocrínico e aos órgãos diversos.

O cérebro, porém, tal qual é conhecido na Terra, representa a parte visível do centro perispiritual da mente, ainda imponderável à ciência comum, no qual se processa a elaboração do pensamento, que escapa à conceituação humana.

Referimo-nos a semelhante quadro para comentar a necessidade da cooperação do servidor mediúnico no intercâmbio entre os dois planos – visível e invisível. A tese do animismo, não obstante respeitável, pelas excelentes intenções que a inspiraram, muita vez desencoraja os companheiros chamados a testemunhos de serviço no ministério da verdade e do bem. Os investigadores rigoristas não favorecem o esforço dos médiuns bem intencionados; na maioria das ocasiões destróem-lhes os germens de boa vontade e realização com as suas exigências particularistas no capítulo da minudência, da gramática, da adivinhação. A organização mediúnica, entretanto, como as demais edificações elevadas, não se improvisa no caminho da vida. E o médium não é uma inteligência ou uma consciência anulada nas exteriorizações fenomênicas da comunicação entre as duas esferas. Ainda no chamado sonambulismo puro, no transe completo e nas hipnoses mais profundas, a colaboração dele será manifesta e indispensável. A energia da usina longínqua precisa do filamento da lâmpada, em que se manifesta, produzindo luz e calor. O artista, para arrancar a melodia perfeita, necessita de cordas afinadas e firmes no violino que lhe empresta oconcurso na demonstração musical. A mensagem do cantor, ou do político, requer o aparelho de recepção para ser ouvida à distância. Exige a lâmpada característica especializada, na fabricação. O violino requisita grande experiência e cuidado de manufatura e o receptor radiofônico pede extensa cópia de material elétrico para atender à finalidade que lhe é própria. Se em semelhantes serviços de transmissão, à base de matéria comum, há imperativos técnicos e organização, como improvisar um mecanismo mediúnico, no qual a base de matéria viva associada a elementos espirituais, ainda imponderáveis à ciência humana, exige a construção da vontade com os valores da cooperação?

Edificar a mediunidade constitui uma obra digna do esforço aliado à perseverança no espaço e no tempo.

Um habitante de esfera diferente necessita valer-se dos recursos que lhe oferece o cooperador identificado com o círculo onde pretende fazer-se sentir. Trata-se de imposição vulgar nas próprias relações entre países terrestres, de cultura diversa. O brasileiro que precise conduzir certa mensagem à Inglaterra, desprovido de contato anterior com a vida britânica, de modo algum dispensará o intérprete e esse intermediário, para cumprir a tarefa, deve preparar-se devidamente. Adaptar-se uma entidade desencarnada ao cérebro, ao sistema nervoso e aos núcleos glandulares do companheiro encarnado, ajustando peças biológicas e eliminando resistências celulares, sem nos referirmos aos processos mentais inacessíveis à compreensão atual dos fenômenos, não é operação matemática que se efetue através dos cálculos de alguns instantes. É organização paciente, requisitando muito concurso e devotamento por parte dos amigos em serviço na crosta planetária.

E, assim afirmando, convidamos os colaboradores sinceros do Espiritismo evangélico a dedicarem maior atenção à chamada “mediunidade consciente”, dentro da qual o intermediário é compelido a guardar suas verdadeiras noções de responsabilidade no dever a cumprir. Cultive cada trabalhador o seu campo de meditação, educando a mente indisciplinada e enriquecendo os seus próprios valores nos domínios do conhecimento, multiplicando as afinidades com a esfera superior, e observará a extensão dos tesouros de serviço que poderá movimentar a benefício de seus irmãos e de si mesmo. Sobretudo, ninguém se engane relativamente ao mecanicismo absoluto em matéria de mediunidade. Todo intérprete da espiritualidade, consciente ou não no decurso dos processos psíquicos, é obrigado a cooperar, fornecendo alguma coisa de si próprio, segundo as características que lhe são peculiares, porquanto, se existem faculdades semelhantes, não encontramos duas mediunidades absolutamente iguais.

Lembremo-nos de que não nos achamos empenhados em edificações exteriores, onde a forma deva sacrificar a essência e onde a “letra” asfixie o “espírito”, e sim na construção de um mundo melhor, nos círculos de experiência para a vida eterna. Guarde cada colaborador do Espiritismo cristão a consciência, a responsabilidade e o espírito de serviço à maneira de riqueza celeste que é necessário valorizar e multiplicar. Não nos esqueçamos de que, segundo a profecia, através dos canais mediúnicos o Senhor está derramando a sua luz sobre toda a carne, mas que é preciso purificar o vaso carnal e enriquecer a mente, a fim de que o homem terrestre seja, de fato, o intérprete fiel da divina Luz.

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Algumas palavras do médium

 

Prezado leitor,

Embora creia que é desnecessária e cansativa qualquer consideração preliminar sobre o conteúdo desta nova obra de Ramatís, intitulada “Mediunismo”, e que abrange com especialidade os mais variados aspectos do exercício da mediunidade sob o patrocínio da doutrina espírita, cumpre-me o dever de explicar que devem ser atribuídos exclusivamente a mim os possíveis equívocos assinalados durante a leitura destas páginas.

Ainda são raros os médiuns que, a exemplo de um Chico Xavier, podem filtrar com pleno êxito o pensamento dos desencarnados para o ambiente material. E isso ainda se toma mais difícil quando se trata de recepcionar as comunicações dos espíritos categorizados, cuja vibração altíssima ultrapassa a nossa freqüência psíquica comum.

“Mediunismo” assemelha-se às demais obras de Ramatís quanto à sua elaboração, pois também foi confeccionada pelo sistema de perguntas e respostas. À medida que surgiam as dúvidas decorrentes das respostas anteriores de Ramatís, fazíamos novas indagações, e assim se encorpava a obra com outros assuntos de interesse.

Tudo que se perguntou sobre a mediunidade foi respondido satisfatoriamente pelo espírito de Ramatís e, se algo de interesse no assunto foi olvidado nesta obra, não cabe a culpa ao espírito consultado, mas apenas ao esquecimento ou falta de prática de quem fez as indagações. Talvez, mais tarde, os simpatizantes de sua obra resolvam tecer novas consultas em torno da mediunidade, o que, possivelmente, há de proporcionar-lhes outras conceituações mais elucidativas e sanar as omissões atuais. Aliás, quanto a certos ângulos muito controversos sobre a mediunidade, e que exigem esclarecimentos mais minuciosos, Ramatís reportou-se aos mesmos noutras respostas, embora o fazendo sob outra roupagem vocabular. Deste modo, ele procurou avivar a memória do leitor sobre aquilo que deve ser conhecido com melhores detalhes e que favoreça uma interpretação mais certa do compromisso mediúnico.

Já havíamos encerrado o último capítulo desta obra, quando um dos componentes do nosso grupo de trabalho mediúnico solicitou de Ramatís o obséquio de indicar alguns dos compêndios mais credenciados, na língua portuguesa, que pudessem orientar com mais eficiência o desenvolvimento mediúnico e ensinar os métodos mais sensatos e proveitosos para os candidatos a médiuns. Ramatís, após frisar que já é bem servida a bibliografia desse gênero, no Brasil, e que se encontra capacitada para explicar com eficiência a natureza das relações mediúnicas entre vivos e mortos, indicou-nos algumas obras que considerou mais apropriadas para auxiliar o desenvolvimento mediúnico, em conformidade com os preceitos ensinados pela doutrina espírita.

Com o intuito de facilitar a aquisição das obras citadas, por parte daqueles que ainda não as conhecem ou desejam presenteá-las a outrem, combinamos especificá-las nesta página, mencionando tanto os seus autores encarnados ou desencarnados como as casas que as editaram. Ei-las, pois, a seguir:

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec. Edição da Livraria da Federação Espírita Brasileira.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec. Edição da Livraria da Federação Espírita Brasileira.

O LIVRO DOS MÉDIUNS, de Allan Kardec. Edição da Livraria da Federação Espírita Brasileira.

NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE, de André Luiz. Médium Francisco Cândido Xavier. Edição da Livraria da Federação Espírita Brasileira.

ESTUDANDO A MEDIUNIDADE, de Martins Peralva. Edição da Livraria da Federação Espírita Brasileira.

MEDIUNIDADE, de Edgard Armond. Edição da Livraria Allan Kardec (Lake). TRABALHOS PRÁTICOS DE ESPIRITISMO, de Edgard Armond. Edição da Livraria Allan Kardec (Lake).

PASSES E RADIAÇÕES, de Edgard Armond. Edição da Livraria Allan Kardec (Lake). PONTOS DA ESCOLA DE MÉDIUNS. Editado pela Federação Espírita do Estado de São Paulo.

PASSES E CURAS ESPIRITUAIS, de Wenefledo de Toledo. Edição da Livraria do Pensamento.

MANUAL DO DIRIGENTE DE SESSÕES ESPÍRITAS, de E. Manso Vieira e B. Godoy Paiva. Edição da Livraria Allan Kardec (Lake).

MEDIUNIDADE SEM LÁGRIMAS, de Eliseu Rigonatti. Edição da Livraria Allan Kardec (Lake).

 

Curitiba, 20 de agosto de 1960

 

HERCÍLIO MAES