Telepatia

CAPÍTULO 24

A telepatia e as comunicações mediúnicas.

 

PERGUNTA: — Certos críticos afirmam que os médiuns são apenas telepatas passivos, pois as comunicações de espí­ritos desencarnados não passam de transmissão de pensa­mentos dos próprios vivos que freqüentam as sessões mediú­nicas. A seu ver, os médiuns são criaturas muito sensíveis recepção das ondas “ultra-microcurtas” emitidas pelos cérebros dos encarnados, o que os leva a crerem-se interme­diários das almas do Além-Túmulo. Há fundamento nessa explicação?

RAMATÍS: — Não discordamos quanto à possibilidade de os fenômenos telepáticos intervirem na prática mediuni­ca, mas isso não prova que os médiuns sejam unicamente transmissores de pensamentos dos freqüentadores de sessões espíritas. A mediunidade exclusivamente inspirativa é, em verdade, efetuada pelo processo de comunicação telepática. E por isso, é necessário distinguir se são dois espíritos encar­nados a se comunicarem entre si, pela transmissão do seu pensamento, ou se se trata de espíritos desencarnados que projetam o seu pensamento sobre o médium.

Na telepatia processada exclusivamente entre os encar­nados, uma vontade ativa transmite os seus pensamentos a outra vontade deliberadamente passiva, o que se constitui num processo de transmissão mental diretamente de encar­nado para encarnado. Mas, no caso da comunicação mediúnica telepática, além de o médium deixar-se “inspirar” por outro espírito desencarnado, ele também assenhoreia-se dos seus problemas venturosos ou aflitivos, assim como, às vezes, recepciona mensagem espiritual educativa que ultra­passa o seu entendimento ou concepção comum que tem da vida.

Na telepatia, um cérebro ativo envia ondas concêntricas que são captadas por outro cérebro receptor passivo, porque ambos sintonizam-se à mesma faixa vibratória de transmis­são mental. No entanto, a comunicação mediúnica efetua-se pelo “ajuste perispiritual” entre o espírito do médium e o desencarnado, em que o primeiro recebe diretamente a men­sagem que deve transferir para o mundo material.

 

PERGUNTA: — Então há possibilidade de o médium recepcionar telepaticamente o pensamento do público, para depois reproduzi-lo verbalmente, certo de ser comunicação de espíritos desencarnados?

RAMATÍS: — A transmissão telepática pode ocorrer em qualquer lugar, bastando que para isso existam circunstâncias favoráveis e dois cérebros apropriados ao fenômeno, em que um transmite e outro recepciona os pensamentos. Aliás, desde que o médium precisa entregar-se a um estado de passividade para receber os pensamentos dos desencarnados, não é difícil que ele também capte alguns pensamentos dos encarnados que fazem parte do seu ambiente de trabalho. É o caso da tele­patia acidental, com a recepção de idéias soltas e sem concate­nação, que interferem na comunicação mediunica, embora sem modificá-la, pois não se produzem pela vontade deliberada de quem as emite.

No caso de pura telepatia entre os encarnados, o fenôme­no é subordinado exclusivamente aos acontecimentos do mundo físico, enquanto que, no intercâmbio telepático inspi­rativo com os espíritos desencarnados, os médiuns captam notícias inéditas do Além, fazem previsões acertadas e mui­tas vezes expõem assuntos que, além de transcender aos seus próprios conhecimentos, ainda ultrapassam a concepção habitual dos freqüentadores das sessões espíritas.

Nas instituições espíritas em que os desencarnados de melhor graduação podem atuar com segurança e manifes­tar-se com êxito pelos seus intérpretes mediúnicos, o fenô­meno decorre isento de qualquer interferência telepática por parte dos encarnados e mesmo das entidades do Além. Os médiuns bem assistidos são isolados e protegidos pelos seus guias contra qualquer influência exterior, por cujo motivo as suas comunicações guardam a fidelidade do pensamento enviado do “lado de cá”. Assim como a mediunidade não invalida o fenômeno da telepatia, este também não pode invalidar aquela, pois, além de ambos exercerem-se de modo bastante diferente, ainda ocorrem em planos bem diversos.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico