Tesouros enterrados

CAPÍTULO 26

As comunicações dos espíritos
sobre tesouros enterrados.

PERGUNTA: — Que dizeis de certos espíritos que, tanto nas sessões de mesas como em terreiros de Umbanda, costu­mam indicar locais onde foram enterrados tesouros por pira­tas, jesuítas ou aventureiros? Em geral, eles explicam que certa parte do que for descoberto pode ser empregada em obras de beneficência, aliviando-se assim os infelizes que estão presos magneticamente ao local onde enterraram os tesouros.

RAMATÍS: — Às criaturas que freneticamente se põem a procurar tesouros indicados por alguns espíritos desencar­nados, recomendamos de princípio a advertência de Jesus, quando assim se exprimia: “Não acumuleis tesouros na Terra onde a ferrugem e os vermes os consomem e onde os ladrões os desenterram e roubam; acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem nem os vermes os consomem, porquanto onde está o vosso tesouro, aí também está o vosso coração. (Mateus, 6: 19)”.

Quanto às entidades que nas sessões mediúnicas indi­cam tesouros enterrados, na maioria das vezes trata-se de espíritos brincalhões, zombeteiros e irresponsáveis, que abu­sam da ingenuidade humana propondo empreitadas que excitam a cobiça. Eles não guardam escrúpulos e, por isso, causam as maiores decepções, induzindo os encarnados a empreenderem os mais exaustivos esforços físicos na abertu­ra de túneis, em escavações em terrenos pedregosos e difíceis, para encontrarem os supostos tesouros, enquanto riem e gozam desbragadamente dos que se deixam fascinar pela avidez da fortuna fácil.

No entanto, as almas que realmente enterraram jóias, moedas ou demais valores, e que por isso sofrem aprisionadas à lembrança das coisas em que imprudentemente fixaram o seu ideal, raramente estão em condições de poder elucidar os encarnados quanto ao local em que elas se encontram, pois, além de angustiadas pelas vibrações de cupidez e avareza que movimentaram no mundo físico, encontram-se desorientadas sob o guante dos fluidos mórbidos do astral inferior.

 

PERGUNTA: — Mas não seria um empreendimento caridoso desenterrarem-se os tesouros que ainda aprisio­nam as almas imprudentes sob atroz sofrimento? Desde que os valores ocultos fossem aplicados em obras filantrópicas, porventura isso não poderia melhorar a situação espiritual dos espíritos infelizes que tolamente os esconderam?

RAMATÍS: — Mesmo que os ex-donos desses tesouros pudessem indicar os locais em que foram ocultos, nem por isso se poderia extrair deles a avareza, a rapacidade ou a cupidez ainda existentes no seu coração, fruto do profundo egoísmo de haverem pensado exclusivamente em si. Quer estejam ligadas aos seus tesouros enterrados, ou deles sejam afastadas, essas almas continuarão a sofrer em si mesmas os efeitos da causa mórbida que as levou a ocultar valores de circulação no mundo material. Sob a lei benfeitora e justa do Carma, aqueles que movimentam forças magnéticas, tocados pela cupidez e avareza, no enterramento egoísta de bens, deverão sofrer-lhes o efeito coercivo até à sua comple­ta dissolvência.

 

PERGUNTA: — Poderíamos supor que esse aprisiona­mento do espírito junto aos valores enterrados é imantação magnética fruto de um ato de magia; não é assim?

RAMATÍS: — Esses espíritos não ficam imantados magneticamente aos objetos ou tesouros enterrados devido a qualquer operação de magia. É a sua própria vontade que ali os prende, mobilizada como o foi para um ato de profun­da avareza e contrário às leis espirituais. Depois de desen­carnados tolda-se-lhes o raciocínio e passam a viver em constante pesadelo, dominados pelo medo de perderem aquilo em que puseram toda sua força de posse e objetivo de vida. Na verdade, é crime perante as leis espirituais a sub­tração e o ocultamento de bens de circulação comum quan­do são isolados para atender ao egoísmo e à avareza dos seus donos.

 

PERGUNTA: — Supondo-se que algum tesouro descoberto por criatura magnânima e desprendida de quaisquer interes­ses pessoais seja por ela devolvido à circulação e aplicado em obras de caridade e filantropia, porventura o espírito que o enterrou não se livra do seu tormento espiritual, favorecido pelas bênçãos e a gratidão das criaturas beneficiadas?

RAMATÍS: — Se supuserdes que os tesouros desenter­rados e depois distribuídos às obras de beneficência possam causar alívio e exonerar de responsabilidade os espíritos avaros e egoístas que os enterraram, então também tereis de admitir a eficácia das missas e das orações consagradas aos homens cruéis, desonestos e cúpidos, que usufruíram da existência humana exclusivamente em seu próprio bem, explorando o próximo. Aqueles que enterram tesouros ou objetos, movidos pela ganância e cobiça, ficam destituídos do direito de auferir as bênçãos e a gratidão das criaturas que mais tarde são beneficiadas pelos valores postos em cir­culação.

O bem é fruto espontâneo do grau espiritual do ser e não o produto de circunstâncias favoráveis. O tesouro enterrado, aplicado posteriormente por criaturas magnânimas em servi­ço benfeitor, não comprova que essa fosse realmente a vonta­de daquele que o enterrou, caso ele ainda pudesse dispor novamente dos bens que segregou do meio. Mesmo no caso das almas sofredoras, que por vezes aparecem nos lugares ermos e conseguem apontar a algum médium ou encarnado o local certo, onde em vida enterraram algum bem, elas ainda agem sob o interesse de se livrarem o mais cedo possível do sofrimento acerbo que ainda as acicata no Além, em conse­qüência de sua estupidez e avareza.

Então afligem-se para se desembaraçarem do tesouro que tão avaramente esconderam e não podem mais utilizar em face de atuarem noutro plano vibratório de vida. Elas não renunciam espontaneamente aos bens enterrados, mas assim o fazem porque ficam impedidas de usufruí-los, cedendo-os tal como reza o velho provérbio popular: “Quando não pude­res carregar, dá ao próximo e então te aliviarás”.

Deste modo, não lhes cabem as graças das criaturas favo­recidas pela distribuição dos valores que tinham sido segrega­dos de modo ilícito e depois cedidos unicamente por forca de circunstâncias dolorosas. A própria oração tem finalidade jus­ticeira e por isso só beneficia a quem fizer por merecer o que pede, pois não há injustiça nem privilégio no Cosmo, mas, na verdade, a “cada um será dado segundo as suas obras”.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico