Vidência

CAPÍTULO 17

Considerações sobre a vidência.

PERGUNTA: Entre um médium vidente intuitivo, que não “vê” propriamente os espíritos, mas apenas lhes recebe as impressões através da mente ou do perispírito, pressentin­do-lhes os contornos, as vestes e a fisionomia, e outro cuja faculdade mediúnica permite-lhe ver diretamente no mundo astral, qual dos dois medianeiros é o mais eficiente, exato e seguro?

RAMATÍS: — Desnecessário é dizer-vos que não são os olhos carnais que vêem os fenômenos da vida do “lado de cá”, mas na realidade é o espírito que vê por dupla-vista, por cujo motivo os médiuns videntes tanto vêem com os olhos abertos como fechados, donde se conclui, conforme explica Allan Kardec, que o cego pode ver os espíritos’.

Como o corpo físico e o sistema nervoso são o prolonga­mento vivo, enfim, o revelador de suas idéias e concepções para o mundo material, o êxito técnico da vidência indireta mental, ou astralina direta, depende principalmente da maior ou menor sensibilidade psíquica da criatura. No entanto, a sua segurança, exatidão e proveito, apesar disso, subordinam-se muitíssimo à graduação moral e espiritual do ser.

Muitos videntes famosos e dotados da dupla-vista focalizavel

diretamente no mundo astral não foram espíritos benfeitores, e o seu desenvolvimento mental, invulgar, não se harmonizava com os seus sentimentos inferiores a serviço do mal.

Em qualquer manifestação mediúnica, é mais importan­te verificar-se a índole e a moral do médium, pois se ele é criatura viciada ou inescrupulosa, também vive ligado aos espíritos desencarnados da mesma estirpe espiritual inferior, por cujo motivo as suas revelações não possuem o mérito e as revelações espirituais proveitosas. Os espíritos das som­bras vivem à espreita daqueles que podem oferecer-lhes a oportunidade da “ponte viva” mediúnica, ligando-os nova­mente com o mundo físico para desfrutarem as sensações tor­pes de que foram tolhidos pela perda do corpo carnal.

 

PERGUNTA: — Podeis nos dar algum exemplo de um médium de vidência astral incomum, mas subvertido quanto aos seus objetivos pessoais?

RAMATIS: — Um dos exemplos mais convincentes é o caso de Rasputin, que, além de possuir outros poderes ocul­tos extraordinários, visualizava diretamente o mundo astral e entendia-se com os gênios das sombras. No entanto, ele aplicava para fins criminosos e inconfessáveis toda a feno­menologia mediúnica de que dispunha, sob o concurso da inspiração do Mal.

Assim, é bem mais útil e seguro o médium de vidência intuitiva que, por sua moral superior e os propósitos benfei­tores que assumiu, permanece incessantemente ligado às entidades sublimes, pois, embora o seja indiretamente, ele vê somente aquilo que é sensato e proveitoso. É de pouca valia o médium de visão astralina avançada que, por viver na companhia dos espíritos diabólicos, faz relatos funestos, pre­diz perturbações e deforma a realidade espiritual, transfor­mando sua faculdade em banca de negócio ou motivo de sensações inferiores.

Os espíritos delinqüentes e malfeitores procuram ligar-se aos videntes excepcionais mas de moral duvidosa, a fim de interferirem em suas faculdades e levá-los ao ridículo, às sandices ou atiçar a intriga e a desconfiança entre os seus companheiros. O seu intuito é o de afastá-los o mais cedo possível dos ambientes moralizados e assim neutralizar-lhes a vidência esclarecedora, de ajuda, na seara espírita. É por isso que certos videntes que vivem sob a ação desses espíri­tos mistificadores revelam quadros tolos, fatigantes e exóti­cos, que lançam a dúvida, despertam o riso ou semeiam a confusão entre os circunstantes.

Os espíritos maquiavélicos tudo fazem para baixar o tom de segurança e sensatez dos ambientes espíritas, e ten­tam anarquizá-los pelas revelações frívolas ou contraditó­rias, que nada têm a ver com a doutrina ou com os objetivos sérios do trabalho. Tanto pela psicofonia como pela vidência, eles fazem descrições ocas e extensas, acumulam detalhes inúteis e cansativos aos presentes, misturando propositada­mente as idéias ridículas e justificando as superstições, quando podem atuar pelos médiuns ingênuos, ignorantes ou de sentimentos censuráveis. E se dispuserem de medianeiro exaltado, exibicionista ou envaidecido pelas competições de oratória mediúnica, então essas entidades das sombras fal­seiam a realidade do Além e chegam a abalar as convicções dos neófitos espíritas.

O médium, pois, vidente, intuitivo ou de vista-dupla direta, antes de se preocupar com o êxito técnico e o poder descritivo de sua faculdade, deve primeiramente evangeli­zar-se, a fim de assegurar o teor verídico e o sentindo benfei­tor daquilo que “vê” ou “sente” no limiar do mundo invisível dos espíritos desencarnados.

1 — NOTA DO MÉDIUM: – Cap. XIV -“Livro dos Médiuns”: Tópico 167

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Índice de MEDIUNISMO DE RAMATIS

Ramatis. No campo da mediunidade. Algumas palavras do médium. Preâmbulo. Sobre Hercílio Maes.

CAPÍTULO 1 – Considerações sobre o”Livro dos Médiuns”

CAPITULO 2 – A Mediunidade e o”Consolador” prometido

CAPITULO 3 – Todas as criaturas são médiuns?

CAPITULO 4 – A”prova” da obsessão

CAPITULO 5 – Os trabalhadores ativos no serviço mediúnico

CAPÍTULO 6 – O médium de “mesa” e o de”terreiro”

CAPITULO 7 – Considerações sobre a mediunidade natural e a de prova

CAPITULO 8 – As dificuldades nas comunicações mediúnicas com o Alto

CAPITULO 9 – A extensão e profundidade das comunicações mediúnicas

CAPITULO 10 – O médium anímico-mediúnico e o Intuitivo

CAPITULO 11 – Uma observação individual

CAPITULO 12 – A mediunidade mecânica

CAPITULO 13 – A mediunidade intuitiva e a de incorporação

CAPÍTULO 14 – Mediunidade sonambúlica

CAPITULO 15 – Trabalhos de tiptologia

CAPITULO 16 – As comunicações perversivas pela tiptologia

CAPÍTULO 17 – Considerações sobre a vidência

CAPITULO 18 – Vidência ideoplástica

CAPITULO 19 – Algumas observações sobre o animismo

CAPITULO 20 – O aproveitamento anímico nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 21 – A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos

CAPÍTULO 22 – A sugestão e a imaginação nas comunicações mediúnicas

CAPITULO 23 – O espírita e o bom humor

CAPITULO 24 – A telepatia e as comunicações mediúnicas

CAPITULO 25 – O problema da mistificação

CAPITULO 26 – As comunicações dos espíritos sobre tesouros enterrados

CAPITULO 27 – Considerações sobre a castidade por parte dos médiuns

CAPITULO 28 – Aspectos psicológicos das encarnações de apóstolos e líderes do cristianismo

CAPITULO 29 – A função dos guias e as obrigações dos médiuns

CAPITULO 30 – O peditório aos amigos do espaço

CAPITULO 31 – As influências obsessivas sobre os médiuns e suas consequências

CAPÍTULO 32 – Considerações sobre o desenvolvimento mediúnico