Serviço mediunico

CAPÍTULO 5

Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

 

PERGUNTA: — Ainda poderíeis nos explicar com melhor clareza qual a distinção existente entre os homens que são médiuns necessitados do desenvolvimento mediúnico junto à mesa espirita e aqueles que, embora médiuns, como são todos os homens, podem dispensar tal desenvolvimento?

RAMATIS: — Podem ser considerados “médiuns oficiais”, na Terra, justamente aqueles que se reencarnam comprometidos com serviços obrigatórios na seara espírita. Estes requerem um desempenho incessante de sua atividade incomum, porquanto necessitam com maior urgência, compensar os prejuízos causados a outrem e também acelerar a sua própria recuperação espiritual. Destacando-se dos demais homens, pois gozam de faculdade mediúnica mais acentuada, relacionam-se mais direta e rapidamente com os desencarnados. Conforme seus pensamentos, sua conduta e objetivos na vida, sem dúvida atraem os espíritos da freqüência vibratória sideral que, de conformidade com sua contextura espiritual, passam a influenciar para o bem ou para o mal as pessoas com as quais entram em contato.

Mas justamente porque são raros os médiuns missionários ou de Intuição Pura, também são poucos aqueles que alcançam o “clímax” abençoado do serviço mediúnico sem a preliminar do desenvolvimento torturado. Médiuns há nos quais eclodem ainda os resíduos das velhas paixões que já os conturbaram no passado; os seus pensamentos, palavras e sentimentos são alvo de ataque dos desencarnados, que tudo fazem para impedir-lhes o êxito do serviço mediúnico na seara espírita. Eles tentam fazê-los buscar o desenvolvimento de sua mediunidade à parte de qualquer disciplina ou proteção doutrinária; exploram-lhes o amor-próprio e a vaidade, afastando-os dos ambientes onde criaturas experimentadas poderiam ajudá-los na imunização contra o astral inferior.

É a fase torturada e contraditória, eivada de dúvidas e de esperanças, quando o homem sente o despertar de sua faculdade mediúnica mas, infelizmente, ainda não possui a força moral, a mente desenvolvida e os sentimentos equilibrados, que o deveriam sintonizar imediatamente com as almas benfeitoras, à medida que se abrem as portas de acesso ao mundo invisível. Às vezes, muito tarde é que o médium compreende a natureza e os objetivos do seu exercício mediúnico obrigatório, pois, malgrado ter enfrentado sacrifícios severos, só então com- prova que tudo era feito exclusivamente em seu próprio bem! Então, como um semeador incondicional dos ensinamentos elevados do Alto, tanto precisa imunizar-se contra as críticas alheias, como impermeabilizar-se às lisonjas ou evidências perigosas à vaidade personaYstica da vida humana. As suas dores, ingratidões e injustiças são menos importantes do que as desventuras do próximo; as suas próprias opiniões não podem provocar qualquer conflito ou hostilidade alheia contra a doutrina espírita, que o acolhe e beneficia para usufruir o ensejo de renovação espiritual.

Os demais homens — embora sejam outros médiuns em potencial — serão unicamente responsáveis pelos seus atos e por aquilo que possa influir nos seus familiares. Mas os médiuns já consagrados ou admitidos como trabalhadores ativos no serviço mediúnico organizado, da seara espírita, representam no mundo profano uma idéia espiritual elevada, que não pode nem deve ser tisnada pelos seus interesses pessoais ou caprichos vaidosos.

 

PERGUNTA: Já tivemos oportunidade de conhecer médiuns poderosos, que produziam fenômenos incomuns e curas extraordinárias e, no entanto, alguns foram homens que mercadejavam com sua faculdade mediúnica, enquanto outras eram escravos dos vícios mais comuns. Que dizeis a isso?

RAMATÍS: — Quantas vezes as autoridades públicas, do mundo material, também credenciam determinados indivíduos para desempenharem serviços de importância em favor do povo, porque os julgam homens de bons propósitos, honestos e leais? No entanto, comumente eles enodoam o seu trabalho e traem a confiança dos seus superiores, deixando-se tentar pela cobiça, aveza ou fortuna fácil, terminando por cumprir desonestamente aquilo que lhes fora solicitado para o bem comum!

O mandato mediúnico, que autoriza o seu outorgado a prestar um serviço útil à coletividade encarnada, também beneficia-lhe o espírito imperfeito, por cujo motivo é compromisso que deve ser executado com toda dignidade e elevação moral. Aceitando a tarefa mediúnica de suma importância para si e para o próximo, é evidente que o médium também fica responsável por qualquer desvio ou perturbação que venha a produzir durante o exercício de sua tarefa no mundo profano.

Mas é evidente que os anjos do Senhor, por serem almas repletas de ternura e amor, sempre guardam suas esperanças na corrigenda ou renovação dos espíritos que, embora sendo imperfeitos e culposos, são convocados ao serviço espiritual superior da mediunidade no mundo físico. Assim, eles não os privam subitamente da faculdade que os põe em contato com o mundo espiritual; multiplicam-lhes as oportunidades de recuperação das novas faltas e os ajudam a sanar os deslizes cometidos no seio de doutrina que os apóia na carne. Paradoxalmente, quais árvores nutridas de seiva arruinada, esses médiuns ainda continuam a dar bons frutos! … Mas ignoram que é o generoso “toque” angélico, que tudo higieniza e sublima, o que realmente promove as curas e garante as revelações sadias.

Cegos pela vaidade de se julgarem auto-suficientes, capazes de tudo realizar na suposta independência de qualquer comando invisível, abdicam da vigilância e do bom senso, imunizam-se à vibração angélica e tombam fragorosamente no lodo de suas própriás imprudências. Infelizes e orgulhosos, não conseguem- perceber quando também “muda” a presença oculta que os protegia; quando se retira o anjo e em seu lugar surge a figura maquiavélica e astuta do gênio das sombras! Dali por diante, há um “dono” e não um “guia”, em lugar do orientador terno e tolerante, que a todos os equívocos e interesses inconfessáveis do médium apunha o selo da sua responsabilidade espiritual, surge a alma cruel, daninha, orgulhosa e viciosa, que exige, domina e castiga. Desaparece o anjo amoroso, que conduz as almas para o reino da Luz, e se manifesta o senhor de escravos, que depois arrasta do túmulo o espírito imprevidente para as regiões das trevas!

Esse é o fim dos médiuns que, depois de agraciados por destacados poderes espirituais no trato do mundo físico, para o bem de si e da coletividade encarnada, terminam enodoando sua tarefa com a vileza da negociata impura e carreando a desconfiança e a hostilidade para o serviço mediúnico.

 

PERGUNTA — Não seria mais prudente que os espíritos superiores evitassem a concessão de faculdades mediunicas prematuras aos homens, desde que ainda não se encontrassem espiritualmente seguros para cumpri-las na Terra?

RAMATÍS: — Não se trata propriamente de poderes concedidos extemporaneamente pelos mentores da Terra aos homens imaturos em espírito. É que às vezes estes não passam de antigos magos que dominavam facilmente as forças ocultas, exerciam o fascínio sobre os elementais e usavam da hipnose para fins interesseiros, tal como no caso de Rasputin, que se aproveitou dos seus poderes extra-terrenos para realizar seus objetivos torpes, como instrumento vil das trevas. Quando tais espíritos retornam à carne para tentar a sua renovação espiritual manejando os mesmos poderes que desvirtuaram no passado, mas sob promessa de só os empregar a favor do bem, nem sempre logram sustentar por muito tempo o tom espiritual elevado que lhes é requerido pelos mentores siderais.

O coração atrofiado e a mente aguçada pela vontade poderosa que é exercitada em vidas anteriores traem esses espíritos no trabalho mediúnico do Bem, caso não se curvem humildes e desde o princípio de sua tarefa sob os postulados redentores do Cristo. Quando os responsáveis pelo progresso do orbe verificam a inutilidade de conservá-los no serviço ativo da seara, vêem-se obrigados a alij á-los de qualquer modo, a fim de que cessem os graves prejuízos decorrentes de sua atividade descontrolada.

Mas Deus sempre concede a oportunidade de renovação moral e do trabalho digno a todos os seus filhos. E a prova mais evidente do que dizemos é que, se presentemente já esposais princípios espirituais dignos e superiores, isso deveis à bondade divina, que tolerou as vossas iniqüidades do pretérito, concedendo- vos também a graça do serviço redentor tantas vezes quantas vos equivocastes. Em verdade, os pecadores são justamente aqueles que mais precisam de Amor, tanto quanto os enfermos necessitam do médico.

Desde que do lodo pode surgir o lírio imaculado, é óbvio que dos lábios dos homens impuros também é possível nascerem a esperança e o roteiro para os seres desarvorados na estrada da vida humana. E se Deus, o Criador do Universo, que deveria exigir-nos o máximo de submissão e acatamento aos objetivos sublimes de Sua Obra, multiplica os ensejos de nossa mais breve redenção espiritual, sem dúvida, o homem, sua criatura, não tem o direito de odiar, maltratar, roubar e execrar o seu próprio irmão de destino sideral.

Eis por que motivo o grande sucesso de todo médium fenomênico ou intuitivo ainda se fundamenta num único compromisso incondicional — cultivar sua mediunidade com o Cristo e tornar-se um trabalhador ativo na seara do Mestre. Não basta ver, ouvir e sentir espíritos em seu plano invisível, pois o médium, em qualquer hipótese, deve ser o homem que, além de contribuir para a divulgação da imor- talidade do espírito na Terra, é cidadão comprometido pelos deveres comuns junto à sua coletividade encarnada, onde só a bondade, o amor, o afeto, a renúncia e o perdão incessante podem livrá-lo das algemas do astral inferior.

 

PERGUNTA: — Quais seriam as vossas considerações sobre a mediunidade com o Cristo?

RAMATíS: Considerando que a faculdade mediúnica de “prova” ou de “obrigação” é sempre o acréscimo que o Alto concede ao espírito endividado para conseguir a sua reabilitação espiritual, sob hipótese alguma deve ela ser negociada ou vilipendiada. É o serviço de confiança que o médium exerce em favor alheio sem deixar de cumprir todas as suas obrigações para com a família, a sociedade e os poderes públicos. Os mentores siderais não lhe exigem o sacrifício econômico da família, a negligência educativa da prole, o descuido com as necessidades justas da parentela, para só atender indiscriminadamente ao exercício de sua faculdade.

Cada médium, como espírito em evolução, conduz o seu próprio fardo cármico gerado no pretérito delituoso, o que também lhe determina as obrigações em comum no lar, onde vítimas e algozes, amigos e adversários de ontem empreendem o curso de aproximação espiritual definitiva. Assim é que, em última hipótese, deve prevalecer sobre o serviço mediúnico o cumprimento exato das determinações cármicas que lhe deram origem à existência na matéria. E considerando-se que o mundo de César é o reino transitório dos interesses da vida material para a educação do espírito imperfeito, o dom mediúnico é a dádiva espiritual do reino do Cristo, e não mercadoria de especulação mundana.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico