Vidência ideoplástica

CAPÍTULO 18 

Vidência ideoplástica.

PERGUNTA: — Por que motivo entre os vários retratos que foram pintados mediunicamente sobre a vossa figura perispiritual, nenhum deles se parece estritamente convosco? O vosso sensitivo explica-nos que sois amorenado, olhos oblí­quos e que não tendes o aspecto adolescente de um jovem de quinze anos, como vos pintaram. Também apresentais uma fisionomia expressivamente ocidentalizada, quando, na rea­lidade, sois um tipo oriental descendente de indu e chinesa. Diz o médium que a maior semelhança entre vós e os retra­tos mediúnicos pintados reside somente no tipo das vestes, do turbante e das cores de vossa aura. Que dizeis?

RAMATÍS: — As diferenças comumente existentes entre a verdadeira configuração perispiritual dos desencarnados e as pinturas mediúnicas resultam mais propriamente dos efeitos imprecisos e muito comuns dos fenômenos de ideoplastia. As idéias e os pensamentos produzem ondas e radiações que, por sua vez, devem formar imagens daquilo em que se pensa. No entanto, como as nossas são configuradas no plano da 4.a dimensão, nem sempre se ajustam com exatidão às formas tri­dimensionais da visão carnal.

Assim, é muito difícil para os encarnados obter uma fotografia perfeita e exata das idéias ou das imagens que projetamos do Além sobre a mente dos médiuns intuitivos, videntes ou desenhistas. Mesmo quanto à exatidão das comunicações faladas ou psicografadas dos nossos pensa­mentos, ainda são raros os médiuns intuitivos que apanham a realidade intrínseca do assunto que desejaríamos transfe­rir para o conhecimento do mundo material.

Em comparação com a freqüência retardada dos acon­tecimentos do mundo material, ainda é muito grande o ace­leramento ou a fuga vibratória dos fenômenos que se suce­dem no mundo astral, do que resulta considerável desajuste no mesmo tempo da ocorrência. Como ilustração concreta dos nossos dizeres, basta dizer que o nosso médium, neste momento, mobiliza toda a sua capacidade psíquica para captar com êxito as idéias que formulamos do “lado de cá” e, no entanto, não consegue transferir fielmente para a maté­ria o assunto que sente na intimidade de sua alma. Servin­do-nos de rude exemplo, diríamos que, enquanto emitimos um “tonel” de pensamentos, o nosso médium só consegue captar em seu equipo físico a quantidade pensada que sim­bolicamente só caberia num “copo”.

 

PERGUNTA: — Poderíeis esclarecer-nos melhor o moti­vo dessa contradição entre o original-espírito e a cópia retratada mediunicamente?’

RAMATÍS: — Os retratos pintados mediunicamente, que não reproduzem fielmente a configuração perispiritual ou a fisionomia dos desencarnados, ressentem-se geralmente de três dificuldades características. Às vezes, o médium desenhis­ta, quando retrata o espírito desencarnado, apenas sente-lhe a vibração à distância e o confunde com a imagem que ele “vê” mentalmente no momento em que desenha. Noutros casos, as pessoas presentes ao trabalho mediúnico pensam fortemente em determinado espírito de sua simpatia, e o médium dese­nhista, então, confecciona o retrato conforme a figura que ele sente projetada na cortina astral, ignorando que se trata uni­camente de imagem que foi pensada por um encarnado naquele instante. Sem dúvida, a pintura então será tão perfei­ta ou imperfeita quanto for a capacidade e a fidelidade de quem a pensar. Finalmente, a maioria dos casos de imperfeição do desenho mediúnico provém mesmo da inabilidade e deficiência técnica do médium desenhista, que por vezes ainda se junta a uma faculdade incipiente e incapaz de pres­sentir com proficiência o modelo desencarnado.

Em virtude da semelhança que é muito comum nas ves­timentas dos orientais, os videntes ou desenhistas confun­dem facilmente os espíritos dessa origem devido aos seus turbantes ou túnicas tradicionais, tal como já tem aconteci­do conosco, quando erroneamente nos tomam por outras entidades. É muito comum aos trabalhadores do Oriente apresentarem-se aos médiuns ostentando certos emblemas iniciáticos do Espaço, como a esmeralda, o rubi, o topázio ou a safira nos turbantes, e que não expressam a convenção comum das jóias terrenas, mas apenas certa identificação particular, tal como os fraternistas terrenos usam a estrela de salamandra, o signo de Salomão ou o triângulo egípcio. Não se trata de talismãs ou insígnias supersticiosas, nem mesmo de distinções hierárquicas, a que somos avessos, mas apenas de sinais que identificam as entidades sob o mesmo gênero de trabalho e de responsabilidade espiritual nas comunidades astrais do Oriente.

Quanto a nós, temos aparecido ao sensitivo e à vidência dos terrícolas com as vestes religiosas que usávamos há um milênio em nossa última romagem carnal na Indo-China, isto é, espécie de indumentária iniciática dos bispados daquela latitude geográfica. Os espíritos esclarecidos e certos de que todas as criaturas provêm do mesmo Criador e jamais se dis­tinguem por privilégios espirituais, não se preocupam com a fidelidade ou exatidão de suas fisionomias copiadas do mundo físico e que são retratadas pelos médiuns desenhistas. Sabeis que o espírito, à medida que se reencarna, translada-se para outros planetas ou ascensiona para planos espirituais superiores, também modifica inexoravelmente a substância e a estética de sua vestimenta perispiritual.

Se fôssemos colecionar os diversos perispíritos que já modelamos desde o nosso primeiro contato espiritual com a matéria planetária, o certo é que terminaríamos confusos ante a variedade de aspectos e figuras que já envergamos nas vidas carnais, enquanto se manteve intacta a nossa indi­vidualidade espiritual responsável por tais manifestações no mundo de formas. Atualmente já temos consciência de que somos um singelo “número sideral” classificado nas fichas da contabilidade divina, por cujo motivo desinteressamo-nos dos nomes com que fomos conhecidos nas tabelas educati­vas do mundo físico e dos preconceitos ancestrais extintos na cova material. A personalidade humana, que muitos ainda defendem fanaticamente em sua hereditariedade bio­lógica, para nós é o rótulo que nos marcou provisoriamente no aprendizado da escola física.

Em face da determinação divina do Pai, em que todos os espíritos são anjos em potencial a caminho da ventura eterna, no reino do espírito puro o corpo físico e o perispíri­to são apenas trajes anacrônicos deixados no seu limiar. Se ainda conservamos a configuração de nossa última existên­cia na Indo-China, em lugar de qualquer outra plasmada pela nossa mente ou vivida anteriormente, isso o fazemos para apoio à vidência ou intuição dos terrícolas que vibram conosco no mesmo esforço e ideal de libertação espiritual.

 

PERGUNTA: — A fim de compreendermos satisfatoria­mente a autenticidade ou dificuldade na retratação mediúnica dos espíritos desencarnados, poderíeis esclare­cer-nos, no vosso caso, por que motivo vos retrataram com a aparência de um jovem de quinze anos, em certa pintu­ra mediúnica, embora houvésseis deixado o mundo terrá­queo com a idade física de trinta anos?

RAMATÍS: — A médium que nos retratou perispiritual­mente deixou-se envolver por algum sentimento lisonjeiro e de simpatia para conosco, convicta de que todos os espíritos que participam das tarefas espirituais benfeitoras devem ser demasiadamente belos ou jovens, algo parecidos aos anjos tradicionais da história sagrada.

Aliás, isso é muito comum entre os encarnados, que atri­buem facilmente as características de beleza e sabedoria aos espíritos de sua simpatia tal como ocorre com a família ter­rena, que sempre considera os seus descendentes como as melhores criaturas do mundo! Esse deve ter sido o motivo por que nos retrataram de modo tão lisonjeiro, quando a médium provavelmente nos imaginou habitante privilegiado dos planos edênicos, por cujo motivo nos retratou sob radio­sa atmosfera de luzes, aspecto jovem, emoldurando-nos com as cores mais principescas’!

 

1 — NOTA DO MÉDIUM: – Embora respeitando as evasivas modestas de Ramatís, devo dizer que também o tenho visto no seio de uma massa de luz poli­crômica tão cintilante e transparente, que elimina todas as rugas, sulcos e sinais de maturidade de sua fisionomia, apresentando-o com o aspecto de um jovem de quinze anos, cujo rosto assume um tom rosado; seus olhos amendoados arredon­dam-se pela luz que os inunda facilmente. Ramatís remoça-se de tal modo pelos fulgores luminescentes que se irradiam de sua intimidade, que será dificílimo crer-Ne que o seu perispírito abandonou o corpo carnal aos 30 anos de idade física, pois até seus lábios perdem os contornos orientais.

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico